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domingo, 28 de julho de 2013

O Místico, o Mítico, e o Inefável...



Por Maurício A Costa*


Joseph Campbell
“O indivíduo deve procurar valores próprios e assumir a responsabilidade por sua ordem de ação, em vez de simplesmente seguir ordens que vêm de um período passado. Além do mais, temos plena consciência de nós mesmos como indivíduos, cada um responsável por si mesmo e seu mundo.” (Joseph Campbell, em ‘Tu És Isso’ – Pág. 62 – Madras Editora – São Paulo-SP – 2003).

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Papa Francisco
A passagem do Papa Francisco pelo Brasil, neste inverno de 2013, me inspirou uma profunda reflexão sobre o comportamento humano em relação a tudo que transcende sua compreensão, e que por isso considera sobrenatural: O sublime que enleva, causa fascínio, contemplação, e deslumbramento. Como já mencionei em outras ocasiões, não tenho uma religião específica, embora respeite todas elas, por saber da sua importância no preenchimento do enorme vazio que permeia cada ser humano, especialmente aqueles mais humildes ou ‘pobres de espírito’; mas confesso que fui tocado pelo imenso carisma de Jorge Mario Bergoglio e, sobretudo, por sua simplicidade como pastor da conservadora Igreja Católica; em um mundo onde nos vemos cercados por líderes prepotentes, sacerdotes hipócritas, governantes medíocres, e empresários arrogantes.

Ao longo dos séculos, a humanidade sentiu-se constantemente esmagada pela insegurança existencial e o medo da morte; e essa sensação produziu uma procura alucinada por significado ou sentido para suas vidas. A tomada de consciência primordial, ou na bíblica linguagem figurativa, o conhecimento do bem e do mal, tornou aquele animal originalmente alienado, em um ser ávido por qualquer informação que minimizasse sua angústia; uma busca frenética, na tentativa de penetrar todos os mistérios do universo à sua volta, na tentativa desesperada de compreender suas origens e seu destino. E foi essa busca insana por desvendar o que para ele era impenetrável que o transformaria em um ser místico; alguém à procura de explicações para cada coisa ou fenômeno. Assim, tudo aquilo que não conseguia compreender passava a ser considerado sagrado, e como tal, a inspirar culto, respeito e veneração.

Imagens de toda ordem passaram a retratar mitos de toda espécie. Animais, astros, criaturas e monstros tornaram-se ícones representativos de deuses poderosos; dóceis ou ferozes, inspiradores ou guerreiros, pacificadores ou destruidores. Todos, invariavelmente, associados ao sobrenatural, o divino que estava além do conhecimento humano, criando um simbolismo para cada coisa na natureza, e um enorme repertório de lendas ficções e fábulas. E a mitologia foi se tornando a síntese das culturas de cada povo ou região, recheada de contos heroicos, protagonizados por personagens históricos, ampliados pelo imaginário coletivo ao longo dos tempos. Idealizados, deformados, ou estereotipados a partir de pensamentos preconcebidos, alimentados pelo desconhecimento geral ou ignorância. Embora alguns mitos pudessem carregar um fundo de verdade, sua construção era caracterizada essencialmente pela alegoria; método de interpretação que consistia em criar um sentido figurativo que pudesse carregar concepções filosóficas, morais, normativas ou doutrinárias disfarçadas em seu texto original.

É fácil perceber como os textos sagrados da maioria das religiões estão recheados de alegorias, simbolismo e metáforas; figuras de linguagem que visam estabelecer certa analogia de significados entre palavras ou expressões. Como ensina Campbell, “A vida de uma mitologia surge e depende do vigor metafórico de seus símbolos. Estes transmitem mais do que um mero conceito intelectual, pois, pelo seu caráter interior, eles proporcionam um sentido de participação real na percepção de transcendência. O símbolo energizado pela metáfora transmite não só uma ideia do infinito, mas certa percepção dele”. (Idem, Pág.  29). São esses símbolos que gradativamente se consolidam na mente humana e formam o que Carl Jung, viria a chamar de ‘arquétipos do inconsciente coletivo’: ideias profundamente arraigadas que se convertem em históricos culturais de uma raça, uma região, ou uma nação em seu tempo. Mitos que dão origem a doutrinas e crenças preservando e enaltecendo ao longo do tempo seu valor histórico, mas perdendo boa parte da sua essência ou conceituação original.

