Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 24 de agosto de 2013

Interatividade. Sinergia Que Gera Força



Por Maurício A Costa*


“Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional”. (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em gestação).
___________________________________


Li, certa vez, uma preocupante frase de um autor cujo nome não me lembro, que dizia: ‘nunca estivemos tão conectados, e ao mesmo tempo tão distantes’; palavras que definem de forma clara e paradoxal o ambiente em que vivemos no século XXI, e revela um retrato fiel da tendência do comportamento humano que gradualmente vai permeando as sociedades onde as ‘coisas’ vão tomando o lugar das pessoas, e o isolamento vai se instalando sorrateiramente. Já não há mais tempo para as conversas familiares porque a televisão, o computador, ou i-pads ocupam a maior parte do tempo individual do grupo. Amigos na mesa de um bar ou restaurante estão mais atentos aos seus smartphones do que na conversa que eventualmente possa estar acontecendo ao seu lado. Reuniões empresariais já não são conduzidas por insights criativos gerados por brainstorms espontâneos, mas orientadas a partir de ‘matrizes’ copiadas de países e corporações totalmente diferentes do ambiente nativo. Cada figurante em torno da mesa está mais ‘ligado’ nas imagens, textos e roteiros de seus laptops do que na essência e profundidade do propósito do encontro. Estão todos sentados lado-a-lado, mas não estão juntos. Seus corpos estão presentes, mas suas mentes estão ocupadas com algo bem distante dali. Uma visível conectividade a esconder possíveis diferenças.

Algumas semanas atrás, eu estava na sala do principal executivo de uma empresa que visitava, e enquanto conversávamos, eu percebia que seus olhos estavam ‘grudados’ na tela de um computador à sua frente, e ao mesmo tempo, em dois smartphones sobre sua mesa, que não paravam de avisar da chegada de um sem número de mensagens via SMS, WhatsApp, e outros aplicativos. Falávamos sobre o futuro da empresa e a turbulência que cercava os dias atuais, colocando em risco a sobrevivência até mesmo de grandes empresas; todavia, sua atenção estava dispersa entre múltiplos assuntos, a demonstrar que navegava solitário em um mar de informações, sem a mínima noção do que poderia representar a palavra sinergia. Diante desse quadro, eu percebia dispersão, e não sinergia; essencial em momentos que exigem grande concentração de esforços. 

Antes que você pense que eu sou um troglodita avesso a tecnologia, quero deixar claro que não me imagino viver sem toda essa parafernália do mundo digital. Esta reflexão quer destacar na verdade, eventuais desconexões com a prioridade que nos cerca, quando estamos plugados numa dimensão maior, onde o virtual ocupa espaço e tempo demasiado a ponto de nos desligarmos do que acontece à nossa volta. A internet e suas ferramentas podem ser muito úteis para gerar interatividade, mas nem sempre podem produzir a sinergia desejada.

Para muitos, sinergia representa apenas a comunhão de ideias para se atingir uma meta comum. Ou seja, ter parceiros que pensem iguais. Sinergia, no entanto, não diz respeito apenas a sintonia no modo de pensar, ou identificação pessoal com relação aos objetivos comuns; Sinergia implica ação conjunta, coesão; esforço simultâneo para potencializar resultados pretendidos. Sinergia tem a ver com desempenho superior resultante do sincronismo empregado na ação. Sinergia é a mola propulsora que alavanca a interatividade de maneira coordenada, essencial para gerar o movimento em direção ao que se pretende. Fora disso, tudo vira apenas ‘belas intenções’, e como diz o ditado popular, de ‘belas intenções o inferno está lotado’.

A cada dia me convenço do quanto é difícil atingir e superar metas caminhando sozinhos. O sucesso decorre de um trabalho de equipe em torno de uma ideia ou projeto. A interatividade é essencial no esforço compartilhado. Entretanto, essa interação exige sinergia. Basta observar uma equipe de Fórmula Um. Não há ali unicamente uma comunhão de propósito, mas acima de tudo um esforço ‘sincronizado’ em que todos operam na mesma sintonia. A precisão do ‘momentum’ produz a maximização do esforço coletivo, tornando o resultado superior. Por isso, de nada serve uma visão multifacetada, ou um conexão com vários players simultaneamente, se entre eles não ocorrer sinergia. De nada adianta escutar mil sons ao mesmo tempo se entre eles não for criado uma interação que produza uma sinfonia. Haverá tão somente dispersão. E dispersão é perda de sinergia.

