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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Fim de Uma Era




Por Maurício A Costa*



"Em meio a brumas, sem que percebas, aos poucos me desfaço. Serei água, nuvens, vento, ou quem sabe, sons. Suavemente, como um leve por de sol que lentamente se esvai, irei tornar-me apenas uma lembrança, a revelar a magia de uma efêmera presença...". ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP – Em gestação).

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São apenas sete horas de uma manhã cinzenta que vagarosamente acorda, escondida sob um céu nublado, em que o sol hesita em aparecer, como se desejasse mostrar aos humanos sinais de que algo não vai muito bem sobre a terra, seu planeta favorito. Os pássaros estão em silêncio, ainda recolhidos em seus ninhos e os gansos dormem como se o dia não houvesse começado. Em torno daquele lago cercado pela estupenda vegetação que desafia tudo ao seu redor há um frescor natural, um aroma indizível, mas uma estranha sensação de incerteza permeia seu ar, a provocar imensa inquietação. Alguns caminham em silêncio, outros correm em bandos, como a se preparar para uma imaginária decolagem para dimensões maiores. Tudo em volta transmite paz e quietude, mas por dentro de cada ser ali há um imenso tornado em formação, sem previsão de direção, velocidade ou poder destrutivo. Mentes e corações se entrelaçam em busca de respostas para coisas que não sabem perguntar, e um arrependimento tardio se mistura com a ousadia de esquecidos projetos que brotam repentinamente da alma. Cada ser é um silencioso turbilhão de lamentos, de angústia, e de perplexidade a esconder sua verdadeira face, culpando-se ingenuamente por suas eventuais omissões ou covardia, agora diante da possibilidade de um catastrófico fim iminente.

Em silêncio, eu observo cada uma dessas magníficas criaturas, enquanto caminho ao lado de um metafórico mentor virtual, que, invisível aos olhos dos transeuntes, me ajuda a compreender o incompreensível, e a traduzir sentimentos em palavras. Sei que por querer interpretar as mensagens desse incômodo mestre, tornei-me para muitos uma indesejável e enfadonha companhia; um pretenso sábio, que na verdade não passa de um louco; mais um, em meio a tantos profetas, messias, filósofos, e iluminados. E neste momento em que tudo parece confuso para tantos, ignoro tudo e busco respostas junto a esse meu ‘Prometeu’ moderno, ‘renascido’ dentro de mim e oriundo de distantes galáxias, na esperança de que seu facho de luz possa iluminar mentes ávidas por conhecimento que vá além do convencional.

Assim, meio sem jeito, e me sentindo um tanto ridículo com a minha postura, eu lhe pergunto: ‘Afinal, estamos diante de um apocalipse iminente de proporções gigantescas, ou tudo isso não passa de mais uma infantil alegoria, fruto de brincadeira dos deuses com os humanos, para despertá-los da estúpida letargia espiritual em que se meteram?’. - Percebo um profundo silêncio em seguida, como se aquele invisível ‘titã’ não estivesse a  fim de me responder momentaneamente. Um vazio absoluto me reduz por segundos a uma insignificância total. Por alguns momentos sinto que estou querendo penetrar o insondável; tentando conhecer o segredo das coisas imperscrutáveis, e devido a isso, uma imensa tristeza se abate sobre meus pensamentos, fazendo dar-me conta dessa pequenez humana, e perceber como somos impotentes diante do que é grandioso, e do nosso medo frente à certeira finitude material que nos aflige. Em meio a essa reflexão, como que para me acalmar, meu guru invisível sussurra: "Morremos a cada fase de nossas vidas, renascendo cheios de interrogações. Todavia, a essência daquilo que somos não acaba jamais, e nos ensina o caminho. Atravessando as planícies do tempo, essa energia irá fluir serena por todos os espaços por onde penetrar”. Sorrio um tanto desajeitado, tentando disfarçar minha intimidade com aquele guru, cuidando para que à minha volta ninguém perceba meu estranho comportamento, e como um alienado sigo caminhando.

