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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Natural e o Místico



Por Maurício A Costa*




“Não há nada de sobrenatural, fantasmagórico ou mágico no mundo à sua volta; tudo é apenas o prodígio da própria vida, se revelando a cada minuto, numa sequência espetacular, em todas as direções para onde você voltar seus olhos” (O Mentor Virtual).

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Nada mais característico do primitivismo humano que o seu apego ao sobrenatural. Tudo aquilo que ele não consegue entender ou explicar, e por qualquer razão extrapolar seu limitado conhecimento, irá rotular como misterioso; uma clara consequência das múltiplas interpretações e deturpações do conceito de sagrado; palavra originalmente utilizada para definir algo que merece reverência, e por se tratar daquilo que está acima da compreensão momentânea, ser respeitado como algo inviolável, que não se deve tocar, mexer, ou violar. O sagrado enfim seria o incompreensível para a mente, ainda que familiar para a alma.

Para desmistificar um pouco os conceitos de mente e alma, também tão deturpados ao longo do tempo pela humanidade, é importante que compreendamos a mente e a alma como partes integrantes de um corpo; e como tal, manifestações de substâncias autônomas em relação ao conjunto do qual fazem parte. Numa linguagem mais simples, seria como imaginar um processador (mente), atuando em um computador (corpo), acionado por um programa qualquer, ou software (alma), interligados para produzir determinado resultado ou efeito, em si mesmo, e no mundo a sua volta. Ou, de outra forma, sugere o mentor virtual: “Tal qual uma antena, aquilo que chamamos de alma é o ponto de contato entre o interior e exterior de cada ser, um extraordinário decodificador que proporciona a interação de linguagens distintas, visando utilizar todo o potencial disponível, muitas vezes ignorado”. E ao simplificarmos essa concepção, percebemos que não há nada de sobrenatural nisso.

Como nosso magnífico ‘software’, a alma, capta e sintetiza a essência de uma enorme quantidade de informação condensada, por viajar ao longo de infindáveis gerações através de nossos ancestrais, ela se identifica com o que lhe é familiar, e sinaliza isso por meio de ‘impulsos’ eletroquímicos ‘processados’ pela mente, a desencadear algo agradável no corpo. Quando, no entanto, a mente está diante de algo que desconhece, considera isso uma ‘anormalidade’; uma anomalia. Algo estranho que causa algum tipo de temeridade, por colocar em risco a existência do conjunto. Temor que nasceu da tomada de consciência que produziu sua autonomia em relação ao conhecimento, a gerar o poder de livre arbítrio, e que transforma a mente nesse insano ‘processador’ a realizar ininterruptas escolhas entre ‘o sim ou não’; ‘o isso ou aquilo’ ‘o certo ou errado’; ‘o bem ou mal’; ‘o seguro ou perigoso’. Graças a essa estupenda capacidade de elaborar os mais intrincados pensamentos e ideias, a mente se transformou numa complexa máquina de produzir deuses, demônios, fantasmas, e mitos de todo tipo.

O sagrado tem sua dimensão definida também pela grandiosidade. Tudo o que revela magnitude é visto como sublime. Um conceito abrangente que incorpora aquilo que é extraordinário, esplêndido, magnífico, e que desperta sentimentos nobres e elevados, por exceder a compreensão do que é material. Por tudo isso, a mente humana vai construindo um conceito superior de elevação; o divino que sintetiza o sagrado, desesperadamente procurado para se alcançar o máximo da perfeição e beleza.  E por se tratar de algo que está além do que se tem ou já é conhecido, passa a ser admirado e desejado com enorme entusiasmo.

Esse entusiasmo, entretanto, tem se transformado ao longo da existência humana, numa postura de fanatismo. Entusiasmo é um estado da alma, quando esta se extasia diante do belo. Um sentimento profundo de admiração fervorosa. Uma paixão a desencadear uma espécie de arrebatamento que produz inspiração e desejo de conexão. Já o fanatismo é a paixão levada ao extremo, produzindo um comportamento obsessivo que pode conduzir o indivíduo a atitudes de radicalismo e intolerância. E é desse fanatismo que se aproveita a maioria das seitas e religiões, radicalizando conceitos simples, para transformá-los em dogmas, que por sua vez se tornam regras, padrões e doutrinas esdrúxulas. A exaltação da alma, movida pelo espírito universal que lhe toca é algo absolutamente natural, nada tendo de incompreensível ou sobrenatural. Por isso, considero o sobrenatural uma crença absurda baseada em mistérios, desprovida de uma base racional; algo que foge à magnífica simplicidade das leis da natureza, mas explorada em meio à ignorância generalizada por discursos e pregações manipulativas.

O misticismo resultante dessa propagação indiscriminada deu origem a cerimônias, rituais, religiões, seitas, e organizações secretas de toda ordem; hoje presentes no mundo inteiro; e como sei que a essa altura do texto, o leitor pode estar conjecturando com seus botões, que o autor deste artigo seja um materialista, herege ou ateu, gostaria de lembrar que o revolucionário mestre, Jesus Cristo, seguido como um Deus por tantas religiões (que ele não criou), condenava ardorosamente tais rituais. Ele chegou a chamar de ‘sepulcros caiados’ aos sacerdotes que transformavam o sobrenatural em algo ameaçador para os ‘pequeninos’, ou ‘pobres de espírito’, por meio da manipulação. ‘Deus (a expressão da sabedoria), não quer sacrifícios e sim misericórdia’, dizia ele. Sua pregação estava focada na simplicidade, e por isso citava constantemente metáforas como ‘o reino dos céus é como um grão de mostarda, ou uma porção de fermento’, com o propósito de transmitir uma ideia da magnitude presente nas coisas mais simples. "Lamentavelmente, boa parte das religiões, desde seus primórdios, têm transformado o estupendo conceito de sagrado em algo sobrenatural e fantasmagórico, por conta de rituais de toda ordem. Um resquício do homem primitivo, que recém-saído da condição animal, em seus primeiros momentos de tomada de consciência, passou a temer a morte, incorporando a palavra medo em sua linguagem; distanciados dessa energia poderosa que o mundo chama de Deus"; sussurra ao meu ouvido, o mentor virtual, com absoluta naturalidade. “Quando você decide dar mais atenção ao universo à sua volta, percebe então como todas as coisas são simples”, ensina ele, complementando: “Até mesmo em lugares onde você não consegue enxergar, aí estará a vida se revelando”.