De nada vale estar cercado de dezenas de músicos competentes, se junto a eles não houver um ‘maestro’ que construa a harmonia que dá infinita beleza ao conjunto e dele extrai as mais encantadoras sinfonias. De forma semelhante, torna-se ineficaz ao empreendimento uma equipe extraordinária, conduzida por alguém que não sabe criar interatividade com sinergia que transforma uma ideia singular numa realização estupenda. Não se pode permitir que valores individuais brilhantes produzam resultados medíocres; virtuoses que atingiram alto domínio técnico naquilo que fazem, vendo seus talentos serem desperdiçados em autênticas óperas bufas, que seriam cômicas se não fossem trágicas, gerando frustrações inevitáveis.

Execução impõe sinergia. Entretanto, alguns executivos acreditam que ser líder resume-se em conduzir seu grupo de forma unida, motivada e informada dos objetivos. Que basta saber escolher um bom time e as coisas irão acontecer por si. Um ledo engano, que só será percebido quando os desafios começarem a se tornar maiores que o esforço desprendido pelo grupo. Um desperdício de tempo e de dinheiro, inaceitável em tempos de escassez de recursos. Embora pareça óbvio o que vou dizer, pessoas não são máquinas; autômatos movidos por instruções mecânicas, transferidas friamente por e-mails, ou mensagens impessoais que não levam em conta o nível de interação do grupo, com a afinação que estabelece a harmonia capaz de produzir a esperada sinfonia. A ausência de interação com sinergia pode levar uma bela ideia ou projeto ao fiasco.

Frustrante também, é ver o número de empresas ‘patinando’ na mesmice, vítimas da vaidade ou insegurança de seus dirigentes. Ainda que, originalmente bravos guerreiros na luta pela sobrevivência, atuam de forma desordenada diante de mudanças que se desdobram numa velocidade alucinante, a exigir posturas dinâmicas, pois a ópera em andamento já não permite um ritmo ‘piano piano’, suavemente executada como outrora, mas um ‘allegro forte’ de movimento acelerado. As mudanças já não ocorrem em intervalos de anos, mas surgem em frações de segundos; exigindo afinação permanente dos componentes de um grupo e uma crucial necessidade de estabelecer interação e sinergia em tempo real, onde o planejamento engessado já não resolve. É imperativo adequar-se ao inusitado em plena execução, pois não há tempo hábil para muitos ensaios; e a estratégia já não é mais um fim em si, mas um processo de ajustes permanente. Assim, permear toda a organização com o pensamento estratégico torna-se um fator sine qua non, questão de vida ou morte, e não mera opção, ou modismo passageiro.

A perigosa resistência de algumas empresas em compreender e implementar uma nova postura diante das mudanças, poderá leva-las ao seu enfraquecimento gradual por inércia. Pensar não dói, mas subestimar a tempestade que se avizinha sim, e trazer males crônicos, quem sabe irreversíveis com o passar do tempo. Por isso, envolver a todos com o pensar alternativas é a semente da interatividade que se potencializa quando aplicada com sinergiaPara construir uma Marca Forte é imprescindível uma enorme dose de ousadia e criatividade, e uma equipe comprometida com propósitos; coesa e sincronizada, para atingir os resultados desejados. Aposte nisso. 
_______________________

*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Ilusão da Arrogância




Por Maurício A Costa*


“O homem não é, absolutamente, um resultado firme e duradouro (este foi, apesar dos pressentimentos contrapostos dos seus sábios, o ideal da antiguidade), mas um ensaio e uma transição; não é mais do que a ponte estreita e perigosa entre a natureza e o espírito” (Hermann Hesse em O Lobo da Estepe).
________________________

