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sábado, 5 de outubro de 2013

Perdidos na Imensidão…




Por Maurício A Costa*




“Em mim brilha o valor de todas as coisas” (Friedrich Nietzsche, em ‘Assim Falava Zaratustra’)

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Que vivemos em um ambiente caótico, todos nós já nos demos conta disso. Fluímos na velocidade da luz, como efêmeros passageiros de uma nave singular chamada terra que viaja em meio a bilhões de galáxias formadas por bilhões de estrelas, envolvidas por bilhões de planetas, cometas e asteroides; e sem que percebamos, atuamos como parte, ainda que ínfima, desse algo extraordinariamente imenso que sequer sabemos definir. Um emaranhado de complexas informações a se fundir ou desdobrar-se em múltiplas possibilidades, sobre as quais não temos qualquer controle. E é nesse ambiente confuso, onde não somos capazes de entender seu início, final ou meio, que teremos de proceder nossas escolhas, tomar decisões e arcar com todas as consequências.

Confesso que fico surpreso cada vez que estou diante de alguém que se sente absolutamente seguro de suas convicções, como se elas fossem únicas e irrefutáveis. Afinal, como pode um ser tão infinitesimalmente pequeno, que não tem controle nem mesmo sobre a própria vida, arrogar-se senhor de qualquer verdade como absoluta? Como ensinava Albert Einstein, ‘tudo é relativo’, uma vez que ‘toda observação depende do ponto de vista em que está situado o observador’. Por isso, considero que toda crença não passa de um ato de fé cega, sustentada apenas pela ilusão de uma falsa segurança, ou pela sensação de conforto produzida pela introspecção de uma ideia que acalma instintos,  ou tranquiliza a alma, para que ela consiga fluir em meio a constantes vendavais, por mares desconhecidos.

"A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino", sussurra meu inseparável ‘Mentor Virtual’. Pensando assim, não acho justo que devamos trilhar nossa jornada guiados exclusivamente por mapas construídos por terceiros; muitos dos quais sequer conhecemos suas reais intenções. ‘Há um ‘mestre invisível’ em cada mínimo detalhe do caminho’, ensina ele, e quando nos damos conta disso, ‘percebemos o quanto a vida é um constante aprendizado, e que seremos eternas crianças desse imenso jardim, perdido entre galáxias de um universo infinito’. E o melhor aprendizado da criança é quando ela o faz por conta própria, em suas magníficas descobertas, e não quando segue roteiros predeterminados, que só fazem bloquear sua imaginação e criatividade. O melhor roteiro é aquele criado por nossa intuição e não aqueles que seguimos como ovelhas manipuladas. Ainda que isso possa ter um preço alto. A sabedoria nos ensina que, para nos sentirmos minimamente responsável por nossos destinos é essencial que estejamos conscientes de nossas escolhas e decisões. (‘Aquilo que o homem plantar, disso também ceifará’).

Alguns de nossos semelhantes, por outro lado, estão mais preocupados com a velocidade do que com a direção. Ignoram que "Caminhar na direção certa, ainda que devagar, é mais eficaz que andar depressa na direção errada" (O Mentor Virtual); por querer chegar rapidamente a algum lugar criado em suas mentes, subestimam os sinais que partem do seu ‘eu’ mais profundo e se embrenham por tortuosos labirintos, dos quais, quem sabe, não mais encontrarão a saída. Desesperados por resultados de curto prazo, muitos desdenham uma reflexão sobre a rota escolhida comparativamente às alternativas que se projetam à sua frente; e ao copiar modelos desenhados por outros, não percebem que suas individualidades clamam por trilhas pessoais, formatos únicos de um caminho que só nossas almas conhecem. Como diz ‘o mentor virtual’, ‘a vida não é mais que uma leve brisa entre duas estações’, por isso, é crucial ‘viver cada minuto com a intensidade do eterno’. Não podemos desperdiçar nosso precioso e efêmero tempo com batalhas inglórias, projetos fúteis, e propósitos superficiais que não se traduzam em algo com significado para nossas vidas.

Se como diz Nietzsche, ‘em mim brilha o valor de todas as coisas’, não vejo porque devo buscar no mundo lá fora a minha própria referência, ainda que isso possa gerar uma imensa polêmica com todos ao meu redor. Sei que cada vez que eu tentar definir meu próprio caminho, muitos irão tentar demover-me dessa ideia, e procurarão levar-me para o ‘rebanho’ das cômodas convergências; o ambiente seguro das concordâncias tácitas, onde o silêncio implica consentimento implícito. Dessa forma, eu deixarei de ser eu mesmo, para tornar-me parte de uma massa cinzenta, amorfa e impessoal, onde não terei voz; e como um zumbi, caminharei como um morto-vivo, desprovido da minha própria identidade, privado de voz, de querer e de vontade.


Só a consciência de mim mesmo pode orientar minhas escolhas. Em meio à multidão, não disponho de outra referência, senão a de que trago comigo, a fagulha daquilo que chamam de sabedoria universal, energia vital, espírito santo, ou numa palavra, Deus. Porque razão deveria buscar lá fora qualquer outra fonte de referência para traçar o meu caminho? Por que devo me guiar por outros, se não sei se o outro está mais perdido que eu... Ou quem sabe construiu sua rota com base em fantasias ou ilusões... Seria como voar, tomando como referência nuvens que se movem ao sabor do vento, ou navegar, tendo como referência outra embarcação que, sem que se saiba, está à deriva.

Nossa vida pessoal, ou a vida empresarial de algumas corporações quase sempre flutua ao sabor de humores momentâneos, informações mal analisadas, decisões impulsivas, e influências externas das mais diversas. Procedemos a escolhas precipitadas, sem levar em conta quem somos, ou o que queremos, ignorando nosso potencial ou limitações. Decolamos sem um plano de voo, alheios às condições do tempo no percurso, superestimando nossa capacidade de controle sobre o imponderável. E o que era para ser um voo tranquilo, sereno, e prazeroso transforma-se em um pesadelo. Uma rota de turbulência sem fim, de final imprevisível. Perdidos em meio à imensidão, esquecemos que dentro de cada um de nós há uma magnífica bússola que consciente ou inconscientemente ignoramos. Por isso, quando sentir-se perdido, não olhe lá fora na escuridão por onde navega sua nave, volte o olhar para a essência daquilo que você é, ou seu empreendimento representa. É aí que estarão todas as respostas. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

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