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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A Hipocrisia do Corporativismo





Por Maurício A Costa*

"Todas as minhas vaidades não passam de insignificantes presunções de uma falsa superioridade. Sou apenas uma ínfima partícula de algo extraordinário. Só a consciência de mim mesmo me torna digno de ser chamado humano" ('Fragmentos do Mentor Virtual' – Campinas-SP – Em Gestação)
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Do meu singelo ponto de vista, o que o ser humano possui de mais extraordinário é a sua individualidade. Sua capacidade de elaborar e harmonizar pensamentos a partir de observações é única entre todos os seres vivos conhecidos, e não há nada igual à maneira como percebe cada mínima informação à sua volta. Cada coisa será vista com um olhar próprio e exclusivo, e por mais que tenha uma visão parecida com o outro, ainda assim, sua percepção será excepcional e incomparável. Esse é sem dúvida um poder sem precedente, a criar a multiplicidade de visões sobre um mesmo fato, som ou imagem. Diante de cada situação, somos capazes de construir inconfundíveis sensações. Marcantes, excepcionais, singulares.

Os dias atuais, no entanto, revelam que estamos caminhando na contramão desse princípio, por estarmos abrindo mão dessa individualidade para nos tornarmos bandos, por conta da insegurança, da ausência de perspectivas, da fraqueza de espírito, ou até mesmo por ganância. Temos medo de nos sentirmos sós, e consequentemente, desprotegidos e vulneráveis, e a sensação de solidão afeta diretamente nossa coragem de sermos nós mesmos, nos colocando numa posição de permanente inferioridade ou submissão; fazendo-nos agir como gado, como se fôssemos absolutamente irracionais, manipuláveis, e inconsequentes.

Em uma era onde deveríamos pregar a liberdade de expressão, o que vemos é uma tendência sempre maior de ‘acurralamento’; marcado especialmente por ideologias, paradigmas, dogmas e doutrinas condicionantes. Assistimos passivos, religiões, seitas, fraternidades, partidos políticos e corporações, buscando ampliar cada vez mais seu tamanho, seu poder de fogo, sua hegemonia, enfim. Afinal, poder é sinônimo de superioridade, e superioridade é o caminho mais fácil para a dominação. De um lado, espertalhões travestidos de líderes, do outro, ingênuas ovelhas a seguir cabisbaixas em direção a lugar nenhum; alimentadas pela falsa esperança de um mundo melhor, muitas vezes deslocado para o além da vida; transferindo o sonho pessoal para um céu imaginário, distante da realidade conhecida. E assim, somos massacrados diariamente pela sufocante mídia que arrebanha consumidores para todo tipo de produto; fiéis para toda espécie de interpretação metafísica, teológica ou mística; seguidores e eleitores para partidos hegemônicos que se sentem donos da verdade, graças à propaganda manipulativa de suas mensagens subliminares.

Os números dessas organizações já não são medidos em unidades simples. Empresas multinacionais só se sentem realizadas quando ostentam em seu portfólio dezenas de empresas, centenas de produtos, milhares de empregados, milhões de consumidores e bilhões de dólares em patrimônio. Igrejas são medidas pelo número de filiais pelo mundo, pelo tamanho e ostentação de seus templos, (mais comerciais que religiosos), pela voracidade de sua arrecadação financeira em cultos diários, e pela visível competição por superioridade através da televisão ou outro qualquer tipo de mídia. Partidos políticos são avaliados pela capacidade de composição com outros, ainda que de postura ideológica totalmente oposta, desde que garantam vantagens financeiras pessoais e seus cofres propiciem disfarçadas mordomias aos seus líderes, à custa de todo tipo de falcatrua, e conchavos de toda ordem, aplaudidos por uma manada de ingênuos seguidores, que há tempo abriram mão de suas individualidades para acreditar em falsas promessas, que lhe custarão a própria vida. Prisioneiros de falsas ilusões; reféns de sua própria ignorância seguem sem perspectivas, alimentados por uma esperança sem fim de dias melhores que nunca chegam.

O corporativismo tornou-se uma doutrina conveniente aos grupos de interesse comum que buscam o poder a qualquer preço. Ele pode ser considerado a ‘hidra’ do apocalipse dos tempos atuais. Parece-me ilusório considerar corporativismo como sinônimo de harmonia, tampouco de pura sinergia, caracterizada pela comunhão de vontades, pois ela é fruto, na maioria das vezes da convergência de misteriosos interesses, nem sempre revelados, onde o oportunismo pode camuflar o engodo, ou imensa falsidade, quase sempre escondendo ou disfarçando a manipulação. Ao contrário do que pregam as grandes organizações, o corporativismo está mais para o cinismo que para a nobreza de seus líderes, ao indicar, recomendar, endossar ou patrocinar ações que em nada contribuem para o ‘despertar’ da raça humana quanto à sua potencialidade. Raríssimas as exceções, a máxima no ambiente corporativo é quase sempre aquela famosa lei de Gerson, de ‘levar vantagem em tudo’.

Não pretendo aqui mostrar-me como um ‘bom samaritano’, ou eventual puritano, que ingenuamente deseja demonstrar amor incondicional pelo próximo, mas apenas desmascarar a hipocrisia dos falsos acordos corporativistas engendrados entre quatro paredes com vistas exclusivamente ao interesse pessoal ou de um pequeno grupo; quero, na verdade, dizer em tom forte e claro que embora não pretenda julgar o que é certo ou errado, tais posturas, com o tempo, costumam cobrar um alto preço; tanto para quem manipula a informação e produz o teatro, como para aqueles que anulam suas vidas em prol de partidos, religiões e corporações visivelmente hipócritas. A individualidade de cada um de nós não tem preço, tem valor. Sua venda pode acarretar um vazio absoluto em nossas almas, fazendo com que nos anulemos de forma incompreensível, em razão de algo quem nem sempre saberemos justificar para nós mesmos. Como ensina meu ‘mentor virtual’: "Abandonamos o paraíso quando perdemos definitivamente a nossa inocência, para nos tornarmos a raça mais perversa, mais peçonhenta e mais mesquinha de todas as espécies. A camuflagem, o egoísmo e a ânsia pela dominação transformaram-se nas qualidades mais admiradas e temidas pela humanidade. A isso chamamos evolução". ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP).

Concluo, com uma singela recomendação de cuidado. Como dizia Nietzsche, ‘o fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos’, e disso se aproveitam os muitos ‘anticristo’ da atualidade, disfarçados de líderes, empresariais, políticos ou religiosos. Para produzir as grandes transformações que sua alma pede, é imperativo que você aja com ousadia e determinação, substituindo o medo pela coragem, e o comodismo pela vontade de mudança, consciente de que é dentro de você que habita o poder verdadeiro. É decisivo transcender o convencional e abandonar a mesmice. Deixar o conforto e a segurança da matilha para sentir-se único. "A realização pessoal não é algo que depende da aprovação de outros. Para ser feliz basta que sejamos coerentes com aquilo que no íntimo nos faz bem". Portanto, não precisamos vender nossa alma para nos sentirmos bem. Como citei certa vez em outro artigo no blog Marcas Fortes: "O mundo irá olhar para você com respeito se você respeitar a si próprio. Não se intimide. Não se subestime, e muito menos superestime o outro, porque muito do que você vê é pura fachada para intimidá-lo. Ignore isso e seja simplesmente você, com tudo o que o universo de forma exclusiva lhe deu”.




*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.


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