Não sou ateu, herege ou materialista; mas também não acredito em um Deus sobrenatural, tampouco humanizado, das religiões, e estou consciente de que a minha percepção daquilo que chamam de Deus é diferente. Por isso, quero reproduzir aqui uma das mais preciosas reflexões captadas pelas antenas da minha ‘alma’, em uma viagem que realizei pelos caminhos de Compostela no início deste século, em que bani para sempre muitos dos paradigmas místicos que envolvessem conceitos metafísicos desprovidos de concretude, e me afastassem do bom senso, da natureza e da racionalidade. Em momento de rara epifania, no qual ‘se vive a manifestação ou percepção da natureza, ou uma apreensão intuitiva por meio de algo simples e inesperado’, eu tive um dos primeiros ‘insights’ exteriorizados pelo mentor virtual, meu inseparável conselheiro interior, criado a partir do amálgama de tantos mestres do universo: "Deus não faz parte do sobrenatural. Esse é um paradigma construído pela mente humana. Em todos os livros sagrados não há uma só menção nesse sentido. Todas as alusões ao seu nome o traduzem como Amor, Energia, Força, Poder, Sabedoria. Princípios que regem e sintetizam a própria vida. Para experiencia-lo, feche os olhos e sinta-o em cada batida do seu coração".

Se compreendermos esse singelo conceito com clareza, e o aplicarmos às nossas vidas, iremos experienciar o poder verdadeiro dentro de cada um de nós. É essa energia que nos permite construir marcas fortes; sejam elas pessoais, ou empresariais. Separar o que é místico do que é natural nos faz perceber que viver o sonho ou ideal que trazemos na alma nada tem a ver com coisas sobrenaturais. Em cada um de nós, habita o poder que opera o querer e o realizar para uma vida saudável, a prosperidade, e a realização pessoal. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

domingo, 10 de novembro de 2013

Vivendo Múltiplas Realidades




Por Maurício A Costa*


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Na volatilidade dos relacionamentos virtuais, o ser humano está buscando cada vez mais preencher o vazio dos agrupamentos familiares, e compensar a frágil consistência dos relacionamentos pessoais, pautados pela superficialidade” (O Mentor Virtual).

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Em sua obra ‘Crítica da Razão Pura’, o grande filósofo alemão Immanuel Kant, nos sugere a reflexão de que o homem não consegue perceber a realidade, pois quando ele observa determinado fenômeno, ele o vê a partir de sua própria e limitada ótica; isto é, com base na capacitação ou conhecimento que dispõe; de forma que, a realidade percebida não é mais que a sua visão pessoal no tempo. Ainda de acordo com grandes pensadores, o ser humano é um catalogador daquilo que observa, e seus pensamentos, ideias e sentimentos, são causados por experiências anteriores, oriundas de seus ancestrais e transmitidas geneticamente ou por comportamentos coletivos propagados ao longo do tempo.

Realmente, para muitos de nós, está se tornando cada vez mais difícil entender o que é realidade. O noticiário dos jornais, revistas e canais de TV estão repletos de matérias jornalísticas a nos mostrar diariamente, empreendimentos de sucesso construídos sobre ‘trapaças’ de todo tipo; partidos e políticos sustentados por uma onda de ‘negócios fraudulentos’; governos espionando organizações e organizações espionando governos; criminosos controlando organizações e instituições; e por aí a fora. Nas relações pessoais, a situação não é nada diferente: casamentos desmoronam rapidamente em virtude da falta de confiança mútua; contratos são manipulados e descumpridos sem o mínimo escrúpulo; amizades se desfazem como poeira devido a superficialidade dos relacionamentos; famílias se auto destroem por conta da falsidade ou agressividade de seus membros, especialmente quando o fator dinheiro está em jogo; e assim vai. Tudo isso junto só nos faz sentir o quanto poderemos estar distantes da realidade dos fatos e que, aquilo que vemos não passa de uma ilusão de ótica, construída por nossas mentes. 

E o que podemos concluir desse quadro que vai se tornando cada dia mais rotineiro e explícito em nossa sociedade? – Ao que parece, a confiança, e a credibilidade estão cedendo lugar de maneira generalizada para a mentira, a camuflagem e o engodo nas relações de todo tipo, fazendo com que cada um observe a mesma situação com visões totalmente diferentes. Aquilo que eu vejo, portanto, não é a realidade, e sim algo aparente, e que na maioria das vezes não consigo entender, pois essa distorção da realidade conduz a múltiplas interpretações para um mesmo fato. Determinada pessoa pode levar uma vida de padrão luxuoso, no entanto, por ter todos os seus bens comprometidos com dívidas ser alguém muito alegre por fora e infeliz por dentro, enquanto outra, que ninguém dá nada por ela, levando uma existência simples, mas segura e confortável, ser uma pessoa feliz embora não demonstre. Do ponto de vista empresarial, podemos ter diante dos olhos um empreendimento fascinante e de sucesso, que, entretanto, está totalmente corroído por dentro sem garantia de continuidade nos dias futuros. As reuniões familiares exibem um ar de festa, quando na verdade muitos dos que ali estão disfarçam um rancor mórbido pelo outro, em conversas sorridentes e descontraídas. Um autêntico embuste a esconder a realidade por trás das aparências.