É intrigante verificar como o ser humano demonstra uma enorme tendência para concentrar sua visão em uma única direção, quando se considera um expert naquilo que faz, ou acredita que nada mais importa além daquilo que ele mesmo pensa. Por conta disso, muitos que atuam como executivos ou empresários tendem a ser conduzidos por atitudes focadas exclusivamente no imediatismo das coisas. Sua mente parece estar obcecada unicamente por ‘resultados concretos’, muitas vezes sem tempo para pensar que por trás de cada atividade específica, existe outro ser humano, carregado de ideias e propósitos nem sempre idênticos aos seus, mas de imenso significado e enorme complementaridade. Um universo abstrato de múltiplas possibilidades que pode afetar direta ou indiretamente suas expectativas.

Cada vez que desconsideramos a visão do outro em nossas análises ou decisões, por nos julgarmos ‘suficiente’ o bastante para proceder nossas escolhas sem precisar de ajuda externa, demonstramos uma estúpida vaidade que pode nos conduzir ao fracasso mais adiante. O simples ato de evitar a presença ‘do outro’ tanto pode revelar uma disfarçada insegurança pessoal como um comportamento egoísta de quem se sente dono da verdade absoluta; atitudes que refletem uma postura arrogante e perigosa para si mesmo e para a organização.

Temos acompanhado na história empresarial recente, inúmeros casos de executivos que estão conduzindo seus empreendimentos de forma aparentemente espetacular, mas que na verdade, estão construindo magníficos castelos sobre areias movediças, que mais cedo ou mais tarde os engole sem piedade. Movidos pela arrogância e vaidade pessoal, eles costumam se comportar de maneira inconsequente, permitindo-se cercar unicamente de pessoas que com eles concordem, e os sigam resignados como robôs, passivos ou alienados ao que poderá acontecer no futuro.

Como já mencionamos outras vezes, muitas empresas estão substituindo o pensamento estratégico, por executivos com bom trânsito junto ao poder público, visando obter vantagens imediatas, ao invés de pensar no longo prazo, a fim de identificar alternativas que viabilizem a empresa em qualquer ambiente, e a permita crescer de forma saudável e consistente. Ao invés disso, busca-se o caminho mais fácil, aquele que traz resultados imediatos, mas que encobre o verdadeiro problema da organização. Para resolver dificuldades de vendas, baixa-se o preço dos produtos ou serviços comprometendo a rentabilidade da empresa, quando deveriam refletir sobre ‘valor agregado’; para enfrentar concorrentes arrojados, trocam-se as embalagens dos produtos quando deveriam investir em inovação, através de ‘pesquisa e desenvolvimento’ (P&D); para superar desafios estruturais trocam-se gerentes operacionais; quando deveriam trocar diretores incompetentes, bons de fachada, mas sem conteúdo ou experiência para lidar com desafios; e assim por diante.

Alguns dias atrás, enquanto aguardava para ser atendido por um empresário, comecei a ler um bonito quadro que costuma decorar as paredes de salas de recepção ou reunião de muitas empresas, o qual explicitava os ‘valores’ e ‘missão’ daquela organização. Chamou-me a atenção uma frase que estava entre os propósitos da empresa: que a equipe deveria buscar ‘eficiência’ em tudo o que fizesse; no entanto, não havia naquele documento qualquer menção à palavra ‘eficácia’, o fazer a coisa certa, e não apenas fazer certo as coisas. Pequenos detalhes que podem fazer enorme diferença nos resultados. Muitas empresas são nota dez em matéria de eficiência, mas estão deixando a desejar no quesito eficácia. Estão produzindo bem, coisas erradas. Viajam com tudo certinho, mas estão na estrada errada, indo numa direção que com certeza não os levará ao lugar que pretendiam. Levam à sério o planejamento estratégico, definindo bem o uso dos recursos, mas esquecem do pensamento estratégico que adéqua a empresa às variações de humor dos consumidores, e às necessidades, tendências e oportunidades do mercado.

