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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Investir em Conhecimento: Um Sábia Decisão





Por Maurício A Costa*

Jean-Jacques Rousseau

“Eu desejaria poder de alguma maneira tornar a minha alma transparente aos olhos do leitor, e por isso procuro mostrá-la a ele sob todos os pontos de vista, iluminá-la por todas as luzes, fazer de modo que nela não se passe nenhum movimento que ele não perceba, a fim de que possa julgar por si mesmo do princípio que os produz” (Starobinski, em ‘Jean Jacques Rousseau: Transparência e Obstáculo’ – Pág. 249 – Cia. Das Letras - 2011).

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Quase todo escritor, mesmo quando escrevendo uma ficção recheada de imaginários personagens, costuma deixar transparecer algo de si mesmo. Suas palavras são como catarses a revelar pedaços da alma e, por conseguinte, parte de sua história, disfarçando traumas, impressões, frustrações, percepções, alegrias, ou outra qualquer emoção; pela simples razão de tratar-se de um ser humano como outro qualquer, com toda sua vivência, repleta de sentimentos que o afetam. É impossível permanecer imune ao sentir que precede qualquer pensamento. A reflexão nasce do emaranhado de emoções que aflora, provocado quase sempre por fatores externos que estimulam o insight. Dessa forma, a exposição torna-se algo inerente ao ato de escrever. Abre-se o peito, expondo-se as entranhas de uma alma andarilha, sem reservas e sem proteções, a desencadear uma entrega espontânea, imprescindível à simbiose que se inicia entre o leitor e quem escreve. Dessa invisível relação, por vezes assustadora, emana indescritível e tácita cumplicidade, a promover imprevisíveis mudanças.

Algum tempo atrás, uma leitora dos meus livros e artigos me sugeria escrever na terceira pessoa, como forma de preservar minha privacidade, evitando com isso certa vulnerabilidade em relação àqueles que de alguma forma se sentem atingidos pela energia das palavras; pois como sabemos, a verdade se revela abertamente, mas a insídia é sorrateira e age sob o manto do anonimato a destruir silenciosamente como a ferrugem. Apesar de sentir-me grato com a preocupação daquela amável leitora, não vejo como o escritor possa preservar-se da intriga ou da ardilosa e ácida capacidade humana de produzir destruição; resta a coragem de encarar tais desafios como parte inerente ao ato de escrever. A revelação que brota da sabedoria universal permeia cada elemento e não tem como permanecer escondida; emerge como fonte natural ainda que à revelia de quem lê ou escreve. Não é algo definitivo, ou verdade absoluta, mas traz os esporos que agem como sementes, resistentes a intempéries para germinar ao seu próprio tempo e promover significativas transformações.

O ser humano pode ser um incorrigível alienado, por conta de sua origem animal, mas percebe a força e a importância do espírito que o invade, mesmo que não tenha plena consciência disso. Suas posturas, ainda que motivadas pela necessidade de sobrevivência, escondem na verdade uma enorme carência de conhecimento ou informação, uma vez que carrega consigo uma alma angustiada, herança de seus ancestrais, que se replica ou se multiplica sem rumo, ansiosa por perpetuar-se no tempo. Assim, apesar de refutar ou contestar qualquer ideia, palavra ou conceito que o incomode em um primeiro momento, irá refletir sobre isso, por saber que necessita disso em seu imperativo processo de evolução; e é essa expectativa que serve como alento a quem transmite qualquer ideia, tal qual antena, a reproduzir de maneira silenciosa aquilo que recebeu do universo à sua volta. E uma retransmissão não pode ser adulterada em sua essência; pode no máximo, ser melhorada em sua qualidade no tocante à sua compreensão, decorrente de adaptação de linguagem ou da energia empregada em sua propagação.

O Século XXI nasceu marcado pelo estupendo desenvolvimento da tecnologia, cujo efeito maior tem sido a velocidade de proliferação da informação e do conhecimento. Tornou-se impossível permanecer alheio a esse fato. Não há mais qualquer local sobre a terra que não possa ser atingido pelas ondas magnéticas que transportam sons, palavras, dados e imagens, graças ao avanço da telecomunicação por satélite, de poderosas antenas, do wi-fi, e do avanço da fibra ótica. Qualquer indivíduo por mais primitivo que seja, poderá dispor de um equipamento de recepção ou transmissão de dados, em qualquer lugar do planeta, por mais escondida que possa estar sua tribo. Se de um lado isso irá destruir culturas e massificar comportamentos para disseminação de sistemas econômico-financeiros manipulativos, por outro, irá reduzir as distâncias entre seres humanos, minimizando eventuais isolamentos, prevenindo-lhe de catástrofes naturais, ou reduzindo sofrimento decorrente da exploração por feudos locais mantidos pela intimidação. Por essa razão, acompanhar a velocidade da informação e do conhecimento tornou-se a maior de todas as prioridades, para adaptar-se ao mundo que se descortina ao olhar estupefato e desconcertante da humanidade.

