Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Insanos










Por Maurício A Costa



“A alma mostra-se, na maior parte do tempo, dividida entre momentos de dor e êxtase; formas como ela se revela para o mundo exterior, diante do que a toca profundamente. Dor e êxtase são extremos do mesmo pulsar que produz energia. Por ser ávida, tão logo encerra um momento de êxtase, em um breve refluxo, ela sente a profunda ausência que produz dor, que só será curada com um novo êxtase. Um tipo de energia alimenta, e outro suga, formando o infindável ciclo da própria vida” - (‘O Mentor Virtual II’ - O Elo Invisível – Campinas-SP - Em gestação).


_______________________


O recém-lançado filme Cosmópolis, produzido por David Cronenberg e magnificamente interpretado em seu papel principal por Robert Pattinson, é a meu ver, uma das maiores insanidades que o cinema contemporâneo já teve coragem de produzir; todavia, apresenta-se, como define Le Figaro, como ‘uma visão apocalíptica’; uma ópera macabra a revelar de forma quase alucinante os extremos do comportamento humano na atualidade, em sua relação consigo mesmo, especialmente exposto no que toca aos efeitos do dinheiro sobre suas vidas. Um preocupante alerta sobre possíveis desdobramentos psíquicos e sociais das múltiplas crises financeiras que afetam o mundo de maneira generalizada, a produzir consequências em um efeito cascata, impossível de prever, para as próximas gerações. 
O filme traz uma profunda reflexão sobre os extremos que estão sendo criados pelo ser humano em sua aventura sem limites pelo poder, por prazer, e numa visão mais crítica, pela acumulação de riqueza. Mostra como nossa sociedade contemporânea está construindo perigosos abismos entre seus indivíduos de maneira insensata, e por que não dizer, irracional, pois revela comportamentos quase doentios, numa paranoia infernal motivada pela insatisfação permanente. De um lado, seres movidos por sentimento de inferioridade, impulsos reprimidos e instintos em ebulição; do outro, máquinas humanas movidas pela força avassaladora da moderna tecnologia desenfreada, que a tudo penetra, investiga, analisa, compara, projeta, e controla; conduzindo a uma loucura sem precedentes que a tudo domina, submete e esmaga. Um espetáculo que aos poucos vai transformando um mundo de aparência virtual em algo assombrosamente real, incontrolável e ameaçador.

Abílio Diniz
(Grupo Pão de Açúcar)
Confesso que estou assustado com a visão atual que tenho de muitos empreendimentos, priorizando a expansão sem limites a qualquer custo, atropelando como autênticos tanques de guerra o próprio bom senso do que deveria ser crescimento saudável, ou ver partidos políticos, alimentados pela negociação fraudulenta, manipular seus membros e toda uma sociedade, como meros fantoches, em nome da sede pelo poder e dominação. A concentração de negócios pode ser sem dúvida um formidável caminho para a racionalização de custos, a construção de sinergia e a maximização dos resultados; todavia, quando conduzida de forma leviana e desprovida de um embasamento estratégico pode enveredar para inchaço doentio, o descontrole operacional, a corrupção disfarçada, e desconfiguração de um projeto original; cujo desfecho pode ser um desagradável imbróglio, de proporções gigantescas. No ambiente empresarial, pensar, por exemplo, o que um Abílio Diniz (Grupo Pão de Açúcar) possa ter de algo em comum com alguém como Michael Klein (Casas Bahia) e ambos com o Grupo Casino da França é ingenuidade, cegueira empresarial ou insanidade. No ambiente político, imaginar, que seja possível coadunar em um mesmo ambiente, partidos de correntes e ideologias tão distintas, objetivando projetos sociais é, no mínimo, uma insensatez; uma vez que todos sabem que o que se alinha em síntese, são apenas os interesses pessoais. O que se quer na verdade é construir grandes e fluídos canais por onde o maior volume de dinheiro possível possa transitar sem contestações, represamentos, ou oposições indesejadas. 