A Revista Exame desta semana (Edição de 21/08/2013) traz em sua chamada de capa, o tema ‘A Era da Simplicidade’; uma interessante reflexão para empresas que estão complicando, ou sofisticando excessivamente seus processos de gestão, quando deveriam minimizar sua complexidade. Um sério alerta para executivos que do alto de suas torres perderam a noção de ‘naturalidade’ que permite escutar a equipe e o mercado, como também acolher a visão de fora que traz para a empresa uma percepção diferente, de quem percebe com isenção emocional, todas as interações possíveis, visando detectar ameaças e oportunidades. Simplicidade é qualidade daquele que é sincero, espontâneo e age com franqueza, sem qualquer afetação. Não combina, portanto com vaidade e arrogância. A arrogância é a linguagem do fraco. Daquele que por insegurança se encastela em suas próprias verdades, como forma de se proteger de pensamentos diferentes dos seus. O indivíduo arrogante é um ser medíocre, cujo talento consiste em prevalecer-se do poder que dispõe momentaneamente, e ao usufruir de prestígio mantém os demais à distância para que não interfiram em seu espaço de dominação. Uma ilusão que com o tempo se desfaz, porque nada é definitivo, nem mesmo as melhores ideias, tampouco o mais forte dominador. A mediocridade carrega em si mesmo limitações que comprometem o todo; o prepotente mesmo quando parece um forte, traz a alma pequena, e com o tempo transfere aos demais a culpa por todos os seus erros e fracassos.

O ser humano digno de ‘poder’ é aquele que não se deixa corromper por ele, nem age movido por ressentimentos, vaidade ou arrogância, por saber que o poder é efêmero, e o que conta na verdade, é sua capacidade de interagir permanentemente com tudo à sua volta, independente de status, níveis, posições, ou aparências, pois o sua força deriva da sinergia criada por uma vasta quantidade de seres que visível ou anonimamente contribuem para tal. Por isso, é salutar ao líder, levar em consideração que para construir sua marca pessoal, e consequentemente, valorizar a marca de sua organização, ser decisivo pensar no quanto depende do outro para conquistar ou consolidar resultados, sabendo que há inúmeros fatores abstratos interferindo em suas escolhas. Como citamos em um artigo anteriormente, matéria e energia se complementam. Assim, coisas concretas podem ocultar informações tidas como abstratas ou até mesmo supérfluas. O desconhecido estará sempre por trás daquilo que pretensamente se conhece, e poderá alterar a qualquer momento algo tido como certo alguns momentos atrás.

_______________________

*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.
É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Matéria ou Espírito?




Por Maurício A Costa*

______________________________

"Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa sequência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos". ('O Mentor Virtual' - Seja o Autor de Sua Própria História - Pág. 77 – Editora Komedi - Campinas-SP 2008).

_______________________________


Dias atrás, tive a oportunidade de ler um instigante livro escrito pelo Dr. Robson Lemos Rodovalho, físico pela Universidade Federal de Goiás, fundador e presidente de uma comunidade evangélica, denominada ‘Sara Nossa Terra’; entidade com quase um milhão de seguidores espalhados por mais de mil igrejas no Brasil e no exterior. Em seu livro, ‘Ciência e Fé: O Reencontro pela Física Quântica’, O Bispo Rodovalho, como é conhecido, faz um interessante paralelo entre ‘verdades científicas’ e aquilo que as religiões definem como base da ‘espiritualidade’. Uma provocante abordagem comparativa para aqueles que, com ou sem religião, questionam tudo à sua volta, procurando entender o significado da vida naquilo que ela tem de mais especial, seu complexo paradoxo: de ser efêmera a ponto de provocar todo o medo existencial que desespera o ser humano, e ao mesmo tempo ser eterna quando observada numa dimensão maior de tempo e espaço.

Sem pretender qualquer discussão filosófica, científica ou muito menos teológica, a leitura dessa obra me estimulou profundas reflexões sobre conceitos que trago hoje comigo; concebidos a partir do amálgama ou fusão, resultante da leitura de tão diferentes pensadores, que hoje formam o todo que compõe a minha modéstia visão deste magnífico universo do qual somos parte. Uma estupenda alquimia produzida pelo sincretismo, síntese de elementos díspares, de intricadas teorias, ideias e pensamentos mesmo heterogêneos, mas quase sempre entrelaçadas pelo mesmo propósito: a compreensão daquilo que está além do que já se conhece. O pensamento metafísico, que ao longo da história da humanidade povoou a mente de tantos filósofos, sábios e teólogos de toda a terra, fascinados pelo potencial humano e pela magnitude e beleza de tudo quanto nos cerca.

