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sábado, 30 de março de 2013

Bipolaridade: Ecos do Passado


  


Por Maurício A Costa*

“Como tudo no universo, somos tipicamente dualistas. Carregamos milhares de almas acomodadas em uma só e por isso vivemos em eterno conflito, flutuando entre situações extremamente opostas. Em alguns momentos somos dóceis, em outros, infernais. Num minuto estamos apaixonados e no seguinte somos capazes de odiar a plena força. Anjos e demônios se contrapondo dentro de uma escura caverna. O bem e o mal partilhando o mesmo animal. Daí, conviver consigo mesmo, é uma verdadeira arte”. (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em Gestação).
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Um dos temas mais discutidos na atualidade, especialmente por psicólogos e terapeutas, é o ‘transtorno da bipolaridade’; um distúrbio caracterizado por significativas alterações do humor, em que a pessoa pode variar entre estados de extrema euforia e comportamentos visivelmente depressivos. Parece haver uma preocupação excessiva com este assunto, como se ‘de repente’ todo mundo houvesse se tornado um 'doente' com sintomas do tipo ‘maníaco-depressivo’. É bem verdade, que vivemos a era do estresse generalizado, mas creio ser recomendável que se tome um pouco de cuidado com mais esse 'modismo' dos hipocondríacos de plantão, propagado de forma irresponsável por alguns. O distúrbio bipolar é uma doença; marcada por frequentes altos e baixos, que culminam em intensos períodos de depressão, onde as mudanças de humor assumem caracteres extremos, mas não deve ser confundida com as pequenas variações de humor que atinge a muitos, com frequência.

O indivíduo com características de depressão geralmente se mostra muito abatido, e costuma dormir mais do que o normal como forma de fugir da realidade, evitando o convívio com outras pessoas. Sua autoestima é quase sempre muito baixa, e por conta disso, busca se isolar do demais. Irrita-se com muita facilidade, e se culpa demasiadamente por eventuais fracassos; o que pode leva-lo a ideias de suicídio. Nos momentos de euforia, esse mesmo indivíduo pode demonstrar entusiasmo excessivo, ou sentimentos de grandiosidade. Costuma falar demais, algumas vezes, sem noção de consequências. Sua compulsividade pode leva-lo a situações constrangedoras, pois atua sem um mínimo de senso crítico. Nesse estágio, pode se tornar perigosamente otimista a ponto de comprometer família, amigos, carreiras ou empreendimentos.

Na minha visão, como disse no início, não é sensato se generalizar ou supervalorizar pequenas flutuações de humor, e sairmos por aí pechando qualquer um de ‘bipolar’. Isso me parece no mínimo uma irresponsabilidade e uma rotulação inadequada que pode vir a desencadear traumas indesejáveis. Sou de opinião que é mais provável que essas variações de humor sejam consequências da sobreposição de milhares de camadas existenciais, por conta da carga genética que acumulamos ao longo de infinitas gerações. Trazemos em cada célula do nosso corpo milhões de informações sobre um passado que desconhecemos e que pode aflorar a qualquer momento, sob a forma de sonhos, ou de estranhos comportamentos repentinos que brotam do mais profundo inconsciente; memória latente de toda nossa história através dos tempos. Apesar de sermos únicos, com caracteres individuais, somos múltiplos; movidos por um complexo sistema de reações cujas origens nem sempre conseguimos identificar.

Nossas atitudes e comportamentos resultam de um processo de escolhas aleatórias, influenciadas enormemente pela genética que trazemos, portanto, essas posturas podem variar significativamente ao longo de um mesmo dia, refletindo reações das mais diversas. A cada momento, alteramos nossas percepções e essas percepções alteram nossas atitudes. Sem a consciência de nós mesmos (que nos permite estabelecer um controle sobre nossas ações e reações), atuamos como alienados, permitindo que a informação que vem do mundo exterior modifique nosso estado de espírito; e é assim, a meu ver, que sabotamos nosso equilíbrio emocional, permitindo, sem percebermos, que outros interfiram em nosso humor.

