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sábado, 20 de abril de 2013

Hipocrisia: A Invisível Camuflagem do Falso Líder.





Por Maurício A Costa*


“Não importa o quanto você acha que é bom, leitor. Você não é. Separar o lixo reciclável, chamar um negro de não caucasiano e não rir das piadas preconceituosas daquele amigo que no fundo, tem mais caráter que você, não te torna uma pessoa boa. Na verdade, te transforma em um chato com fortes tendências autoritárias” (Pondé, Luiz Felipe, em Guia do Politicamente Incorreto da Filosofia – Editora Leya - São Paulo-SP – 2002)
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Nós humanos, somos marcados por um impregnado dualismo. Seguimos instintivamente a tendência cartesiana do ‘isso ou aquilo’, como se tudo no universo estivesse predestinado a se resumir em verdades ou mentiras, certo ou errado, bem ou mal, frio ou quente, seco ou molhado, homem ou mulher, Deus ou Diabo, e assim por diante. Algo tido como verdadeiro pode esconder mil mentiras e vice versa; o que tomamos como ‘certo’ em determinado momento pode revelar-se como o maior de todos os enganos posteriormente, e o que era ‘bem’ se transforma em ‘mal’ repentinamente; algo pode não estar seco e nem molhado, apenas ‘úmido’; pode não ser quente ou frio, mas estar morno. Deus não é unicamente bondade, já que ele é tido também como ‘fogo devorador’, que destrói para reconstruir. O Diabo, por outro lado, nem sempre deve ser entendido como a personificação da maldade, pois muitas vezes ele se manifesta na exteriorização dos instintos; como tal, pode emergir de dentro de nós sob a forma de prazer, com o propósito intrínseco e válido de criar vida a fim de perpetuar a espécie. Enfim, sou de opinião que os opostos não se repelem, mas se complementam, para gerar algo novo.


O mundo atual nos remete a uma reflexão mais profunda sobre esse tema, e eu confesso que prefiro acompanhar aqueles que ampliam a sua visão e observam a vida com um olhar holístico, isto é, uma abordagem que leve em conta a totalidade das coisas e não apenas algo isolado, que analise todos os fenômenos interligados que nos faz compreender e não apenas deduzir. É claro que, quando deixamos de assumir uma posição clara em relação a qualquer assunto, tendemos a ser discriminados por esse e aquele grupo radical, fechado em bases fundamentalistas, que não permite qualquer outra ideia a não ser aquela que enfatiza obediência rigorosa a determinados princípios. O erro, a meu ver, da maioria das religiões reside neste ponto: O radicalismo. Um ‘integrismo’ pautado pela refutação sistemática de qualquer evolução ou mudança de dogmas, padrões, ou crenças.

A besta, mencionada no livro do Apocalipse alerta para esse radicalismo crescente do mundo: ‘sejas frio ou sejas quente, porque se fores morno eu te devoro’; uma ameaça velada àquele que não define uma posição cartesiana (isso ou aquilo) em relação a algo, sob pena, de se vir a ser destruído por uma de suas múltiplas cabeças, caso ele não se agarre a qualquer de seus tentáculos; leia-se aqui, uma seita, um partido, uma fraternidade, um grupo financeiro, ou uma organização qualquer. Ou seja, se você decidir por não estar de lado algum, mantendo uma posição equidistante em relação a qualquer grupo, você estará condenado ao inferno como um herege, ateu, descrente, gentio, ímpio, incrédulo, infiel, ou pagão. É bem verdade, que um certo ‘fogo eterno’ consome todo aquele que ‘duvida’, pois ele nunca se sentirá satisfeito com o que já conhece; estará sempre buscando compreender um pouco mais; e esse ‘fogo’ que o consome é o próprio ‘fogo destruidor’ em ação, pela renovação constante de todas as coisas. O universo resulta dessa reciclagem perene, e é através dela que a Vida acontece, ou aquilo que chamamos de Deus se manifesta.


