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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Ilusionistas




Por Maurício A Costa*



"Tuas fantasias escondem teus temores. Tuas máscaras revelam as múltiplas personas que por gerações trazes contigo. Sois o reflexo visível de infindáveis sinfonias a permear um universo de possibilidades, e como folhas ao vento, flutuas ao sabor de todas as tuas angústias" (Fragmentos do Mentor Virtual)

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Unidos da Tijuca
Quanto mais conheço o universo corporativo, seja ele empresarial, político ou religioso, mais me dou conta do quanto vivemos em um mundo artificial, marcado essencialmente pelo ilusionismo; isto é, a capacidade de criar artifícios e truques com o propósito de gerar no observador uma percepção distinta da realidade. No meio corporativo, ganha espaço e poder aquele que seja mais astucioso, e por consequência, capaz de criar os maiores efeitos pirotécnicos, com o mero intuito de desviar a atenção da realidade por trás dos bastidores. O engano dos sentidos produz interpretações equivocadas e leva o observador a acreditar naquilo que escuta ou vê, gerando uma completa distorção da realidade. E assim, promessas vão se tornando esperanças, ou falsas expectativas, que com o tempo se tornarão decepcionantes frustrações.

Vivemos cercados de executivos, empreendedores, políticos e sacerdotes ‘experts’ na arte do ilusionismo; vendendo promessas de sucesso, vitórias, conquistas, realização e felicidade. Sustentados por mensagens brilhantes, esbanjando energia e autoconfiança, criam estupendas fantasias, nas quais eles mesmos passam a acreditar, tamanha a empolgação. No discurso eloquente, a arte da retórica, com o emprego de expressões pomposas, destinadas a persuadir sua plateia, sustentadas por informações manipuladas recheadas de emoção, com o fim de produzir o efeito artístico desejado e criar uma aparente realidade. A montagem dos cenários costuma ser ao estilo ‘hollywoodiano’ para que o devaneio seja completo. Palcos grandiosos, luzes, projeções multimídias, música, apresentações empolgantes, e assim por diante. Nada pode ser esquecido, para que se possa criar o envolvimento emocional necessário. A ilusão de ótica é fundamental para gerar a percepção desejada.

Para reforçar o ardil, nada melhor que trazer ao evento, reunião ou encontro um palestrante, orador ou consultor famoso, de renome no mundo empresarial ou político. Ele saberá como dar cores ainda mais fortes ao evento. Mostrar-se-á como um ‘messias’, dono da verdade absoluta e conhecedor pleno de todos os fatores e circunstâncias; o que lhe dá poderes para diagnosticar o presente com total segurança e prever o futuro com insuperável precisão. Afinal, seu nome é sinônimo de sucesso e sua marca é a de alguém acima de todos os mortais; mesmo que a maioria ignore que ela tenha sido fabricada artificialmente por grupos, partidos ou corporações que se encarregam de construir mitos para seduzir plateias e dar sustentação para ideias e projetos mirabolantes.

Eike Batista
E aonde vai dar tudo disso?... Pergunta-me o leitor que pode não estar acompanhando muito bem esta reflexão. A resposta é simples: Tudo isso leva à construção de castelos sobre areia; paraísos artificiais que podem desabar a qualquer momento como vem ocorrendo recentemente com um grande império econômico nacional, e que poderá acontecer em breve com muitos outros empreendimentos privados ou governamentais, que hoje se apresentam como sucesso absoluto, deixando nos pés tantos outros empreendedores, que passam a se sentir incompetentes ou sem ‘sorte’ no mundo empresarial ou corporativo. Há centenas, quem sabe milhares, de empreendimentos que neste momento não passam de fachadas. Carregam pesados endividamentos, impagáveis negociações de impostos atrasados, ou gigantescos ônus trabalhistas, que os deixam em condição de inadimplência, sem fôlego; o que pode levá-los a uma situação de recuperação judicial, na tentativa de afastar o fantasma de uma eventual falência. Algumas dessas empresas, para fugir dessa turbulência terminarão vendidas, ou incorporadas por outras organizações, jogando pela janela anos de investimentos e dedicação de equipes cujas ideias foram vaidosamente ignoradas.

Ex-Senador
Demóstenes Torres
Muitas dessas organizações, privadas ou estatais vêm sendo corroídas não apenas por administrações temerárias disfarçadas pelas magníficas fachadas que já mencionamos, mas também pela elaboração de contratos irregulares, manipulados para beneficiar pessoas ou grupos específicos. Empresas, partidos, ou grupos religiosos mantidos com aparência diversa daquilo que realmente são. Mundos artificiais, dirigidos por ilusionistas, mestres na construção de cenários, mantidos a altos custos para encobrir ou adiar uma realidade que não pode ser revelada.