Penso que não há nada de sobrenatural em toda a natureza. Qualquer afirmação em contrário me parece uma grande abstração. Tudo tem uma explicação lógica, singela, e natural. Por uma simples razão: no universo tudo está intimamente interligado. Não há nada lá fora. Tudo está contido nesse todo, e, portanto, cada mínimo elemento, partícula ou fenômeno é, por conseguinte, parte de algo maior, que por razões óbvias ainda desconhecemos. Por isso, não consigo compreender o ilustre autor associando-se ao pensamento do famoso astrônomo Allan Sandage, quando diz que, “apenas através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência”, reforçado pela conclusão do seu livro ao admitir que “o homem está dotado de propriedade transcendental”. Ora, entende-se como sobrenatural algo que está além da natureza; pensando assim, as religiões não poderiam admitir a existência de Deus como algo natural, a essência ou espírito que nos permeia, e a todas as coisas do universo, como ensinado por Jesus Cristo: ‘Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’ (João 4:24) e pelo Apóstolo Paulo: 'Não sabei vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?' (I Coríntios 3:16). Falar em ‘sobrenatural’ seria como afirmar que Deus é uma coisa fora do mundo, fora de tudo, 'fora de nós'. Algo estranho. No mínimo, bizarro. Uma incoerência do ponto de vista religioso, já que o próprio Mestre do Cristianismo afirmou: ''o reino de Deus está no meio de vós".

Baruch Spinoza
Na mesma linha de pensamento, vem a palavra ‘transcendental’. Transcendência é algo que está fora da realidade, fora dos limites cosmológicos, algo externo ao todo, e que transcende a nossa própria consciência. Aqui, mais uma vez, prefiro pensar mais uma vez que tudo no universo está intimamente interconectado, e vou um pouco mais longe: ligado pela onipresente, onisciente, e onipotente energia que transporta informação inteligente que muitos chamam de Deus. Assim, não há transcendência, e sim, imanência, atributo ou qualidade daquilo que é inerente, que pertence à concretude das coisas, à sua existência real. Acompanho aqui, a ideia do grande filósofo judeu-holandês Baruch Spinoza, expulso de sua sinagoga acusado de heresia, que sugeria: 'Deus não é um ser transcendente, mas uma substância que constitui o universo inteiro e não se separa daquilo que produziu... Deus é uma manifestação totalmente presente no mundo e nas coisas que cercam ao mundo’. Como desde tempos imemoriais, o ser humano considera ‘sagrado’ tudo aquilo que está além da sua compreensão, é natural que tenha construído ideias e imagens ‘sobrenaturais’ para explicar o que não entendia.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel
E o que era considerado ‘sobrenatural’, com o tempo tornou-se sinônimo de ‘espiritual’. Novamente aqui, um conceito deturpado, tomado como algo para além da compreensão humana, porque lamentavelmente, algumas vezes, muitos pensadores e teólogos deram à palavra ‘espirito’ uma interpretação confusa, mitológica, ou substitua da palavra ‘alma’. Concordo com Hegel quando sugere uma definição para a palavra 'espírito' como: ‘princípio dinâmico, infinito, impessoal e imaterial que conduz a história da humanidade, e que se concretiza plenamente neste processo em seu final, quando se manifesta no ser humano como plena razão e liberdade’, ou seja, o fluxo da sabedoria universal, transportada pela energia que flui em todas as direções, permeando todas as coisas, e ao ser percebido no ser humano exerce papel transformador, pela disseminação do conhecimento que através dele se propaga de maneira exponencial. Assim pensando, uma atitude ‘espiritual’ não é mais do que estar ligado ao todo universal. Ter uma visão holística, expandida, de cada fenômeno individual como um desdobramento de algo maior que se manifesta de forma natural. Ser espiritual, portanto, não é ser religioso, mas compreender a essência de si mesmo como parte de algo maior, e como tal, pensar e agir com a consciência daquele que ‘pertence’ a um todo, tal qual o condômino que age com a natural interação com o condomínio do qual faz parte.  

