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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Qual a Força da Sua Meta Pessoal?


Por Maurício A Costa*


"Toda vida tem uma limitação; e ao desafiar o limite, você se aproxima dele. Os heróis são aqueles que iniciam suas ações, não importa qual seja o destino resultante... Cada um de nós tem uma trilha a encontrar e seguir” (Joseph Campbell, em ‘Tu És Isso’ – Editora Madras – São Paulo-SP – 2003)
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Semanas atrás, recebi uma mensagem de uma pessoa a qual preservarei sua identidade por razões óbvias, a me dizer: ‘Prezado Mauricio: Venho acompanhando anonimamente os artigos do seu blog e os fragmentos do 'Mentor Virtual' que você posta diariamente, em suas páginas no Facebook, e você não tem noção do efeito que elas vêm produzindo em minha vida. Venho atravessando um momento difícil, mas suas reflexões estão produzindo significativas mudanças na minha forma de pensar. Por essa razão gostaria de agendar com você uma consulta pessoal, com o propósito de aprofundar um pouco mais alguns assuntos que dizem respeito à minha saúde e à minha vida pessoal que estão sendo afetadas pelas circunstâncias. Pelo que percebi, você é um cara iluminado, e vem causando transformação na vida de muita gente, como já pude ver em vários depoimentos sinceros em sua página...”

Agendamos uma data e horário para nosso encontro e a escutei com carinho durante vários minutos, observando cada detalhe de sua história. Ao longo da conversa, pautada inicialmente por visível desequilíbrio emocional, era possível perceber nela uma sutil característica de insegurança. Relacionamentos confusos, carreira profissional desestruturada, e a falta de um sentido claro para a vida eram a síntese do seu desabafo. Havia um indisfarçável medo desenhado em seu rosto, embora ela parecesse uma pessoa decidida e consciente do que queria. Seu medo, no entanto, não era de qualquer desafio ou circunstâncias eventuais, era de si mesma. Parecia assustada com o próprio estilo de ser, e com as ideias arrojadas que trazia na cabeça. Amedrontada com possíveis reações de outros a sua volta, ela procurava restringir suas palavras e ações, gerando uma enorme frustração e desconforto. Sua vida, segundo suas palavras, parecia dar voltas no mesmo lugar e isso estava desestabilizando sua saúde e crescimento pessoal.

Como ensina meu inseparável Mentor Virtual: "A consciência do próprio potencial gera a energia que libera a força interior em cada um de nós. E nisso consiste o conceito de liberdade que permite escrever a própria história”. - Acontece, entretanto, que muitos de nós não nos damos conta disso. Assustados com a própria força que carregamos, nos esgueiramos sorrateiramente diante de infinitas oportunidades, sabotando nosso potencial de forma mesquinha e por que não dizer covarde. Sentimos medo de avançar; de nos sobressairmos, e com isso nos expormos a um ridículo que tememos desesperadamente; e por conta disso, a frustração vai ocupando espaços que deveriam ser ocupados pela realização pessoal. Por isso, vale lembrar Joseph Murphy em ‘O Poder do Subconsciente’ quando diz: “Não dê a ninguém no mundo o poder de desviá-lo de sua meta, de seu objetivo na vida, que é de manifestar no mundo seus talentos, servir à humanidade e revelar mais e mais sabedoria, verdade e beleza de Deus a todas as pessoas. Permaneça fiel a seu ideal”.

O sonho de cada ser humano é tornar-se o herói. O ídolo, nem que seja para uma única pessoa. O mito, se possível para muitos.  A concretização desse sonho, porém, não é algo fácil. Implica posturas desafiadoras diante grandes obstáculos. Obstáculos que não estão lá fora; estão dentro de nós, e se apresentam como limitadores de nossas ações, tais como a inibição, a timidez, o constrangimento, a hesitação, o comodismo, a preguiça, e tantos outros bloqueios, que costumo chamar de ‘inimigos íntimos’. Inimigos, por serem adversários ferrenhos em nossa jornada pessoal; íntimos, por que dormimos com eles. Todavia, como ensina mais uma vez ‘O Mentor Virtual’: "Não há nada a temer quando se está disposto a enfrentar os próprios medos, criados por fantasmas que aprisionam a mente". Para tornar-se herói é preciso enfrentar todo tipo de limitação ou bloqueio; ou como diz Joseph Campbell desafiar o limite, sem pensar demais no preço das consequências. Assumi-las e ir em frente, sem se preocupar com o destino que resultará dessa decisão, porque o que importa é ‘curtir’ a viagem. Seguir a trilha sem medo ou hesitação.