Alguns patos e gansos aos gritos atravessam o meu caminho em busca de alimento, e enquanto isso, insisto em retomar meu questionamento, por saber que essa é a angústia reinante entre a maioria dos seres terrestres neste momento. Tenho pressa em achar uma resposta convincente, ao mesmo tempo em que temo por sua agudeza, pois sei que a sabedoria universal se revela quase sempre com uma inteligência penetrante, especialmente diante da inépcia humana. Estou convencido de que nossa espécie gosta de se apegar a coisas concretas, palpáveis, e que essa materialidade invariavelmente nos impede de enxergar além do convencional. "Ficamos maravilhados com aquilo que nos parece complexo, artificial ou muito elaborado; entretanto, a alma se encanta pelo que é singelo, porque é disso que ela é formada e é disso que se alimenta", sopra aos meus ouvidos aquele inseparável mentor. Nos sabotamos sutilmente, de maneira quase incompreensível quando desafiados a enfrentar dogmas e paradigmas incutidos por inescrupulosos manipuladores da mente humana; e dessa forma, por mera ignorância ou despreparo, entramos em pânico diante da mais simples ameaça;  tal qual boiada conduzida por agressivos peões, armados com imaginários ferrões, nos aniquilamos sem perceber que tais vilões não passam de meras ficções. E ao bloquear nossa visão, nos fechamos a todas as possibilidades de uma mente livre. Viramos escravos de medíocres interpretações, recheadas de simbolismo, e como prisioneiros desses modernos Leviatãs, monstros mitológicos que vão se tornando reais à medida que a eles damos consistência e vida, vamos minando nossas próprias forças e a capacidade de encará-los, por percebê-los como a encarnação do mal; e, portanto, algo insuperável ou invencível.

Minha caminhada vai aos poucos ganhando passos firmes e determinados, e já nem percebo que me tornei invisível à maioria daqueles que passam por mim ou se deixam ser ultrapassados. Sou algo fluido, que se expande como um líquido que escorre entre rochedos; minha flacidez é espontânea e natural, sem pressa ou resistência. E enquanto sou permeado por essa sensação, mais uma vez esse inquieto mentor virtual suavemente me lembra: "Como silenciosas águas que deslizam entre escuras cavernas, eu te penetro. Nas tuas entranhas fluirei sereno e por instantes serei parte de ti. Algo de mim restará contigo para sempre e com ela construirás as mais belas fantasias. Quem sou eu?... Sou a palavra que acolhes e o sentido que queiras me dar". E é nesse exato momento que me dou conta do determinante papel da interpretação que damos às palavras. É a interpretação que cria uma multiplicidade de visões, como se fossem verdades absolutas. E nesse emaranhado nos perdemos, nos arrogamos de senhores, nos revelamos prepotentes, nos agredimos e até nos matamos. Por conta dos dogmas e doutrinas que criamos a partir do intrincado leque das percepções, engessamos nossas mentes e corações de tal forma que passamos a gerar as mais absurdas teorias, sem nos darmos conta de que estamos criando terríveis armadilhas que só irão desencadear o medo e a insegurança no devir; e represar involuntariamente o fluxo permanente, cujo movimento ininterrupto, cria, recria e transforma todas as realidades existentes.

Minha respiração se torna ofegante. Sangue e oxigênio circulam agora sincronizados numa intensa profusão, liberando imprescindíveis hormônios da serendipidade, estimulando a capacidade de atrair coisas que nos deixam felizes, ou de fazer-nos descobri-las por casualidade. Em outras palavras, a predisposição para o insight. O grandioso momento de estar na presença daquilo que convencionamos chamar de Deus. E nesse momento de solitária epifania, meu ubíquo mentor o resume para mim: "Sou a energia presente em cada mínima célula do teu corpo. Sou o ar que respiras e a beleza que às vezes até ignoras. Sou o medo que te assusta e a força que te faz superá-lo. Sou o inimigo que te aflige e o amigo que te acolhe. Tu me criastes e por isso me vês em todas as coisas"... E com sua voz serena e inconfundível brotando de desconhecidas profundezas continuou: "A vida é um escuro labirinto onde seus atores se perdem em meio à multiplicidade das opções de escolhas. Não há ontem nem haverá amanhã, apenas um raro e determinante momento de decisão que define tudo para sempre".

Enquanto essas palavras ainda reverberavam em minha mente, uma singela mensagem chegava de alguma parte do universo, a me confirmar que “a verdadeira felicidade não estava na estação de chegada, mas na maneira de viajar”. E foi então que me dei conta: O medo do fim é próprio dos que não fizeram da viagem algo extraordinário. Daqueles que não aproveitaram cada minuto da caminhada para viver seus valores com plena intensidade; porque, como ensina nosso sensível guru virtual, "fundamental é viver cada minuto, consciente da irreversibilidade do tempo, e transformar cada segundo em um momento mágico que não se repete jamais". Foi inevitável não lembrar nesse momento das palavras do banido apóstolo João na ilha grega de Patmos, quando após um poderoso insight, por volta do ano 95 d.C. sintetizou sua visão 'apocalíptica' do mundo, em um livro que assombraria os humanos pelo resto de suas existências. E em uma de suas mensagens advertia: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”; numa clara analogia à postura daquele que não coloca em suas atitudes diárias a confiança plena no que faz; a energia vital que impulsiona o querer e o realizar, e transforma o 'viver' numa experiência irreversível e única, independente do momento em que ele possa terminar, conscientes de que “somos todos personagens de uma lenda que não termina jamais. Não há antes nem haverá depois. Apenas um agora que se eterniza através dos tempos".