Fernando Cavendish
Por essa razão, muitas organizações sentem-se ameaçadas por qualquer consultoria ou assessoria externa. Ela será sempre uma temeridade, em razão da possibilidade de detectar situações esdrúxulas que comprometem o futuro da corporação. A visão que vem de fora é quase sempre imparcial e descomprometida com pessoas ou grupos. Interessa-lhe apenas superar desafios, prospectar oportunidades, e alavancar resultados, sem tornar-se conivente com desmandos, comodismos, ou incompetências. Entretanto, os ilusionistas de plantão estarão sempre atentos a qualquer interferência interna ou externa que revele a artificialidade de projetos inconsistentes, controles inócuos, ou resultados manipulados. Por isso, precisarão ao máximo, ‘empurrar com a barriga’, à espera de um milagre que possa neutralizar ou reverter os efeitos de tanta dissimulação.

Personagem 'Felix' em 'Amor à Vida
Lamentavelmente, esse quadro pode ser visto também com frequência no ambiente familiar. Há muita artificialidade nas relações pessoais onde existem ativos financeiros envolvidos. Amizades são sacrificadas e até mesmo relacionamentos familiares dizimados por conta de posturas dissimuladas, que escondem a verdade com o propósito de disfarçar interesses difusos. Dessa forma, o que era para ser sinergia; a força que amplia o potencial de um grupo, transforma-se em energia desagregadora, que aos poucos vai minando-lhe todas as possibilidades de crescimento ou até mesmo de sobrevivência. Um conglomerado inteiro prejudicado pelo ilusionismo de alguns, ou mesmo de um único ‘falso líder’.

Como diria o meu inseparável mentor virtual: "Transcender o convencional é abandonar a superficialidade, com coragem para abrir mão da zona de conforto ou segurança da matilha, e descobrir-se único, diferenciado e autêntico. É colocar valores essenciais acima de qualquer imediatismo, para criar uma marca pessoal confiável". 
 Entretanto, para isso, é preciso coragem. Esse tipo de atitude não é para qualquer um. Exige postura diferenciada, de quem foca no longo prazo, e não naquilo que parece mais fácil, mais prático, e mais egoísta. Uma marca, seja ela pessoal, ou corporativa não pode ser construída jamais sob a égide do ilusionismo, sob o risco de tornar-se efêmera. Marcas fortes costumam ser consistentes, coerentes e autênticas. Aposte nisso.

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*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Subestimando O Perigo





Por Maurício A Costa*


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"A imprevisibilidade das circunstancias mina todas as certezas a exigir posturas não convencionais, onde o passado já não serve de referência para desenhar qualquer futuro em meio ao caos" (Fragmentos do Mentor Virtual)

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A leitura de um artigo publicado recentemente no blog do André Rocha, intitulado ‘A visão de curto prazo está matando as empresas’, me estimulou uma interessante reflexão sobre o imediatismo da grande maioria dos executivos em relação aos resultados de suas organizações. Embora a referida matéria esteja focada na questão da ‘cultura dos investidores’, mais voltada para resultados de curto prazo, eu aproveito essa análise para aprofundar um pouco mais o tema. Afinal, não são poucas as empresas perigosamente acomodadas diante de tempestades que se avizinham, em decorrência da velocidade das mudanças, a exigir um ‘pensar estratégico’ de longo prazo, consciente de que o passado não pode servir como ponto de referência para definir caminhos no futuro. O desenho do futuro passa pela análise das tendências de comportamentos humanos, perspectivas de escassez de recursos, migrações compulsórias, fluxo massivo de informações imprevisíveis, avanços tecnológicos em evolução, e da concentração de poder, entre outras causas, que se desdobram como consequência do esgotamento de sistemas políticos ou econômicos, ou do surgimento de novos grupos motivados por crenças ou ideologias.

Ministro Celso Mello
O que vimos alguns meses ou até mesmo semanas atrás já não serve como padrão para nada. Um produto ou serviço extremamente desejado pode ser tornar de uma hora para outra, obsoleto, fora de moda, e até mesmo evitado, pelas mais diversas razões. Um mercado inteiro pode ser ‘engolido’ por uma empresa novata que surge do nada, alavancada por capital de origem desconhecida, ou patrocinada por partidos políticos, grupos religiosos, ou entidades fantasmas disfarçadas sob a égide de governos corruptos. Um político com esmagadora aprovação ontem, pode se tornar inimigo público número um em frações de minutos. Diante do inusitado, tudo se torna vulnerável. Não há como prever com base no histórico do que é conhecido, pois a incerteza que nasce do imprevisível permeia toda racionalidade convencional.

