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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Guerreiros e Parasitas




Por Maurício A Costa*


“Uma batalha interminável é travada dentro de nós a cada minuto. A luta pelo sonho desafiador que nos move em direção àquilo que acreditamos é ameaçada sem tréguas pelo complexo emaranhado de caminhos do mundo real que nos cerca. Para alcançar o extraordinário é imperativo ir além de todas as fronteiras do convencional”. (Fragmentos do Mentor Virtual)

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Parasitas no ubre de uma vaca
Depois de conviver por tantos anos com seres humanos de toda espécie, concluo decepcionado, que em síntese, a humanidade divide-se em duas classes: guerreiros e parasitas. Não deveria me sentir surpreso com essa dedução, afinal, desde a antiguidade a coisa sempre foi assim. Como livre pensador, acredito que a espécie humana não pode ser fruto da ideia simplista de uma criação divina, que a faz diferenciada, mas resultado de uma intrincada composição de moléculas autônomas que se multiplica incessantemente, carregando bilhões de informações latentes. Nesse contexto, vemos animais de grande porte como rinocerontes, baleias ou tartarugas, com a mesma complexidade de seres quase invisíveis como vírus, bactérias ou fungos. Todos, invariavelmente lutando ininterruptamente pela sobrevivência das mais diversas maneiras. Alguns de forma tenaz e laboriosa, outros, à custa de outros organismos vivos, a sugar-lhes toda vida; ‘deles obtendo alimento e não raro lhe causando dano’.

Sarney e Collor
Entre a década de 1980, e os primeiros anos da década de 1990, vivenciei na pele uma das mais turbulentas fases da economia brasileira, dirigida por homens como José Sarney, Fernando Collor de Mello, Orestes Quércia Jader Barbalho, Iris Resende, Luiz Antonio Fleury, Paulo Maluf, Newton Cardoso, Renan Calheiros e Luis Inácio Lula da Silva, entre muitos outros, em seus respectivos estados. Naquele triste período da vida brasileira muitos empresários foram à falência, e alguns até se suicidaram devido a impagáveis dívidas, geradas por uma inflação descontrolada e juros estratosféricos, da ordem de mais de 2.000% ao ano. (Sim, o número não está errado, dois mil por cento anuais!). Ao tempo em que, governantes e políticos de vários partidos ligados ao governo iam construindo fortunas incalculáveis. Alguns em nome pessoal, outros em paraísos fiscais fora do Brasil. Em sua maioria, pessoas que se propunham a livrar o país de uma ditadura militar, que sufocava a democracia, e consequentemente as liberdades individuais, e por isso criaram ou deram força a partidos com as mais variadas siglas.

Newton Cardoso
Muitas das empresas daquele período já não existem mais. Sucumbiram diante de planos econômicos de cunho político eleitoreiro, onde pretensos líderes, eleitos para cuidar do coletivo, se preocupavam mais em locupletar-se, de maneira individual. Muitos empreendedores viram seu sonho morrer, pois para a classe política, eles não passavam de meros ‘agentes econômicos’; meras abelhinhas-operárias em meio a uma imensa colmeia destinada unicamente a produzir o ‘néctar’ para um sem número de ‘abelhas-rainhas’, confortavelmente instaladas em seus espaços, e fortemente protegidas por um grande séquito de ‘zangões’, estrategicamente espalhados por toda colmeia. Guerreiros amamentando parasitas até a própria morte.

Sarney e José Dirceu
Hoje, passado algum tempo, vejo a mesma situação se desenhar no horizonte; não causada por uma eventual ameaça de hiperinflação, ou juros fora de órbita, mas devido à proliferação dos ‘sanguessugas’ instalados na colmeia da área governamental. Parasitas de toda ordem, a permear todos os órgãos públicos, prontos a atacar, em defesa de suas abelhas-rainhas, visando antes de tudo preservar o ‘status-quo’, ou a zona de conforto que lhes garante a seiva extraída de organismos vivos que bravamente lutam para sobreviver.

Lula com Quércia
Os partidos, de forma geral, perderam suas identidades originais, e já não defendem ideias, mas unicamente o poder. Poder econômico para garantir a sua hegemonia, a fim de exercer o controle e manipulação de um povo sem cultura, e dele arrancar-lhe o voto, graças a uma subserviência histórica, devido à sua ignorância, em especial, nas regiões mais pobres. Enquanto isso, aquela fatia mais preparada da nação, por ser minoria, vai se tornando refém de uma política cartelizada, onde o ‘toma-lá-dá-cá’ corporativista afasta qualquer ideia ou grupo que possa atrapalhar os feudos construídos com base em acordos duvidosos, em que prevalece o interesse pessoal ou partidário sobre o coletivo. A ausência de ideologia dos partidos vai assim criando uma enorme massa cinzenta, onde já não se sabe mais quem é quem no cenário político, e, consequentemente, carente de representatividade.