É comum encontrarmos pessoas cheias de ideias e propósitos desfilando por aí, cheias de argumentação, mas que amarelam covardemente na hora de colocar seu potencial em ação. Protagonizam uma vida de dupla personalidade, divididos entre o que sonham e o que põem em movimento. E assim, esmagados entre o guerreiro e o pávido, irão transferir uma enorme energia negativa para o corpo, como consequência da inércia produzida pelo temor. A alma impulsionando coragem, abnegação e tenacidade para frente, e a mente travando qualquer ação por cautelosa precaução. Tudo isso, produzindo um desgaste emocional desproporcional, por conta de uma batalha interior cujo resultado é um ‘patinar’ sem fim no mesmo lugar como citou aquela pessoa mencionada no inicio deste artigo. Em situações desse tipo é normal que surjam as doenças no corpo, causadas pela enfermidade da alma, agravadas pela inadequada interferência da mente, a fornecer comandos negativos do tipo não pode, não dá, não faça, não se exponha, não se arrisque, e por aí a fora. Configurações exageradas do pensamento preventivo a interferir na harmonia entre corpo e alma.

Algumas vezes, me dou conta de que esse lado ‘iluminado’ como disse minha coachee, é resultante de uma conjunção harmônica que vêm de princípios da filosofia, da teologia, da mitologia, da psicologia e da antropologia, que juntos formam o conceito da 'alquimia'; por isso, iniciar-se um processo de ‘cura’ torna-se algo simples, onde o milagre é operado a partir da tomada de consciência das limitações e potencialidades que carregamos. Ao identificar o que nos incomoda ou nos restringe, começamos a desenvolver uma forma de pensar objetiva, coerente com nossos mais profundos desejos, criando uma linguagem mental sob a forma de pensamentos proativos, ou neurolinguísticos a nosso favor, ao introduzir comandos decisivos que modifiquem nossas posturas diante do medo ou da insegurança por qualquer motivo. Ao proceder dessa forma, estabelecemos o princípio de coerência ou harmonia de que necessitam nossos corpos; criando a ‘unidade’ que resulta em sinergia; o efeito multiplicador que potencializa toda energia que pretendemos aplicar em determinada direção.

Inócuo querer tratar seres humanos como máquinas ou robôs, esquecendo que somos formados não apenas por órgãos, moléculas ou células autônomas, mas também pela energia que permeia todo sistema, a produzir reações em cadeia que tanto podem gerar criaturas saudáveis, guerreiras e bem sucedidas, como também desencadear todo um processo corrosivo de efeitos destrutivos em todos os sentidos, anulando o potencial magnífico que se carrega latente. A medicina, tanto quanto a psicologia, ou a religião não conseguirá de forma isolada encontrar soluções que harmonizem um sistema complexo formado por mente, corpo e alma, que necessita atuar de forma sincronizada. Só uma visão holística, que permita uma compreensão integral de todos os fenômenos que interagem com o ser humano permitirá tratá-lo com a devida individualidade e assertividade.

A força da meta pessoal está ligada diretamente a essa análise. A meta, estabelecida a partir do sonho necessita de uma grande quantidade de energia para ser concretizada. Essa energia, no entanto, não pode ser anulada por uma mente insegura, temerosa, excessivamente precavida, a segurar o ‘querer’ que impulsiona nossos mais profundos desejos. É imperativo que a mente forneça comandos positivos e coerentes para realizar aquilo que nossa alma carregou através dos tempos. Nisso consiste ser herói. É disso que o mito é formado. É assim que se constroem marcas fortes.  

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Conceito, A Essência de Uma Marca




Por Maurício A Costa*



"Destacar-se em meio à multidão não é tarefa das mais fáceis. Exige algumas vezes ir além dos próprios limites. Implica criar diferenciais que tornem você ou a sua marca reconhecida pelos demais" (O Mentor Virtual - Pág. 231 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).
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Há pessoas e empresas que ainda não se deram conta da importância do conceito para sua marca. Trabalham a comunicação do seu produto ou serviço sem se preocupar como ela poderá ser ‘percebida’ por seu público alvo. Utilizam na maioria das vezes uma linguagem apelativa ou sensacionalista, com o mero intuito de chamar a atenção, mas não de construir empatia, isto é, de criar identificação de seus potenciais clientes com a marca. Um conceito claro revela a essência que permeia a personalidade, a empresa, o produto ou o serviço que se pretende ofertar, criando um vínculo natural de atração e desejo espontâneo. Sem ele, a marca não tem 'alma', é apenas um nome.