E quais as consequências desse comportamento viral que está permeando o tecido social? – Antes de tudo, deixemos de lado qualquer puritanismo de conceituação ética do certo ou errado; isso é para os hipócritas que criticam o alheio, escondendo seus próprios podres, ou para aqueles que vivem uma existência voltada unicamente para o recolhimento espiritual, isentos, portanto, de contaminação com aqueles movidos pelos instintos e desejos de fama, luxuria e poder. Queremos tratar aqui, apenas do comportamento humano e sua repercussão no meio social. Observando desse ponto de vista, o que percebemos é que a comunicação está se tornando cada vez mais complexa, por distorcer a realidade; permitindo como dissemos múltiplas interpretações e gerar equivocadas conclusões. Mas, Ora! - E o que isso tem a ver a com a minha vida? – Perguntaria o leitor mais atento.  – A resposta que vem à tona em meio a essa reflexão é que somos forçados cada vez mais a desconfiar do que vemos, ou ouvimos, colocando tudo à nossa volta sob suspeita; o que por consequência faz da nossa viver um permanente estado de insegurança.

Aqui nossa reflexão chega ao seu ponto crítico, pois é a sensação de insegurança permanente que está produzindo no ser humano um dos maiores males das últimas décadas: O estresse continuado; um invisível detonador da maioria das enfermidades, a partir de sutis comandos eletroquímicos do sistema endócrino, que afetam diretamente a produção de hormônios a alterar por completo todo metabolismo corporal. Em razão disso, estamos cada vez mais rodeados de pessoas inseguras, nervosas, agitadas, histéricas e revoltadas, ou de outras, apáticas, acomodadas, temerosas, indiferentes, ou alienadas; vivendo sob estados emocionais que estimulam, quase sempre de maneira sorrateira, o 'aflorar' de doenças graves como o câncer, às vezes em caráter irreversível.

Vivemos uma era de comportamentos voláteis, onde opiniões, posturas, e pontos de vista mudam rapidamente, e não há mais lugar para ideologia, ética ou respeito aos costumes; e a construção de fachadas tornou-se um imperativo embuste para a sustentação de marcas; daí a falta de identidade ou razão de ser que preocupa tantas corporações, em virtude de sua crescente inconsistência e consequente descredibilidade. Lidamos diariamente com pessoas volúveis, inconstantes, e fingidas, e isso vai nos tornando, gradualmente, uma legião de céticos e apóstatas, descrentes de tudo e de todos, onde a principal característica é a insegurança generalizada, no outro, na família, nas amizades, nas associações, na política, na igreja e principalmente nas instituições. Aonde quer que vamos, tendemos a nos manter com um pé atrás, quando não, com os dois. E essa desorientação desvairada traz como efeito preocupante, uma feroz complexidade na educação de jovens e adolescentes; cujo comportamento passa a ser marcado por um sentimento de apatia ou antipatia, de forma velada ou explícita. 

A virtualidade vai assim, se tornando uma espécie de ‘válvula de escape’ dos relacionamentos, para dissimular sentimentos reais, visando proteger seus atores do que pode estar por trás de pensamentos, gestos ou palavras distantes da verdade de cada um. No mundo virtual fica fácil livrar-se de presenças incômodas; basta um simples clique, ou a ausência dele, para se mandar alguém para o espaço: pessoas, amigos, promessas, empregos, ou outro qualquer tipo de coisa que já não faça sentido. Assim, de um momento para o outro, sem a mínima explicação, muda-se de cenário, muda-se de atores, muda-se a própria história e percebe-se atônito como o virtual torna-se a única realidade. E é dessa forma que vamos criando novas realidades, e nos perdendo em fantasias que levam a comportamentos que surpreendem, embora não assustem, pois afinal, vivemos em um mundo de ficção, onde a camuflagem, ao que parece, ganhou contornos de um indispensável escudo protetor.

Em meio a esse caos, onde tudo se tornou descartável, não há muito que fazer. Por isso sugiro que não desperdice seu tempo com discussões inócuas ou visões intransigentes. Navegue com o fluxo das marés. Afinal, é você quem irá criar sua própria realidade, ainda que virtual.
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). 
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos. 
Idealizador do Projeto Mentor Virtual

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Qual a Força da Sua Meta Pessoal?


Por Maurício A Costa*


"Toda vida tem uma limitação; e ao desafiar o limite, você se aproxima dele. Os heróis são aqueles que iniciam suas ações, não importa qual seja o destino resultante... Cada um de nós tem uma trilha a encontrar e seguir” (Joseph Campbell, em ‘Tu És Isso’ – Editora Madras – São Paulo-SP – 2003)
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Semanas atrás, recebi uma mensagem de uma pessoa a qual preservarei sua identidade por razões óbvias, a me dizer: ‘Prezado Mauricio: Venho acompanhando anonimamente os artigos do seu blog e os fragmentos do 'Mentor Virtual' que você posta diariamente, em suas páginas no Facebook, e você não tem noção do efeito que elas vêm produzindo em minha vida. Venho atravessando um momento difícil, mas suas reflexões estão produzindo significativas mudanças na minha forma de pensar. Por essa razão gostaria de agendar com você uma consulta pessoal, com o propósito de aprofundar um pouco mais alguns assuntos que dizem respeito à minha saúde e à minha vida pessoal que estão sendo afetadas pelas circunstâncias. Pelo que percebi, você é um cara iluminado, e vem causando transformação na vida de muita gente, como já pude ver em vários depoimentos sinceros em sua página...”