Essa balbúrdia tem criado uma multidão de órfãos da democracia. Milhões de cidadãos que já não acreditam em políticos, e muito menos em partidos. Por não se sentirem representados, uma vez que não enxergam coerência entre o discurso e as ações, vão às ruas como uma turba sem liderança, e sem uma pauta específica, gritando por mudanças urgentes que lhes devolva a segurança, para continuar acreditando em suas instituições; já que a falta de seriedade tem minado sorrateiramente a confiança naqueles que elegeu para cuidar do bem que é de todos, a coisa pública.

Embora eu não participe de qualquer partido político, tampouco faça parte de facções de direita ou de esquerda, vejo com desconfiança a onda crescente de manifestações. Há muitos que enxergam nisso uma sutil estratégia orquestrada pelos ‘zangões’ para trazer de volta a época do ‘vale-tudo’, a fim de preservar o ‘status-quo’ que adquiriram ao longo dos últimos anos. Por conta disso, as legítimas manifestações que aos poucos tomaram conta do país, vão sendo deturpadas por infiltrações de interesse partidário, de grupos que sabem como ninguém manipular as massas a seu favor. Há, com certeza, alguns que estão se sentindo ameaçados por uma desconfortável postura ética, pois não se comportam de acordo com os princípios e valores que deveriam nortear a vida de qualquer homem público, pois vivem patrocinados por elementos da iniciativa privada que orbitam em torno de acordos que não privilegiam o bem público. Se esse tipo de conspiração realmente existir, as instituições nacionais podem estar sendo perigosamente manipuladas e comprometidas.

O lado mais perverso de toda essa situação, é que há milhões de indefesos pequenos e médios empreendedores, cujos negócios estão sendo inviabilizados pela mal estruturada política econômica, conduzida por interesses partidários e não por programas racionais de longo prazo, em paralelo à gigantesca carga tributária que os oprime, e não os deixa confortáveis para ir às ruas endossar o coro das manifestações, por medo de represálias. Como cordeiros sem um pastor que as conduza, seguem em silêncio para o matadouro.

Lula - Haddad - Maluf
Assim, boa parte da sociedade vai se tornando refém de partidos políticos, que embora apregoem agir em nome do povo, escondem, na verdade, o lado negro de uma disfarçada ditadura sem face, sustentada por acordos que incluem desde figuras de ultra direita até aqueles que sempre defenderam ideologias de esquerda, para juntos elegerem esse ou aquele candidato, com vistas a um plano nitidamente político que visa prioritariamente os interesses econômicos individuais ou partidários, e não coletivos. O grito das ruas traz uma sutil mensagem de protesto e indignação por esse conluio que põe em risco as instituições. Como na América Latina toda democracia é frágil ela pode ser facilmente comprometida. Com base nisso, como ocorreu em 1964, já há muitos sugerindo que os militares coloquem ordem na lambança generalizada que se estabeleceu no país; uma vez que o trabalho árduo de muitos vem sendo sugado pela indolência, a vadiagem, e oportunismo de poucos, e nas ruas, segue aumentando o grito de inúmeros guerreiros cansados de alimentar parasitas. 

Faço votos de que a classe política saiba escutar com prudência, serenidade e discernimento o alerta que vem das ruas. Como diz a sabedoria popular, a voz do povo é a voz de Deus. 
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 *Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Um comentário:

  1. Eu sinto Mauricio que você está direcionando toda sua energia, neste 'artigo', em atenções às questões do nosso País; questões que podem levá-lo a ruína e conseqüentemente a todos aqueles o habitam. Compartilho com você essas preocupações pois os 'velhos lobos' não se cansam de articular nas 'alcovas'; já pensando em quem vai assumir a 'cadeira' e que eles possam
    'manipular'! E o 'povo' mais humilde, infelizmente, só pode sair nas ruas com seus cartazes pedindo mudanças... Mas, mudar como? Se é um "circo" permanente(Planalto Central) e, os "palhaços"(Políticos) são sempre os mesmos; e, não querem aplausos, só querem saber da "bilheteria"(Cofres Públicos).

    Eu não sei, até que ponto o 'povo' sabe realmente o que fala quando vai às ruas... Ou, se a maioria só vai com os outros! Tenho as minhas dúvidas, pois para alguns jovens, as 'manifestações' se tornaram um "programa", tipo:- "O você vai fazer hoje? - Ah! Vou numa manifestação! - Legal! Também vou!" - E por aí vai.

    Logo, "a voz do povo é a voz de Deus"; ou, Deus está rezando por este povo...

    Abçs. carinhosos Mauricio.

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