Marcos Valério
Como já comentei em artigo anterior, a presença do estrategista nas organizações vai cedendo lugar para a figura do ‘articulador’, aquele que com artimanhas de todo tipo é capaz de engendrar conexões políticas que permitam viabilizar acordos, ainda que esdrúxulos e comprometedores do futuro. Experientes conhecedores da alma humana vão cedendo lugar para jovens executivos movidos por visões imediatistas, pela ânsia de poder, e instintos alimentados por incontrolável carga hormonal. Os planos deixam de ser estratégicos para se tornar de mera conveniência pessoal. A meta já não é a coletiva, mas aquela que atenda melhor as individualidades. E é por conta disso, que os homens estão gradualmente perdendo respeitabilidade nas posições de liderança, e sendo substituídos massivamente por mulheres, cuja confiabilidade é maior, em decorrência de possuírem uma mente menos maquiavélica, menos enganadora e menos disposta a riscos que comprometam sua reputação. A mulher, por razões históricas e biológicas sempre pensou mais no longo prazo que o homem. Seu comprometimento com o grupo (leia-se família, agregados, ou amigos) é muitas vezes superior ao próprio instinto de sobrevivência, diferentemente do homem, que raciocina quase sempre de forma interesseira, camuflada e imediatista, e cujo comportamento usual é pautado pelo engodo. Sua postura mais comum é ditada pelo impulso predador.

Claudia Sender - Presidente da TAM
Sem pretender que esta reflexão se torne uma generalização no tocante aos atributos femininos, vale salientar que a visível diferença de sensibilidade da mulher lhe permite ‘perceber’ os fatos com uma visão muito maior, e antever tendências de uma forma muito mais natural, por saber lidar com o intangível, o metafísico e tudo o que transcende o convencional de maneira extraordinária, conhecida vulgarmente como ‘sexto sentido’. Por essa razão, sinto-me à vontade para prever que, muito em breve, muitas das posições de liderança estarão ocupadas majoritariamente por mulheres, ou por ‘alguns’ homens que tenham aprendido a desenvolver tal sensibilidade para lidar com o intangível com a mesma naturalidade com que lidaram no passado com a concretude do que é meramente material. Dirigir, liderar, ou negociar não implica unicamente em saber fazer falcatruas. Ser inteligente, estratégico ou sábio não é sinônimo de ser esperto. Sabedoria é levar em conta, de forma responsável, possíveis desdobramentos das escolhas; já esperteza é agir com base unicamente nos efeitos imediatos. Inteligência é pensar alternativas que indiquem caminhos seguros; malandragem é subestimar a inteligência dos demais, comprometendo o futuro de um grupo em razão de interesses pessoais.

Eike Batista
Concordo, portanto, com a frase do André Rocha, que de forma incisiva alerta: ‘a visão de curto prazo está matando as empresas’. Só que essa ‘visão de curto prazo’ não está, a meu ver, sendo produzida unicamente pela pressão do investidor preocupado com o lucro imediato, mas pela escolha do profissional que irá dirigir seu empreendimento. Não se iluda aquele que pensar que títulos fabricados por universidades transfere conhecimento, competência e sabedoria aos seus titulares. A visão holística, diversificada, abrangente e marcada pela experiência pessoal é a que permite ao velho capitão conduzir sua embarcação por mares turbulentos, mesmo quando tudo parecia encoberto pela perigosa calmaria que antecede as tempestades. A rotatividade dos CEO’s, Presidentes, e Executivos nas grandes organizações tem demonstrado que a liderança movida pelos fogos de artifícios das decisões espetaculares e dos resultados imediatos podem trazer consequências drásticas e irreversíveis. Decidir com base no empirismo, na visão arrogante, ou na emocionalidade pode criar mitos temporários, mas não garante ao empreendimento uma vida longa.

Abílio Diniz
Arrogar-se como dono da verdade, sustentado por informações frágeis ou inconsistentes, que em sua maioria só retratam o passado, é subestimar o perigo que ronda qualquer empreitada. Ignorar a visão que transcende o imediatismo é como voar sem levar em conta o visual que está a mudar constantemente. A mudança já não é uma mera possibilidade, é um fator implacável e constante; por isso, a estratégia não é um fim em si mesmo,  mas um processo que se impõe a cada minuto da viagem.
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.