Deixando momentaneamente de lado esse ‘filosofar’ (inútil para muitos), quero trazer a reflexão para a atualidade, por observar atônito e com certa perplexidade toda essa celeuma em torno de temas como a preferência sexual das pessoas, que está gerando uma barulhenta algazarra a tomar conta da sociedade e especialmente de homens públicos que deveriam estar a cuidar de temas muito mais urgentes e prioritários. De um lado ‘homofóbicos’, com sua aversão psicótica ao homossexualismo; do outro, os ‘homossexuais’, que por sentirem atração por pessoas do mesmo sexo se dizem discriminados, a discutir algo que deveria ser de cunho pessoal e foro íntimo; um julgamento da própria consciência e consequentemente uma decisão pessoal. Radicalismo, portanto, de ambos os lados; a eterna briga pelo certo ou errado. Como se certo e errado fossem verdades absolutas e não apenas visões complementares de uma mesma paisagem vistas de janelas diferentes. 

Sou totalmente contrário a qualquer tipo de violência, mas considero unilateral a atitude daquele que faz crítica ferrenha ao nazismo, no entanto, não trata com o mesmo rigor a postura dos colonialistas e escravocratas que já dizimaram tantos seres humanos na face da terra por conta da ganância e da obsessão pelo poder. Sou avesso à hipocrisia daqueles que demonstram preocupação ou falso patriotismo com a morte de alguns em seu próprio território, mas são capazes de provocar de forma cruel, a morte de muitos dos seus compatriotas e de milhares seres humanos em guerras insanas para atender uma indústria bélica com o fim de enriquecer determinados grupos. 
Como se sabe, os homens mais lembrados pela história foram bestas sanguinárias, movidos pelo egoísmo de se sentirem donos da verdade. Alexandre, o Grande, Gengis Khan, Nero, Stalin, Napoleão Bonaparte, Idi Amin, Átila, o Huno, Mussolini, Kadafi, ou Hitler são alguns exemplos claros de onde leva o radicalismo do ‘isso ou aquilo’. Ou você está comigo, ou está contra mim, costuma dizer o déspota, aquele faz da vaidade, sua fonte de manipulação e da subserviência sua alavanca para o poder. E é no discurso hipócrita que o falso líder esconde sua camuflagem.

Assim como é abominável a hipocrisia daqueles que para atingir suas metas são capazes de criar dogmas, doutrinas, crenças, ou partidos, com o único propósito de expandir seu ego, ignorando que são parte de algo muito maior que suas vaidades, é também lamentável, a postura de muitos que por preguiça mental, apatia ou simples covardia se deixam levar por pregações manipulativas, fingidos sermões, ou falsos discursos, daqueles que jamais deveriam merecer sua confiança e credibilidade. O comodismo e a subserviência dessa gente é responsável pela escravidão que a faz subjugada a qualquer corrente que engesse sua liberdade de pensar ou agir. Afinal, ‘ser livre é não depender da aprovação de outros para exprimir o que se pensa, e agir coerente com aquilo que se sente’, diria o meu inseparável mentor virtual neste momento.

Como ensina Duncan J. Watts, em seu livro Tudo É Óbvio – Desde que você saiba a resposta’ – (Editora Paz e Terra – São Paulo-SP – 2011): “O fato de o que é evidente por si só para uma pessoa poder parecer tolo para outra pode nos dar a oportunidade de refletir sobre a confiabilidade do senso comum como base para compreender o mundo. Como podemos estar confiantes de que aquilo em que acreditamos é o certo quando outra pessoa está tão convencida quanto nós de que aquilo está errado – especialmente quando não conseguimos articular as razões para estarmos certos?” Mais uma vez, a falibilidade do conceito de ‘certo e errado’, do ‘isso ou aquilo’ que leva legiões de seres humanos ao radicalismo ‘do tudo ou nada’, responsável por confrontos estéreis, revoluções idiotas, e guerras desnecessárias. 
Em todas essas situações, o disfarce e o engodo costumam embaçar o cenário para que a pregação ganhe contornos de verdade absoluta. O crente, o seguidor e o partidário não podem ter dúvidas. Afinal, é imprescindível contar com seu pleno engajamento, para uma militância cega, ainda que para isso seja preciso mentir, roubar, ou até mesmo matar. Como dizem alguns pretensos líderes, ‘a corrupção é admissível quando a causa é nobre’. A guerra é válida se ela é santa, diriam outros.