Albert Einstein
A essa altura, o leitor deve estar me perguntando: ‘E a matéria?... Qual a sua origem?... Qual o seu papel nisso tudo? – Como sugere o grande cientista Albert Einstein, em seus enunciados sobre a física quântica, matéria resulta de energia condensada; se pensarmos no sentido inverso, energia é matéria que se expande indefinidamente. Numa linguagem mais simples, a matéria é a forma visível da energia. Se imaginarmos Deus como essa energia plena, transportando informação que produz movimento e vida, veremos que cada coisa, qualquer simples elemento no universo é uma parte visível do que chamamos de Deus. A matéria é sua manifestação no cosmo, que o faz percebido em toda sua grandiosidade e poder. Por isso, não preciso ser religioso para ‘sentir’ Deus, tampouco, ser considerado um herege por não compartilhar da ideia generalizada de reduzi-lo a uma figura humana, mitológica, sobrenatural, ou extraterrestre. (Ver Romanos 1:23). Aquilo que definimos com a palavra 'Deus' é, na verdade, algo extraordinariamente simples como a célula que pulsa em cada ser vivo, ou o átomo de um mineral que uma vez liberado transforma-se em força descomunal, ao mesmo tempo que sua magnitude e beleza podem ser percebidas em cada manifestação do universo que nos rodeia.

Se matéria é energia condensada, tudo o que precisamos fazer para realizar nosso propósito pessoal é liberar essa magnífica energia contida em cada um de nós, expandindo-a de forma consciente em direção a algo que desejamos. Nisso consiste todo milagre. Algo natural e acessível a todos, pois como disse Santo Agostinho, os milagres não podem ir contra as leis da natureza. (Confissões – livro 7).
Exercitar a espiritualidade não se resume unicamente em frequentar templos, seitas, ou religiões. É claro que elas são úteis ao crescimento pessoal, mas não podem ser tomadas como o único caminho para o contato com a sabedoria universal que chamamos de espírito ou a essência que permeia todas as coisas. O Apóstolo Paulo ensinava: ‘Examinai tudo e retende o que é bom’. (I Tessalonicenses 5:21). A verdade não pode ser conhecida quando atuamos regidos apenas por dogmas ou paradigmas resultantes de interpretações. Para conhecê-la é necessário ir além da doutrina amordaçante e da visão unilateral, abrindo a mente de forma ilimitada, para exercitar todo nosso potencial.


Embora este artigo possa parecer a princípio uma abordagem religiosa, ele é na verdade, um convite à reflexão sobre sua marca pessoal. Afinal, uma marca forte é construída com energia. Muita energia! - Resulta também de uma visão holística, isto é, abrangente e corajosa, que analise todas as variáveis que interferem em nossa vida, nossos relacionamentos e nosso destino. Assim, matéria e espírito não são temas excludentes entre si, pelo contrário, são intrinsecamente complementares para quem percebe que tudo no universo está conectado, e que somos parte de algo maior. Não é um 'isso OU aquilo', mas um possível 'isso E aquilo', que nos abre a mente para múltiplas possibilidades.

Para você que é um pequeno, médio, ou grande empresário, peço que reflita: Os empreendimentos do futuro serão aqueles que acreditarem na energia potencial de suas equipes, conscientes de que o ser humano é a sua maior prioridade, seu maior patrimônio, e a base real de sua marca institucional. Mas, a grande marca corporativa só será sólida se for formada por marcas fortes individuais; tal qual a somatória de pequenos pontinhos que dão vida e sentido a uma grande figura digital. A organização que começar desde já a inserir a força da energia espiritual em sua estratégia de longo prazo, irá maximizar todo seu potencial, em meio a esse caótico mundo empresarial que presenciamos. Sua força virá, sem dúvida, da estupenda singularidade que muitos, mesmo sem compreender seu significado, chamam de Deus.