Tenho visto com frequência anúncios de restaurantes e ‘deliveries’ em outdoors espalhados pela cidade, a exibir enormes pratos de comida, colocando assim toda ênfase exclusivamente no produto, sem a mínima preocupação com a construção de um conceito de marca que possa torna-la inesquecível; e meio atônito, fico me perguntando: Como essa marca poderá se tornar lembrada se não traz qualquer coisa que a distinga da multidão? Quais os seus diferenciais? Qual seu posicionamento no mercado? Com que público está falando? - Como ensina David A. Aaker, em seu livro ‘Marcas – Brand Equity – Gerenciando o Valor da Marca’: “Uma mensagem de conhecimento deve proporcionar uma razão para ser observada, e deve ser memorável. Muitos meios podem levar a esse resultado, mas um dos primeiros é simplesmente ser diferente, incomum”. De nada adianta gastar rios de dinheiro com propaganda, enchendo as ruas, jornais e revistas com anúncios se a mensagem for algo repetitivo, inócuo, e lugar comum. Uma coisa é apenas ser visto, outra coisa é criar desejo. Nisso consiste o diferencial de uma marca forte.

Conceito é algo forte como reputação, e como dizia Shakespeare, em ‘Otelo – O Mouro de Veneza’: “Reputação, reputação, reputação! Oh! Perdi a minha reputação. Perdi a parte imortal de mim mesmo e o que restou é bestial”. Assim o conceito de uma marca: Quando ela não o tem ou o perde é como se perdesse a própria alma. Voltando a citar mais uma vez David Aaker, em sua obra já mencionada: “Se uma companhia perder os seus recursos e o seu dinheiro, mas retiver a reputação, poderá sempre ser reconstruída. Mas se perder a reputação, nenhuma soma de dinheiro e de recursos fará com que ela volte ao mercado”. Portanto, antes de mostrar seu produto ou serviço mostre o conceito por trás da marca. Se ainda não tem isso definido, não saia por aí gastando dinheiro a toa em propaganda.

Mais Que Um Restaurante. Um Lugar Inesquecível
Anos atrás, quando prestava consultoria para um charmoso restaurante na região gastronômica de Joaquim Egídio, em Campinas, encontrei um cenário parecido. Os outdoors de suas campanhas mostravam sempre coloridos pratos de comida, embora seu maior charme fosse o ambiente encantador que envolvia o local. Esse era o grande diferencial que sua agência de propaganda não valorizava. De forma natural, entre outras ações, criamos para eles uma assinatura que sintetizava o autêntico conceito daquele empreendimento: “Mais que um restaurante... Um lugar inesquecível”. Essa passaria a ser sua mensagem. Numa frase, a síntese ou essência do que aquele lugar representava para o público que lota, todos os finais de semana aquele espaço singular em meio a um bosque nativo, para quem procura não apenas por comida, mas alguns outros ‘valores’. Pouco tempo depois, um significativo incremento de resultados veio como consequência de um trabalho focado no conceito da marca.

Em outra ocasião, vivenciei, na qualidade de assessor para assuntos estratégicos de uma empresa de médio porte, momentos constrangedores. Um dos principais executivos daquela organização me olhava como se eu fosse um ET cada vez que em nossas reuniões eu falava em definir um conceito claro para cada uma das marcas da empresa, e em especial um conceito forte que sintetizasse a marca corporativa. Conceito parecia uma expressão sofisticada demais para o seu gosto, (ou quem sabe seu vocabulário). Sua preocupação resumia-se em vender o mais barato possível. Conceito, posicionamento, e foco,  eram coisas extremamente preocupantes para aquele assustado executivo que não via a hora de me ver pelas costas com ideias tão incômodas para o seu agitado dia-a-dia. Alguns anos depois, por conta das mudanças gradualmente implementadas, a empresa multiplicaria várias vezes o seu patrimônio, e significativamente sua rentabilidade, graças a um expressivo trabalho de equipe voltado para o conceito de valor agregado.