Assim, aquilo que é inefável, e não pode simplesmente ser descrito por palavras, vai ganhando milhares de interpretações ao longo da história da humanidade, e o ‘místico’ que deveria ser aquele que busca a compreensão do divino de forma apaixonada, em sua essência mais pura, parece muito mais um ‘mítico’, mero propagador de símbolos construídos no tempo e valorizados muito mais por seus aspectos históricos. A massificação do que é meramente mitológico, no entanto, gradualmente se esvai em sua força de propagação por falta de consistência ou até mesmo coerência, à medida que o ser humano evolui e procura compreender por si mesmo a dimensão daquilo que o cerca, e a grandiosidade daquilo que chama de divino. Toma consciência de que aquilo que chama de Deus não pode ser reduzido a uma figura humana, da mesma forma que nenhum humano pode ser alçado à condição de Deus. Como ensinou o próprio fundador do Cristianismo, essa ‘potência’ é espírito; e a tudo permeia com energia que transporta sabedoria, ou seja: É imaterial, incorpóreo, (ainda que possa se materializar), essência, etéreo, fluido, e acima de tudo, único, mas nem por isso, algo sobrenatural, e jamais comparável a um mito. Afinal, essa magnitude pode ser sentida no pulsar de cada mínima célula de todo ser vivo, percebido em cada elemento do universo, e na grandiosidade da sintonia que conecta todas as coisas.

Finalizando, agradeço ao simpático e humilde Papa Francisco, por haver me inspirado nesta reflexão, desejando a ele um mandato sereno, protegido das cobras e serpentes que o estarão rodeando, focados muito mais na vaidade e no egoísmo da individualidade, que nas lições de simplicidade do grande mestre que apregoam como exemplo, deturpando e vulgarizando o verdadeiro papel ‘místico’ da religião.

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, está disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Guerreiros e Parasitas




Por Maurício A Costa*


“Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional”. (Fragmentos do Mentor Virtual)

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Parasitas no ubre de uma vaca
Depois de conviver por tantos anos com seres humanos de toda espécie, concluo decepcionado, que em síntese, a humanidade divide-se em duas classes: guerreiros e parasitas. Não deveria me sentir surpreso com essa dedução, afinal, desde a antiguidade a coisa sempre foi assim. Como livre pensador, acredito que a espécie humana não pode ser fruto da ideia simplista de uma criação divina, que a faz diferenciada, mas resultado de uma intrincada composição de moléculas autônomas que se multiplica incessantemente, carregando bilhões de informações latentes. Nesse contexto, vemos animais de grande porte como rinocerontes, baleias ou tartarugas, com a mesma complexidade de seres quase invisíveis como vírus, bactérias ou fungos. Todos, invariavelmente lutando ininterruptamente pela sobrevivência das mais diversas maneiras. Alguns de forma tenaz e laboriosa, outros, à custa de outros organismos vivos, a sugar-lhes toda vida; ‘deles obtendo alimento e não raro lhe causando dano’.

Sarney e Collor
Entre a década de 1980, e os primeiros anos da década de 1990, vivenciei na pele uma das mais turbulentas fases da economia brasileira, dirigida por homens como José Sarney, Fernando Collor de Mello, Orestes Quércia Jader Barbalho, Iris Resende, Luiz Antonio Fleury, Paulo Maluf, Newton Cardoso, Renan Calheiros e Luis Inácio Lula da Silva, entre muitos outros, em seus respectivos estados. Naquele triste período da vida brasileira muitos empresários foram à falência, e alguns até se suicidaram devido a impagáveis dívidas, geradas por uma inflação descontrolada e juros estratosféricos, da ordem de mais de 2.000% ao ano. (Sim, o número não está errado, dois mil por cento anuais!). Ao tempo em que, governantes e políticos de vários partidos ligados ao governo iam construindo fortunas incalculáveis. Alguns em nome pessoal, outros em paraísos fiscais fora do Brasil. Em sua maioria, pessoas que se propunham a livrar o país de uma ditadura militar, que sufocava a democracia, e consequentemente as liberdades individuais, e por isso criaram ou deram força a partidos com as mais variadas siglas.

Newton Cardoso
Muitas das empresas daquele período já não existem mais. Sucumbiram diante de planos econômicos de cunho político eleitoreiro, onde pretensos líderes, eleitos para cuidar do coletivo, se preocupavam mais em locupletar-se, de maneira individual. Muitos empreendedores viram seu sonho morrer, pois para a classe política, eles não passavam de meros ‘agentes econômicos’; meras abelhinhas-operárias em meio a uma imensa colmeia destinada unicamente a produzir o ‘néctar’ para um sem número de ‘abelhas-rainhas’, confortavelmente instaladas em seus espaços, e fortemente protegidas por um grande séquito de ‘zangões’, estrategicamente espalhados por toda colmeia. Guerreiros amamentando parasitas até a própria morte.