_____________________________

____________________________


*Maurício A Costa é um 'Design Thinker'. Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade).
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.
É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com

sábado, 3 de agosto de 2013

Questionar. A Essência da Estratégia



Por Maurício A Costa*



"Inovação não se faz apenas com intenções ou discursos inócuos. Inovar é ter a ousadia de ir além da mesmice, e a coragem para desafiar a mediocridade" (O Mentor Virtual).

___________________________


Em recente encontro com um executivo cuja empresa vem perdendo significativos espaços no mercado em que atua, percebi de imediato sua enorme frustração causada por uma visível sensação de impotência diante do complexo desafio que estava vivenciando para dirigir seu empreendimento nestes momentos caóticos marcados pela extrema velocidade das mudanças, agravados pela inabilidade de sua equipe para produzir respostas satisfatórias em tempo hábil. Em meio à conversa, medindo as palavras para não revelar o tamanho de seu desconforto ele me dizia: “Estou nesse mercado já há algum tempo, mas nunca vi uma situação como essa. Parece que cada vez que reagimos à determinada exigência dos nossos clientes achando que estamos atendendo suas necessidades, surge um novo complicador que nos recoloca em posição de desvantagem... Uma espécie de labirinto, da qual não estamos conseguindo sair” – Resmungou ele.

Esse é o cenário que a cada dia vai assustando muitas empresas. Algumas tomam consciência da situação e procuram reagir. Muitas, no entanto, ignorando a ameaça que sorrateiramente vai colocando em risco a vida do empreendimento agem como se nada estivesse acontecendo, guiadas unicamente por uma perigosa letargia decorrente da preguiça mental, comodismo, ou despreparo. Com o tempo, elas entrarão numa decadência irreversível que as levarão ao desespero, alegando serem vítimas do governo, dos bancos ou da concorrência, quando na verdade, são vítimas de si mesmas, por conta da vaidade que cega o bom senso.

Em momentos desafiadores, não resta alternativa senão permear a empresa com o pensamento estratégico, lembrando mais uma vez que, pensamento estratégico não é aquilo que se convencionou chamar ‘planejamento estratégico’. Pensamento estratégico é a postura questionadora que flui por toda a organização, de cima a baixo, ou vice-versa, em todas as direções; propiciando um repensar constante de cada atividade. De nada adianta trocar Diretores Comerciais, Gerentes de Vendas, Gerentes de Marketing, ou renovar toda a Equipe de Vendas Externa se diante de ambientes inóspitos e ameaçadores, a empresa segue apática; inerte. A logística que funcionou bem durante anos pode ser ineficiente nos dias atuais. A beleza da comunicação que construiu a marca no passado pode ter perdido sua objetividade e foco no presente. O produto que seduzia clientes e consumidores quando lançado, pode haver sido superado por algo provocativamente novo, de um concorrente que sequer existia alguns meses atrás. Os preços que outrora foram competitivos, por serem cuidadosamente controlados, hoje incorporam custos invisíveis decorrentes de aquisições de materiais e serviços inadequados, superfaturados, ou ineficazes, afetando a rentabilidade e comprometendo a competitividade e o crescimento da empresa, (quem sabe até sua sobrevivência futura).

Tudo precisa ser questionado, o tempo inteiro. Sem o desnecessário sentimento de desconfiança ou perseguição, que costuma desencadear reações emocionais indesejáveis e contraproducentes. Questionar movido pela imperativa necessidade de adaptar-se a tempos de mudanças velozes, competição agressiva e decisões arrojadas, que necessitam estar sustentadas por análises criteriosas e profundas de todas as alternativas disponíveis. Questionar retirando o véu que encobre situações nebulosas, verdades aparentes, e subterfúgios inescrupulosos. Questionar para estimular uma visão ampliada que permite enxergar contornos antes subestimados, ou detectar oportunidades escondidas por trás de veladas ameaças. Questionar por saber que isso possibilita identificar caminhos que não aparecem nos mapas da convencionalidade. No questionar reside a essência da estratégia, pois como ensina a velha filosofia, ‘é preciso duvidar de tudo’, e, portanto, ‘há mais sabedoria no questionar do que ter respostas’.