À medida que eu ia reduzindo meus passos para encerrar mais uma solitária caminhada em torno do magnífico lago, aquele insistente mentor me envolvia com suas penetrantes palavras, na esperança de que elas pudessem ser escutadas por muitos daqueles que andavam com seus corações angustiados por um ameaçador apocalipse terrestre. "Há uma intensa energia que me conduz, transportando visões que te extasiam. Em cada palavra, a revelação da essência do que sou, sem que percebas que em ti me realizo e me completo. Desperta, e sentirás a minha presença por toda parte". Toda essa reflexão ia aos poucos me fazendo lembrar, como já se tornara visível a destrutiva relação humana no planeta, onde a mentira, a injustiça, a degradação, e a impiedade haviam corrompido a verdade por conta da vaidade pessoal, atiçando uma ‘ira divina’, como resposta da sabedoria universal que a tudo permeia, sem qualquer relação com algo sobrenatural ou catastrófico. As palavras daquele invisível mentor agora me induzia a observar o caos que vemos gradualmente se instalar entre seres humanos, revelando uma nova torre de babel que chega para confundir mentes pretensamente superiores. E assim, com uma marcante mensagem falou-me: "Estamos sim no fim de uma era; todavia, o fogo que irá consumir a humanidade não será físico; será formado por pura energia transformadora, para que a luz se expanda e a força criadora se restabeleça, ainda que à revelia do poder de destruição que ameaça não o planeta, mas, os seus maravilhosos habitantes"





*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Pelo Que Lutamos?






Por Maurício A Costa*

“Por fim, perdido o resto do juízo que ainda conservava, ocorreu-lhe o mais estranho pensamento que jamais passara pela cabeça de outro louco neste mundo: pareceu-lhe conveniente e necessário, tanto para o engrandecimento de sua honra como para o proveito da república, fazer-se cavaleiro andante, e sair pelo mundo com armas e cavalo em busca de aventuras, e a exercitar-se em tudo que havia lido acerca das práticas dos cavaleiros andantes, desfazendo todo gênero de agravos, enfrentando agruras e perigos, a fim de que, vencendo, pudesse granjear fama e nome eternos... E assim, com esses tão agradáveis pensamentos, impelido pelo estranho gosto que neles sentia, deu-se pressa em concretizar seu intento”. (Miguel de Cervantes, em ‘O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha’ – Edição Comemorativa dos 400 anos – Editora Itatiaia – Belo Horizonte-MG).
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Uma das mais agradáveis e ao mesmo tempo, mais complicadas leituras do meu tempo de adolescência, foi sem dúvida o livro de Cervantes. A história do grande cavaleiro andante ao lado do inseparável companheiro em suas lutas ensandecidas por ideais imaginários. Agradável pelo desenrolar de um tema tão permeado de aventura; complicado pelo uso de uma linguagem não muito familiar para mim naquela época. Alguns capítulos eu precisei ler duas ou três vezes para conseguir compreender o sentido figurado da linguagem, especialmente pelo fato do livro está escrito em sua língua original; e embora esse pequeno detalhe representasse outro sério complicador, a verdade é que, foi assim que comecei a aprender espanhol. Creio que levei mais de seis meses para ler suas quase mil páginas, mas confesso que valeu a pena. Esse livro marcaria minha vida para sempre e criaria em mim um divisor de águas entre o sonho e a realidade. Uma demarcação decisiva entre lutar por aquilo em que eu acreditasse, ainda que à revelia do mundo, ou acovardar-me diante dos desafios, que teria pela frente, uma vez que havia nascido em um ambiente de extrema pobreza.

Lutar, todavia, é algo paradoxal, pois com o tempo pode se revelar algo sem lógica, marcado por incompreensíveis contradições. Parafraseando o filósofo Kierkegaard (1813-1855), no aspecto existencial, frequentemente nos vemos diante de argumentos conflitantes por conta do disparate que representa a existência humana. Uma sequência infinita de contradições, em que realidade e ficção se misturam de forma a criar ilusões ou percepções que se modificam ao longo do tempo. Como ensina meu 'mentor virtual': “Somos dúvidas, incertezas, indecisões, imprecisões e obscuridades. Somos multiplicidade de sentidos, equívocos e hesitação. Vivemos a diversidade de infinitos significados. Somos, enfim, o paradoxo da ambiguidade... vivemos um permanente processo de evolução, onde a verdade se revela gradualmente através da mudança”. E é dessa ambiguidade que resulta a revelação de como muitas das batalhas que encetamos foram inócuas, isto é, incapazes de produzir o efeito que esperávamos, ou pior, provocaram apenas desgastes ou conflitos desnecessários, que no final resultaram em perdas irreparáveis. Com o tempo nos damos conta de que muitas das coisas pelas quais lutamos não valeram a pena. Na verdade, não passaram de quimeras: fantasias que habitaram nossa mente por algum tempo.