Não há nada de sobrenatural à nossa volta, tudo é apenas um estupendo prodígio da vida, se revelando a numa sequência espetacular’ diria ‘o mentor virtual’. Conhecer-se a si mesmo costuma ser a chave do segredo de todas as nossas mazelas. Não há nada de fantasmagórico, feitiçaria, encostos, mandingas, ou magia negra. Tampouco aceite essa ou aquela rotulação que o trata como um doente; isto é, alguém com uma anomalia mental perturbadora. Considere seus humores por outra ótica; a de que você pode carregar milhares de almas sobrepostas em um único ser, e tem o direito de alterar seu estado de espírito todas as vezes que sentir-se motivado, contrariado, envolvido, entusiasmado, desiludido, decepcionado, ou encantado com algo. Perceba que está reverberando de forma natural ecos de um passado com os quais sua alma se identifica, e que apenas seu adormecido inconsciente reconhece.

Ao invés de considerar-se um 'bipolar', considere-se um 'multipolar'. Veja-se como alguém que pode assumir múltiplas possibilidades. Ser único e ser muitos ao mesmo tempo, por que somos todos na verdade multifacetados. Como ensina meu inseparável mentor: ‘Somos difusos, ambíguos e frequentemente incoerentes. Sem limites precisos e divididos entre dúvidas e incertezas, buscamos caminhos que nem sempre sabemos definir. Numa angustiosa jornada, orientados por mapas que outros desenharam, seguimos apenas com a bússola da intuição, na esperança de que o universo nos indique a melhor direção... Acalme essa mente agitada. Há milhões de alternativas para cada simples decisão. Atenue a inquietude do coração e deixe a vida seguir o fluxo sereno de suas próprias escolhas. A mais simples de todas as borboletas jamais alcançaria as alturas se fosse guiada por inúteis pensamentos. Despoja-se da pesada carga que carrega e entrega-se sem ressalvas ao sabor vento para voos magníficos, alheia ao passado ou futuro. Flutua na intensidade do agora, pois é nele que a vida acontece’.


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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


domingo, 24 de março de 2013

Busca Infinita





Por Maurício A Costa*


"Numa busca agitada por definir a própria identidade a alma viaja em seu voo solitário, intercalado por breves momentos de pouso. Por vezes se detém entretida com a ilusão criada pela imagem refletida em algo que não compreende, mas logo decola para a imensidão desconhecida que ao mesmo tempo teme e fascina" ('Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP – Em Gestação)        
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Em uma de minhas várias palestras, conheci algum tempo atrás um jovem cuja principal característica era a curiosidade. Percebi enquanto eu falava que seus olhos me acompanhavam como dois radares, procurando captar o sentido de cada simples palavra que eu proferia naquela noite. Seus olhos pareciam o periscópio de um submarino, rondando o mundo exterior em busca de informações preciosas para um desconhecido ser submerso, desorientado em meio a um imenso oceano de possibilidades. Quando terminei minha apresentação, onde falava sobre a ‘complexidade de nossas escolhas’, ele me chamou a parte, e com uma voz um tanto assustada me disse: ‘Mestre, gostaria de lhe fazer uma pergunta muito pessoal; o senhor teria tempo para me dar um pouco de atenção?’ – Claro! Sinta-se à vontade para falar. - Respondi. Sem perda de tempo, aquele jovem procurou um lugar mais afastado dos demais para nos sentarmos, e em seguida me falou, quase sussurrando: ‘Mestre, eu chego a pensar que não sou uma pessoa normal como os outros. Sinto-me muito inseguro e às vezes ansioso demais. Não consigo me relacionar muito bem com meus pais e me distancio deles, por achar que eles não acompanham minha cabeça, e não entendem o meu modo de ser. Por conta disso, sinto uma enorme solidão e um medo louco de ficar sozinho. Estou sempre procurando novos amigos como uma forma de preencher essa solidão, e algo muito forte me empurra para lugares diferentes, como se dentro de mim houvesse uma necessidade irresistível de conhecer coisas que ainda não conheço. O que o senhor acha que pode estar acontecendo comigo? – Concluiu ele.

