Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Complexidade Atual das Relações Pessoais






Por Maurício A Costa*


A sociedade é cada vez mais vista e tratada como uma ‘rede’ em vez de uma ‘estrutura’: ela é percebida e encarada como uma matriz de conexões e desconexões aleatórias de volume essencialmente infinito de permutações possíveis” (Bauman, Zygmunt - ‘Tempos Líquidos’ – Pág. 09 – Zahar – R. Janeiro – 2007). 


____________________________

Nosso maior desafio na atualidade consiste em estabelecer relações confiáveis e duradouras; seja no ambiente familiar, social, ou empresarial. Nossa incompletude nos impele instintivamente na busca de complemento para construir sinergia com o outro, a fim de potencializar nosso esforço físico e mental na concretização de uma meta. Entretanto, o medo de nos tornarmos vulneráveis, expostos ao imprevisível, nos induz quase sempre a agir, voluntária ou involuntariamente, com certa dose de desconfiança em relação ao outro, da mesma forma que ele em relação a nós; e isso nos impossibilita de criar relacionamentos sólidos, tornando frágeis os vínculos pessoais, e, por conseguinte, temporários; por carecer de substância que lhes dê sustentação. Vivemos o tempo inteiro com um pé atrás, como se aguardássemos a qualquer momento uma inesperada ruptura, ou no mínimo, uma decepção.

A luta pela sobrevivência tem alterado significativamente os comportamentos humanos nos tempos modernos. Vivemos a era da descartabilidade, onde as mudanças se tornaram excessivamente velozes e com elas o desejo incontrolável de trocar. Trocar de carro, de telefone, de parceiro, de lugar, de empresa, e até mesmo de amigos, trocando ‘amigos’ reais por amizades virtuais. Mudamos a nós mesmos, para nos adaptarmos a esse frenesi desconcertante e em meio a essa loucura nos perdemos. Perdemos a referência, perdemos o significado, perdemos a identidade. Numa sociedade robotizada, onde os sentimentos vãos sendo gradualmente substituídos pela praticidade das decisões automatizadas passamos a agir como máquinas; programados por uma mídia desenfreada que nos invade a vida sem permissão, e nos trata como meros agentes de produção ou de consumo em massa, atores anônimos de um enorme teatro criado pelo ‘inconsciente coletivo’, ou como irrefreáveis ‘replicadores de comportamento’.

Já não sabemos o que é tolerância, embora sejamos disfarçadamente omissos e excessivamente permissivos por razões de comodismo, em relação a valores e princípios que julgávamos fazer parte das relações sociais e das nossas instituições. A insegurança coletiva faz com que nos distanciemos cada vez mais uns dos outros, produzindo um sombrio isolamento; e assim, protegidos por uma  imaginária redoma, nos sentimos artificialmente resguardados, alcançados apenas de forma virtual, e com poder de desconectar ou ‘descartar’ o outro de maneira sórdida, mesquinha, e miserável, utilizando as mais esfarrapadas desculpas. O outro deixa, portanto, de ser alguém, para se tornar algo, sem valor, vergonhosamente descartável. 

Nesta era de incertezas e volatilidade, marcada pelo subterfúgio das intenções não declaradas, do imprevisível, e da suspeita generalizada, tornou-se imprescindível minimizar a ansiedade, a solidão, e o estresse causados pela insegurança, decorrente da ausência de confiança que se propaga sorrateiramente, substituindo ‘relacionamentos frágeis e superficiais’ por vínculos mais resistentes. O futuro não precisa tornar-se necessariamente, uma irreversível fatalidade; ele pode ser desenhando a partir da nossa mudança de paradigmas; afinal, somos os autores da nossa própria história. O respeito, a admiração e afeto pelo outro não não podem e não devem ser substituídos por atitudes frias, calculadas, e recheadas de sombrias expectativas. Acreditar que ainda existem seres humanos sérios, justos, e confiáveis pode parecer uma utopia à primeira vista, mas será o grande diferencial nas relações pessoais no Século XXI. Saber construir tais relações, no entanto, é sem dúvida um grande desafio. Muitas empresas já começam a falhar neste sentido. O empreendimento sustentado por uma marca forte e duradoura é aquele que, em suas estratégias, define o ser humano como sua maior prioridade. Aposte nisso. 

 _________________________________

*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


3 comentários:

  1. Outro excelente artigo meu amigo!
    Gostei do título, o texto é ótimo. Até breve, grande abraço.

    ResponderExcluir
  2. Olá, Mauricio

    Perante um artigo destes !!!!...o que nos resta dizer?
    Merece a nossa atenção e ser elogiado. O Mauricio é um excelente comunicador.

    A ética é o ideal para a conduta humana.

    Devemos agir de acordo com os nossos princípios e assumir as nossas decisões, mesmo que não estejam de acordo com a maioria.

    Um abraço cordial

    ResponderExcluir
  3. Outro artigo que maravilhoso !!! o que posso dizer ... Me honra estar entre seus amigos parabèns Mauricio sou seguidora jà de anos do Mentor Virtual , e cada dìa acho que foi uma experiencia . Obrigada mais uma vez .

    Um abraço especial e atè sempre

    ResponderExcluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.