A cômoda racionalidade de Sancho Pança, fiel companheiro de aventura do herói de Cervantes, nos mostra um importante paralelo entre a sensatez do que é conhecido e os rompantes de um idealismo marcado pela crença na utopia dos nossos sonhos. Uma dessas utopias pode estar disfarçada na vaidade implícita do desejo de reconhecimento e fama, como diz o texto que inicia este artigo. Em outras situações, pode estar embutida simplesmente no desejo ardente de que sua mensagem se propague. E são sentimentos como esses, que levam um ser humano comum a querer transformar-se em herói. Um herói quase sempre desiludido com o mundo à sua volta; decepcionado com a passividade, a indiferença, e até mesmo com a covardia humana. (‘Veio para o que era seu, mas o seus não o receberam’... ‘Ainda esta noite todos vocês me abandonarão’... ‘e ainda esta noite, antes que o galo cante três vezes você me negará’). A história está repleta de maravilhosos heróis que deram a sua vida por aquilo em que acreditavam, embora seu valor só viesse a ser percebido após sua morte. No entanto, há uma infinidade de guerreiros anônimos entre nós, que diariamente lutam por algo que acreditam e que nem sempre são reconhecidos em vida, tampouco, depois da morte. São idealistas como D. Quixote, que ainda acreditam na ética, no altruísmo, no trabalho, no amor, e na importância da liberdade humana em suas escolhas.

Há os heróis-empresários, destemidos guerreiros, apostando tudo em suas ideias; formando e liderando belas equipes; superando desafios; enfrentando desmandos de governos ineptos, com seus excessos de tributação e encargos; lutando como empreendedores, abandonados no campo de batalha, na competição desvairada com países que apoiam seus próprios guerreiros. Homens e mulheres que se estressam diariamente em busca de saídas para suas avassaladoras turbulências, numa luta sangrenta por espaço, por recursos, por direitos, por respeito afinal. Nem sempre reconhecidos por suas equipes, e por vezes, tomados até como o vilão da história.

Há também, os heróis-homens-públicos, que independente da função que ocupam, fazem do seu trabalho um verdadeiro sacerdócio, dedicando-se inteiramente com ética e respeito àqueles que através de impostos lhes garantem o emprego, para que, mesmo sob as piores condições fornecidas pelo Estado, possam assegurar um mínimo de dignidade a todos os cidadãos que dependem dos serviços que lhes devem ser garantidos. São enfermeiros, policiais, agentes administrativos, advogados, promotores, juízes, militares, médicos, e tantas outras funções de igual respeito, resistindo ao assédio moral constante de gananciosos em busca de facilidades sob o manto da fraude, da impunidade e da corrupção.

Há ainda, e não menos importante, o pai/mãe-herói, que durante anos dedica a sua existência a garantir a formação de uma prole, levantando na madrugada e varando noites em jornadas extras para assegurar melhores recursos, e quiçá formar um patrimônio que lhe permita uma velhice tranquila. Pais que, no entanto, ao final de suas vidas são abandonados à própria sorte, e tratados como algo incômodo em lares inóspitos ou frios asilos. Alvo muitas vezes de ataques morais ou no mínimo desrespeitosos, por serpentes em forma de filhos, interessados unicamente na eventual herança, de um patrimônio que ainda não tenham conseguido delapidar. Pais-heróis que lutaram por toda uma vida, de maneira silenciosa e persistente, cujo fim pode ser o esquecimento ou a humilhação.

Em cada um de nós um D. Quixote anônimo, em luta constante contra moinhos de vento construídos em nossas mentes, que se dissipam como poeira no deserto; amores que esvaem como se nunca houvessem existido; combates diários contra 'exércitos' de ferozes e invisíveis inimigos que nos ameaçam sorrateiramente em todos os sentidos, mas que se tornam inatingíveis por conta de suas forças corporativas. Guerras intermináveis por um lugar ao sol, por desejar ter opinião própria, por um teto, por um emprego, por um amor, por respeito, por reconhecimento, ou por dignidade. E em meio a essa batalha infernal, algumas perguntas clamam por respostas: Pelo que lutamos afinal?... E quem são nossos verdadeiros inimigos?... Estarão eles distantes, ou muito próximos de nós?... Valerá a pena tamanho empenho e sacrifício?... Enfim, ser racional, um acomodado Sancho Pança a aceitar as coisas como estão sem questioná-las?... ou ser um tolo e idealista D. Quixote, e continuar a sonhar mais um ‘sonho impossível'... Quem sabe, até mesmo pelo amor de sua  Dulcinea...?