Edemar Cid Ferreira
(Banco Santos)
Recentemente, um grande número de grandes corporações empresariais e financeiras, internacionais como a multibilionária Enron, a Goldman Sachs, e a Lehman Brothers; ou nacionais como o Banco Santos, Banco Rural, ou a Construtora Delta, mostraram como se constrói magníficos castelos sobre areia quando se busca a expansão de forma desastrada, onde apenas o poder da manipulação pelo dinheiro é levado em conta, e nunca o pensamento estratégico ordenado; arrojado, mas inteligente; ousado, porém objetivamente estruturado. Crescer não é o mesmo que inchar. Crescer pode não ser algo saudável, quando a expansão resulta da associação de espécies dissonantes, uma vez que crescer implica construir sinergia; palavra mágica, amplamente utilizada em tantas corporações, mas que muitos desconhecem sua essência e conteúdo. Sinergia resulta da ação conjunta para se obter um desempenho superior. Crescimento, portanto, de forma sustentável e saudável, é aquele estruturado a partir do pensamento estratégico, que visa antes de tudo potencializar a ação, pela coesão de forças sinérgicas num objetivo comum, e cujo resultado será sempre maior que a soma das individualidades envolvidas.

Eike Batista
(Grupo EBX)
O que se vê, no entanto, na maioria dos casos de expansão, é a vaidade colocada acima de tudo. Arrojados executivos, movidos por instintos ferozes e hormônios à flor da pele, estimulados pelo ímpeto da competição agressiva e mordaz, que despreza o bom senso e a reflexão. Expandir é a palavra de ordem que produz todo esse impulso. Expandir para ocupar espaços, ampliar a força e produzir intimidação. Expandir ainda que à custa do que foi feito, comprometendo a estabilidade e a harmonia interna. Expandir porque ser grande é ser temido, admirado ou produz mais visibilidade. Expandir, expandir, expandir. Esse é o mote; muitas vezes, uma possível sentença de asfixiamento de um sistema que se torna sufocado pelo excesso de pressão arterial ou falta de oxigenação adequada entre os vários componentes do complexo metabolismo de uma corporação que se expande. Grupos empresariais como o JBS (Joesley Batista), ou EBX (Eike Batista), são exemplos vivos e atuais desse processo de expansão alucinada sem limites, carregando o firme propósito de se tornar o maior do mundo em alguma coisa.

Ricardo Mansur
(Mesbla, Mappin, Crefisul)
Expandir nem sempre significa crescer. Crescer é evoluir de maneira gradual e consistente sustentado por um desenvolvimento harmônico de todos os componentes que formam uma unidade qualquer, seja ela um corpo, uma planta, um projeto, ou uma organização; contando com o apoio de fatores externos, mas sem depender exclusivamente disso para seu crescimento. Crescer é sair da condição de solitários nômades, perdidos entre milhões de opções, para construir sinergia com o outro. É abandonar o egoísmo das posturas independentes e identificar pontos de contato entre mundos díspares, para produzir algo maior, em benefício do coletivo. Quando a vaidade e o egoísmo prevalecem, expandir torna-se sinônimo de acumular. Um inflar mórbido, a criar um ambiente insalubre, inóspito e regido pelo signo da desconfiança, que poderá gerar o embrião da inconsistência, da incoerência e consequentemente da instabilidade. 

José Sarney
Não podemos nos permitir transformar todo potencial humano desenvolvido ao longo de séculos, numa tecnologia que vicia e escraviza. Não é lúcido nos deixamos conduzir pela loucura de uns poucos, ávidos por prazer, satisfação indiscriminada, ou poder irresponsável, que arrasta milhões em direção ao inferno da escassez absoluta de respeito e dignidade. Não temos o direito de nos tornarmos omissos diante da ópera do absurdo, participando de maneira passiva ou sendo parte da engrenagem de algo reconhecidamente insano. Só ao criar sinergia nos tornaremos maiores que nossas fraquezas individuais. 

Kenneth Lay
(Ex-Pres. da Enron)
Marcas fortes não podem ser construídas a partir da destruição de marcas menores, pois não se compra valores. Respeito não se impõe, se conquista, já diziam os mais antigos. Marcas fortes são aquelas que nascem a partir de conceitos intrínsecos e não de frases de efeito ou slogans criados por alguma agência de propaganda. Como tal, líderes verdadeiros não nascem de conchavos patrocinados pela ganância vaidosa; são marcas fortes que se eternizam pela força dos valores que carregam. O líder autêntico desperta admiração, coesão e respeito; jamais medo, repulsa ou deboche. A falsa liderança é uma insanidade que conduz à intolerância que invariavelmente leva à destruição e à morte.




_________________________________


*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Diz-me Com Quem Andas...