Hoje, confesso que fico surpreso com a quantidade empresas que com maior ou menor intensidade pensam e agem da mesma forma, como se ainda vivessem em meados do século passado. São empreendimentos com enormes chances de fazer sucesso nos mercados em que atuam, mas vivem a patinar; sobrevivendo de forma desconfortável, e até embaraçosa, vendo suas margens de ganho minguar, sua participação de mercado ser engolida pela concorrência, e o seu tamanho ser reduzido pela perda de poder competitivo. Tudo isso pela ausência de definição de um conceito claro que oriente um pensar estratégico objetivo, focado na prospecção de novas oportunidades, na eliminação de pesadas gorduras que afetam custos, e no envolvimento de uma equipe comprometida com resultados. E o que é pior: quando as procuramos para oferecer nossa experiência, muitas delas criam barreiras de todo tipo, subestimando a visão de fora que poderia ajuda-las a enxergar ameaças e oportunidades que passam despercebidas aos olhos daqueles que vivem no olho do furacão, envolvidos até o pescoço com uma rotina estressante que absorve toda atenção. A vaidade pessoal do empreendedor ou o medo dos executivos de serem vistos como passivos torna a possibilidade de uma assessoria externa uma odisseia, de final quase sempre ineficaz para todos os envolvidos.

Parodiando a exótica Rainha Vermelha em ‘Alice no País das Maravilhas’ quando diz para Alice: "Você precisa correr o máximo que for capaz, para ficar no mesmo lugar", eu diria: Nos dias atuais, você precisa se mexer! Se você for bastante ágil, ainda assim corre o risco de ficar para trás. Imagine se permanecer parado no tempo, com o olhar perdido no infinito. Em um mundo que se move numa velocidade alucinante, é imperativo agir com eficiência, e mais ainda com eficácia; isto é, fazendo certo ‘a coisa certa’. Por tudo isso, tornou-se imprescindível e urgente definir o conceito de sua marca. Seja ela pessoal, empresarial, ou comercial. Ao faze-lo, estará definindo na verdade Quem você é; O que você quer; Onde quer chegar; e acima de tudo: Como quer ser percebido. Seu futuro pode depender dessa definição. Aposte nisso. (Enquanto há tempo).

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

sábado, 5 de outubro de 2013

Perdidos na Imensidão…




Por Maurício A Costa*




“Em mim brilha o valor de todas as coisas” (Friedrich Nietzsche, em ‘Assim Falava Zaratustra’)

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Que vivemos em um ambiente caótico, todos nós já nos demos conta disso. Fluímos na velocidade da luz, como efêmeros passageiros de uma nave singular chamada terra que viaja em meio a bilhões de galáxias formadas por bilhões de estrelas, envolvidas por bilhões de planetas, cometas e asteroides; e sem que percebamos, atuamos como parte, ainda que ínfima, desse algo extraordinariamente imenso que sequer sabemos definir. Um emaranhado de complexas informações a se fundir ou desdobrar-se em múltiplas possibilidades, sobre as quais não temos qualquer controle. E é nesse ambiente confuso, onde não somos capazes de entender seu início, final ou meio, que teremos de proceder nossas escolhas, tomar decisões e arcar com todas as consequências.

Confesso que fico surpreso cada vez que estou diante de alguém que se sente absolutamente seguro de suas convicções, como se elas fossem únicas e irrefutáveis. Afinal, como pode um ser tão infinitesimalmente pequeno, que não tem controle nem mesmo sobre a própria vida, arrogar-se senhor de qualquer verdade como absoluta? Como ensinava Albert Einstein, ‘tudo é relativo’, uma vez que ‘toda observação depende do ponto de vista em que está situado o observador’. Por isso, considero que toda crença não passa de um ato de fé cega, sustentada apenas pela ilusão de uma falsa segurança, ou pela sensação de conforto produzida pela introspecção de uma ideia que acalma instintos,  ou tranquiliza a alma, para que ela consiga fluir em meio a constantes vendavais, por mares desconhecidos.