O grande rei Salomão teria dito: ‘Vaidade, vaidade; tudo é vaidade’. Eu, vou um pouco mais longe e me atrevo a um complemento: ‘Hipocrisia, hipocrisia; tudo é hipocrisia'. Ela está presente em cada atitude dissimulada, que esconde reais intenções; é o reflexo de tudo que carece de honestidade, e se caracteriza pelo fingimento que oculta sinceridade. Hoje, mais do que nunca, quando relações sólidas se diluem rapidamente para transformar-se em relações descartáveis, as aparências já não significam nada; apenas jogos de cena, em um teatro de grandes proporções, onde cada ator ignora o peso das palavras e ações que profere, e suas consequências no palco da humanidade.

Muitas marcas, sejam elas de corporações, de religiões, ou de partidos políticos, podem ser erguidas sobre uma base de camuflagem e hipocrisia e construir imensos séquitos de tolos seguidores, mas ela só se tornará uma marca forte se for edificada sobre bases sólidas que levem em conta a diversidade das ideias, a complexidade dos sentimentos e a complementaridade dos atores. Fora disso, ela não passará de uma imensa farsa. Um corporativismo de fachada, para atrair incautos, tolos, ou cúmplices-interesseiros.

Não acredite demasiadamente naquilo que chamam de senso comum, ele pode ser uma enorme falácia; tampouco creia de forma cega nas interpretações fantasiosas que prometem paraísos futuros magníficos, porque a vida acontece aqui e agora e não no futuro incerto de todas as coisas. Sua verdade é a única com a qual você terá que conviver durante seu breve existir; é com ela deverá estar sintonizado, para ser coerente e harmonioso consigo mesmo, e vencer inimigos que apenas você conhece.
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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 



sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Complexidade Atual das Relações Pessoais






Por Maurício A Costa*


A sociedade é cada vez mais vista e tratada como uma ‘rede’ em vez de uma ‘estrutura’: ela é percebida e encarada como uma matriz de conexões e desconexões aleatórias de volume essencialmente infinito de permutações possíveis” (Bauman, Zygmunt - ‘Tempos Líquidos’ – Pág. 09 – Zahar – R. Janeiro – 2007). 


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Nosso maior desafio na atualidade consiste em estabelecer relações confiáveis e duradouras; seja no ambiente familiar, social, ou empresarial. Nossa incompletude nos impele instintivamente na busca de complemento para construir sinergia com o outro, a fim de potencializar nosso esforço físico e mental na concretização de uma meta. Entretanto, o medo de nos tornarmos vulneráveis, expostos ao imprevisível, nos induz quase sempre a agir, voluntária ou involuntariamente, com certa dose de desconfiança em relação ao outro, da mesma forma que ele em relação a nós; e isso nos impossibilita de criar relacionamentos sólidos, tornando frágeis os vínculos pessoais, e, por conseguinte, temporários; por carecer de substância que lhes dê sustentação. Vivemos o tempo inteiro com um pé atrás, como se aguardássemos a qualquer momento uma inesperada ruptura, ou no mínimo, uma decepção.

A luta pela sobrevivência tem alterado significativamente os comportamentos humanos nos tempos modernos. Vivemos a era da descartabilidade, onde as mudanças se tornaram excessivamente velozes e com elas o desejo incontrolável de trocar. Trocar de carro, de telefone, de parceiro, de lugar, de empresa, e até mesmo de amigos, trocando ‘amigos’ reais por amizades virtuais. Mudamos a nós mesmos, para nos adaptarmos a esse frenesi desconcertante e em meio a essa loucura nos perdemos. Perdemos a referência, perdemos o significado, perdemos a identidade. Numa sociedade robotizada, onde os sentimentos vãos sendo gradualmente substituídos pela praticidade das decisões automatizadas passamos a agir como máquinas; programados por uma mídia desenfreada que nos invade a vida sem permissão, e nos trata como meros agentes de produção ou de consumo em massa, atores anônimos de um enorme teatro criado pelo ‘inconsciente coletivo’, ou como irrefreáveis ‘replicadores de comportamento’.

Já não sabemos o que é tolerância, embora sejamos disfarçadamente omissos e excessivamente permissivos por razões de comodismo, em relação a valores e princípios que julgávamos fazer parte das relações sociais e das nossas instituições. A insegurança coletiva faz com que nos distanciemos cada vez mais uns dos outros, produzindo um sombrio isolamento; e assim, protegidos por uma  imaginária redoma, nos sentimos artificialmente resguardados, alcançados apenas de forma virtual, e com poder de desconectar ou ‘descartar’ o outro de maneira sórdida, mesquinha, e miserável, utilizando as mais esfarrapadas desculpas. O outro deixa, portanto, de ser alguém, para se tornar algo, sem valor, vergonhosamente descartável. 