Por Maurício A Costa

"O mundo irá lhe olhar com respeito se você respeitar a si próprio. Não se intimide, nem se subestime; tampouco superestime o outro, porque muito do que vê é pura fachada para intimidar-lhe. Ignore isso e seja simplesmente você, com tudo o que o universo de forma exclusiva lhe deu." ('Fragmentos do Mentor Virtual' – Campinas-SP – Em Gestação)

__________________

Tenho me questionado com frequência sobre a imponderabilidade do destino que cada um de nós vai construindo durante a efêmera jornada, e uma das perguntas que me aflora invariavelmente diz respeito à importância da companhia daqueles que cruzam nossos caminhos, e mais ainda, daqueles que de alguma forma passam a fazer parte da nossa vida, mesmo que por um rápido intervalo de tempo. Já escrevi diversas vezes sobre as consequências de nossas escolhas, e em alguns momentos destaquei também a gravidade de aceitarmos com passividade sermos a escolha de alguém. Em ambas as situações, quando não refletimos com profundidade sobre o assunto, e deixamos as coisas correrem sem uma análise dos desdobramentos possíveis, corremos o risco de nos tornarmos reféns dessas escolhas, ou pior, de arcar com pesadas desilusões e traumas, além de pagar um alto preço por essas decisões equivocadas. 

Como ser humano, ou na qualidade de executivo, empresário ou consultor independente, caminhei ao lado de pessoas magníficas que muito me fizeram crescer, mas não foram poucas as que muito me decepcionaram; algumas delas não passaram de vampiros dos tempos modernos, preocupadas unicamente em ‘sugar’ suas ‘vítimas’. Disfarçados sob a pele de inofensivos cordeiros, encobrem suas verdadeiras identidades, ludibriando sem o mínimo escrúpulo qualquer um que cruze o seu caminho; construindo cenários paradisíacos que na verdade escondem um lamaçal de mentiras, engodo e falsidade, cujas consequências só se tornam perceptíveis com o passar do tempo. Mas a essa altura, a vítima já está ‘envolvida’ o suficiente para sair do cipoal. Não é necessário ir muito longe para identificar esses camuflados. Basta que se analise as posturas, comportamentos e acima de tudo as ‘ostentações’ com que costumam desfilar tais ‘personas’, visando demonstrar para o mundo ao seu redor uma falsa identidade, uma aparente marca forte, vazia, no entanto, de conceito e valores. Tais ‘seres’ agem com frieza absoluta, ou total maquiavelismo, para a conquista do poder e visibilidade, e quase sempre saem incólumes de situações vergonhosas, ultrajantes e mesquinhas, por conta dos ‘scapegoats’ (bodes expiatórios) que mantém à sua volta, para suas peripécias, maquinações ou falcatruas. 

Novela Avenida Brasil (Rede Globo)
Em nossas decisões diárias, algumas vezes por imposição das circunstâncias; em outras por ingenuidade ou insensatez, nos deixamos iludir pelo ‘canto da sereia’ dessas criaturas oriundas de mundos estranhos, cujas fachadas não são nem de longe aquilo que realmente carregam dentro de si. Criaturas que costumam aparentar indescritível beleza, mas por dentro não passam de horripilantes vermes; mostram-se perfeitas, mas não passam de figurantes de uma farsa colossal; posam de poderosas, todavia seu poder é destrutivo e corrosivo, pois o está construindo sobre a base da mentira e enganação. 

