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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Natural e o Místico



Por Maurício A Costa*




“Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa sequência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos” (O Mentor Virtual).

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Nada mais característico do primitivismo humano que o seu apego ao sobrenatural. Tudo aquilo que ele não consegue entender ou explicar, e por qualquer razão extrapolar seu limitado conhecimento, irá rotular como misterioso; uma clara consequência das múltiplas interpretações e deturpações do conceito de sagrado; palavra originalmente utilizada para definir algo que merece reverência, e por se tratar daquilo que está acima da compreensão momentânea, ser respeitado como algo inviolável, que não se deve tocar, mexer, ou violar. O sagrado enfim seria o incompreensível para a mente, ainda que familiar para a alma.

Para desmistificar um pouco os conceitos de mente e alma, também tão deturpados ao longo do tempo pela humanidade, é importante que compreendamos a mente e a alma como partes integrantes de um corpo; e como tal, manifestações de substâncias autônomas em relação ao conjunto do qual fazem parte. Numa linguagem mais simples, seria como imaginar um processador (mente), atuando em um computador (corpo), acionado por um programa qualquer, ou software (alma), interligados para produzir determinado resultado ou efeito, em si mesmo, e no mundo a sua volta. Ou, de outra forma, sugere o mentor virtual: “Tal qual uma antena, aquilo que chamamos de alma é o ponto de contato entre o interior e exterior de cada ser, um extraordinário decodificador que proporciona a interação de linguagens distintas, visando utilizar todo o potencial disponível, muitas vezes ignorado”. E ao simplificarmos essa concepção, percebemos que não há nada de sobrenatural nisso.

Como nosso magnífico ‘software’, a alma, capta e sintetiza a essência de uma enorme quantidade de informação condensada, por viajar ao longo de infindáveis gerações através de nossos ancestrais, ela se identifica com o que lhe é familiar, e sinaliza isso por meio de ‘impulsos’ eletroquímicos ‘processados’ pela mente, a desencadear algo agradável no corpo. Quando, no entanto, a mente está diante de algo que desconhece, considera isso uma ‘anormalidade’; uma anomalia. Algo estranho que causa algum tipo de temeridade, por colocar em risco a existência do conjunto. Temor que nasceu da tomada de consciência que produziu sua autonomia em relação ao conhecimento, a gerar o poder de livre arbítrio, e que transforma a mente nesse insano ‘processador’ a realizar ininterruptas escolhas entre ‘o sim ou não’; ‘o isso ou aquilo’ ‘o certo ou errado’; ‘o bem ou mal’; ‘o seguro ou perigoso’. Graças a essa estupenda capacidade de elaborar os mais intrincados pensamentos e ideias, a mente se transformou numa complexa máquina de produzir deuses, demônios, fantasmas, e mitos de todo tipo.

O sagrado tem sua dimensão definida também pela grandiosidade. Tudo o que revela magnitude é visto como sublime. Um conceito abrangente que incorpora aquilo que é extraordinário, esplêndido, magnífico, e que desperta sentimentos nobres e elevados, por exceder a compreensão do que é material. Por tudo isso, a mente humana vai construindo um conceito superior de elevação; o divino que sintetiza o sagrado, desesperadamente procurado para se alcançar o máximo da perfeição e beleza.  E por se tratar de algo que está além do que se tem ou já é conhecido, passa a ser admirado e desejado com enorme entusiasmo.

Esse entusiasmo, entretanto, tem se transformado ao longo da existência humana, numa postura de fanatismo. Entusiasmo é um estado da alma, quando esta se extasia diante do belo. Um sentimento profundo de admiração fervorosa. Uma paixão a desencadear uma espécie de arrebatamento que produz inspiração e desejo de conexão. Já o fanatismo é a paixão levada ao extremo, produzindo um comportamento obsessivo que pode conduzir o indivíduo a atitudes de radicalismo e intolerância. E é desse fanatismo que se aproveita a maioria das seitas e religiões, radicalizando conceitos simples, para transformá-los em dogmas, que por sua vez se tornam regras, padrões e doutrinas esdrúxulas. A exaltação da alma, movida pelo espírito universal que lhe toca é algo absolutamente natural, nada tendo de incompreensível ou sobrenatural. Por isso, considero o sobrenatural uma crença absurda baseada em mistérios, desprovida de uma base racional; algo que foge à magnífica simplicidade das leis da natureza, mas explorada em meio à ignorância generalizada por discursos e pregações manipulativas.