"A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino", sussurra meu inseparável ‘Mentor Virtual’. Pensando assim, não acho justo que devamos trilhar nossa jornada guiados exclusivamente por mapas construídos por terceiros; muitos dos quais sequer conhecemos suas reais intenções. ‘Há um ‘mestre invisível’ em cada mínimo detalhe do caminho’, ensina ele, e quando nos damos conta disso, ‘percebemos o quanto a vida é um constante aprendizado, e que seremos eternas crianças desse imenso jardim, perdido entre galáxias de um universo infinito’. E o melhor aprendizado da criança é quando ela o faz por conta própria, em suas magníficas descobertas, e não quando segue roteiros predeterminados, que só fazem bloquear sua imaginação e criatividade. O melhor roteiro é aquele criado por nossa intuição e não aqueles que seguimos como ovelhas manipuladas. Ainda que isso possa ter um preço alto. A sabedoria nos ensina que, para nos sentirmos minimamente responsável por nossos destinos é essencial que estejamos conscientes de nossas escolhas e decisões. (‘Aquilo que o homem plantar, disso também ceifará’).

Alguns de nossos semelhantes, por outro lado, estão mais preocupados com a velocidade do que com a direção. Ignoram que "Caminhar na direção certa, ainda que devagar, é mais eficaz que andar depressa na direção errada" (O Mentor Virtual); por querer chegar rapidamente a algum lugar criado em suas mentes, subestimam os sinais que partem do seu ‘eu’ mais profundo e se embrenham por tortuosos labirintos, dos quais, quem sabe, não mais encontrarão a saída. Desesperados por resultados de curto prazo, muitos desdenham uma reflexão sobre a rota escolhida comparativamente às alternativas que se projetam à sua frente; e ao copiar modelos desenhados por outros, não percebem que suas individualidades clamam por trilhas pessoais, formatos únicos de um caminho que só nossas almas conhecem. Como diz ‘o mentor virtual’, ‘a vida não é mais que uma leve brisa entre duas estações’, por isso, é crucial ‘viver cada minuto com a intensidade do eterno’. Não podemos desperdiçar nosso precioso e efêmero tempo com batalhas inglórias, projetos fúteis, e propósitos superficiais que não se traduzam em algo com significado para nossas vidas.

Se como diz Nietzsche, ‘em mim brilha o valor de todas as coisas’, não vejo porque devo buscar no mundo lá fora a minha própria referência, ainda que isso possa gerar uma imensa polêmica com todos ao meu redor. Sei que cada vez que eu tentar definir meu próprio caminho, muitos irão tentar demover-me dessa ideia, e procurarão levar-me para o ‘rebanho’ das cômodas convergências; o ambiente seguro das concordâncias tácitas, onde o silêncio implica consentimento implícito. Dessa forma, eu deixarei de ser eu mesmo, para tornar-me parte de uma massa cinzenta, amorfa e impessoal, onde não terei voz; e como um zumbi, caminharei como um morto-vivo, desprovido da minha própria identidade, privado de voz, de querer e de vontade.


Só a consciência de mim mesmo pode orientar minhas escolhas. Em meio à multidão, não disponho de outra referência, senão a de que trago comigo, a fagulha daquilo que chamam de sabedoria universal, energia vital, espírito santo, ou numa palavra, Deus. Porque razão deveria buscar lá fora qualquer outra fonte de referência para traçar o meu caminho? Por que devo me guiar por outros, se não sei se o outro está mais perdido que eu... Ou quem sabe construiu sua rota com base em fantasias ou ilusões... Seria como voar, tomando como referência nuvens que se movem ao sabor do vento, ou navegar, tendo como referência outra embarcação que, sem que se saiba, está à deriva.

Nossa vida pessoal, ou a vida empresarial de algumas corporações quase sempre flutua ao sabor de humores momentâneos, informações mal analisadas, decisões impulsivas, e influências externas das mais diversas. Procedemos a escolhas precipitadas, sem levar em conta quem somos, ou o que queremos, ignorando nosso potencial ou limitações. Decolamos sem um plano de voo, alheios às condições do tempo no percurso, superestimando nossa capacidade de controle sobre o imponderável. E o que era para ser um voo tranquilo, sereno, e prazeroso transforma-se em um pesadelo. Uma rota de turbulência sem fim, de final imprevisível. Perdidos em meio à imensidão, esquecemos que dentro de cada um de nós há uma magnífica bússola que consciente ou inconscientemente ignoramos. Por isso, quando sentir-se perdido, não olhe lá fora na escuridão por onde navega sua nave, volte o olhar para a essência daquilo que você é, ou seu empreendimento representa. É aí que estarão todas as respostas. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.