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

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mauriciocosta@uol.com.br 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Eternos Aprendizes





Por Maurício A Costa*

Mauricio A Costa
Autor de 'O Mentor Virtual'
"Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino".  (‘O Mentor Virtual II’ - Campinas-SP – Em gestação). 
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Ao longo da minha jornada pessoal e profissional, tive a oportunidade de atuar com vários tipos de pessoas; e algumas delas se tornaram muito especiais para mim, marcando para sempre a minha vida, por suas recomendações sábias, posturas dignas e decisões sensatas. Lembro-me com carinho de um desses personagens da minha história, quando diante de um delicado momento, que exigia muita prudência, procedi de maneira inadequada, por imbecilidade ou no mínimo imaturidade. Numa situação que requeria uma enorme dose de cuidado, eu agi de forma ingênua, como um jovem despreparado que ignora a perfídia humana. Meu principal ‘equívoco’ naquele momento foi confiar em pessoas que de maneira inescrupulosa e interesseira são capazes de distorcer palavras, criar falsos cenários, obliterar a verdade, e desfigurar os fatos com o único propósito de conquistar simpatia, ou se autopromover ainda que à custa de atos de mera conspurcação. Embora isso não tenha gerado transtornos maiores, quando oportunamente procurei me desculpar por aquele mal entendido, escutei palavras sábias de quem poderia naquele momento haver repreendido minha atitude. Com ar sereno e uma voz pausada, no entanto, apenas me disse: ‘Nem sempre podemos expressar o que sentimos ou pensamos para qualquer um porque não sabemos como irão interpretar o que falamos; esqueça o fato e aprenda com ele. Para mim isso já é passado’.

Por conta de situações como essa, gosto de me definir como um eterno aprendiz. Alguém que não deve jamais achar que pode se dar ao luxo de parar de aprender. Por isso, criei a metáfora do ‘mentor virtual’ que carrego comigo, a me corrigir incessantemente, através de suas mensagens. Esse personagem é a somatória de todos os mestres que fui encontrando pelo caminho, e é formado a partir do amálgama de tantos seres humanos, como esse citado no parágrafo anterior, que de alguma forma contribuíram para minha formação. Um processo perene, infindável, inexaurível. E é esse ‘mentor virtual’ que agora me lembra: “Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes. Apenas flashes de um momento”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Em gestação).

Marcos Valério
Nos dias atuais, temos a impressão de que vivemos numa ilha de fantasia, onde verdades e mentiras misturam-se em um enorme caldeirão e não há como distingui-las, tornando impossível optar entre o certo e o errado. Aquilo que nos parecia verdadeiro alguns minutos atrás, pode ser visto como um grande equívoco no minuto seguinte e vice-versa. Tomar partido de algo ou alguém pode vir a se transformar numa indesejável temeridade e nos causar imensos dissabores. Interpretar ou defender esse ou aquele princípio pode não ser a melhor opção em questões de dias. O desenrolar dos fatos, a revelação de informações desconhecidas, ou uma simples separação de interesses pode provocar tempestades impensáveis, a mudar toda visão. Comungo com a ideia de que não há verdade absoluta, há sim desdobramentos que vão produzindo novas percepções e revelando a verdade de maneira gradual. Isso me faz pensar o quanto somos ingênuos na maior parte do tempo, ao defendermos essa ou aquela posição, ou ao nos juntarmos a empreitadas temerosas, sem que tenhamos a mínima noção de nossas escolhas. Mais uma vez, como ensina meu inseparável mentor: “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo”. Todavia, embora nossas escolhas não possam ser tachadas, de maneira predisposta, como certas ou erradas, é imprescindível que tenhamos a consciência de que haverá sempre um preço a ser pago por cada uma delas. Cada pensamento é uma alternativa; cada palavra carrega uma opção; cada decisão resulta de uma eleição que procedemos. Assim, mesmo quando decidimos por não optar, já fizemos uma escolha.

