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sábado, 24 de agosto de 2013

Interatividade. Sinergia Que Gera Força



Por Maurício A Costa*


“Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional”. (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em gestação).
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Li, certa vez, uma preocupante frase de um autor cujo nome não me lembro, que dizia: ‘nunca estivemos tão conectados, e ao mesmo tempo tão distantes’; palavras que definem de forma clara e paradoxal o ambiente em que vivemos no século XXI, e revela um retrato fiel da tendência do comportamento humano que gradualmente vai permeando as sociedades onde as ‘coisas’ vão tomando o lugar das pessoas, e o isolamento vai se instalando sorrateiramente. Já não há mais tempo para as conversas familiares porque a televisão, o computador, ou i-pads ocupam a maior parte do tempo individual do grupo. Amigos na mesa de um bar ou restaurante estão mais atentos aos seus smartphones do que na conversa que eventualmente possa estar acontecendo ao seu lado. Reuniões empresariais já não são conduzidas por insights criativos gerados por brainstorms espontâneos, mas orientadas a partir de ‘matrizes’ copiadas de países e corporações totalmente diferentes do ambiente nativo. Cada figurante em torno da mesa está mais ‘ligado’ nas imagens, textos e roteiros de seus laptops do que na essência e profundidade do propósito do encontro. Estão todos sentados lado-a-lado, mas não estão juntos. Seus corpos estão presentes, mas suas mentes estão ocupadas com algo bem distante dali. Uma visível conectividade a esconder possíveis diferenças.

Algumas semanas atrás, eu estava na sala do principal executivo de uma empresa que visitava, e enquanto conversávamos, eu percebia que seus olhos estavam ‘grudados’ na tela de um computador à sua frente, e ao mesmo tempo, em dois smartphones sobre sua mesa, que não paravam de avisar da chegada de um sem número de mensagens via SMS, WhatsApp, e outros aplicativos. Falávamos sobre o futuro da empresa e a turbulência que cercava os dias atuais, colocando em risco a sobrevivência até mesmo de grandes empresas; todavia, sua atenção estava dispersa entre múltiplos assuntos, a demonstrar que navegava solitário em um mar de informações, sem a mínima noção do que poderia representar a palavra sinergia. Diante desse quadro, eu percebia dispersão, e não sinergia; essencial em momentos que exigem grande concentração de esforços. 

Antes que você pense que eu sou um troglodita avesso a tecnologia, quero deixar claro que não me imagino viver sem toda essa parafernália do mundo digital. Esta reflexão quer destacar na verdade, eventuais desconexões com a prioridade que nos cerca, quando estamos plugados numa dimensão maior, onde o virtual ocupa espaço e tempo demasiado a ponto de nos desligarmos do que acontece à nossa volta. A internet e suas ferramentas podem ser muito úteis para gerar interatividade, mas nem sempre podem produzir a sinergia desejada.

Para muitos, sinergia representa apenas a comunhão de ideias para se atingir uma meta comum. Ou seja, ter parceiros que pensem iguais. Sinergia, no entanto, não diz respeito apenas a sintonia no modo de pensar, ou identificação pessoal com relação aos objetivos comuns; Sinergia implica ação conjunta, coesão; esforço simultâneo para potencializar resultados pretendidos. Sinergia tem a ver com desempenho superior resultante do sincronismo empregado na ação. Sinergia é a mola propulsora que alavanca a interatividade de maneira coordenada, essencial para gerar o movimento em direção ao que se pretende. Fora disso, tudo vira apenas ‘belas intenções’, e como diz o ditado popular, de ‘belas intenções o inferno está lotado’.

A cada dia me convenço do quanto é difícil atingir e superar metas caminhando sozinhos. O sucesso decorre de um trabalho de equipe em torno de uma ideia ou projeto. A interatividade é essencial no esforço compartilhado. Entretanto, essa interação exige sinergia. Basta observar uma equipe de Fórmula Um. Não há ali unicamente uma comunhão de propósito, mas acima de tudo um esforço ‘sincronizado’ em que todos operam na mesma sintonia. A precisão do ‘momentum’ produz a maximização do esforço coletivo, tornando o resultado superior. Por isso, de nada serve uma visão multifacetada, ou um conexão com vários players simultaneamente, se entre eles não ocorrer sinergia. De nada adianta escutar mil sons ao mesmo tempo se entre eles não for criado uma interação que produza uma sinfonia. Haverá tão somente dispersão. E dispersão é perda de sinergia.

De nada vale estar cercado de dezenas de músicos competentes, se junto a eles não houver um ‘maestro’ que construa a harmonia que dá infinita beleza ao conjunto e dele extrai as mais encantadoras sinfonias. De forma semelhante, torna-se ineficaz ao empreendimento uma equipe extraordinária, conduzida por alguém que não sabe criar interatividade com sinergia que transforma uma ideia singular numa realização estupenda. Não se pode permitir que valores individuais brilhantes produzam resultados medíocres; virtuoses que atingiram alto domínio técnico naquilo que fazem, vendo seus talentos serem desperdiçados em autênticas óperas bufas, que seriam cômicas se não fossem trágicas, gerando frustrações inevitáveis.

Execução impõe sinergia. Entretanto, alguns executivos acreditam que ser líder resume-se em conduzir seu grupo de forma unida, motivada e informada dos objetivos. Que basta saber escolher um bom time e as coisas irão acontecer por si. Um ledo engano, que só será percebido quando os desafios começarem a se tornar maiores que o esforço desprendido pelo grupo. Um desperdício de tempo e de dinheiro, inaceitável em tempos de escassez de recursos. Embora pareça óbvio o que vou dizer, pessoas não são máquinas; autômatos movidos por instruções mecânicas, transferidas friamente por e-mails, ou mensagens impessoais que não levam em conta o nível de interação do grupo, com a afinação que estabelece a harmonia capaz de produzir a esperada sinfonia. A ausência de interação com sinergia pode levar uma bela ideia ou projeto ao fiasco.

Frustrante também, é ver o número de empresas ‘patinando’ na mesmice, vítimas da vaidade ou insegurança de seus dirigentes. Ainda que, originalmente bravos guerreiros na luta pela sobrevivência, atuam de forma desordenada diante de mudanças que se desdobram numa velocidade alucinante, a exigir posturas dinâmicas, pois a ópera em andamento já não permite um ritmo ‘piano piano’, suavemente executada como outrora, mas um ‘allegro forte’ de movimento acelerado. As mudanças já não ocorrem em intervalos de anos, mas surgem em frações de segundos; exigindo afinação permanente dos componentes de um grupo e uma crucial necessidade de estabelecer interação e sinergia em tempo real, onde o planejamento engessado já não resolve. É imperativo adequar-se ao inusitado em plena execução, pois não há tempo hábil para muitos ensaios; e a estratégia já não é mais um fim em si, mas um processo de ajustes permanente. Assim, permear toda a organização com o pensamento estratégico torna-se um fator sine qua non, questão de vida ou morte, e não mera opção, ou modismo passageiro.

A perigosa resistência de algumas empresas em compreender e implementar uma nova postura diante das mudanças, poderá leva-las ao seu enfraquecimento gradual por inércia. Pensar não dói, mas subestimar a tempestade que se avizinha sim, e trazer males crônicos, quem sabe irreversíveis com o passar do tempo. Por isso, envolver a todos com o pensar alternativas é a semente da interatividade que se potencializa quando aplicada com sinergiaPara construir uma Marca Forte é imprescindível uma enorme dose de ousadia e criatividade, e uma equipe comprometida com propósitos; coesa e sincronizada, para atingir os resultados desejados. Aposte nisso. 
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com

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