Nesta era de incertezas e volatilidade, marcada pelo subterfúgio das intenções não declaradas, do imprevisível, e da suspeita generalizada, tornou-se imprescindível minimizar a ansiedade, a solidão, e o estresse causados pela insegurança, decorrente da ausência de confiança que se propaga sorrateiramente, substituindo ‘relacionamentos frágeis e superficiais’ por vínculos mais resistentes. O futuro não precisa tornar-se necessariamente, uma irreversível fatalidade; ele pode ser desenhando a partir da nossa mudança de paradigmas; afinal, somos os autores da nossa própria história. O respeito, a admiração e afeto pelo outro não não podem e não devem ser substituídos por atitudes frias, calculadas, e recheadas de sombrias expectativas. Acreditar que ainda existem seres humanos sérios, justos, e confiáveis pode parecer uma utopia à primeira vista, mas será o grande diferencial nas relações pessoais no Século XXI. Saber construir tais relações, no entanto, é sem dúvida um grande desafio. Muitas empresas já começam a falhar neste sentido. O empreendimento sustentado por uma marca forte e duradoura é aquele que, em suas estratégias, define o ser humano como sua maior prioridade. Aposte nisso. 

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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


domingo, 7 de abril de 2013

A Intensidade da Energia Virtual





Por Maurício A Costa*


Aquilo que chamamos de realidade, não passa da ilusão à qual se apega a mente fria e racional, aprisionando a vida e nos fazendo ignorar todas as demais possibilidades. Sabotamos, vergonhosamente, caminhos alternativos nascidos da casualidade, da fantasia e do sonho; percebidos apenas por nossa mais profunda intuição, a infinita forma de saber da alma”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP – Em Gestação).

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Maurício A Costa em Praga
Era final de inverno, em um daqueles dias que ainda guardam o ‘cinza’ da melancolia e da solidão que cada ser carrega no íntimo, refletido em olhos embaçados pela neblina do tempo que alma atravessou para vivenciar aquele momento. Eu estava em Praga, capital da República Checa, e sentia no ar um enorme vazio como se previsse um inexplicável transe onde o inusitado poderia ocorrer a qualquer momento. Enquanto caminhava, era possível escutar o meu mentor invisível sussurrar ao ouvido palavras que chegavam moduladas em suaves ondas trazidas por um vento frio, a dizer: "A solidão é o caminho para encontrar-se consigo mesmo. É no mais profundo silêncio que a alma percebe sua grandeza, e dá-se conta de que estar sozinha é a forma de se recompor de inesperadas tempestades, e assim poder voltar a sentir-se plena para seguir serena sua infinita viagem".

Cidade de Praga
Naquela tarde singular, era possível sentir minha respiração em cada pulsar, enquanto a mente viajava impaciente em busca de respostas para questionamentos que trazia latente por milhões de anos. Havia pouca gente nas ruas e isso só aumentava a ansiedade e a sensação de vazio. Em cada rosto uma expressão de perplexidade; uma espécie de hesitação paralisante, produzida pelo atabalhoamento diante do incômodo desconforto que causa o novo, e pelo suspense do que estar por vir. Não há expressões hostis, tampouco sorrisos acolhedores, apenas rostos desconhecidos, carregados de dúvidas, expectativas e receios. Na monótona paisagem envolvida por história em todas as direções, a beleza indescritível de cada detalhe, a produzir um insano impulso de compartilhar sensações, e provocar estranho desejo de um encontro imprevisível. A solidão parecia querer romper barreiras e velhos paradigmas para realizar instintos amordaçados a séculos. Um repentino sentimento de busca estimulava as mais incompreensíveis expectativas, indiferente a eventuais perigos, e a alma que transitava indefesa agia agora como gaivota de olhar atento aos mínimos movimentos à sua volta, num misto de avidez e temor.