Um tanto surpreso com aquele questionamento tão repentino, vindo de alguém tão jovem, respondi: ‘Em primeiro lugar, quero parabeniza-lo pela coragem de expor suas dúvidas, de maneira tão aberta. A maioria das pessoas como você costuma guarda-las, por temer revelar-se, ou pela vergonha de sentir-se inferior diante dos demais. Saiba que suas dúvidas são as mesmas que acompanham todas as pessoas à sua volta. Todos nós estamos em busca de algo que não sabemos definir. Todos nos sentimos sozinhos, mesmo quando cercados de muita gente. Portanto, não se sinta ‘anormal’ como falou; essa angústia que você sente está presente na vida de cada um, pelo simples fato de que não temos respostas para a maioria de nossos questionamentos. Não sabemos quem somos, de onde viemos, nem para onde vamos. Não sabemos exatamente o que queremos e quando achamos que sabemos, não temos noção de como chegar lá. As pessoas à nossa volta não são exatamente o que aparentam ser, e nós mesmos nem sempre somos aquilo que aparentamos, porque escondemos a parte mais bonita do que somos por medo de nos tornarmos vulneráveis a equivocadas interpretações a nosso respeito’. Enquanto eu falava, vi que seus olhos brilhavam como se de repente uma pequena luz iluminasse sua pequena caverna pessoal. Fitava-me como se eu fosse um ET. Ao perceber que gostaria de ouvir um pouco mais, completei: ‘Trazemos dentro de nós a memória de todos os nossos ancestrais, e a isso chamamos de alma; a essência daquilo que somos. Tal como um programa dentro de um computador acessando o complexo e diversificado mundo exterior via internet, assim a nossa alma em busca de respostas. Por isso, não se sinta angustiado pelo excesso de questionamento, apenas deixe-se conduzir por essa sede de informações. Ela o levará a conhecer o extraordinário, que está ao alcance de todos, mas que poucos percebem. Não se sinta sozinho; há muitos que pensam como você, mas só irá descobri-los quando expuser, de forma honesta consigo mesmo e transparente com os demais, sua maneira de pensar e de sentir. Apesar da diversidade das aparências e seus insanos conflitos entre si, há mais afinidades entre os seres humanos do que eles imaginam. Busque compreender a vida enquanto ela acontece à sua volta. Em cada movimento, cada gesto, e cada palavra há uma imensidão de significados. Interpretá-los é o seu maior desafio’ – finalizei.

Aquele singelo diálogo, tão rápido e de certa forma inusitado, produziu em mim profundas reflexões e me faz perceber o quanto somos parecidos na essência. Não é sem razão que recebo com frequência comentários de meus leitores dizendo que algo que escrevi foi escrito para eles, ou que se identificaram totalmente com esse ou aquele texto. Ao que parece, divergimos na verbalização de nossos pensamentos, mas somos unificados pelo espírito universal que a todos permeia com a mesma intensidade. Numa busca infinita, quase sempre sem saber pelo que procura, acompanhamos o viajar de nossas almas, em seu voo solitário, sem noção de tempo ou espaço, fascinada pelo novo, e temerosa do desconhecido. Somos dúvidas e hesitações na maior parte de nossas vidas, e é exatamente isso o que nos angustia. Nossa ansiedade deriva unicamente da apreensão em relação às nossas escolhas, por temermos as consequências de eventuais decisões equivocadas, esquecidos, de que: ‘Viajamos em busca de certezas sem perceber que é no vazio absoluto que voamos’ (O Mentor Virtual).

