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domingo, 7 de abril de 2013

A Intensidade da Energia Virtual





Por Maurício A Costa*


Aquilo que chamamos de realidade, não passa da ilusão à qual se apega a mente fria e racional, aprisionando a vida e nos fazendo ignorar todas as demais possibilidades. Sabotamos, vergonhosamente, caminhos alternativos nascidos da casualidade, da fantasia e do sonho; percebidos apenas por nossa mais profunda intuição, a infinita forma de saber da alma”. ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP – Em Gestação).

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Maurício A Costa em Praga
Era final de inverno, em um daqueles dias que ainda guardam o ‘cinza’ da melancolia e da solidão que cada ser carrega no íntimo, refletido em olhos embaçados pela neblina do tempo que alma atravessou para vivenciar aquele momento. Eu estava em Praga, capital da República Checa, e sentia no ar um enorme vazio como se previsse um inexplicável transe onde o inusitado poderia ocorrer a qualquer momento. Enquanto caminhava, era possível escutar o meu mentor invisível sussurrar ao ouvido palavras que chegavam moduladas em suaves ondas trazidas por um vento frio, a dizer: "A solidão é o caminho para encontrar-se consigo mesmo. É no mais profundo silêncio que a alma percebe sua grandeza, e dá-se conta de que estar sozinha é a forma de se recompor de inesperadas tempestades, e assim poder voltar a sentir-se plena para seguir serena sua infinita viagem".

Cidade de Praga
Naquela tarde singular, era possível sentir minha respiração em cada pulsar, enquanto a mente viajava impaciente em busca de respostas para questionamentos que trazia latente por milhões de anos. Havia pouca gente nas ruas e isso só aumentava a ansiedade e a sensação de vazio. Em cada rosto uma expressão de perplexidade; uma espécie de hesitação paralisante, produzida pelo atabalhoamento diante do incômodo desconforto que causa o novo, e pelo suspense do que estar por vir. Não há expressões hostis, tampouco sorrisos acolhedores, apenas rostos desconhecidos, carregados de dúvidas, expectativas e receios. Na monótona paisagem envolvida por história em todas as direções, a beleza indescritível de cada detalhe, a produzir um insano impulso de compartilhar sensações, e provocar estranho desejo de um encontro imprevisível. A solidão parecia querer romper barreiras e velhos paradigmas para realizar instintos amordaçados a séculos. Um repentino sentimento de busca estimulava as mais incompreensíveis expectativas, indiferente a eventuais perigos, e a alma que transitava indefesa agia agora como gaivota de olhar atento aos mínimos movimentos à sua volta, num misto de avidez e temor.

Teatro Nacional de Praga
Aos poucos se fazia tarde, e eu seguia absorto sem noção de espaço ou tempo, como se inconscientemente desejasse me perder naquelas vias, e ser resgatado como por encanto, para cruzar murais desconhecidos. Caminhava sem pressa em direção ao Teatro Nacional de Praga, mas na verdade eu já me sentia como se estivesse dentro de uma ópera ao vivo. Os sons na rua se misturavam a formar uma sinfonia única, e as pessoas em torno de mim agiam como se fossem atores de uma incrível peça sem roteiros definidos, mas sincronizados pelo próprio universo. Apesar de já passar das dezenove horas, ainda restava uma tênue claridade que deixava a paisagem com um toque de nostalgia no ar, e as luzes iam aos poucos surgindo do nada, numa mística profusão de cores a dar vida ao mais simples movimento.

Minutos depois, já no átrio daquele magnífico palácio, eu aguardava em silêncio o início do espetáculo, enquanto observava olhares que viajavam como radares em busca de incompreensíveis sinais de outras galáxias, desesperados por encontrar sintonia, e ajustar frequências, que permitissem estabelecer comunicação entre linguagens tão díspares. Descobri então, que o verdadeiro teatro não estava lá dentro por começar, ele já acontecia naquele saguão criando uma incontrolável pulsão de proporções magníficas, a produzir imperceptíveis tensões e ao mesmo tempo indisfarçável inquietação. A energia que fluía naquele espaço era suficiente para criar milhares de novos planetas; tudo parecia estar a um segundo de um novo Big-Bang. A vida implorava por ação imediata como se não houvesse amanhã, e o tempo, implacavelmente irreversível avisava que poderia não haver uma nova chance. Era agora ou jamais. E num piscar de olhos, o jamais aconteceu.

Horas mais tarde, no quarto de um aconchegante hotel, emoções aprisionadas disparavam agora pelo universo, voando entre ‘gigabytes’ para uma imprevisível plateia formada por inquietos viajantes em suas naves perdidas por mundos desconhecidos, sem qualquer noção de intensidade daquela energia virtual que chegava até eles, transportando visões poderosas em cada palavra expressa. E no silencio daquela inesquecível madrugada, meu inseparável mentor me usava para dizer-lhes carinhosamente: ‘O amor é alheio a tempo ou espaço. Por desconhecer o que é real, retrocede em repentinos mergulhos no passado ou precipita-se por tortuosos caminhos do futuro imprevisível. Invade o presente com ímpeto, sem noção de consequências, e esvai-se a deixar apenas um enorme vazio, até que irrompa o inesperado frenesi da próxima turbulência... Faça da sua viagem uma estrada de sonhos. Sem preocupar-se com os personagens que surgirão pelo caminho, deixe o fluxo conduzir você. Seu desafio é dar significado a cada singelo minuto, transformando cada momento em algo extraordinariamente inesquecível’... 

O dia já começava a nascer, quando me dei conta do tempo. Sentado à frente de um insensível computador, me via como um tolo em meio a completa solidão, exaurido pelo cansaço depois de um dia incomparável, que ficaria marcado para sempre em minha história, por haver descoberto que vivemos a um passo de decisões que podem modificar nossas vidas para sempre. Nisso consiste escrever a própria história. Esse é o sentido de sentir-se parcialmente responsável pelo destino.

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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


4 comentários:

  1. Maravilhoso Maurício! Admiro sua capacidade de transformar sensações e sentimentos em palavras! É como se nos "transportasse" ao ocorrido! Boa semana!!

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    1. Olá, Elenise:
      Agradeço pelas palavras de estímulo.
      Um abraço cordial.
      Mauricio A Costa

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  2. Mauricio cheguei à conclusão que o pensamento é a energia que me transmite a vontade de fazer, bem ou mal, um modesto comentário a um belíssimo texto de MARCAS FORTES "A Intensidade da Energia Virtual".
    Como diz Louis Pauwels "Não acontece aos homens aquilo que eles merecem, mas sim o que se lhe assemelha".
    Assim, a energia do pensamento influencia nossa vida. A nossa mentalização deve ser positiva...somos responsáveis por tudo o que nos acontece.
    Abraço Mauricio

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    Respostas
    1. Olá, Alice:
      Muito interessante seu comentário. O pensamento é a energia da mente que desencadeia toda ação.
      Um abraço cordial,
      Mauricio A Costa

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