Teatro Nacional de Praga
Aos poucos se fazia tarde, e eu seguia absorto sem noção de espaço ou tempo, como se inconscientemente desejasse me perder naquelas vias, e ser resgatado como por encanto, para cruzar murais desconhecidos. Caminhava sem pressa em direção ao Teatro Nacional de Praga, mas na verdade eu já me sentia como se estivesse dentro de uma ópera ao vivo. Os sons na rua se misturavam a formar uma sinfonia única, e as pessoas em torno de mim agiam como se fossem atores de uma incrível peça sem roteiros definidos, mas sincronizados pelo próprio universo. Apesar de já passar das dezenove horas, ainda restava uma tênue claridade que deixava a paisagem com um toque de nostalgia no ar, e as luzes iam aos poucos surgindo do nada, numa mística profusão de cores a dar vida ao mais simples movimento.

Minutos depois, já no átrio daquele magnífico palácio, eu aguardava em silêncio o início do espetáculo, enquanto observava olhares que viajavam como radares em busca de incompreensíveis sinais de outras galáxias, desesperados por encontrar sintonia, e ajustar frequências, que permitissem estabelecer comunicação entre linguagens tão díspares. Descobri então, que o verdadeiro teatro não estava lá dentro por começar, ele já acontecia naquele saguão criando uma incontrolável pulsão de proporções magníficas, a produzir imperceptíveis tensões e ao mesmo tempo indisfarçável inquietação. A energia que fluía naquele espaço era suficiente para criar milhares de novos planetas; tudo parecia estar a um segundo de um novo Big-Bang. A vida implorava por ação imediata como se não houvesse amanhã, e o tempo, implacavelmente irreversível avisava que poderia não haver uma nova chance. Era agora ou jamais. E num piscar de olhos, o jamais aconteceu.

Horas mais tarde, no quarto de um aconchegante hotel, emoções aprisionadas disparavam agora pelo universo, voando entre ‘gigabytes’ para uma imprevisível plateia formada por inquietos viajantes em suas naves perdidas por mundos desconhecidos, sem qualquer noção de intensidade daquela energia virtual que chegava até eles, transportando visões poderosas em cada palavra expressa. E no silencio daquela inesquecível madrugada, meu inseparável mentor me usava para dizer-lhes carinhosamente: ‘O amor é alheio a tempo ou espaço. Por desconhecer o que é real, retrocede em repentinos mergulhos no passado ou precipita-se por tortuosos caminhos do futuro imprevisível. Invade o presente com ímpeto, sem noção de consequências, e esvai-se a deixar apenas um enorme vazio, até que irrompa o inesperado frenesi da próxima turbulência... Faça da sua viagem uma estrada de sonhos. Sem preocupar-se com os personagens que surgirão pelo caminho, deixe o fluxo conduzir você. Seu desafio é dar significado a cada singelo minuto, transformando cada momento em algo extraordinariamente inesquecível’... 

O dia já começava a nascer, quando me dei conta do tempo. Sentado à frente de um insensível computador, me via como um tolo em meio a completa solidão, exaurido pelo cansaço depois de um dia incomparável, que ficaria marcado para sempre em minha história, por haver descoberto que vivemos a um passo de decisões que podem modificar nossas vidas para sempre. Nisso consiste escrever a própria história. Esse é o sentido de sentir-se parcialmente responsável pelo destino.

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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


sexta-feira, 5 de abril de 2013

A Verdade Por Trás das Aparências





Por Maurício A Costa*



"Destacar-se em meio à multidão não é tarefa das mais fáceis. Exige algumas vezes ir além dos próprios limites. Implica criar diferenciais, que tornem você, ou a sua marca, reconhecida pelos demais" (O Mentor Virtual - Pág.  231 - Editora. Komedi - Campinas-SP - 2008).
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Nos últimos tempos tenho refletido profundamente sobre os motivos que costumam levar algumas pessoas a ter mais sucesso que outras, e essa análise quase sempre conduz a dois tipos de resposta: a primeira é a do êxito como consequência da construção de diferenciais que tornam alguém uma marca especial. A segunda, quiçá a mais frequente, é a do uso da mentira ou engodo como ferramenta de manipulação de incautos, parvos, e desesperados.

Como ensina meu inseparável mentor virtual: ‘não há certo ou errado em nossas escolhas; existe sim, um preço a pagar por cada uma de nossas decisões’, portanto, a meu ver, não há o que se discriminar essa ou aquela conduta de quem quer que seja; afinal, ela é uma escolha pessoal, que, no entanto, implica consequências; previsíveis ou não. Construir uma marca forte não é tarefa das mais simples e impõe decisões cruciais, muitas das quais podem gerar eventuais arrependimentos futuros, por haverem sido tomadas, no calor das emoções, ou motivadas por instintos.