Retornando ao ponto inicial de reflexão desta matéria, eu me pergunto: Como podemos ser donos de nosso próprio destino, se vivemos permanentemente cercados por essas vis criaturas? Como proteger-se de envolvimentos com pessoas que carregam tamanha carga virulenta em suas entranhas? Como identificar as intenções por trás de fantasiosas máscaras a esconder a realidade? Como saber se são acertadas nossas escolhas quando não temos certeza daquilo que vemos? As respostas não costumam brotar com muita facilidade. São questionamentos difíceis e angustiantes, que pode levar até mesmo ao ceticismo, de não se acreditar em mais nada. Esse incômodo questionamento cresce ainda mais quando o transpomos para o ambiente empresarial ou corporativo. Como ensina o mestre da psicologia, Karl Jung: “Quando um grupo é muito grande cria-se um tipo de alma coletiva. Por esse motivo a moral de grandes organizações é sempre duvidosa... O indivíduo na multidão torna-se facilmente uma vítima de sua sugestionabilidade”. (Jung, Karl em ‘Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo’ – Pág. 130 – Ed. Vozes –  4a. Edição -Petrópolis-RJ – 2000). - Daí o perigo da manipulação de equipes por pseudo líderes em suas Empresas e corporações, ou de uma sociedade inteira por partidos políticos, transformando a vida de magníficos seres humanos em infernos pessoais sem explicação de uma hora para outra, criando uma legião de covardes, amedrontados, e acorrentados em vagões que os conduzem por trilhos que jamais pensaram percorrer, para destinos incógnitos, quiçá temerosos. Vítimas de suas escolhas, ou de interpretações equivocadas por conta de falsos discursos? Incompetentes para construir o próprio destino, ou impotentes diante da ignomínia generalizada pelo incompreensível faz-de-conta de disfarçadas atitudes a esconder verdadeiras intenções? Ingenuidade, ou subserviência? Condescendência, ou cumplicidade condicionada? Perguntas cujas respostas cada um de nós deve investigar e analisar com o devido cuidado, pois podem provocar enormes mudanças de atitude diante daquilo que parece convencional e aceito como verdade ao longo de anos. 

Como ousadamente declara o psiquiatra e escritor, Irvin D. Yalom, em seu livro ‘A Cura de Schopenhauer(Pág. 197 – Ediouro – Rio de Janeiro – 2006): “A primeira regra para não ser um brinquedo nas mãos de qualquer velhaco, nem ridicularizado por qualquer imbecil, é manter-se reservado e distante”. Nos perdemos de nós mesmos sempre que nos afastamos de nossos mais arraigados princípios. Abandonamos nossa identidade quando deixamos de lado nossos valores e passamos a acreditar em canalhas travestidos de amigos, líderes, sacerdotes, empresários, ou políticos. Citando mais uma vez a obra em questão, vale a pena refletir sobre um trecho do filósofo estoico Epícteto, (citado à pagina 198): “Se você se interessa muito por filosofia, prepare-se para ser motivo de riso e escárnio de todos. Se persistir em seu interesse, saiba que essas mesmas pessoas depois irão admirar você. (...) E que, se por acaso der atenção a fatos externos, para agradar a quem quer se seja, fique certo de que arruinará seu estilo de vida”. Lembrando aqui que o termo “filosofia é uma expressão que vem do grego e significa literalmente ‘amor à sabedoria’; o estudo de tudo que está relacionado à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem”. Não se está falando de divagação insana ou mera abstração desprovida de contato com a realidade. Ela é fruto do encontro do ser humano com o que considera de mais superior, e sua relação com o mundo exterior. 

Uma singela resposta para todas essas indagações, eu encontrei nas palavras do meu inseparável mentor no topo deste texto: "O mundo irá lhe olhar com respeito se você respeitar a si próprio”. Por isso, repito todos os dias para mim mesmo, algo que pode parecer óbvio à primeira vista, mas não é. Carrego comigo essa frase como um budista que repete um mantra sagrado, complementando-a com outro fragmento do Mentor Virtual que ensina: "Se você não acreditar em si mesmo, como esperar que outros o façam?" (‘O Mentor Virtual’ - Pág. 163 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008). 

É imperativo ter consciência de que "A mentira, o fingimento, a hipocrisia e a falsidade não passam de artimanhas daquele que não usa a sabedoria. São perigosos bumerangues que uma vez lançados retornam de forma violenta trazendo vingança, rancor e maldição". (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em gestação). O tempo se encarrega de mostrar os verdadeiros heróis da humanidade e revelar a farsa dos canalhas disfarçados pelo embuste. Por isso, finalizo com mais um fragmento desse meu imprescindível mentor: "Não confie em nada fora de você. Não seja mais um na multidão de insensatos. Não se iluda diante da falsidade, e não venda sua alma por futilidades. A vaidade é a maior de todas as armadilhas". Escolha com sabedoria aqueles que merecem sua companhia, que verdadeiramente adicionarão valor à sua marca, e não apenas você à marca deles. Escolha de maneira sábia, principalmente aqueles a quem pretende seguir como líderes; quer como empresário, político ou sacerdote. Fuja da farsa e do engodo. Suas escolhas definirão seu destino e a sua história. 

 ____________________________ ____________________________ 


*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br