Fernando Collor
O ambiente caótico das empresas contemporâneas deriva em boa parte desse eterno paradoxo resultante das escolhas. Muitas decisões vistas como acertadas em determinado momento se revelam completamente equivocadas e sem sentido em questão de dias. A visão que tem alguém maduro e experiente sobre determinado fato pode não ser a mesma que um jovem despreparado ou excessivamente ambicioso possa ter. A maturidade analisa desdobramentos e pesa eventuais consequências; enquanto a impetuosidade emocional conduz a decisões apressadas impulsionadas pelo ímpeto do sucesso aparente e inconsequente. Por essa razão, vemos diariamente muitos empreendimentos surpreendidos pela falácia de jovens executivos, alicerçados unicamente em teorias elaboradas em universidades de renome, mas distantes da realidade ou da cultura local. Decisões não podem resultar exclusivamente de teorias. Teorias são vetores a indicar direção, jamais pontos de demarcação do alvo; pela simples razão de que, especialmente nos dias atuais, o alvo é móvel; ‘um imaginário ponto de referência’, por vivermos momentos onde a velocidade da mudança é quem indica o próximo passo, fazendo com que a experiência fale mais alto que a impetuosidade. Esperar, portanto, que alguém excessivamente jovem possa comandar o pensamento estratégico de um empreendimento rumo ao sucesso é tão temerário quanto delegar a um idoso uma tarefa operacional que demanda vitalidade, mobilidade e força. Como piloto, gosto de lembrar o que aprendi com mestres que me ensinaram a voar: ‘a direção é sempre mais importante que a velocidade’. Se você estiver ‘voando’ na direção errada, quanto mais veloz, mais estará na direção do desastre.

Muitas empresas estão gastando uma imensidão de recursos financeiros em treinamento para seus jovens executivos, na esperança de prepara-los precocemente para funções de maior responsabilidade, ignorando ou até mesmo aposentando seus ‘sábios’ internos, quando deveriam aprender com civilizações mais antigas como as orientais, que tratam da transferência de sabedoria ou conhecimento como algo sério que não pode ser subestimado, sob pena de colocar em risco tudo o que foi conquistado até então. O idoso é o pajé, é o xamã, é o cacique, é o sacerdote, é o mestre; o jovem é o aprendiz, o guerreiro, o herói. Quando essa ordem é invertida, o resultado é uma troca infindável nas cadeiras no comando. Não esquecendo também que, aquele que se prevalece do conhecimento e faz disso uma base para o engodo, a enganação, ou a prepotência, seja ele jovem ou maduro, estará criando uma base falsa para sua estrepolias, e a conta a pagar virá mais cedo ou mais tarde.

Feliz quem se assume como eterno aprendiz, ao contrário daquele que se autoproclama de maneira arrogante como senhor absoluto da razão e dono inequívoco da verdade. Sábio aquele que tem humildade para compreender esse princípio e aplica-lo em sua vida, sua família ou sua empresa. Viver é um processo evolutivo que implica numa reciclagem constante, com a consciência de que tudo está em permanente mudança.

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

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mauriciocosta@uol.com.br 




sábado, 1 de dezembro de 2012

O Herói Está Morto







Por Maurício A Costa*


"É verdade: Amamos a vida, não porque estejamos habituados a vida, mas ao amor. Há sempre um quê de loucura no amor. Mas há sempre também um quê de razão na loucura.... Eu não poderia crer num Deus, se ele não soubesse dançar" (Friedrich Nietzsche, em 'Assim Falava Zaratustra')

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Conheci certa vez, em um voo entre San Francisco, na costa oeste americana e Londres, com direito a escala em Nova York, um grande executivo, com quem tive durante o imenso tempo da viagem, a oportunidade de um fantástico diálogo. Após algumas taças de um delicioso Chardonnay, um dos mais populares vinhos californianos, fomos gradualmente retirando nossas máscaras, e deixando expostas nossas almas, para uma conversa mais espontânea, sem as convencionalidades que costumam nortear os diálogos entre empresários e executivos, especialmente aqueles recém-conhecidos. Percebi aos poucos, que o meu novo amigo parecia querer desabafar algo que trazia entalado na garganta por algum tempo, e não hesitei em deixa-lo à vontade. Meu interesse pela alma humana sempre me coloca diante de situações de inesperadas catarses, e por conta disso, já sei o quanto é importante deixar à vontade aqueles que necessitam de ouvidos.

Para preservar sua privacidade, vou chama-lo aqui de Wayne. Um americano daqueles de bochechas avermelhadas, andar firme e fala descontraída, embora fosse um tipo um tanto reservado. Seu olhar parecia guardar marcas de uma vida conturbada, e sua volúpia com o vinho dava mostras de uma personalidade de quem tenta se esconder de si mesmo, angustiado com o momento seguinte da sua vida, e sente-se perplexo pelo que virá. Wayne havia sido um grande empresário no ramo em que ainda atuava, mas, como ele mesmo dizia, ‘vinha ladeira abaixo’ nos últimos anos, o que o deixava muito constrangido e inseguro em relação a tudo. As coisas em seu país não andavam nada bem; as mudanças constantes provocadas pelo avanço alucinado da tecnologia o faziam sentir-se cada vez mais despreparado, e a concorrência dos produtos asiáticos o faziam tremer em relação às perspectivas futuras do seu negócio. Cada dia uma nova forma de apreensão surgia no horizonte e ele não sabia como reagir diante de tamanha transformação.