O misticismo resultante dessa propagação indiscriminada deu origem a cerimônias, rituais, religiões, seitas, e organizações secretas de toda ordem; hoje presentes no mundo inteiro; e como sei que a essa altura do texto, o leitor pode estar conjecturando com seus botões, que o autor deste artigo seja um materialista, herege ou ateu, gostaria de lembrar que o revolucionário mestre, Jesus Cristo, seguido como um Deus por tantas religiões (que ele não criou), condenava ardorosamente tais rituais. Ele chegou a chamar de ‘sepulcros caiados’ aos sacerdotes que transformavam o sobrenatural em algo ameaçador para os ‘pequeninos’, ou ‘pobres de espírito’, por meio da manipulação. ‘Deus (a expressão da sabedoria), não quer sacrifícios e sim misericórdia’, dizia ele. Sua pregação estava focada na simplicidade, e por isso citava constantemente metáforas como ‘o reino dos céus é como um grão de mostarda, ou uma porção de fermento’, com o propósito de transmitir uma ideia da magnitude presente nas coisas mais simples. "Lamentavelmente, boa parte das religiões, desde seus primórdios, têm transformado o estupendo conceito de sagrado em algo sobrenatural e fantasmagórico, por conta de rituais de toda ordem. Um resquício do homem primitivo, que recém-saído da condição animal, em seus primeiros momentos de tomada de consciência, passou a temer a morte, incorporando a palavra medo em sua linguagem; distanciados dessa energia poderosa que o mundo chama de Deus"; sussurra ao meu ouvido, o mentor virtual, com absoluta naturalidade. “Quando você decide dar mais atenção ao universo à sua volta, percebe então como todas as coisas são simples”, ensina ele, complementando: “Até mesmo em lugares onde você não consegue enxergar, aí estará a vida se revelando”.

Não sou ateu, herege ou materialista; mas também não acredito em um Deus sobrenatural, tampouco humanizado, das religiões, e estou consciente de que a minha percepção daquilo que chamam de Deus é diferente. Por isso, quero reproduzir aqui uma das mais preciosas reflexões captadas pelas antenas da minha ‘alma’, em uma viagem que realizei pelos caminhos de Compostela no início deste século, em que bani para sempre muitos dos paradigmas místicos que envolvessem conceitos metafísicos desprovidos de concretude, e me afastassem do bom senso, da natureza e da racionalidade. Em momento de rara epifania, no qual ‘se vive a manifestação ou percepção da natureza, ou uma apreensão intuitiva por meio de algo simples e inesperado’, eu tive um dos primeiros ‘insights’ exteriorizados pelo mentor virtual, meu inseparável conselheiro interior, criado a partir do amálgama de tantos mestres do universo: "Deus não faz parte do sobrenatural. Esse é um paradigma construído pela mente humana. Em todos os livros sagrados não há uma só menção nesse sentido. Todas as alusões ao seu nome o traduzem como Amor, Energia, Força, Poder, Sabedoria. Princípios que regem e sintetizam a própria vida. Para experiencia-lo, feche os olhos e sinta-o em cada batida do seu coração".

