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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Matéria ou Espírito?




Por Maurício A Costa*

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"Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa sequência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos". ('O Mentor Virtual' - Seja o Autor de Sua Própria História - Pág. 77 – Editora Komedi - Campinas-SP 2008).

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Dias atrás, tive a oportunidade de ler um instigante livro escrito pelo Dr. Robson Lemos Rodovalho, físico pela Universidade Federal de Goiás, fundador e presidente de uma comunidade evangélica, denominada ‘Sara Nossa Terra’; entidade com quase um milhão de seguidores espalhados por mais de mil igrejas no Brasil e no exterior. Em seu livro, ‘Ciência e Fé: O Reencontro pela Física Quântica’, O Bispo Rodovalho, como é conhecido, faz um interessante paralelo entre ‘verdades científicas’ e aquilo que as religiões definem como base da ‘espiritualidade’. Uma provocante abordagem comparativa para aqueles que, com ou sem religião, questionam tudo à sua volta, procurando entender o significado da vida naquilo que ela tem de mais especial, seu complexo paradoxo: de ser efêmera a ponto de provocar todo o medo existencial que desespera o ser humano, e ao mesmo tempo ser eterna quando observada numa dimensão maior de tempo e espaço.

Sem pretender qualquer discussão filosófica, científica ou muito menos teológica, a leitura dessa obra me estimulou profundas reflexões sobre conceitos que trago hoje comigo; concebidos a partir do amálgama ou fusão, resultante da leitura de tão diferentes pensadores, que hoje formam o todo que compõe a minha modéstia visão deste magnífico universo do qual somos parte. Uma estupenda alquimia produzida pelo sincretismo, síntese de elementos díspares, de intricadas teorias, ideias e pensamentos mesmo heterogêneos, mas quase sempre entrelaçadas pelo mesmo propósito: a compreensão daquilo que está além do que já se conhece. O pensamento metafísico, que ao longo da história da humanidade povoou a mente de tantos filósofos, sábios e teólogos de toda a terra, fascinados pelo potencial humano e pela magnitude e beleza de tudo quanto nos cerca.

Penso que não há nada de sobrenatural em toda a natureza. Qualquer afirmação em contrário me parece uma grande abstração. Tudo tem uma explicação lógica, singela, e natural. Por uma simples razão: no universo tudo está intimamente interligado. Não há nada lá fora. Tudo está contido nesse todo, e, portanto, cada mínimo elemento, partícula ou fenômeno é, por conseguinte, parte de algo maior, que por razões óbvias ainda desconhecemos. Por isso, não consigo compreender o ilustre autor associando-se ao pensamento do famoso astrônomo Allan Sandage, quando diz que, “apenas através do sobrenatural consigo entender o mistério da existência”, reforçado pela conclusão do seu livro ao admitir que “o homem está dotado de propriedade transcendental”. Ora, entende-se como sobrenatural algo que está além da natureza; pensando assim, as religiões não poderiam admitir a existência de Deus como algo natural, a essência ou espírito que nos permeia, e a todas as coisas do universo, como ensinado por Jesus Cristo: ‘Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’ (João 4:24) e pelo Apóstolo Paulo: 'Não sabei vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?' (I Coríntios 3:16). Falar em ‘sobrenatural’ seria como afirmar que Deus é uma coisa fora do mundo, fora de tudo, 'fora de nós'. Algo estranho. No mínimo, bizarro. Uma incoerência do ponto de vista religioso, já que o próprio Mestre do Cristianismo afirmou: ''o reino de Deus está no meio de vós".

Baruch Spinoza
Na mesma linha de pensamento, vem a palavra ‘transcendental’. Transcendência é algo que está fora da realidade, fora dos limites cosmológicos, algo externo ao todo, e que transcende a nossa própria consciência. Aqui, mais uma vez, prefiro pensar mais uma vez que tudo no universo está intimamente interconectado, e vou um pouco mais longe: ligado pela onipresente, onisciente, e onipotente energia que transporta informação inteligente que muitos chamam de Deus. Assim, não há transcendência, e sim, imanência, atributo ou qualidade daquilo que é inerente, que pertence à concretude das coisas, à sua existência real. Acompanho aqui, a ideia do grande filósofo judeu-holandês Baruch Spinoza, expulso de sua sinagoga acusado de heresia, que sugeria: 'Deus não é um ser transcendente, mas uma substância que constitui o universo inteiro e não se separa daquilo que produziu... Deus é uma manifestação totalmente presente no mundo e nas coisas que cercam ao mundo’. Como desde tempos imemoriais, o ser humano considera ‘sagrado’ tudo aquilo que está além da sua compreensão, é natural que tenha construído ideias e imagens ‘sobrenaturais’ para explicar o que não entendia.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel
E o que era considerado ‘sobrenatural’, com o tempo tornou-se sinônimo de ‘espiritual’. Novamente aqui, um conceito deturpado, tomado como algo para além da compreensão humana, porque lamentavelmente, algumas vezes, muitos pensadores e teólogos deram à palavra ‘espirito’ uma interpretação confusa, mitológica, ou substitua da palavra ‘alma’. Concordo com Hegel quando sugere uma definição para a palavra 'espírito' como: ‘princípio dinâmico, infinito, impessoal e imaterial que conduz a história da humanidade, e que se concretiza plenamente neste processo em seu final, quando se manifesta no ser humano como plena razão e liberdade’, ou seja, o fluxo da sabedoria universal, transportada pela energia que flui em todas as direções, permeando todas as coisas, e ao ser percebido no ser humano exerce papel transformador, pela disseminação do conhecimento que através dele se propaga de maneira exponencial. Assim pensando, uma atitude ‘espiritual’ não é mais do que estar ligado ao todo universal. Ter uma visão holística, expandida, de cada fenômeno individual como um desdobramento de algo maior que se manifesta de forma natural. Ser espiritual, portanto, não é ser religioso, mas compreender a essência de si mesmo como parte de algo maior, e como tal, pensar e agir com a consciência daquele que ‘pertence’ a um todo, tal qual o condômino que age com a natural interação com o condomínio do qual faz parte.  