A beleza da vida consiste nessa imprevisibilidade, decorrente da diversidade. É o imponderável que nos fascina. A multiplicidade de opções do vir a ser ao mesmo tempo que enlouquece, produz um sentimento de grandiosidade em relação ao todo que pertencemos, e disso decorre nosso sentimento de gratidão pela vida que por um efêmero momento nos sustenta. 

E assim, na maior parte do tempo, confesso que me sinto como aquele jovem, perdido em meio a galáxias, mas com uma infinita sensação de completude, mesmo consciente da minha pequenez nesse contexto, pois como ensina o sábio Angelus Silesius, pseudônimo de Johannes Scheffler, citado por Jostein Gaarder em seu livro O Mundo de Sofia: ‘Quando a pequena gota encontra o oceano, ela já não é apenas mais uma simples gotinha, ela se torna o próprio oceano’. 



*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

sábado, 16 de março de 2013

As Origens de Nossos Medos





Por Maurício A Costa*



"Viajamos em busca de certezas sem perceber que é no vazio absoluto que voamos" (‘Fragmentos do Mentor Virtual' – Campinas-SP - Em Gestação). 
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Como ensina o meu inseparável personagem virtual, ‘nossos medos são importantes defesas naturais a nos avisar de que a qualquer momento algo pode dar errado. Por isso, não devemos tentar nos livrar deles, mas, procurar aprender com eles... O medo, diz ele, resulta da inquietude de uma mente cuja única função é proteger o corpo. Não subestime seus avisos, mas não se torne um prisioneiro das insanas ameaças que ela projeta’. A vida, como sabemos, é uma incrível jornada por ambientes inóspitos, quase sempre desconhecidos, onde viajamos perdidos entre ilusões construídas pela mente e uma realidade que às vezes assusta por conta de sua imponderabilidade. Flutuamos entre um passado que se esvai e um futuro imprevisível, em um presente atordoante, a nos colocar diante de angustiantes encruzilhadas, impondo escolhas decisivas que podem mudar nossos destinos em fração de segundos.

Em recente pesquisa que fiz com mais de trezentos amigos virtuais do Facebook, sobre o medo, todas as respostas revelavam de uma forma ou outra, uma enorme inquietude em relação ao futuro. Medo da morte, medo de tomar decisões, e especialmente, o medo provocado pelas incertezas. Ocorre que, como sugere mais uma vez meu ‘mentor virtual’: 'Não há padrões definitivos para nada no universo. Tudo é relativo. Tudo está interligado por um tênue fio de múltiplas possibilidades... Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambiguidade’... Vivendo um permanente processo de evolução, estaremos invariavelmente regidos pelo improvável. Mesmo nos momentos em que acreditamos estar no controle da situação, seremos como simples alga a flutuar em um oceano de infinitas possibilidades.

Por tudo isso, vivemos em permanente estado de ansiedade. Nessa ânsia pelo novo, desencadeamos inócuos e angustiantes questionamentos, a produzir incômodos conflitos interiores, a nos colocar em permanente inquietude e estresse. Em busca de respostas, muitas vezes nos sentimos perdidos diante da multiplicidade de alternativas. Ao mergulhar para dentro de nós mesmos, descobrimos atônitos que tudo isso não passa de um obcecado fascínio por aquilo que não conhecemos. Na imensidão do nosso inconsciente adormecido, nos damos conta de que viajamos como náufragos, sem roteiros, sem mapas, sem bússola, e sem destino; flutuando ao saber das marés. E é esse 'imponderável' que nos submete impiedosamente ao capricho das circunstâncias, nos tornando reféns do desconhecido. Daí a eterna dependência humana em relação ao sagrado; daí seu sentimento de inferioridade, daí todo seu medo, daí toda sua angústia.



