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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Imponderável e o Imprevisível




Por Maurício A Costa*


"Morremos a cada fase de nossas vidas, renascendo cheios de interrogações. Todavia, a essência daquilo que somos não acaba jamais, e nos ensina o caminho. Atravessando as planícies do tempo, essa energia irá fluir serena por todos os espaços por onde penetrar. Viajando sem destino certo, nosso legado será a força e a beleza da nossa marca pessoal". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP – Em gestação).

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Não há nada neste mundo que me fascine tanto quanto a expressão que dá título a este artigo: O imponderável; algo difícil de ser calculado, mas cujos desdobramentos podem afetar nossas vidas para sempre de maneira significativa. Não quero me prolongar aqui com traduções científicas do termo para não tornar o assunto enfadonho ou intelectualizado, uma vez que a palavra imponderável está associada tecnicamente a uma eventual ausência de peso causada pela gravidade. Minha reflexão estará focada unicamente nos efeitos do imprevisível ao longo de nossa existência: Aquilo que é fruto do acaso; algo fortuito, aleatório ou circunstancial, e assim por diante.

A imponderabilidade, tal qual o imprevisível, é algo desafiador por nos colocar repentinamente diante de situações cruciais, ou para usar uma expressão vulgar, ‘no meio de uma encruzilhada’. Como não é aguardada, toma-nos de surpresa; e é esse fator ‘surpresa’ que nos deixa embasbacado, ou ‘de calças curtas’, quase sempre sem ação. Ao sermos surpreendidos com o 'inusitado', é comum uma reação de paralisia ou desespero; desaparece o bom senso e a serenidade e entra em cena o estresse decorrente da emocionalidade, e em alguns casos até mesmo a irracionalidade dos apelos ao sobrenatural. Passamos a agir como se o mundo, de uma hora para outra, conspirasse contra nós. Nessas situações, buscar culpados parece o caminho mais fácil, e por isso, é com frequência uma regra geral de comportamento. Bradamos inutilmente aos sete ventos que nosso problema decorre da ação (ou falta dela) de outros; que fomos abandonados por Deus; que o destino foi ingrato conosco; que fizeram macumba; que o governo foi omisso com a concorrência predatória externa, que o tempo não ajudou... e assim por diante. 

As perguntas, ou questionamentos que surgem agora em meio a essa análise são: Onde termina o imponderável e começa a previsibilidade?... Em que ponto falhamos por não prever?... Qual o grau de participação da ‘imponderabilidade’ nesse tal evento?... Qual o nível de burrice, cabeça dura ou vaidade em não aceitar recomendações de outros com uma visão diferente?... Por que não agimos mais cedo quando começamos a perceber que algo já demonstrava certa tendência de ‘descambar’ para o indesejável?... Perguntas incômodas, mas necessárias, numa reflexão dessa envergadura, pois estamos falando de momentos cruciais, cujas consequências costumam afetar nossos empreendimentos, nossas famílias, e muita gente que nos acompanha na jornada.

Conheci tempos atrás, certo homem cuja postura era extremamente arrogante e centralizadora. Suas atitudes demonstravam um visível excesso de autoconfiança, revelando uma vaidade sem limites, a beirar o ridículo. Agia como se fosse senhor absoluto da verdade, humilhando pessoas à sua volta com palavras de desdém, ou mesmo de baixo calão, tratando-as como se fossem idiotas, infantis, ou incompetentes; fossem elas filhos, esposa, amigos, amantes, ou colaboradores. Tudo tinha que estar abaixo do nível do seu ego descomunal; sua palavra haveria de ser sempre a profecia, a sentença, a lei... Até o dia em que o 'imprevisível’ surgiu com a força de um tsunami, avançando com poder destrutivo sobre o que levara tempo para ser construído, transformando o magnata em um endividado; o herói em um paspalho. Imprevisível?... Não. Aquilo era algo totalmente previsível. E é aqui que precisamos começar a distinguir o significado da enigmática palavra imponderável, das demais expressões similares. O imponderável transcende a capacidade humana de prever; não é apenas fato inesperado, ou meramente circunstancial, pode ser fortuito ou aleatório sim, mas será sempre um fator transcendente; algo que excede os limites normais; extrapola a natureza física das coisas. O imponderável é metafísico, diriam os grandes pensadores. Já o imprevisível pode estar associado a um ‘não prever’, isto é, à ausência de sensibilidade estratégica, que define prioridades em meio a múltiplas alternativas. O imprevisível decorre com frequência da vaidade ou arrogância pessoal, do comodismo viciante, ou da ‘sobreconfiança’ traiçoeira.