A visão de fora costuma ser a melhor forma de estimular questionamentos eficazes, uma vez que ela rompe com o olhar convencional, o pensamento viciado, e as posturas comprometidas pelo temor reverencial ao líder, que invariavelmente amedronta até mesmo pessoas criativas e inovadoras. A percepção do ‘forasteiro’, por desconhecer limitações, identifica alternativas inusitadas que seriam rechaçadas à primeira vista por aqueles envolvidos pela rotina, pelos tabus e por paradigmas de toda ordem. Ele não teme a exposição ao ridículo ou às críticas e desdéns que afloram do ambiente contaminado ou dominado pelo ‘status quo’, do às vezes conveniente ‘deixa como está’. Por essa razão, consultores e conselheiros empresariais costumam ser objeto de repulsa em ambientes viciados que temem a mudança; uma vez que isso poderá implicar eventuais perdas de poder, de manipulação de dados, de pessoas e de resultados. Mudar para alguns pode ser a decretação de própria morte, por isso, temem a mudança, ainda que essa atitude possa comprometer o conjunto do qual fazem parte.

Só empreendedores ou executivos com visão de futuro, engajam-se com entusiasmo na inovação. Não pela futilidade dos modismos, ou pelo efêmero das aparências, mas pela consciência da avassaladora mudança que se acerca; a qual, necessitam compreender e responder com agilidade e sabedoria.

Eike Batista
Enquanto isso, centenas de letárgicos empreendimentos irão lamentavelmente submergir, e milhares de ‘pseudo’ empresários ou despreparados executivos seguirão buscando caminhos tortuosos para sobreviver, em um país que vive uma inexorável pressão de um povo que impõe controles, transparência e objetividade de seus líderes; quer estejam eles na vida privada ou pública. Todos sabem que não há mais espaço para aumentos desvairados da carga tributária para cobrir a ineficiência da máquina pública com seus inescrupulosos negócios superfaturados para privilegiar a individualidade ou o conluio de partidos em detrimento do coletivo. O futuro que se avizinha exigirá das empresas, seus empreendedores e executivos uma postura focada na eficiência de processos, na eficácia e objetividade de decisões, na transparência de suas informações, e no respeito às suas equipes, ao invés de transformá-las em cúmplices ou coautores de fraudes e falcatruas que banalizam os valores e missão, recheados de 'significado', expressos em seus manuais internos de conduta.


Escândalo Siemens/Metro-SP
O pensamento estratégico é a alternativa inteligente para sobrevivência ao caos que gradualmente se instala no meio empresarial nos dias atuais, impondo um questionar permanente, que abrange desde o conceito da marca à reputação da Empresa; do produto ou serviço oferecido às reações de seus usuários; dos valores e princípios que norteiam o empreendimento às posturas de seus líderes; do propósito e significado que balizam a existência da organização à forma como ela é vista por seus stakeholders (parceiros, colaboradores, clientes, fornecedores, investidores etc.).

Cena do filme 1984 (Big Brother)
de George Orwell
O ‘nada será como antes’ que podia durar anos antigamente, modifica-se agora na velocidade alucinante da mais nova ferramenta das sociedades, para o bem ou para o mal: a internet. Ela expõe para muitos, com assustadora intensidade e vigor, muito da verdade que permaneceu oculta por séculos. É ela que trará múltiplas e surpreendentes respostas para nossos mais estapafúrdios questionamentos. É ela que irá revelar nossas virtudes e fraquezas de maneira fria e impiedosa para o mundo inteiro. Nada permanecerá encoberto fora do alcance das câmeras do grande ‘big brother’, que aos poucos ocupa todos os espaços de confortáveis intimidades; expondo a tudo e a todos ao humor ou à execração pública. Por tudo isso, convém mais do que nunca questionar. Questionar é como dissemos, a essência do pensar a estratégia que nos ajuda a definir onde e como queremos estar amanhã.

_______________________

*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como o Grupo Gerdau, a Kimberly Clark, o Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade). É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br