Se compreendermos esse singelo conceito com clareza, e o aplicarmos às nossas vidas, iremos experienciar o poder verdadeiro dentro de cada um de nós. É essa energia que nos permite construir marcas fortes; sejam elas pessoais, ou empresariais. Separar o que é místico do que é natural nos faz perceber que viver o sonho ou ideal que trazemos na alma nada tem a ver com coisas sobrenaturais. Em cada um de nós, habita o poder que opera o querer e o realizar para uma vida saudável, a prosperidade, e a realização pessoal. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

domingo, 10 de novembro de 2013

Vivendo Múltiplas Realidades




Por Maurício A Costa*


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Na volatilidade dos relacionamentos virtuais, o ser humano está buscando cada vez mais preencher o vazio dos agrupamentos familiares, e compensar a frágil consistência dos relacionamentos pessoais, pautados pela superficialidade” (O Mentor Virtual).

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Em sua obra ‘Crítica da Razão Pura’, o grande filósofo alemão Immanuel Kant, nos sugere a reflexão de que o homem não consegue perceber a realidade, pois quando ele observa determinado fenômeno, ele o vê a partir de sua própria e limitada ótica; isto é, com base na capacitação ou conhecimento que dispõe; de forma que, a realidade percebida não é mais que a sua visão pessoal no tempo. Ainda de acordo com grandes pensadores, o ser humano é um catalogador daquilo que observa, e seus pensamentos, ideias e sentimentos, são causados por experiências anteriores, oriundas de seus ancestrais e transmitidas geneticamente ou por comportamentos coletivos propagados ao longo do tempo.

Realmente, para muitos de nós, está se tornando cada vez mais difícil entender o que é realidade. O noticiário dos jornais, revistas e canais de TV estão repletos de matérias jornalísticas a nos mostrar diariamente, empreendimentos de sucesso construídos sobre ‘trapaças’ de todo tipo; partidos e políticos sustentados por uma onda de ‘negócios fraudulentos’; governos espionando organizações e organizações espionando governos; criminosos controlando organizações e instituições; e por aí a fora. Nas relações pessoais, a situação não é nada diferente: casamentos desmoronam rapidamente em virtude da falta de confiança mútua; contratos são manipulados e descumpridos sem o mínimo escrúpulo; amizades se desfazem como poeira devido a superficialidade dos relacionamentos; famílias se auto destroem por conta da falsidade ou agressividade de seus membros, especialmente quando o fator dinheiro está em jogo; e assim vai. Tudo isso junto só nos faz sentir o quanto poderemos estar distantes da realidade dos fatos e que, aquilo que vemos não passa de uma ilusão de ótica, construída por nossas mentes. 

E o que podemos concluir desse quadro que vai se tornando cada dia mais rotineiro e explícito em nossa sociedade? – Ao que parece, a confiança, e a credibilidade estão cedendo lugar de maneira generalizada para a mentira, a camuflagem e o engodo nas relações de todo tipo, fazendo com que cada um observe a mesma situação com visões totalmente diferentes. Aquilo que eu vejo, portanto, não é a realidade, e sim algo aparente, e que na maioria das vezes não consigo entender, pois essa distorção da realidade conduz a múltiplas interpretações para um mesmo fato. Determinada pessoa pode levar uma vida de padrão luxuoso, no entanto, por ter todos os seus bens comprometidos com dívidas ser alguém muito alegre por fora e infeliz por dentro, enquanto outra, que ninguém dá nada por ela, levando uma existência simples, mas segura e confortável, ser uma pessoa feliz embora não demonstre. Do ponto de vista empresarial, podemos ter diante dos olhos um empreendimento fascinante e de sucesso, que, entretanto, está totalmente corroído por dentro sem garantia de continuidade nos dias futuros. As reuniões familiares exibem um ar de festa, quando na verdade muitos dos que ali estão disfarçam um rancor mórbido pelo outro, em conversas sorridentes e descontraídas. Um autêntico embuste a esconder a realidade por trás das aparências.

