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domingo, 10 de novembro de 2013

Vivendo Múltiplas Realidades




Por Maurício A Costa*


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Na volatilidade dos relacionamentos virtuais, o ser humano está buscando cada vez mais preencher o vazio dos agrupamentos familiares, e compensar a frágil consistência dos relacionamentos pessoais, pautados pela superficialidade” (O Mentor Virtual).

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Em sua obra ‘Crítica da Razão Pura’, o grande filósofo alemão Immanuel Kant, nos sugere a reflexão de que o homem não consegue perceber a realidade, pois quando ele observa determinado fenômeno, ele o vê a partir de sua própria e limitada ótica; isto é, com base na capacitação ou conhecimento que dispõe; de forma que, a realidade percebida não é mais que a sua visão pessoal no tempo. Ainda de acordo com grandes pensadores, o ser humano é um catalogador daquilo que observa, e seus pensamentos, ideias e sentimentos, são causados por experiências anteriores, oriundas de seus ancestrais e transmitidas geneticamente ou por comportamentos coletivos propagados ao longo do tempo.

Realmente, para muitos de nós, está se tornando cada vez mais difícil entender o que é realidade. O noticiário dos jornais, revistas e canais de TV estão repletos de matérias jornalísticas a nos mostrar diariamente, empreendimentos de sucesso construídos sobre ‘trapaças’ de todo tipo; partidos e políticos sustentados por uma onda de ‘negócios fraudulentos’; governos espionando organizações e organizações espionando governos; criminosos controlando organizações e instituições; e por aí a fora. Nas relações pessoais, a situação não é nada diferente: casamentos desmoronam rapidamente em virtude da falta de confiança mútua; contratos são manipulados e descumpridos sem o mínimo escrúpulo; amizades se desfazem como poeira devido a superficialidade dos relacionamentos; famílias se auto destroem por conta da falsidade ou agressividade de seus membros, especialmente quando o fator dinheiro está em jogo; e assim vai. Tudo isso junto só nos faz sentir o quanto poderemos estar distantes da realidade dos fatos e que, aquilo que vemos não passa de uma ilusão de ótica, construída por nossas mentes. 

E o que podemos concluir desse quadro que vai se tornando cada dia mais rotineiro e explícito em nossa sociedade? – Ao que parece, a confiança, e a credibilidade estão cedendo lugar de maneira generalizada para a mentira, a camuflagem e o engodo nas relações de todo tipo, fazendo com que cada um observe a mesma situação com visões totalmente diferentes. Aquilo que eu vejo, portanto, não é a realidade, e sim algo aparente, e que na maioria das vezes não consigo entender, pois essa distorção da realidade conduz a múltiplas interpretações para um mesmo fato. Determinada pessoa pode levar uma vida de padrão luxuoso, no entanto, por ter todos os seus bens comprometidos com dívidas ser alguém muito alegre por fora e infeliz por dentro, enquanto outra, que ninguém dá nada por ela, levando uma existência simples, mas segura e confortável, ser uma pessoa feliz embora não demonstre. Do ponto de vista empresarial, podemos ter diante dos olhos um empreendimento fascinante e de sucesso, que, entretanto, está totalmente corroído por dentro sem garantia de continuidade nos dias futuros. As reuniões familiares exibem um ar de festa, quando na verdade muitos dos que ali estão disfarçam um rancor mórbido pelo outro, em conversas sorridentes e descontraídas. Um autêntico embuste a esconder a realidade por trás das aparências.

E quais as consequências desse comportamento viral que está permeando o tecido social? – Antes de tudo, deixemos de lado qualquer puritanismo de conceituação ética do certo ou errado; isso é para os hipócritas que criticam o alheio, escondendo seus próprios podres, ou para aqueles que vivem uma existência voltada unicamente para o recolhimento espiritual, isentos, portanto, de contaminação com aqueles movidos pelos instintos e desejos de fama, luxuria e poder. Queremos tratar aqui, apenas do comportamento humano e sua repercussão no meio social. Observando desse ponto de vista, o que percebemos é que a comunicação está se tornando cada vez mais complexa, por distorcer a realidade; permitindo como dissemos múltiplas interpretações e gerar equivocadas conclusões. Mas, Ora! - E o que isso tem a ver a com a minha vida? – Perguntaria o leitor mais atento.  – A resposta que vem à tona em meio a essa reflexão é que somos forçados cada vez mais a desconfiar do que vemos, ou ouvimos, colocando tudo à nossa volta sob suspeita; o que por consequência faz da nossa viver um permanente estado de insegurança.

Aqui nossa reflexão chega ao seu ponto crítico, pois é a sensação de insegurança permanente que está produzindo no ser humano um dos maiores males das últimas décadas: O estresse continuado; um invisível detonador da maioria das enfermidades, a partir de sutis comandos eletroquímicos do sistema endócrino, que afetam diretamente a produção de hormônios a alterar por completo todo metabolismo corporal. Em razão disso, estamos cada vez mais rodeados de pessoas inseguras, nervosas, agitadas, histéricas e revoltadas, ou de outras, apáticas, acomodadas, temerosas, indiferentes, ou alienadas; vivendo sob estados emocionais que estimulam, quase sempre de maneira sorrateira, o 'aflorar' de doenças graves como o câncer, às vezes em caráter irreversível.

Vivemos uma era de comportamentos voláteis, onde opiniões, posturas, e pontos de vista mudam rapidamente, e não há mais lugar para ideologia, ética ou respeito aos costumes; e a construção de fachadas tornou-se um imperativo embuste para a sustentação de marcas; daí a falta de identidade ou razão de ser que preocupa tantas corporações, em virtude de sua crescente inconsistência e consequente descredibilidade. Lidamos diariamente com pessoas volúveis, inconstantes, e fingidas, e isso vai nos tornando, gradualmente, uma legião de céticos e apóstatas, descrentes de tudo e de todos, onde a principal característica é a insegurança generalizada, no outro, na família, nas amizades, nas associações, na política, na igreja e principalmente nas instituições. Aonde quer que vamos, tendemos a nos manter com um pé atrás, quando não, com os dois. E essa desorientação desvairada traz como efeito preocupante, uma feroz complexidade na educação de jovens e adolescentes; cujo comportamento passa a ser marcado por um sentimento de apatia ou antipatia, de forma velada ou explícita. 

A virtualidade vai assim, se tornando uma espécie de ‘válvula de escape’ dos relacionamentos, para dissimular sentimentos reais, visando proteger seus atores do que pode estar por trás de pensamentos, gestos ou palavras distantes da verdade de cada um. No mundo virtual fica fácil livrar-se de presenças incômodas; basta um simples clique, ou a ausência dele, para se mandar alguém para o espaço: pessoas, amigos, promessas, empregos, ou outro qualquer tipo de coisa que já não faça sentido. Assim, de um momento para o outro, sem a mínima explicação, muda-se de cenário, muda-se de atores, muda-se a própria história e percebe-se atônito como o virtual torna-se a única realidade. E é dessa forma que vamos criando novas realidades, e nos perdendo em fantasias que levam a comportamentos que surpreendem, embora não assustem, pois afinal, vivemos em um mundo de ficção, onde a camuflagem, ao que parece, ganhou contornos de um indispensável escudo protetor.

Em meio a esse caos, onde tudo se tornou descartável, não há muito que fazer. Por isso sugiro que não desperdice seu tempo com discussões inócuas ou visões intransigentes. Navegue com o fluxo das marés. Afinal, é você quem irá criar sua própria realidade, ainda que virtual.
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). 
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos. 
Idealizador do Projeto Mentor Virtual

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