O ser humano, em seu momento primordial, ao tomar consciência de si mesmo, seu primeiro esboço foi o medo. A noção de bem e do mal o colocava diante de escolhas. Escolhas cruciais que poderiam custar-lhe a própria existência. E esse medo o acompanhou em toda sua evolução. Por conta do medo construiu mitos e deuses. Para aplacar esses deuses desenvolveu os mais estranhos e complexos rituais. Por desconhecer o futuro e o ‘livro da vida’, a possibilidade de ‘vida eterna’ tornou-se para alguns uma obsessão, para outros uma paranoia, para muitos, uma tábua de salvação em meio às trevas de um desconhecido mar bravio. A sensação de medo impregnada de forma consistente, implacável e avassaladora, passou a ser amenizada unicamente pela ilusória ideia de vida após a morte. Como metaforicamente ensina ‘o mentor virtual’: "o ser humano é capaz de criar tantas realidades quantas queira, a partir do nada".

Muro de Condomínio
Entre os medos derivados, um deles está relacionado diretamente com a ideia de posse. O sentimento de posse gera enorme ansiedade decorrente do medo da perda de algo, ou alguém. A posse, paradoxalmente, torna prisioneiro aquele que possui, invertendo posições. ‘Livre é aquele que não se prende a nada’, diz o mentor virtual. Outro importante medo derivado é o medo causado pelas expectativas. Ao colocar nossa confiança em algo ‘fora de nós’, nos tornamos vulneráveis e expostos sobremaneira a imprevisíveis circunstâncias, e a imprevisibilidade como já falamos está na essência do medo. Na maior parte de nossa caminhada, vagamos como nômades perdidos entre milhões de alternativas, em meio a tempestades que não fomos capazes de prever; açoitados pelo medo das consequências, vamos nos tornando reféns de nossas próprias escolhas.

Outro tipo de medo muito comum nos dias atuais é o medo do outro ser humano. O engodo e a violência se tornaram tão comuns nos comportamentos humanos, que se tornou imperativo agir com prudência a maior parte do tempo. Nunca sabemos quando algo inesperado e tremendamente destrutivo estará vindo em nossa direção, em rota de colisão. Não se pode subestimar a força negativa que orbita em volta de cada um de nós, escondida sob os mais difusos interesses. O inimigo não é mais algo visível e destrutível com quem guerrear; ele está na sutileza dos disfarces, nas entrelinhas dos discursos maquiavélicos, e nos enigmáticos diálogos das supérfluas relações. Navegamos no caos, suscetíveis aos humores e interpretações de cada um que nos cerca, sem a mínima noção daquilo que eventualmente pensa o outro à nossa frente. Nossas palavras são distorcidas, adulteradas e manipuladas a qualquer momento sem qualquer pudor por pessoas nas quais colocamos nossa confiança, deixando-nos sem qualquer controle sobre possíveis desdobramentos. E aqui novamente o medo. O apavorante medo do desconhecido. A incerteza do amanhã por conta da lamentável degeneração humana.

Como lidar com essa tormentosa sensação impregnada em nossas vidas? – É o que deve a essa altura estar perguntando o caro leitor. A resposta mais natural seria: Não se deixe conduzir pelos fantasmas criados pela mente, cuja função é proteger o corpo de eventuais perigos. Não subestime os alertas, mas também não se deixe intimidar por inócuas ameaças. Não se submeta ao terrorismo apregoado por instituições, seitas, corporações ou partidos que apregoam o inferno fora de suas organizações. ‘Não se perturbe quando tudo parecer confuso. Deixe a alma escolher com serenidade aquilo que lhe apraz. Com o tempo, você descobrirá que muito do que vemos é mera futilidade’. Confie em si mesmo, e experimente fazer uma varredura de todo lixo mental que acumulou ao longo de milhões de anos, como dogmas, paradigmas, tabus, doutrinas e rituais. Livre-se dos mitos, químicas, conceitos e deuses que lhe causam dependência. Você foi feito à imagem e semelhança de algo grandioso. Há um enorme poder real que opera em você todo querer e todo realizar; basta que acione essa estupenda energia dentro de você para descobrir que o medo desaparece quando entendemos que a verdade está no vazio absoluto que só a nossa alma conhece.