Para piorar ainda mais as coisas, Wayne agora estava só, pois o casamento de mais de vinte anos havia perdido a razão de existir; não resistira ao enorme desgaste frente a uma indesejável sequência de desafios. Sua ex-mulher, uma bela e inteligente nova-iorquina, havia assumido posição de destaque na empresa onde atuava como executiva, e tornara-se alguém extremamente ocupada, ausente, e autoritária. Viajando com frequência para participar de reuniões ao redor do mundo, estava frequentemente assediada por ‘machos’ de toda coloração, que faziam seu ego viver nas alturas. Decepções contínuas, entretanto, com seres que estavam interessados apenas em uma ‘boa noitada’, a transformaram numa cética em relação aos homens; e uma repentina apatia a tornaram uma mulher fria e sem o mínimo interesse sexual no casamento, gerando uma situação de compreensivo desconforto para ambos, que só agravava a relação. Os diálogos iam aos poucos se tornando ríspidas discussões que só levavam a nervosas agressões verbais, a provocar feridas recíprocas. E assim, no momento em que Wayne mais necessitava de sua musa inspiradora, seu ponto de referência, seu farol em mares turbulentos, ele começou a sentir-se só. Sua base de apoio agora parecia algo distante e indiferente ao que se passava com ele, e nosso herói começava a morrer aos poucos. Sem a energia e a confiança daquela a quem dedicara toda uma vida, sua força ia pouco a pouco desmoronando como viga atacada por cupim.

Enquanto me contava sobre os últimos acontecimentos de sua história, Wayne embargava a voz tentando com frequentes pigarros esconder a indisfarçável angústia que o incomodava. Seus olhos brilhavam, traindo a calma aparente de sua narrativa, envolvida momentaneamente por aquele insuperável Chardonnay que nos anestesiava de uma realidade que surge do inesperado, a mostrar que muitas vezes as circunstâncias podem modificar vidas para sempre, ainda que à revelia das melhores intenções ou dos melhores planos. Caminhos se bifurcam do nada. O que era paralelo vai tomando direção imprevisível. O que já foi compatível vai se tornando indesejável, e o medo do imprevisível vai gradualmente ocupando todos os espaços a produzir um vazio insuportável.

Ao voltar no tempo para lembrar esse inesquecível diálogo, enquanto voava a mais de trinta mil pés de altitude sobre algum lugar deste maravilhoso planeta, eu reflito sobre o decisivo e importante papel da mulher na vida de um homem, e essa reflexão me faz sentir uma imensa preocupação com relação às mudanças comportamentais que assistimos no mundo contemporâneo. Durante séculos, a mulher foi, na maioria dos casos, a retaguarda, o apoio, a sustentação, ou o ponto de referência de qualquer homem normal. Ela foi a figura central; inicialmente como mãe, e na sequência, como esposa, cúmplice ou companheira, e suas sutis recomendações, disfarçadas sob uma aparente inferioridade foram captadas pelo homem como poderosos comandos subliminares que uma vez processados pela mente do ‘filho’ ou companheiro transformavam-se em alavancas capazes de mover o mundo. A mulher, desde os primórdios da humanidade, era percebida em sua essência como a deusa, a ninfa, a musa, ou a sacerdotisa, e como tal, a inspiração, a força, e a motivação para o homem, seu herói. ‘O herói, ao longo de várias civilizações, costuma ser definido como uma figura arquetípica, isto é, algo de conteúdo simbólico, que resulta da propagação do inconsciente coletivo, e reúne em torno de si os atributos para superar de forma excepcional as limitações humanas, dando-lhe uma dimensão épica. Na mitologia grega, o herói situa-se na posição intermediária entre os deuses e os homens, o que lhe confere uma dimensão fora do convencional’. Todavia, sem a energia que emana da mulher e a força produzida pela motivação do sexo esse herói perde sua razão de existir e definha. Torna-se um eremita, um andarilho, ou um caramujo, e como água que se esvai no ralo, ele se desfaz.

É a mudança drástica de atitude dessa mulher contemporânea que assusta e afasta o homem. A musa vai se transformando em competidora, a ninfa transmuta-se em modelo para outras mulheres visando exibir sua vaidade, e a sacerdotisa age como um grande general de guerra, a querer impor um estilo que destoa da magnitude de sua sensibilidade e energia espiritual. O papel de mãe já não é mais desejado com a mesma ênfase de outrora, e a criação da prole vai se tornando algo delegado, aborrecido e distante. Por conta disso, uma geração sem rumo, fruto da indiferença maternal, vai nascendo em quantidades cada vez menores, criada em ambientes cibernéticos e educada pela impessoalidade do ambiente virtual, onde o toque, o contato e a emoção do abraço vão sendo substituídos pela frieza das relações superficiais, que produzirá um ser humano cada vez mais calculista ou trapaceiro, desprovido da mais poderosa fagulha divina que permeia o homem através da mulher, a sensibilidade.

