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sábado, 30 de março de 2013

Bipolaridade: Ecos do Passado


  


Por Maurício A Costa*

“Como tudo no universo, somos tipicamente dualistas. Carregamos milhares de almas acomodadas em uma só e por isso vivemos em eterno conflito, flutuando entre situações extremamente opostas. Em alguns momentos somos dóceis, em outros, infernais. Num minuto estamos apaixonados e no seguinte somos capazes de odiar a plena força. Anjos e demônios se contrapondo dentro de uma escura caverna. O bem e o mal partilhando o mesmo animal. Daí, conviver consigo mesmo, é uma verdadeira arte”. (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em Gestação).
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Um dos temas mais discutidos na atualidade, especialmente por psicólogos e terapeutas, é o ‘transtorno da bipolaridade’; um distúrbio caracterizado por significativas alterações do humor, em que a pessoa pode variar entre estados de extrema euforia e comportamentos visivelmente depressivos. Parece haver uma preocupação excessiva com este assunto, como se ‘de repente’ todo mundo houvesse se tornado um 'doente' com sintomas do tipo ‘maníaco-depressivo’. É bem verdade, que vivemos a era do estresse generalizado, mas creio ser recomendável que se tome um pouco de cuidado com mais esse 'modismo' dos hipocondríacos de plantão, propagado de forma irresponsável por alguns. O distúrbio bipolar é uma doença; marcada por frequentes altos e baixos, que culminam em intensos períodos de depressão, onde as mudanças de humor assumem caracteres extremos, mas não deve ser confundida com as pequenas variações de humor que atinge a muitos, com frequência.

O indivíduo com características de depressão geralmente se mostra muito abatido, e costuma dormir mais do que o normal como forma de fugir da realidade, evitando o convívio com outras pessoas. Sua autoestima é quase sempre muito baixa, e por conta disso, busca se isolar do demais. Irrita-se com muita facilidade, e se culpa demasiadamente por eventuais fracassos; o que pode leva-lo a ideias de suicídio. Nos momentos de euforia, esse mesmo indivíduo pode demonstrar entusiasmo excessivo, ou sentimentos de grandiosidade. Costuma falar demais, algumas vezes, sem noção de consequências. Sua compulsividade pode leva-lo a situações constrangedoras, pois atua sem um mínimo de senso crítico. Nesse estágio, pode se tornar perigosamente otimista a ponto de comprometer família, amigos, carreiras ou empreendimentos.

Na minha visão, como disse no início, não é sensato se generalizar ou supervalorizar pequenas flutuações de humor, e sairmos por aí pechando qualquer um de ‘bipolar’. Isso me parece no mínimo uma irresponsabilidade e uma rotulação inadequada que pode vir a desencadear traumas indesejáveis. Sou de opinião que é mais provável que essas variações de humor sejam consequências da sobreposição de milhares de camadas existenciais, por conta da carga genética que acumulamos ao longo de infinitas gerações. Trazemos em cada célula do nosso corpo milhões de informações sobre um passado que desconhecemos e que pode aflorar a qualquer momento, sob a forma de sonhos, ou de estranhos comportamentos repentinos que brotam do mais profundo inconsciente; memória latente de toda nossa história através dos tempos. Apesar de sermos únicos, com caracteres individuais, somos múltiplos; movidos por um complexo sistema de reações cujas origens nem sempre conseguimos identificar.

Nossas atitudes e comportamentos resultam de um processo de escolhas aleatórias, influenciadas enormemente pela genética que trazemos, portanto, essas posturas podem variar significativamente ao longo de um mesmo dia, refletindo reações das mais diversas. A cada momento, alteramos nossas percepções e essas percepções alteram nossas atitudes. Sem a consciência de nós mesmos (que nos permite estabelecer um controle sobre nossas ações e reações), atuamos como alienados, permitindo que a informação que vem do mundo exterior modifique nosso estado de espírito; e é assim, a meu ver, que sabotamos nosso equilíbrio emocional, permitindo, sem percebermos, que outros interfiram em nosso humor.

Não há nada de sobrenatural à nossa volta, tudo é apenas um estupendo prodígio da vida, se revelando a numa sequência espetacular’ diria ‘o mentor virtual’. Conhecer-se a si mesmo costuma ser a chave do segredo de todas as nossas mazelas. Não há nada de fantasmagórico, feitiçaria, encostos, mandingas, ou magia negra. Tampouco aceite essa ou aquela rotulação que o trata como um doente; isto é, alguém com uma anomalia mental perturbadora. Considere seus humores por outra ótica; a de que você pode carregar milhares de almas sobrepostas em um único ser, e tem o direito de alterar seu estado de espírito todas as vezes que sentir-se motivado, contrariado, envolvido, entusiasmado, desiludido, decepcionado, ou encantado com algo. Perceba que está reverberando de forma natural ecos de um passado com os quais sua alma se identifica, e que apenas seu adormecido inconsciente reconhece.

Ao invés de considerar-se um 'bipolar', considere-se um 'multipolar'. Veja-se como alguém que pode assumir múltiplas possibilidades. Ser único e ser muitos ao mesmo tempo, por que somos todos na verdade multifacetados. Como ensina meu inseparável mentor: ‘Somos difusos, ambíguos e frequentemente incoerentes. Sem limites precisos e divididos entre dúvidas e incertezas, buscamos caminhos que nem sempre sabemos definir. Numa angustiosa jornada, orientados por mapas que outros desenharam, seguimos apenas com a bússola da intuição, na esperança de que o universo nos indique a melhor direção... Acalme essa mente agitada. Há milhões de alternativas para cada simples decisão. Atenue a inquietude do coração e deixe a vida seguir o fluxo sereno de suas próprias escolhas. A mais simples de todas as borboletas jamais alcançaria as alturas se fosse guiada por inúteis pensamentos. Despoja-se da pesada carga que carrega e entrega-se sem ressalvas ao sabor vento para voos magníficos, alheia ao passado ou futuro. Flutua na intensidade do agora, pois é nele que a vida acontece’.


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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


2 comentários:

  1. Oi Maurício!
    Adorei a matéria sobre Bipolaridade!
    É meio complicado falar por aqui, não sei se conhece, mas há uma Terapia maravilhosa, chamada TSP-Transtorno de sub-personalidade (alguns chamam de psicotranse), efetuada através de captação.
    Trabalho com ela no Instituto BioSegredo Terapias Alternativas e os resultados são fantásticos! Já ví pessoas diagnosticadas como bipolar, esquizofrênico, etc. serem "curadas". Eu mesma passei por ela algumas vezes, para tratar sintomas emocionais/mentais intensos que não sabia explicar... O efeito é libertador e praticamente imediato!!!
    Se tiver interesse em pesquisar, foi criada pelo médico Eliezer Mendes.
    Grande abraço!

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  2. Boa semana Mauricio!!!!
    Alguns de nós somos acometidos de alguns sintomas de bipolaridade, tais como tristeza, ansiedade, sensação de vazio, pensamentos na morte e até suicídio. Felizmente que todos estes sintomas não passam de residuais.
    Estando o mundo em constante transformação, todos sabemos que as mudanças radicais fazem parte do nosso dia a dia. Estas mudanças são muito rápidas e repentinas em toda a civilização, e como consequência, também a mentalidade humana muda. Estas tranformações sociais influenciam a formação e os valores do ser humano, gerando inúmeras inquietações e reflexões.
    Devemos acreditar que estas mudanças nos tornam "multipolares" em vez de "bipolares"...
    Abraço cordial

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