Para finalizar, deixo com você um singelo fragmento do ‘mentor virtual’ para sua reflexão: ‘A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino... A beleza da vida está em sua imprevisibilidade. Superar aquilo que nos desafia é o que nos concede o gratificante sentimento da vitória. A cada tentativa, nos tornamos mais fortes’.



*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

sexta-feira, 8 de março de 2013

As Várias Faces do Medo






Por Maurício A Costa*

Zygmunt Bauman
O ciclo do medo e das ações por ele ditadas não deslizaria tão tranquilamente nem continuaria ganhando velocidade se não continuasse a extrair sua energia de tremores existenciais... O terreno sobre o qual se presume que nossas perspectivas de vida se assentem é reconhecidamente instável – tal como são os nossos empregos e as empresas que os oferecem, nossos parceiros e nossas redes de amizade, a posição que desfrutamos na sociedade mais ampla e a autoestima e a confiança que o acompanham”. (Bauman, Zygmunt, em ‘Tempos Líquidos’ – Pág. 16 – Editora Zahar – Rio de Janeiro-RJ – 2007).


Acabo de fazer uma interessante pesquisa no ambiente do Facebook, motivado pela perspectiva de insegurança que assola nossas cidades derivada do medo que se alastra como erva daninha em meio ao caos no qual a sociedade rapidamente mergulha. A enquete resumiu-se em uma única pergunta: ‘Qual o seu maior medo?’ - com o propósito de ir diretamente ao cerne da questão sem rodeios. As respostas trouxeram os mais variados reflexos de inquietude possíveis: ‘medo da velhice’, ‘medo do desconhecido’, ‘medo da morte’, ‘medo da mentira e da falsidade’, ‘medo de não ser amado’, ‘medo do futuro dos filhos’, ‘medo do julgamento dos outros’, ‘medo de perder a fé’, ‘medo de perder a saúde’, medo das incertezas do mundo atual’, ’medo de sofrer’, ‘medo dos comportamentos humanos’... ‘medo dos relacionamentos’. Todavia, entre os mais citados, destaque especial disparado para: ‘o medo da solidão’. Mais de 70% das respostas apontaram nessa direção, de forma direta ou indireta.

Nunca estivemos tão conectados, graças ao avanço da tecnologia, mas aquilo que deveria nos unir está separando. Os relacionamentos virtuais produzem relações sem vínculos sólidos, instáveis e voláteis, desprovidas do contato físico, e, portanto, carente das sensações do toque e das reações sensoriais que nos permitem identificar o nível de energia e de transparência com o outro. Estamos gradualmente nos tornando Cyber-Ghost, ilusões cibernéticas que podem surgir do nada e desaparecer da mesma forma, como se nunca houvessem existido. Exibimos nosso melhor sorriso em fotos selecionadas a dedo para criar uma aparência de felicidade, que se desmancha ao primeiro contato na maior parte das vezes. Construímos falsas expectativas em relação a tudo: da amizade virtual ao emprego que se busca nas telas de dublês de head-hunter; há uma enganação generalizada no ar, que vai da fala do político sem escrúpulos aos ‘call-centers’ das empresas de telefonia, seguro saúde, ou cartão de crédito, que nos assusta. Estamos cercados não mais de pessoas, mas de clones. Zumbis repetidores de mensagens automáticas que nos produzem uma completa sensação de abandono nos momentos em que mais precisamos delas, e cria uma desconfiança institucionalizada.


Assim, o medo da solidão vai se instalando de maneira sorrateira; não como uma ameaça futura, mas algo que se faz presente no agora de nosso dia-a-dia, de forma impiedosa e avassaladora. Não confiamos mais no sócio, no parceiro, ou no amigo; desconfiamos de todos de maneira generalizada e agimos sustentados por frágeis vínculos que podem se romper a qualquer momento, colocando em risco nossas vidas, nossos destinos, nossas esperanças. As instituições, sagradas por sua natureza, sejam elas políticas, jurídicas ou religiosas tornaram-se ambientes propícios para a falsidade e a mentira, projetando um futuro sombrio para o indivíduo que dele depende ou nele deposita sua crença. Tudo isso junto, vai corroendo a confiança, a esperança e a fé. Como um câncer invadindo cruelmente um corpo, o medo vai gradualmente solapando a alma: Minando sonhos, alterando comportamentos, produzindo angústia.