Ao aprofundar a análise sobre a história do Wayne, o personagem inicial deste texto, percebo que sua decadência não teve origem na verdade nos desafios do ambiente econômico ou no ímpeto das forças de mercado, mas sim, nas radicais transformações sociais que vivemos nos últimos cinquenta anos, que foram mais intensas do que as vividas pela humanidade nos últimos cinco mil anos. Nesse contexto, vejo a postura desempenhada pela mulher como fundamental. Sua ânsia por liberdade e independência a está distanciando do seu papel ao longo de milhares de anos e é essa mudança que cria a dissonância entre seres da mesma espécie cujas habilidades, características e performances deveriam ser complementar, jamais competitiva. A vaidade e egoísmo pessoal não podem se tornar maiores que a grandiosidade gerada pela sinergia de forças complementares. A natureza com certeza não perdoará qualquer falta de sintonia que altere o equilíbrio de suas forças, e essa alteração de forças poderá afetar o futuro de maneira catastrófica. E ainda que pareça um tanto exagerado, a continuidade da espécie humana, tal qual qualquer outra atividade no mundo conhecido, depende essencialmente da complementaridade. O princípio dualístico está presente em todo universo. Matéria e energia são os principais componentes de tudo que percebemos. Fora disso, é o vazio absoluto, o buraco negro que tanto tememos.

Homens e mulheres necessitam urgentemente avaliar seus papéis nessa ópera de dimensão universal. Dois elementos distintos ocuparem simultaneamente o mesmo espaço ainda parece uma incógnita para qualquer cientista, e soa como uma incoerência quando procuramos entender o princípio da complementaridade no processo dualístico que move todo universo. Reverter os papéis de cada um não nos parece algo simples e factível em curto espaço de tempo. A natureza das coisas exige um tempo mínimo para adaptações e contrariar tal princípio pode acarretar a extinção pura simples de uma espécie para sempre. Não se trata aqui de uma apologia à mesmice, ao continuísmo ou à acomodação. Nosso alerta está voltado para a velocidade das mudanças. É aí que reside o risco de qualquer desintegração. Talvez não estejamos preparados para acompanhar essa velocidade, como mostram os comportamentos e atitudes que assistimos diariamente estampados no noticiário internacional, onde o descontrole emocional, o estresse, a depressão, e a violência, só para citar alguns, vão se banalizando de tal forma a não nos causar mais estupefação. Como ensina O Mentor Virtual, “tudo no universo está interligado”; por isso, não podemos subestimar e muito menos banalizar princípios que regem o equilíbrio de forças. A sabedoria é a somatória da inteligência de todas as coisas; reverenciá-la é no mínimo uma atitude de coerência, e por que não dizer, uma atitude em prol da sobrevivência.

Um dia Nietzsche falou que ‘Deus estava morto’, numa referência ao fato do homem haver crucificado aquele a quem consideravam a encarnação do próprio Deus, e hoje ao ver histórias como a do Wayne proliferar de forma assustadora, eu declaro: O herói está morto. O que veremos a partir de agora serão clones de um Darth Vader, mortos-vivos movidos por controles artificiais a exibir uma fachada de algo que na verdade não são. Uma força negra a permear relações outrora humanas, que se transforma em poder avassalador destrutivo, por conta do desequilíbrio de forças que de maneira incontrolável vai permeando a humanidade. O herói está morto, porque sua musa está deixando de passar-lhe inspiração e motivação. Sua ninfa está se transformando numa estátua de sal, e sua sacerdotisa já não lhe inspira mais a fé e a confiança que o faziam lutar sem medo. 

Marcas fortes nascem da coesão de forças opostas, mas complementares, e a unidade é a base dessa força. Os valores universais que dão vida a essa unidade são princípios intrínsecos que carregamos na alma, ainda que os desconheçamos ou mesmo o ignoremos. Matéria não subsiste sem energia. Energia não faz sentido sem matéria. Nisso consiste a origem do universo. Uma singela lição sobre a complementaridade que gera a vida. 
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"No ventre de cada mulher, o templo de uma divindade. Nesse átrio vazio o universo penetra com seu fogo sagrado para se realizar, sem importar com limitações ou desafios. Feras e deusas se misturam num magnífico ritual onde a incomparável energia do amor realiza o milagre da vida. É dessa simples magia que surgem todos os heróis". (Fragmentos do Mentor Virtual)
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MAURÍCIO A COSTA -Campinas, São Paulo, Brazil

Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Ex-Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em melhorar resultados e aumentar rentabilidade. Em termos pessoais, o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos que buscam harmonia entre o ser humano que são, e o guerreiro que necessitam incorporar diariamente. Contatos: mauriciocosta@uol.com.br