Agendamos uma data e horário para nosso encontro e a escutei com carinho durante vários minutos, observando cada detalhe de sua história. Ao longo da conversa, pautada inicialmente por visível desequilíbrio emocional, era possível perceber nela uma sutil característica de insegurança. Relacionamentos confusos, carreira profissional desestruturada, e a falta de um sentido claro para a vida eram a síntese do seu desabafo. Havia um indisfarçável medo desenhado em seu rosto, embora ela parecesse uma pessoa decidida e consciente do que queria. Seu medo, no entanto, não era de qualquer desafio ou circunstâncias eventuais, era de si mesma. Parecia assustada com o próprio estilo de ser, e com as ideias arrojadas que trazia na cabeça. Amedrontada com possíveis reações de outros a sua volta, ela procurava restringir suas palavras e ações, gerando uma enorme frustração e desconforto. Sua vida, segundo suas palavras, parecia dar voltas no mesmo lugar e isso estava desestabilizando sua saúde e crescimento pessoal.

Como ensina meu inseparável Mentor Virtual: "A consciência do próprio potencial gera a energia que libera a força interior em cada um de nós. E nisso consiste o conceito de liberdade que permite escrever a própria história”. - Acontece, entretanto, que muitos de nós não nos damos conta disso. Assustados com a própria força que carregamos, nos esgueiramos sorrateiramente diante de infinitas oportunidades, sabotando nosso potencial de forma mesquinha e por que não dizer covarde. Sentimos medo de avançar; de nos sobressairmos, e com isso nos expormos a um ridículo que tememos desesperadamente; e por conta disso, a frustração vai ocupando espaços que deveriam ser ocupados pela realização pessoal. Por isso, vale lembrar Joseph Murphy em ‘O Poder do Subconsciente’ quando diz: “Não dê a ninguém no mundo o poder de desviá-lo de sua meta, de seu objetivo na vida, que é de manifestar no mundo seus talentos, servir à humanidade e revelar mais e mais sabedoria, verdade e beleza de Deus a todas as pessoas. Permaneça fiel a seu ideal”.

O sonho de cada ser humano é tornar-se o herói. O ídolo, nem que seja para uma única pessoa. O mito, se possível para muitos.  A concretização desse sonho, porém, não é algo fácil. Implica posturas desafiadoras diante grandes obstáculos. Obstáculos que não estão lá fora; estão dentro de nós, e se apresentam como limitadores de nossas ações, tais como a inibição, a timidez, o constrangimento, a hesitação, o comodismo, a preguiça, e tantos outros bloqueios, que costumo chamar de ‘inimigos íntimos’. Inimigos, por serem adversários ferrenhos em nossa jornada pessoal; íntimos, por que dormimos com eles. Todavia, como ensina mais uma vez ‘O Mentor Virtual’: "Não há nada a temer quando se está disposto a enfrentar os próprios medos, criados por fantasmas que aprisionam a mente". Para tornar-se herói é preciso enfrentar todo tipo de limitação ou bloqueio; ou como diz Joseph Campbell desafiar o limite, sem pensar demais no preço das consequências. Assumi-las e ir em frente, sem se preocupar com o destino que resultará dessa decisão, porque o que importa é ‘curtir’ a viagem. Seguir a trilha sem medo ou hesitação.

É comum encontrarmos pessoas cheias de ideias e propósitos desfilando por aí, cheias de argumentação, mas que amarelam covardemente na hora de colocar seu potencial em ação. Protagonizam uma vida de dupla personalidade, divididos entre o que sonham e o que põem em movimento. E assim, esmagados entre o guerreiro e o pávido, irão transferir uma enorme energia negativa para o corpo, como consequência da inércia produzida pelo temor. A alma impulsionando coragem, abnegação e tenacidade para frente, e a mente travando qualquer ação por cautelosa precaução. Tudo isso, produzindo um desgaste emocional desproporcional, por conta de uma batalha interior cujo resultado é um ‘patinar’ sem fim no mesmo lugar como citou aquela pessoa mencionada no inicio deste artigo. Em situações desse tipo é normal que surjam as doenças no corpo, causadas pela enfermidade da alma, agravadas pela inadequada interferência da mente, a fornecer comandos negativos do tipo não pode, não dá, não faça, não se exponha, não se arrisque, e por aí a fora. Configurações exageradas do pensamento preventivo a interferir na harmonia entre corpo e alma.

Algumas vezes, me dou conta de que esse lado ‘iluminado’ como disse minha coachee, é resultante de uma conjunção harmônica que vêm de princípios da filosofia, da teologia, da mitologia, da psicologia e da antropologia, que juntos formam o conceito da 'alquimia'; por isso, iniciar-se um processo de ‘cura’ torna-se algo simples, onde o milagre é operado a partir da tomada de consciência das limitações e potencialidades que carregamos. Ao identificar o que nos incomoda ou nos restringe, começamos a desenvolver uma forma de pensar objetiva, coerente com nossos mais profundos desejos, criando uma linguagem mental sob a forma de pensamentos proativos, ou neurolinguísticos a nosso favor, ao introduzir comandos decisivos que modifiquem nossas posturas diante do medo ou da insegurança por qualquer motivo. Ao proceder dessa forma, estabelecemos o princípio de coerência ou harmonia de que necessitam nossos corpos; criando a ‘unidade’ que resulta em sinergia; o efeito multiplicador que potencializa toda energia que pretendemos aplicar em determinada direção.