Conheço empresas que fizeram chacota quando se falava para elas sobre o pensamento estratégico e a sua importância na elaboração de qualquer plano de voo da organização. Lamentavelmente, algumas delas posteriormente vivenciaram sérias turbulências; outras tiveram que mudar de mãos, ou até mesmo fechar suas porta, por conta da arrogância de ignorar ‘recomendações’ que as prevenisse de previsíveis ‘imprevisibilidades’. Tornaram-se vulneráveis, não por conta de qualquer imponderabilidade, mas devido ao fato de subestimar pesquisas, ignorar tendências, ou sobreconfiar nas próprias decisões. Vítimas de suas próprias armadilhas, diria meu inseparável 'mentor virtual'.

Outra visão crítica da falácia do imprevisível diz respeito à confusão que muitos fazem entre fé cega sem fundamentação lógica, e o bom senso. Uma coisa é viajar com um avião devidamente equipado e abastecido, depois de uma disciplinada análise das condições do tempo no percurso e no aeródromo de chegada; outra é decolar com o excesso de confiança de que o tempo vai melhorar, com base unicamente na fé de que no final tudo vai dar certo; entregando o ‘abacaxi’ nas mãos de Deus, como se ele fosse seu ‘quebra-galho’, para situações emergenciais. Um relâmpago pode ser algo imponderável por não sabermos quando ou de onde partirá, mas é algo previsível quando voamos em meio a tempestades.

Vivenciar, situações indesejáveis, ou momentos de angústia existencial nem sempre significa ser vitima do imponderável, na maioria das vezes, é provável que estejamos assistindo previsíveis consequências de nossas próprias atitudes. Por isso, de nada adianta ‘xingar’ a Deus, ou o Diabo, o vizinho, a mulher ou marido, o patrão, ou o tempo. É bem verdade que somos demasiadamente suscetíveis ao imponderável, sendo parte de um universo tão complexo e caótico, com milhões de elementos interagindo entre si, a produzir efeitos de intensidade variável, desdobramentos inesperados, e resultados indefinidos; mas há uma quantidade razoável de situações que poderemos prever simplesmente observando nossos próprios pensamentos, palavras e gestos. Cumpre-nos estar consciente de que ‘aquilo que semeamos, inevitavelmente iremos colher’. Cada ação ou omissão de nossa parte irá desencadear uma série de possíveis eventos, sobre os quais temos uma significativa capacidade de prever. Basta não nos portarmos de maneira inconsequente, cínica, ou ingênua, como costumamos fazer boa parte do tempo.
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"Escrevemos nossa história a cada momento do caminho, sem noção do peso de cada mínima decisão. Em cada coadjuvante dessa história, vai ficando um pequeno pedaço de nós, enquanto carregamos indeléveis cicatrizes que permanecerão conosco para sempre". (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP)




*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

2 comentários:

  1. Perfeito Mentor!
    Ao longo de minha jornada pela vida, venho adicionando na bagagem conhecimentos, informações, aprendizagens enfim. E a partir delas faço as minhas escolhas; e tenho que assumir todas as consequências que advém com elas.

    Se no final de um empreendimento, as coisas não são exatamente como eu queia; não adianta apelar para o "e se" - não tivesse ventando.... - se Deus estivesse me Olhando... - se eu tivesse fechado a porta... - e se... - e se... e se... - Não adianta as escolhas já foram feitas. Cabe-me apenas, arregaçar as mangas, minimizar os estragos e colocar mais uma lição na bagagem!

    Abçs. Carinhosos Mauricio.

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    Respostas
    1. Olá, Amarilis:
      Seus comentários são sensatos. Eles serão sempre bem vindos.
      Um abraço cordial,
      Mauricio A Costa
      Editor do Blog

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