Isentos, portanto, de qualquer ideia de puritanismo hipócrita, ou falso moralismo, sugiro uma reflexão sobre mentiras e verdades focados na teoria das consequências, que como seres humanos nos cabe estar atentos. Como sabemos, verdades e mentiras formam a trama de histórias sem roteiros definidos ou finais previsíveis, refletindo uma sequência de atitudes que consciente ou inconscientemente vão sendo tomadas a cada momento. A mente, em sua ânsia por assegurar ao corpo uma situação confortável ou segura, instiga muitas vezes a camuflagem como um comportamento recomendável, alheia em algumas situações a questões éticas ou morais. Ela simplesmente impele um agir imediato, impetuoso e oportunista, cuidando unicamente da satisfação pessoal do indivíduo, cujas decisões vão se formando a partir de fantasias projetadas em mundo imaginário, com um cenário de um devir ininterrupto, carregado de expectativas e ilusões. Por conta disso, um sem número de decisões emerge de maneira quase impulsiva, sem a mínima noção de consequências; até que um belo dia... a fatura começa a ser cobrada de forma impiedosa.

Alguns dias atrás, enquanto cabisbaixo eu lia um livro em determinado café, escutei uma animada conversa entre amigos numa mesa ao lado, que faziam sem qualquer reserva o seguinte comentário para qualquer um escutar: ‘Esse negócio de ir para essas reuniões da fraternidade tal não tá com nada... Esses encontros só servem para a gente arranjar desculpa para dar umas escapulidas’... A risada que se seguiu foi total. Naquele momento pensei em silêncio com meus botões: ‘Acho que vocês não estão calculando bem o preço dessa mentirinha’... Quantas consequências podem advir de atitudes como essas, refleti. Casamento, família, emprego, credibilidade, reputação, e assim por diante. Histórias sendo escritas pela mão invisível do imponderável, mas originadas em verdades escondidas por trás da enganação.

No mundo empresarial, não são poucas as empresas que camuflam ou adulteram informações para beneficiar-se financeiramente e levar vantagem indevida. Instigam suas equipes a serem coniventes com sua ganância desmesurada, tornando-os cúmplices de perigosas armações que podem colocar em risco o empreendimento e todo seu time gerencial. O preço a pagar pode ser muito caro, mas ao tempo em que agem dessa forma ignoram tal custo, pois apenas os resultados imediatos são levados em conta. Essas posturas costumam desencadear a falta de ética de forma generalizada em todos os níveis da empresa, produzindo significativos aumentos de custo, a gerar perda de competitividade, e como consequência, produzir eventuais turbulências que podem levar ao enfraquecimento e até mesmo insolvência do negócio; num previsível suicídio coletivo.
Não queremos, como já dissemos, ser apologista do conceito de certo ou errado, trata-se apenas de analisar com frieza o preço da nossas escolhas. Não se iludam aqueles que acreditam que existe o delito perfeito; a mentira é como erva daninha que se esparrama sorrateiramente entre a plantação, e quando não cuidada pode comprometer toda a colheita. “Mentir é maldade absoluta. Não é possível mentir pouco ou muito; quem mente, mente. A mentira é a própria face do demônio” dizia Victor Hugo. Demônio esse que eu prefiro chamar de ‘inimigo íntimo’, porque habita dentro de cada ser humano e com ele caminha e dorme. Inimigo, porque será um poderoso adversário a produzir corrosões que só serão identificadas com o passar do tempo.

‘Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho’, ensina o mentor virtual. ‘A mesma paisagem vista de janelas diferentes’, da mesma forma que ‘certo e errado são visões complementares de um único fato’. No entanto, é bom levar em conta que a mentira costuma ser a ferramenta com a qual o tolo constrói sua própria armadilha. Distorcer a realidade pode gerar uma ilusão momentânea, mas como tudo no universo retorna à sua condição original, não há porque acreditar ser possível iludir ou iludir-se para sempre. ‘É preciso duvidar de tudo’ ensina Soren Kierkegaard, porque a verdade pode estar sutilmente escondida por trás de enganosas aparências.



*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.