Inócuo querer tratar seres humanos como máquinas ou robôs, esquecendo que somos formados não apenas por órgãos, moléculas ou células autônomas, mas também pela energia que permeia todo sistema, a produzir reações em cadeia que tanto podem gerar criaturas saudáveis, guerreiras e bem sucedidas, como também desencadear todo um processo corrosivo de efeitos destrutivos em todos os sentidos, anulando o potencial magnífico que se carrega latente. A medicina, tanto quanto a psicologia, ou a religião não conseguirá de forma isolada encontrar soluções que harmonizem um sistema complexo formado por mente, corpo e alma, que necessita atuar de forma sincronizada. Só uma visão holística, que permita uma compreensão integral de todos os fenômenos que interagem com o ser humano permitirá tratá-lo com a devida individualidade e assertividade.

A força da meta pessoal está ligada diretamente a essa análise. A meta, estabelecida a partir do sonho necessita de uma grande quantidade de energia para ser concretizada. Essa energia, no entanto, não pode ser anulada por uma mente insegura, temerosa, excessivamente precavida, a segurar o ‘querer’ que impulsiona nossos mais profundos desejos. É imperativo que a mente forneça comandos positivos e coerentes para realizar aquilo que nossa alma carregou através dos tempos. Nisso consiste ser herói. É disso que o mito é formado. É assim que se constroem marcas fortes.  

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Conceito, A Essência de Uma Marca




Por Maurício A Costa*



"Destacar-se em meio à multidão não é tarefa das mais fáceis. Exige algumas vezes ir além dos próprios limites. Implica criar diferenciais que tornem você ou a sua marca reconhecida pelos demais" (O Mentor Virtual - Pág. 231 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).
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Há pessoas e empresas que ainda não se deram conta da importância do conceito para sua marca. Trabalham a comunicação do seu produto ou serviço sem se preocupar como ela poderá ser ‘percebida’ por seu público alvo. Utilizam na maioria das vezes uma linguagem apelativa ou sensacionalista, com o mero intuito de chamar a atenção, mas não de construir empatia, isto é, de criar identificação de seus potenciais clientes com a marca. Um conceito claro revela a essência que permeia a personalidade, a empresa, o produto ou o serviço que se pretende ofertar, criando um vínculo natural de atração e desejo espontâneo. Sem ele, a marca não tem 'alma', é apenas um nome.

Tenho visto com frequência anúncios de restaurantes e ‘deliveries’ em outdoors espalhados pela cidade, a exibir enormes pratos de comida, colocando assim toda ênfase exclusivamente no produto, sem a mínima preocupação com a construção de um conceito de marca que possa torna-la inesquecível; e meio atônito, fico me perguntando: Como essa marca poderá se tornar lembrada se não traz qualquer coisa que a distinga da multidão? Quais os seus diferenciais? Qual seu posicionamento no mercado? Com que público está falando? - Como ensina David A. Aaker, em seu livro ‘Marcas – Brand Equity – Gerenciando o Valor da Marca’: “Uma mensagem de conhecimento deve proporcionar uma razão para ser observada, e deve ser memorável. Muitos meios podem levar a esse resultado, mas um dos primeiros é simplesmente ser diferente, incomum”. De nada adianta gastar rios de dinheiro com propaganda, enchendo as ruas, jornais e revistas com anúncios se a mensagem for algo repetitivo, inócuo, e lugar comum. Uma coisa é apenas ser visto, outra coisa é criar desejo. Nisso consiste o diferencial de uma marca forte.

Conceito é algo forte como reputação, e como dizia Shakespeare, em ‘Otelo – O Mouro de Veneza’: “Reputação, reputação, reputação! Oh! Perdi a minha reputação. Perdi a parte imortal de mim mesmo e o que restou é bestial”. Assim o conceito de uma marca: Quando ela não o tem ou o perde é como se perdesse a própria alma. Voltando a citar mais uma vez David Aaker, em sua obra já mencionada: “Se uma companhia perder os seus recursos e o seu dinheiro, mas retiver a reputação, poderá sempre ser reconstruída. Mas se perder a reputação, nenhuma soma de dinheiro e de recursos fará com que ela volte ao mercado”. Portanto, antes de mostrar seu produto ou serviço mostre o conceito por trás da marca. Se ainda não tem isso definido, não saia por aí gastando dinheiro a toa em propaganda.

Mais Que Um Restaurante. Um Lugar Inesquecível
Anos atrás, quando prestava consultoria para um charmoso restaurante na região gastronômica de Joaquim Egídio, em Campinas, encontrei um cenário parecido. Os outdoors de suas campanhas mostravam sempre coloridos pratos de comida, embora seu maior charme fosse o ambiente encantador que envolvia o local. Esse era o grande diferencial que sua agência de propaganda não valorizava. De forma natural, entre outras ações, criamos para eles uma assinatura que sintetizava o autêntico conceito daquele empreendimento: “Mais que um restaurante... Um lugar inesquecível”. Essa passaria a ser sua mensagem. Numa frase, a síntese ou essência do que aquele lugar representava para o público que lota, todos os finais de semana aquele espaço singular em meio a um bosque nativo, para quem procura não apenas por comida, mas alguns outros ‘valores’. Pouco tempo depois, um significativo incremento de resultados veio como consequência de um trabalho focado no conceito da marca.