Está em curso, a mais significativa e irreversível mudança de todos os tempos: A era do conhecimento. E nesse processo, não me parece possível manter isoladas cada uma das vertentes da informação. Urge fundir religião e ciência, intuição e razão, crença e experimentação. Sincronizar filosofia, teologia, antropologia e psicologia com a matemática, a biologia e a química para compreender melhor a relação do ser humano com o universo à sua volta, pois tudo está intimamente ligado. Não há como ignorar a influência do comportamento humano no desenvolvimento de qualquer tecnologia, como é insano separar ideologias e religiões se o objetivo da busca é o bem estar individual ou coletivo. O momento exige convergência; e convergência leva à unidade que por sua vez produz sinergia; a força que multiplica resultados. Por isso, não faz sentido as posturas fundamentalistas, regradas pela obediência rigorosa de doutrinas, dogmas ou tabus, frutos de interpretações engessadas, interesseiras ou manipulativas. A visão cartesiana do isso ou aquilo deve ser substituída pela visão quântica das múltiplas alternativas, e pelo conceito de complementaridade que incorpora infinitas possibilidades quando apreciadas por uma mente aberta. Uma visão holística, isenta de rótulos e padrões escravizantes auxilia especialmente no 'conhece-te a ti mesmo' inscrito nos pórticos do Oráculo de Delfos, base dos ensinamentos do grande filósofo Sócrates.



Por mais que pareça absurdo à primeira vista, é recomendável incorporar conceitos de espiritualidade nos ambientes formais, sejam eles empresariais ou acadêmicos, da mesma forma como as religiões incorporaram conceitos acadêmicos e empresariais em suas instituições. Não pretendo com isso, sugerir que se transformem ambientes empresariais, corporativos, universitários, ou mesmo familiares em extensões dos ambientes religiosos, mas que se considere o ser humano como um ‘todo’ inseparável, por ser formado de mente corpo e alma que caminham ligados de maneira indivisível. Por essa razão, me parece oportuno fundir conceitos de espiritualidade, aos de intelectualidade e materialidade na difusão do conhecimento, junto àqueles que buscam se adaptar rapidamente às transformações que presenciamos. A filosofia não é mais que a arte do pensar o próprio ser; ou nas palavras de Pitágoras, um dos maiores filósofos da antiguidade: ‘o amor pela sabedoria, experimentado pelo ser humano consciente de sua própria ignorância’. A religião, fruto da teologia, não passa da difusão na crença de um conjunto de princípios morais e éticos objetivando ‘ligar’ o ser humano a um deus, símbolo de sabedoria, e consequentemente à construção de valores que permitam uma vida melhor. A antropologia resume-se como ciência de análise ou estudo da evolução comportamental do ser humano em seus aspectos que envolvem cultura, fisiologia, crenças, linguagem, e diferenças raciais. A psicologia, por sua vez é ciência que estuda os estados mentais contidos no comportamento humano, ajudando a humanidade a conhecer-se melhor e assim superar adversidades. Fundir essas vertentes do conhecimento de maneira prática, sem o ‘rebuscado’ e arrogante viés acadêmico, ou o incômodo fanatismo das religiões, tem sido para mim uma audaciosa tarefa, mas desafiadoramente estimulante.

Investir em conhecimento, é sem dúvida uma das mais acertadas decisões de qualquer ser humano, pequeno empreendedor, ou grande empresário; todavia a inovação impõe uma nova forma de ver o mundo. Não é aconselhável seguir a mesmice da boiada, que investe na preparação exclusivamente técnica, operacional ou materialista. A primeira grande prioridade de qualquer empreendimento nos dias atuais deve ser Gente!... A segunda é Gente!... e a terceira é Gente!... O ser humano, além de meras necessidades materiais é emoção, é espiritualidade, é angústia, é medo, é ansiedade, é família, é amigos, é lazer, é a criança convivendo dentro de cada um. Os treinamentos convencionais enfocam basicamente temas pontuais, como o processo, a eficiência, os custos, os mercados, o produto, o marketing, as vendas, ou a logística; a empresa do futuro, no entanto, deve priorizar além do pensamento estratégico, a energia de suas equipes e o nível de realização pessoal de cada membro do empreendimento. Dessa tríade surgirão surpreendentes resultados, sem o indesejável 'turnover' e o nível de estresse que corrói a maior parte das organizações, comprometendo seu futuro.

Em minha progressiva e irreversível metamorfose priorizando o ser em detrimento do ter, vou gradualmente abandonando inócuas e superadas convenções, incorporando à minha experiência acadêmica e profissional elementos díspares, para elaborar um poderoso amálgama resultante da fusão de informações aparentemente heterogêneas, visando produzir um ‘todo’ de proporções singulares, com a preocupação de gerar um conjunto esteticamente harmônico, e de indispensável sincronização entre suas partes. Um desafio para obstinados aprendizes como eu, apaixonados pela vida e constantemente provocados pela avassaladora força da evolução em direção ao belo, ao superior, ao eterno. Nesse contexto, não vejo como dissociar o autor ou escritor de suas convicções mais íntimas, de seu histórico, de suas inquietudes, e especialmente daquilo que para ele ganhou significado e transformou-se em propósito. Por tudo isso, eu estou na palavra que lês, no som que escutas, e no sentido que queiras me dar.
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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 





Um comentário:

  1. Investir em conhecimento, resumindo rapidamente, acredito que - "...considere o ser humano como um ‘todo’ inseparável, por ser formado de mente corpo e alma que caminham ligados de maneira indivisível. Por essa razão, me parece oportuno fundir conceitos de espiritualidade, aos de intelectualidade e materialidade na difusão do conhecimento, junto àqueles que buscam se adaptar rapidamente às transformações que presenciamos..." - Precisamos nos tornar peritos sobre nós mesmos; então, de fato, entenderemos o ditado - "Conhece-te a ti mesmo e saberás como viver." - Isto quer dizer, que não basta termos todos os conhecimentos teóricos, se não soubermos viver com nosso EU interior, se não soubermos quem somos.
    Abçs. carinhosos Mauricio.

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