Por não acreditar naquilo que se prega internamente dentro das organizações, há uma debandada silenciosa daqueles que em busca da sintonia com a verdade preferem se arriscar como solitários viajantes intergalácticos em pequenos empreendimentos autônomos, para livrar-se do engodo generalizado das grandes corporações, da mesma forma que proliferam os pequenos agrupamentos espirituais para fugir do inferno em que se transformaram as religiões, com suas tramoias e dogmas de caráter manipulativo. A crença cega vai sendo solapada pela inconsistência do próprio sistema ou doutrina. E é assim que em meio à desconfiança institucionalizada vamos sentindo crescer o medo da solidão, especialmente com relação aos tempos futuros.

Como adultos, estamos construindo uma ‘era de incertezas’ para nossos jovens, um perigoso caminho sem retorno garantido. Não há como ensinar-lhes a verdade se em nossas ações, agimos como corruptos ou corruptores nas mínimas atitudes diárias. Não há coerência em falar-lhes sobre honestidade se traímos a confiança de nossos parceiros, sem o mínimo pudor. Não se pode combater a violência e a degradação humana, se banalizarmos e subestimarmos os efeitos devastadores da droga, na qual se jogam, numa viagem sem volta, ingênuos sonhadores de falsas quimeras. Enganamos a nós mesmos quando fechamos os olhos aos problemas e desafios que provocam essa degeneração da humanidade, derivada da insatisfação generalizada, provocada pelo consumismo, pelo excesso de liberdade (libertinagem), pelo comodismo (torpor), e pela alienação contaminante que migra do topo para a base da sociedade. Estamos conscientemente criando o ambiente propício para a proliferação de uma doença que esmaga, isola, e destrói o ser humano: a angústia causada pela solidão.
Lamentavelmente, não há uma vacina genérica para essa degeneração humana coletiva. As instituições (civis ou religiosas) que deveriam cuidar disso já estão contaminadas o suficiente e não dispõem de força física ou moral para o tratamento da sociedade. Caminhamos a passos largos para uma deterioração cada vez maior do ambiente social, e a única saída será o tratamento individual que cada um ouse e decida buscar. Será preciso nadar na contramão da maré dos modismos e reagir de forma pessoal, sem a ilusão de que se tornará um novo herói, porque poucos irão segui-lo. Pelo contrário, muitos o chamarão de idiota, ‘careta’, revolucionário, ou um patético sonhador. Contente-se com sua luta solitária e aja de acordo com suas mais íntimas intuições. O coração não costuma enganar. O tempo se encarregará de mostrar o melhor caminho, a beleza da verdade e a grandiosidade da vida

A tomada de consciência dos nossos valores pessoais será o melhor antídoto para o mal do Século XXI, marcado pela impessoalidade, a superficialidade, e a insegurança. Ter a coragem de abrir mão do excesso de materialismo; não por hipocrisia ou falso puritanismo, mas por buscar uma perfeita sintonia entre espírito (essência dos valores), e matéria (conjunto de coisas físicas). Refletir sobre nossas necessidades reais, e em especial sobre aquilo que nos deixa bem: serenos, tranquilos, seguros. Na simplicidade de nós mesmos encontraremos as respostas para nossas inquietações e superação para nossos medos. No autoconhecimento perceberemos a nossa força latente. Na sinergia com aqueles que comungam desses princípios descobriremos que não estamos sós. A opção pela verdade nos libertará; só ela nos garante a paz.
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Quero finalizar com um agradecimento especial a todos os amigos e amigas do Facebook que voluntariamente colaboraram com esta reflexão. A eles e elas dedico este artigo.
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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.