Em outra ocasião, vivenciei, na qualidade de assessor para assuntos estratégicos de uma empresa de médio porte, momentos constrangedores. Um dos principais executivos daquela organização me olhava como se eu fosse um ET cada vez que em nossas reuniões eu falava em definir um conceito claro para cada uma das marcas da empresa, e em especial um conceito forte que sintetizasse a marca corporativa. Conceito parecia uma expressão sofisticada demais para o seu gosto, (ou quem sabe seu vocabulário). Sua preocupação resumia-se em vender o mais barato possível. Conceito, posicionamento, e foco,  eram coisas extremamente preocupantes para aquele assustado executivo que não via a hora de me ver pelas costas com ideias tão incômodas para o seu agitado dia-a-dia. Alguns anos depois, por conta das mudanças gradualmente implementadas, a empresa multiplicaria várias vezes o seu patrimônio, e significativamente sua rentabilidade, graças a um expressivo trabalho de equipe voltado para o conceito de valor agregado.

Hoje, confesso que fico surpreso com a quantidade empresas que com maior ou menor intensidade pensam e agem da mesma forma, como se ainda vivessem em meados do século passado. São empreendimentos com enormes chances de fazer sucesso nos mercados em que atuam, mas vivem a patinar; sobrevivendo de forma desconfortável, e até embaraçosa, vendo suas margens de ganho minguar, sua participação de mercado ser engolida pela concorrência, e o seu tamanho ser reduzido pela perda de poder competitivo. Tudo isso pela ausência de definição de um conceito claro que oriente um pensar estratégico objetivo, focado na prospecção de novas oportunidades, na eliminação de pesadas gorduras que afetam custos, e no envolvimento de uma equipe comprometida com resultados. E o que é pior: quando as procuramos para oferecer nossa experiência, muitas delas criam barreiras de todo tipo, subestimando a visão de fora que poderia ajuda-las a enxergar ameaças e oportunidades que passam despercebidas aos olhos daqueles que vivem no olho do furacão, envolvidos até o pescoço com uma rotina estressante que absorve toda atenção. A vaidade pessoal do empreendedor ou o medo dos executivos de serem vistos como passivos torna a possibilidade de uma assessoria externa uma odisseia, de final quase sempre ineficaz para todos os envolvidos.

Parodiando a exótica Rainha Vermelha em ‘Alice no País das Maravilhas’ quando diz para Alice: "Você precisa correr o máximo que for capaz, para ficar no mesmo lugar", eu diria: Nos dias atuais, você precisa se mexer! Se você for bastante ágil, ainda assim corre o risco de ficar para trás. Imagine se permanecer parado no tempo, com o olhar perdido no infinito. Em um mundo que se move numa velocidade alucinante, é imperativo agir com eficiência, e mais ainda com eficácia; isto é, fazendo certo ‘a coisa certa’. Por tudo isso, tornou-se imprescindível e urgente definir o conceito de sua marca. Seja ela pessoal, empresarial, ou comercial. Ao faze-lo, estará definindo na verdade Quem você é; O que você quer; Onde quer chegar; e acima de tudo: Como quer ser percebido. Seu futuro pode depender dessa definição. Aposte nisso. (Enquanto há tempo).

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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

sábado, 5 de outubro de 2013

Perdidos na Imensidão…




Por Maurício A Costa*




“Em mim brilha o valor de todas as coisas” (Friedrich Nietzsche, em ‘Assim Falava Zaratustra’)

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Que vivemos em um ambiente caótico, todos nós já nos demos conta disso. Fluímos na velocidade da luz, como efêmeros passageiros de uma nave singular chamada terra que viaja em meio a bilhões de galáxias formadas por bilhões de estrelas, envolvidas por bilhões de planetas, cometas e asteroides; e sem que percebamos, atuamos como parte, ainda que ínfima, desse algo extraordinariamente imenso que sequer sabemos definir. Um emaranhado de complexas informações a se fundir ou desdobrar-se em múltiplas possibilidades, sobre as quais não temos qualquer controle. E é nesse ambiente confuso, onde não somos capazes de entender seu início, final ou meio, que teremos de proceder nossas escolhas, tomar decisões e arcar com todas as consequências.

Confesso que fico surpreso cada vez que estou diante de alguém que se sente absolutamente seguro de suas convicções, como se elas fossem únicas e irrefutáveis. Afinal, como pode um ser tão infinitesimalmente pequeno, que não tem controle nem mesmo sobre a própria vida, arrogar-se senhor de qualquer verdade como absoluta? Como ensinava Albert Einstein, ‘tudo é relativo’, uma vez que ‘toda observação depende do ponto de vista em que está situado o observador’. Por isso, considero que toda crença não passa de um ato de fé cega, sustentada apenas pela ilusão de uma falsa segurança, ou pela sensação de conforto produzida pela introspecção de uma ideia que acalma instintos,  ou tranquiliza a alma, para que ela consiga fluir em meio a constantes vendavais, por mares desconhecidos.

"A consciência ao operar suas escolhas gera um poder extraordinário que transcende qualquer aspecto meramente material. É ela que o leva a construir pensamentos, arquitetar idéias, planejar alternativas e definir caminhos. Isso faz de você senhor ou senhora do próprio destino", sussurra meu inseparável ‘Mentor Virtual’. Pensando assim, não acho justo que devamos trilhar nossa jornada guiados exclusivamente por mapas construídos por terceiros; muitos dos quais sequer conhecemos suas reais intenções. ‘Há um ‘mestre invisível’ em cada mínimo detalhe do caminho’, ensina ele, e quando nos damos conta disso, ‘percebemos o quanto a vida é um constante aprendizado, e que seremos eternas crianças desse imenso jardim, perdido entre galáxias de um universo infinito’. E o melhor aprendizado da criança é quando ela o faz por conta própria, em suas magníficas descobertas, e não quando segue roteiros predeterminados, que só fazem bloquear sua imaginação e criatividade. O melhor roteiro é aquele criado por nossa intuição e não aqueles que seguimos como ovelhas manipuladas. Ainda que isso possa ter um preço alto. A sabedoria nos ensina que, para nos sentirmos minimamente responsável por nossos destinos é essencial que estejamos conscientes de nossas escolhas e decisões. (‘Aquilo que o homem plantar, disso também ceifará’).

