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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Subestimando O Perigo





Por Maurício A Costa*


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"A imprevisibilidade das circunstancias mina todas as certezas a exigir posturas não convencionais, onde o passado já não serve de referência para desenhar qualquer futuro em meio ao caos" (Fragmentos do Mentor Virtual)

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A leitura de um artigo publicado recentemente no blog do André Rocha, intitulado ‘A visão de curto prazo está matando as empresas’, me estimulou uma interessante reflexão sobre o imediatismo da grande maioria dos executivos em relação aos resultados de suas organizações. Embora a referida matéria esteja focada na questão da ‘cultura dos investidores’, mais voltada para resultados de curto prazo, eu aproveito essa análise para aprofundar um pouco mais o tema. Afinal, não são poucas as empresas perigosamente acomodadas diante de tempestades que se avizinham, em decorrência da velocidade das mudanças, a exigir um ‘pensar estratégico’ de longo prazo, consciente de que o passado não pode servir como ponto de referência para definir caminhos no futuro. O desenho do futuro passa pela análise das tendências de comportamentos humanos, perspectivas de escassez de recursos, migrações compulsórias, fluxo massivo de informações imprevisíveis, avanços tecnológicos em evolução, e da concentração de poder, entre outras causas, que se desdobram como consequência do esgotamento de sistemas políticos ou econômicos, ou do surgimento de novos grupos motivados por crenças ou ideologias.

Ministro Celso Mello
O que vimos alguns meses ou até mesmo semanas atrás já não serve como padrão para nada. Um produto ou serviço extremamente desejado pode ser tornar de uma hora para outra, obsoleto, fora de moda, e até mesmo evitado, pelas mais diversas razões. Um mercado inteiro pode ser ‘engolido’ por uma empresa novata que surge do nada, alavancada por capital de origem desconhecida, ou patrocinada por partidos políticos, grupos religiosos, ou entidades fantasmas disfarçadas sob a égide de governos corruptos. Um político com esmagadora aprovação ontem, pode se tornar inimigo público número um em frações de minutos. Diante do inusitado, tudo se torna vulnerável. Não há como prever com base no histórico do que é conhecido, pois a incerteza que nasce do imprevisível permeia toda racionalidade convencional.

Marcos Valério
Como já comentei em artigo anterior, a presença do estrategista nas organizações vai cedendo lugar para a figura do ‘articulador’, aquele que com artimanhas de todo tipo é capaz de engendrar conexões políticas que permitam viabilizar acordos, ainda que esdrúxulos e comprometedores do futuro. Experientes conhecedores da alma humana vão cedendo lugar para jovens executivos movidos por visões imediatistas, pela ânsia de poder, e instintos alimentados por incontrolável carga hormonal. Os planos deixam de ser estratégicos para se tornar de mera conveniência pessoal. A meta já não é a coletiva, mas aquela que atenda melhor as individualidades. E é por conta disso, que os homens estão gradualmente perdendo respeitabilidade nas posições de liderança, e sendo substituídos massivamente por mulheres, cuja confiabilidade é maior, em decorrência de possuírem uma mente menos maquiavélica, menos enganadora e menos disposta a riscos que comprometam sua reputação. A mulher, por razões históricas e biológicas sempre pensou mais no longo prazo que o homem. Seu comprometimento com o grupo (leia-se família, agregados, ou amigos) é muitas vezes superior ao próprio instinto de sobrevivência, diferentemente do homem, que raciocina quase sempre de forma interesseira, camuflada e imediatista, e cujo comportamento usual é pautado pelo engodo. Sua postura mais comum é ditada pelo impulso predador.

Claudia Sender - Presidente da TAM
Sem pretender que esta reflexão se torne uma generalização no tocante aos atributos femininos, vale salientar que a visível diferença de sensibilidade da mulher lhe permite ‘perceber’ os fatos com uma visão muito maior, e antever tendências de uma forma muito mais natural, por saber lidar com o intangível, o metafísico e tudo o que transcende o convencional de maneira extraordinária, conhecida vulgarmente como ‘sexto sentido’. Por essa razão, sinto-me à vontade para prever que, muito em breve, muitas das posições de liderança estarão ocupadas majoritariamente por mulheres, ou por ‘alguns’ homens que tenham aprendido a desenvolver tal sensibilidade para lidar com o intangível com a mesma naturalidade com que lidaram no passado com a concretude do que é meramente material. Dirigir, liderar, ou negociar não implica unicamente em saber fazer falcatruas. Ser inteligente, estratégico ou sábio não é sinônimo de ser esperto. Sabedoria é levar em conta, de forma responsável, possíveis desdobramentos das escolhas; já esperteza é agir com base unicamente nos efeitos imediatos. Inteligência é pensar alternativas que indiquem caminhos seguros; malandragem é subestimar a inteligência dos demais, comprometendo o futuro de um grupo em razão de interesses pessoais.

Eike Batista
Concordo, portanto, com a frase do André Rocha, que de forma incisiva alerta: ‘a visão de curto prazo está matando as empresas’. Só que essa ‘visão de curto prazo’ não está, a meu ver, sendo produzida unicamente pela pressão do investidor preocupado com o lucro imediato, mas pela escolha do profissional que irá dirigir seu empreendimento. Não se iluda aquele que pensar que títulos fabricados por universidades transfere conhecimento, competência e sabedoria aos seus titulares. A visão holística, diversificada, abrangente e marcada pela experiência pessoal é a que permite ao velho capitão conduzir sua embarcação por mares turbulentos, mesmo quando tudo parecia encoberto pela perigosa calmaria que antecede as tempestades. A rotatividade dos CEO’s, Presidentes, e Executivos nas grandes organizações tem demonstrado que a liderança movida pelos fogos de artifícios das decisões espetaculares e dos resultados imediatos podem trazer consequências drásticas e irreversíveis. Decidir com base no empirismo, na visão arrogante, ou na emocionalidade pode criar mitos temporários, mas não garante ao empreendimento uma vida longa.

Abílio Diniz
Arrogar-se como dono da verdade, sustentado por informações frágeis ou inconsistentes, que em sua maioria só retratam o passado, é subestimar o perigo que ronda qualquer empreitada. Ignorar a visão que transcende o imediatismo é como voar sem levar em conta o visual que está a mudar constantemente. A mudança já não é uma mera possibilidade, é um fator implacável e constante; por isso, a estratégia não é um fim em si mesmo,  mas um processo que se impõe a cada minuto da viagem.
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

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