Sarney e José Dirceu
Hoje, passado algum tempo, vejo a mesma situação se desenhar no horizonte; não causada por uma eventual ameaça de hiperinflação, ou juros fora de órbita, mas devido à proliferação dos ‘sanguessugas’ instalados na colmeia da área governamental. Parasitas de toda ordem, a permear todos os órgãos públicos, prontos a atacar, em defesa de suas abelhas-rainhas, visando antes de tudo preservar o ‘status-quo’, ou a zona de conforto que lhes garante a seiva extraída de organismos vivos que bravamente lutam para sobreviver.

Lula com Quércia
Os partidos, de forma geral, perderam suas identidades originais, e já não defendem ideias, mas unicamente o poder. Poder econômico para garantir a sua hegemonia, a fim de exercer o controle e manipulação de um povo sem cultura, e dele arrancar-lhe o voto, graças a uma subserviência histórica, devido à sua ignorância, em especial, nas regiões mais pobres. Enquanto isso, aquela fatia mais preparada da nação, por ser minoria, vai se tornando refém de uma política cartelizada, onde o ‘toma-lá-dá-cá’ corporativista afasta qualquer ideia ou grupo que possa atrapalhar os feudos construídos com base em acordos duvidosos, em que prevalece o interesse pessoal ou partidário sobre o coletivo. A ausência de ideologia dos partidos vai assim criando uma enorme massa cinzenta, onde já não se sabe mais quem é quem no cenário político, e, consequentemente, carente de representatividade.

Essa balbúrdia tem criado uma multidão de órfãos da democracia. Milhões de cidadãos que já não acreditam em políticos, e muito menos em partidos. Por não se sentirem representados, uma vez que não enxergam coerência entre o discurso e as ações, vão às ruas como uma turba sem liderança, e sem uma pauta específica, gritando por mudanças urgentes que lhes devolva a segurança, para continuar acreditando em suas instituições; já que a falta de seriedade tem minado sorrateiramente a confiança naqueles que elegeu para cuidar do bem que é de todos, a coisa pública.

Embora eu não participe de qualquer partido político, tampouco faça parte de facções de direita ou de esquerda, vejo com desconfiança a onda crescente de manifestações. Há muitos que enxergam nisso uma sutil estratégia orquestrada pelos ‘zangões’ para trazer de volta a época do ‘vale-tudo’, a fim de preservar o ‘status-quo’ que adquiriram ao longo dos últimos anos. Por conta disso, as legítimas manifestações que aos poucos tomaram conta do país, vão sendo deturpadas por infiltrações de interesse partidário, de grupos que sabem como ninguém manipular as massas a seu favor. Há, com certeza, alguns que estão se sentindo ameaçados por uma desconfortável postura ética, pois não se comportam de acordo com os princípios e valores que deveriam nortear a vida de qualquer homem público, pois vivem patrocinados por elementos da iniciativa privada que orbitam em torno de acordos que não privilegiam o bem público. Se esse tipo de conspiração realmente existir, as instituições nacionais podem estar sendo perigosamente manipuladas e comprometidas.

O lado mais perverso de toda essa situação, é que há milhões de indefesos pequenos e médios empreendedores, cujos negócios estão sendo inviabilizados pela mal estruturada política econômica, conduzida por interesses partidários e não por programas racionais de longo prazo, em paralelo à gigantesca carga tributária que os oprime, e não os deixa confortáveis para ir às ruas endossar o coro das manifestações, por medo de represálias. Como cordeiros sem um pastor que as conduza, seguem em silêncio para o matadouro.

Lula - Haddad - Maluf
Assim, boa parte da sociedade vai se tornando refém de partidos políticos, que embora apregoem agir em nome do povo, escondem, na verdade, o lado negro de uma disfarçada ditadura sem face, sustentada por acordos que incluem desde figuras de ultra direita até aqueles que sempre defenderam ideologias de esquerda, para juntos elegerem esse ou aquele candidato, com vistas a um plano nitidamente político que visa prioritariamente os interesses econômicos individuais ou partidários, e não coletivos. O grito das ruas traz uma sutil mensagem de protesto e indignação por esse conluio que põe em risco as instituições. Como na América Latina toda democracia é frágil ela pode ser facilmente comprometida. Com base nisso, como ocorreu em 1964, já há muitos sugerindo que os militares coloquem ordem na lambança generalizada que se estabeleceu no país; uma vez que o trabalho árduo de muitos vem sendo sugado pela indolência, a vadiagem, e oportunismo de poucos, e nas ruas, segue aumentando o grito de inúmeros guerreiros cansados de alimentar parasitas. 

Faço votos de que a classe política saiba escutar com prudência, serenidade e discernimento o alerta que vem das ruas. Como diz a sabedoria popular, a voz do povo é a voz de Deus. 
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 *Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.