Alguns de nossos semelhantes, por outro lado, estão mais preocupados com a velocidade do que com a direção. Ignoram que "Caminhar na direção certa, ainda que devagar, é mais eficaz que andar depressa na direção errada" (O Mentor Virtual); por querer chegar rapidamente a algum lugar criado em suas mentes, subestimam os sinais que partem do seu ‘eu’ mais profundo e se embrenham por tortuosos labirintos, dos quais, quem sabe, não mais encontrarão a saída. Desesperados por resultados de curto prazo, muitos desdenham uma reflexão sobre a rota escolhida comparativamente às alternativas que se projetam à sua frente; e ao copiar modelos desenhados por outros, não percebem que suas individualidades clamam por trilhas pessoais, formatos únicos de um caminho que só nossas almas conhecem. Como diz ‘o mentor virtual’, ‘a vida não é mais que uma leve brisa entre duas estações’, por isso, é crucial ‘viver cada minuto com a intensidade do eterno’. Não podemos desperdiçar nosso precioso e efêmero tempo com batalhas inglórias, projetos fúteis, e propósitos superficiais que não se traduzam em algo com significado para nossas vidas.

Se como diz Nietzsche, ‘em mim brilha o valor de todas as coisas’, não vejo porque devo buscar no mundo lá fora a minha própria referência, ainda que isso possa gerar uma imensa polêmica com todos ao meu redor. Sei que cada vez que eu tentar definir meu próprio caminho, muitos irão tentar demover-me dessa ideia, e procurarão levar-me para o ‘rebanho’ das cômodas convergências; o ambiente seguro das concordâncias tácitas, onde o silêncio implica consentimento implícito. Dessa forma, eu deixarei de ser eu mesmo, para tornar-me parte de uma massa cinzenta, amorfa e impessoal, onde não terei voz; e como um zumbi, caminharei como um morto-vivo, desprovido da minha própria identidade, privado de voz, de querer e de vontade.


Só a consciência de mim mesmo pode orientar minhas escolhas. Em meio à multidão, não disponho de outra referência, senão a de que trago comigo, a fagulha daquilo que chamam de sabedoria universal, energia vital, espírito santo, ou numa palavra, Deus. Porque razão deveria buscar lá fora qualquer outra fonte de referência para traçar o meu caminho? Por que devo me guiar por outros, se não sei se o outro está mais perdido que eu... Ou quem sabe construiu sua rota com base em fantasias ou ilusões... Seria como voar, tomando como referência nuvens que se movem ao sabor do vento, ou navegar, tendo como referência outra embarcação que, sem que se saiba, está à deriva.

Nossa vida pessoal, ou a vida empresarial de algumas corporações quase sempre flutua ao sabor de humores momentâneos, informações mal analisadas, decisões impulsivas, e influências externas das mais diversas. Procedemos a escolhas precipitadas, sem levar em conta quem somos, ou o que queremos, ignorando nosso potencial ou limitações. Decolamos sem um plano de voo, alheios às condições do tempo no percurso, superestimando nossa capacidade de controle sobre o imponderável. E o que era para ser um voo tranquilo, sereno, e prazeroso transforma-se em um pesadelo. Uma rota de turbulência sem fim, de final imprevisível. Perdidos em meio à imensidão, esquecemos que dentro de cada um de nós há uma magnífica bússola que consciente ou inconscientemente ignoramos. Por isso, quando sentir-se perdido, não olhe lá fora na escuridão por onde navega sua nave, volte o olhar para a essência daquilo que você é, ou seu empreendimento representa. É aí que estarão todas as respostas. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Ilusionistas




Por Maurício A Costa*



"Tuas fantasias escondem teus temores. Tuas máscaras revelam as múltiplas personas que por gerações trazes contigo. Sois o reflexo visível de infindáveis sinfonias a permear um universo de possibilidades, e como folhas ao vento, flutuas ao sabor de todas as tuas angústias" (Fragmentos do Mentor Virtual)

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Unidos da Tijuca
Quanto mais conheço o universo corporativo, seja ele empresarial, político ou religioso, mais me dou conta do quanto vivemos em um mundo artificial, marcado essencialmente pelo ilusionismo; isto é, a capacidade de criar artifícios e truques com o propósito de gerar no observador uma percepção distinta da realidade. No meio corporativo, ganha espaço e poder aquele que seja mais astucioso, e por consequência, capaz de criar os maiores efeitos pirotécnicos, com o mero intuito de desviar a atenção da realidade por trás dos bastidores. O engano dos sentidos produz interpretações equivocadas e leva o observador a acreditar naquilo que escuta ou vê, gerando uma completa distorção da realidade. E assim, promessas vão se tornando esperanças, ou falsas expectativas, que com o tempo se tornarão decepcionantes frustrações.