Albert Einstein
A essa altura, o leitor deve estar me perguntando: ‘E a matéria?... Qual a sua origem?... Qual o seu papel nisso tudo? – Como sugere o grande cientista Albert Einstein, em seus enunciados sobre a física quântica, matéria resulta de energia condensada; se pensarmos no sentido inverso, energia é matéria que se expande indefinidamente. Numa linguagem mais simples, a matéria é a forma visível da energia. Se imaginarmos Deus como essa energia plena, transportando informação que produz movimento e vida, veremos que cada coisa, qualquer simples elemento no universo é uma parte visível do que chamamos de Deus. A matéria é sua manifestação no cosmo, que o faz percebido em toda sua grandiosidade e poder. Por isso, não preciso ser religioso para ‘sentir’ Deus, tampouco, ser considerado um herege por não compartilhar da ideia generalizada de reduzi-lo a uma figura humana, mitológica, sobrenatural, ou extraterrestre. (Ver Romanos 1:23). Aquilo que definimos com a palavra 'Deus' é, na verdade, algo extraordinariamente simples como a célula que pulsa em cada ser vivo, ou o átomo de um mineral que uma vez liberado transforma-se em força descomunal, ao mesmo tempo que sua magnitude e beleza podem ser percebidas em cada manifestação do universo que nos rodeia.

Se matéria é energia condensada, tudo o que precisamos fazer para realizar nosso propósito pessoal é liberar essa magnífica energia contida em cada um de nós, expandindo-a de forma consciente em direção a algo que desejamos. Nisso consiste todo milagre. Algo natural e acessível a todos, pois como disse Santo Agostinho, os milagres não podem ir contra as leis da natureza. (Confissões – livro 7).
Exercitar a espiritualidade não se resume unicamente em frequentar templos, seitas, ou religiões. É claro que elas são úteis ao crescimento pessoal, mas não podem ser tomadas como o único caminho para o contato com a sabedoria universal que chamamos de espírito ou a essência que permeia todas as coisas. O Apóstolo Paulo ensinava: ‘Examinai tudo e retende o que é bom’. (I Tessalonicenses 5:21). A verdade não pode ser conhecida quando atuamos regidos apenas por dogmas ou paradigmas resultantes de interpretações. Para conhecê-la é necessário ir além da doutrina amordaçante e da visão unilateral, abrindo a mente de forma ilimitada, para exercitar todo nosso potencial.


Embora este artigo possa parecer a princípio uma abordagem religiosa, ele é na verdade, um convite à reflexão sobre sua marca pessoal. Afinal, uma marca forte é construída com energia. Muita energia! - Resulta também de uma visão holística, isto é, abrangente e corajosa, que analise todas as variáveis que interferem em nossa vida, nossos relacionamentos e nosso destino. Assim, matéria e espírito não são temas excludentes entre si, pelo contrário, são intrinsecamente complementares para quem percebe que tudo no universo está conectado, e que somos parte de algo maior. Não é um 'isso OU aquilo', mas um possível 'isso E aquilo', que nos abre a mente para múltiplas possibilidades.

Para você que é um pequeno, médio, ou grande empresário, peço que reflita: Os empreendimentos do futuro serão aqueles que acreditarem na energia potencial de suas equipes, conscientes de que o ser humano é a sua maior prioridade, seu maior patrimônio, e a base real de sua marca institucional. Mas, a grande marca corporativa só será sólida se for formada por marcas fortes individuais; tal qual a somatória de pequenos pontinhos que dão vida e sentido a uma grande figura digital. A organização que começar desde já a inserir a força da energia espiritual em sua estratégia de longo prazo, irá maximizar todo seu potencial, em meio a esse caótico mundo empresarial que presenciamos. Sua força virá, sem dúvida, da estupenda singularidade que muitos, mesmo sem compreender seu significado, chamam de Deus.

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*Maurício A Costa é um 'Design Thinker'. Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade).
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.
É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com

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