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sábado, 3 de agosto de 2013

Questionar. A Essência da Estratégia



Por Maurício A Costa*



"Inovação não se faz apenas com intenções ou discursos inócuos. Inovar é ter a ousadia de ir além da mesmice, e a coragem para desafiar a mediocridade" (O Mentor Virtual).

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Em recente encontro com um executivo cuja empresa vem perdendo significativos espaços no mercado em que atua, percebi de imediato sua enorme frustração causada por uma visível sensação de impotência diante do complexo desafio que estava vivenciando para dirigir seu empreendimento nestes momentos caóticos marcados pela extrema velocidade das mudanças, agravados pela inabilidade de sua equipe para produzir respostas satisfatórias em tempo hábil. Em meio à conversa, medindo as palavras para não revelar o tamanho de seu desconforto ele me dizia: “Estou nesse mercado já há algum tempo, mas nunca vi uma situação como essa. Parece que cada vez que reagimos à determinada exigência dos nossos clientes achando que estamos atendendo suas necessidades, surge um novo complicador que nos recoloca em posição de desvantagem... Uma espécie de labirinto, da qual não estamos conseguindo sair” – Resmungou ele.

Esse é o cenário que a cada dia vai assustando muitas empresas. Algumas tomam consciência da situação e procuram reagir. Muitas, no entanto, ignorando a ameaça que sorrateiramente vai colocando em risco a vida do empreendimento agem como se nada estivesse acontecendo, guiadas unicamente por uma perigosa letargia decorrente da preguiça mental, comodismo, ou despreparo. Com o tempo, elas entrarão numa decadência irreversível que as levarão ao desespero, alegando serem vítimas do governo, dos bancos ou da concorrência, quando na verdade, são vítimas de si mesmas, por conta da vaidade que cega o bom senso.

Em momentos desafiadores, não resta alternativa senão permear a empresa com o pensamento estratégico, lembrando mais uma vez que, pensamento estratégico não é aquilo que se convencionou chamar ‘planejamento estratégico’. Pensamento estratégico é a postura questionadora que flui por toda a organização, de cima a baixo, ou vice-versa, em todas as direções; propiciando um repensar constante de cada atividade. De nada adianta trocar Diretores Comerciais, Gerentes de Vendas, Gerentes de Marketing, ou renovar toda a Equipe de Vendas Externa se diante de ambientes inóspitos e ameaçadores, a empresa segue apática; inerte. A logística que funcionou bem durante anos pode ser ineficiente nos dias atuais. A beleza da comunicação que construiu a marca no passado pode ter perdido sua objetividade e foco no presente. O produto que seduzia clientes e consumidores quando lançado, pode haver sido superado por algo provocativamente novo, de um concorrente que sequer existia alguns meses atrás. Os preços que outrora foram competitivos, por serem cuidadosamente controlados, hoje incorporam custos invisíveis decorrentes de aquisições de materiais e serviços inadequados, superfaturados, ou ineficazes, afetando a rentabilidade e comprometendo a competitividade e o crescimento da empresa, (quem sabe até sua sobrevivência futura).

Tudo precisa ser questionado, o tempo inteiro. Sem o desnecessário sentimento de desconfiança ou perseguição, que costuma desencadear reações emocionais indesejáveis e contraproducentes. Questionar movido pela imperativa necessidade de adaptar-se a tempos de mudanças velozes, competição agressiva e decisões arrojadas, que necessitam estar sustentadas por análises criteriosas e profundas de todas as alternativas disponíveis. Questionar retirando o véu que encobre situações nebulosas, verdades aparentes, e subterfúgios inescrupulosos. Questionar para estimular uma visão ampliada que permite enxergar contornos antes subestimados, ou detectar oportunidades escondidas por trás de veladas ameaças. Questionar por saber que isso possibilita identificar caminhos que não aparecem nos mapas da convencionalidade. No questionar reside a essência da estratégia, pois como ensina a velha filosofia, ‘é preciso duvidar de tudo’, e, portanto, ‘há mais sabedoria no questionar do que ter respostas’.

A visão de fora costuma ser a melhor forma de estimular questionamentos eficazes, uma vez que ela rompe com o olhar convencional, o pensamento viciado, e as posturas comprometidas pelo temor reverencial ao líder, que invariavelmente amedronta até mesmo pessoas criativas e inovadoras. A percepção do ‘forasteiro’, por desconhecer limitações, identifica alternativas inusitadas que seriam rechaçadas à primeira vista por aqueles envolvidos pela rotina, pelos tabus e por paradigmas de toda ordem. Ele não teme a exposição ao ridículo ou às críticas e desdéns que afloram do ambiente contaminado ou dominado pelo ‘status quo’, do às vezes conveniente ‘deixa como está’. Por essa razão, consultores e conselheiros empresariais costumam ser objeto de repulsa em ambientes viciados que temem a mudança; uma vez que isso poderá implicar eventuais perdas de poder, de manipulação de dados, de pessoas e de resultados. Mudar para alguns pode ser a decretação de própria morte, por isso, temem a mudança, ainda que essa atitude possa comprometer o conjunto do qual fazem parte.