Vivemos cercados de executivos, empreendedores, políticos e sacerdotes ‘experts’ na arte do ilusionismo; vendendo promessas de sucesso, vitórias, conquistas, realização e felicidade. Sustentados por mensagens brilhantes, esbanjando energia e autoconfiança, criam estupendas fantasias, nas quais eles mesmos passam a acreditar, tamanha a empolgação. No discurso eloquente, a arte da retórica, com o emprego de expressões pomposas, destinadas a persuadir sua plateia, sustentadas por informações manipuladas recheadas de emoção, com o fim de produzir o efeito artístico desejado e criar uma aparente realidade. A montagem dos cenários costuma ser ao estilo ‘hollywoodiano’ para que o devaneio seja completo. Palcos grandiosos, luzes, projeções multimídias, música, apresentações empolgantes, e assim por diante. Nada pode ser esquecido, para que se possa criar o envolvimento emocional necessário. A ilusão de ótica é fundamental para gerar a percepção desejada.

Para reforçar o ardil, nada melhor que trazer ao evento, reunião ou encontro um palestrante, orador ou consultor famoso, de renome no mundo empresarial ou político. Ele saberá como dar cores ainda mais fortes ao evento. Mostrar-se-á como um ‘messias’, dono da verdade absoluta e conhecedor pleno de todos os fatores e circunstâncias; o que lhe dá poderes para diagnosticar o presente com total segurança e prever o futuro com insuperável precisão. Afinal, seu nome é sinônimo de sucesso e sua marca é a de alguém acima de todos os mortais; mesmo que a maioria ignore que ela tenha sido fabricada artificialmente por grupos, partidos ou corporações que se encarregam de construir mitos para seduzir plateias e dar sustentação para ideias e projetos mirabolantes.

Eike Batista
E aonde vai dar tudo disso?... Pergunta-me o leitor que pode não estar acompanhando muito bem esta reflexão. A resposta é simples: Tudo isso leva à construção de castelos sobre areia; paraísos artificiais que podem desabar a qualquer momento como vem ocorrendo recentemente com um grande império econômico nacional, e que poderá acontecer em breve com muitos outros empreendimentos privados ou governamentais, que hoje se apresentam como sucesso absoluto, deixando nos pés tantos outros empreendedores, que passam a se sentir incompetentes ou sem ‘sorte’ no mundo empresarial ou corporativo. Há centenas, quem sabe milhares, de empreendimentos que neste momento não passam de fachadas. Carregam pesados endividamentos, impagáveis negociações de impostos atrasados, ou gigantescos ônus trabalhistas, que os deixam em condição de inadimplência, sem fôlego; o que pode levá-los a uma situação de recuperação judicial, na tentativa de afastar o fantasma de uma eventual falência. Algumas dessas empresas, para fugir dessa turbulência terminarão vendidas, ou incorporadas por outras organizações, jogando pela janela anos de investimentos e dedicação de equipes cujas ideias foram vaidosamente ignoradas.

Ex-Senador
Demóstenes Torres
Muitas dessas organizações, privadas ou estatais vêm sendo corroídas não apenas por administrações temerárias disfarçadas pelas magníficas fachadas que já mencionamos, mas também pela elaboração de contratos irregulares, manipulados para beneficiar pessoas ou grupos específicos. Empresas, partidos, ou grupos religiosos mantidos com aparência diversa daquilo que realmente são. Mundos artificiais, dirigidos por ilusionistas, mestres na construção de cenários, mantidos a altos custos para encobrir ou adiar uma realidade que não pode ser revelada.

Fernando Cavendish
Por essa razão, muitas organizações sentem-se ameaçadas por qualquer consultoria ou assessoria externa. Ela será sempre uma temeridade, em razão da possibilidade de detectar situações esdrúxulas que comprometem o futuro da corporação. A visão que vem de fora é quase sempre imparcial e descomprometida com pessoas ou grupos. Interessa-lhe apenas superar desafios, prospectar oportunidades, e alavancar resultados, sem tornar-se conivente com desmandos, comodismos, ou incompetências. Entretanto, os ilusionistas de plantão estarão sempre atentos a qualquer interferência interna ou externa que revele a artificialidade de projetos inconsistentes, controles inócuos, ou resultados manipulados. Por isso, precisarão ao máximo, ‘empurrar com a barriga’, à espera de um milagre que possa neutralizar ou reverter os efeitos de tanta dissimulação.

Personagem 'Felix' em 'Amor à Vida
Lamentavelmente, esse quadro pode ser visto também com frequência no ambiente familiar. Há muita artificialidade nas relações pessoais onde existem ativos financeiros envolvidos. Amizades são sacrificadas e até mesmo relacionamentos familiares dizimados por conta de posturas dissimuladas, que escondem a verdade com o propósito de disfarçar interesses difusos. Dessa forma, o que era para ser sinergia; a força que amplia o potencial de um grupo, transforma-se em energia desagregadora, que aos poucos vai minando-lhe todas as possibilidades de crescimento ou até mesmo de sobrevivência. Um conglomerado inteiro prejudicado pelo ilusionismo de alguns, ou mesmo de um único ‘falso líder’.

Como diria o meu inseparável mentor virtual: "Transcender o convencional é abandonar a superficialidade, com coragem para abrir mão da zona de conforto ou segurança da matilha, e descobrir-se único, diferenciado e autêntico. É colocar valores essenciais acima de qualquer imediatismo, para criar uma marca pessoal confiável". 
 Entretanto, para isso, é preciso coragem. Esse tipo de atitude não é para qualquer um. Exige postura diferenciada, de quem foca no longo prazo, e não naquilo que parece mais fácil, mais prático, e mais egoísta. Uma marca, seja ela pessoal, ou corporativa não pode ser construída jamais sob a égide do ilusionismo, sob o risco de tornar-se efêmera. Marcas fortes costumam ser consistentes, coerentes e autênticas. Aposte nisso.

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*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.