E quais as consequências desse comportamento viral que está permeando o tecido social? – Antes de tudo, deixemos de lado qualquer puritanismo de conceituação ética do certo ou errado; isso é para os hipócritas que criticam o alheio, escondendo seus próprios podres, ou para aqueles que vivem uma existência voltada unicamente para o recolhimento espiritual, isentos, portanto, de contaminação com aqueles movidos pelos instintos e desejos de fama, luxuria e poder. Queremos tratar aqui, apenas do comportamento humano e sua repercussão no meio social. Observando desse ponto de vista, o que percebemos é que a comunicação está se tornando cada vez mais complexa, por distorcer a realidade; permitindo como dissemos múltiplas interpretações e gerar equivocadas conclusões. Mas, Ora! - E o que isso tem a ver a com a minha vida? – Perguntaria o leitor mais atento.  – A resposta que vem à tona em meio a essa reflexão é que somos forçados cada vez mais a desconfiar do que vemos, ou ouvimos, colocando tudo à nossa volta sob suspeita; o que por consequência faz da nossa viver um permanente estado de insegurança.

Aqui nossa reflexão chega ao seu ponto crítico, pois é a sensação de insegurança permanente que está produzindo no ser humano um dos maiores males das últimas décadas: O estresse continuado; um invisível detonador da maioria das enfermidades, a partir de sutis comandos eletroquímicos do sistema endócrino, que afetam diretamente a produção de hormônios a alterar por completo todo metabolismo corporal. Em razão disso, estamos cada vez mais rodeados de pessoas inseguras, nervosas, agitadas, histéricas e revoltadas, ou de outras, apáticas, acomodadas, temerosas, indiferentes, ou alienadas; vivendo sob estados emocionais que estimulam, quase sempre de maneira sorrateira, o 'aflorar' de doenças graves como o câncer, às vezes em caráter irreversível.

Vivemos uma era de comportamentos voláteis, onde opiniões, posturas, e pontos de vista mudam rapidamente, e não há mais lugar para ideologia, ética ou respeito aos costumes; e a construção de fachadas tornou-se um imperativo embuste para a sustentação de marcas; daí a falta de identidade ou razão de ser que preocupa tantas corporações, em virtude de sua crescente inconsistência e consequente descredibilidade. Lidamos diariamente com pessoas volúveis, inconstantes, e fingidas, e isso vai nos tornando, gradualmente, uma legião de céticos e apóstatas, descrentes de tudo e de todos, onde a principal característica é a insegurança generalizada, no outro, na família, nas amizades, nas associações, na política, na igreja e principalmente nas instituições. Aonde quer que vamos, tendemos a nos manter com um pé atrás, quando não, com os dois. E essa desorientação desvairada traz como efeito preocupante, uma feroz complexidade na educação de jovens e adolescentes; cujo comportamento passa a ser marcado por um sentimento de apatia ou antipatia, de forma velada ou explícita. 

A virtualidade vai assim, se tornando uma espécie de ‘válvula de escape’ dos relacionamentos, para dissimular sentimentos reais, visando proteger seus atores do que pode estar por trás de pensamentos, gestos ou palavras distantes da verdade de cada um. No mundo virtual fica fácil livrar-se de presenças incômodas; basta um simples clique, ou a ausência dele, para se mandar alguém para o espaço: pessoas, amigos, promessas, empregos, ou outro qualquer tipo de coisa que já não faça sentido. Assim, de um momento para o outro, sem a mínima explicação, muda-se de cenário, muda-se de atores, muda-se a própria história e percebe-se atônito como o virtual torna-se a única realidade. E é dessa forma que vamos criando novas realidades, e nos perdendo em fantasias que levam a comportamentos que surpreendem, embora não assustem, pois afinal, vivemos em um mundo de ficção, onde a camuflagem, ao que parece, ganhou contornos de um indispensável escudo protetor.

Em meio a esse caos, onde tudo se tornou descartável, não há muito que fazer. Por isso sugiro que não desperdice seu tempo com discussões inócuas ou visões intransigentes. Navegue com o fluxo das marés. Afinal, é você quem irá criar sua própria realidade, ainda que virtual.
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). 
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos. 
Idealizador do Projeto Mentor Virtual