Só empreendedores ou executivos com visão de futuro, engajam-se com entusiasmo na inovação. Não pela futilidade dos modismos, ou pelo efêmero das aparências, mas pela consciência da avassaladora mudança que se acerca; a qual, necessitam compreender e responder com agilidade e sabedoria.

Eike Batista
Enquanto isso, centenas de letárgicos empreendimentos irão lamentavelmente submergir, e milhares de ‘pseudo’ empresários ou despreparados executivos seguirão buscando caminhos tortuosos para sobreviver, em um país que vive uma inexorável pressão de um povo que impõe controles, transparência e objetividade de seus líderes; quer estejam eles na vida privada ou pública. Todos sabem que não há mais espaço para aumentos desvairados da carga tributária para cobrir a ineficiência da máquina pública com seus inescrupulosos negócios superfaturados para privilegiar a individualidade ou o conluio de partidos em detrimento do coletivo. O futuro que se avizinha exigirá das empresas, seus empreendedores e executivos uma postura focada na eficiência de processos, na eficácia e objetividade de decisões, na transparência de suas informações, e no respeito às suas equipes, ao invés de transformá-las em cúmplices ou coautores de fraudes e falcatruas que banalizam os valores e missão, recheados de 'significado', expressos em seus manuais internos de conduta.


Escândalo Siemens/Metro-SP
O pensamento estratégico é a alternativa inteligente para sobrevivência ao caos que gradualmente se instala no meio empresarial nos dias atuais, impondo um questionar permanente, que abrange desde o conceito da marca à reputação da Empresa; do produto ou serviço oferecido às reações de seus usuários; dos valores e princípios que norteiam o empreendimento às posturas de seus líderes; do propósito e significado que balizam a existência da organização à forma como ela é vista por seus stakeholders (parceiros, colaboradores, clientes, fornecedores, investidores etc.).

Cena do filme 1984 (Big Brother)
de George Orwell
O ‘nada será como antes’ que podia durar anos antigamente, modifica-se agora na velocidade alucinante da mais nova ferramenta das sociedades, para o bem ou para o mal: a internet. Ela expõe para muitos, com assustadora intensidade e vigor, muito da verdade que permaneceu oculta por séculos. É ela que trará múltiplas e surpreendentes respostas para nossos mais estapafúrdios questionamentos. É ela que irá revelar nossas virtudes e fraquezas de maneira fria e impiedosa para o mundo inteiro. Nada permanecerá encoberto fora do alcance das câmeras do grande ‘big brother’, que aos poucos ocupa todos os espaços de confortáveis intimidades; expondo a tudo e a todos ao humor ou à execração pública. Por tudo isso, convém mais do que nunca questionar. Questionar é como dissemos, a essência do pensar a estratégia que nos ajuda a definir onde e como queremos estar amanhã.

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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como o Grupo Gerdau, a Kimberly Clark, o Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade). É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

2 comentários:

  1. Quando leio esses 'artigos', cujo tema, são dirigidos especificamente a empresários/empresas; lembro imediatamente do 'amigo' MENTOR VIRTUAL:

    - "Seja o melhor naquilo que você fizer. Essa é a regra de ouro para a construção de uma marca forte." -

    Poi, nós, enquanto ser humano, somos também uma 'empresa'. E o que estamos fazendo para investir em nossa 'marca'? Estamos realmente acompanhando a ferocidade das mudanças? Estamos conseguindo atingir nosso público alvo? Ou estamos estagnados nas mesmices, amarrados aos viciados padrões? Ou ainda, na pior das hipóteses; cobertos de "soberba e vaidade", segurando um velho e empoeirado 'diploma de doutor', de 20 anos atrás achando que sabemos tudo?!

    É necessário e urgente, questionar-se, atualizar-se, estar presente onde as coisas estão acontecendo. Romper as amarras; sair da mesmice e da mediocridade. Diz o 'amigo' MENTOR VIRTUAL:

    - "Há milhares de possibilidades ocorrendo simultaneamente. muitos poderão estar em busca da mesma meta, focados no mesmo objetivo, caminhando na mesma direção. Numa luta sem tréguas, inúmeros atores falharão. Alguns mudarão de plano, outros desistirão; só alguns chegarão ao ponto que determinaram." -

    Abçs. carinhosos Mauricio.

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    Respostas
    1. Olá, Amarilis:
      Agradeço por seus comentários e pelas palavras de estímulo.
      Um abraço cordial,
      Mauricio A Costa

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