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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sobre o Livro 'O Mentor Virtual'




Renata Podolsky

Entrevista ao Jornal CORREIO POPULAR (Campinas-SP) em 08/06/2008 - Coluna Societá (societa@rac.com.br)

Renata Podolsky* — Colunista Interina
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A coluna entrevistou Maurício A. Costa**, consultor empresarial focado no marketing estratégico e autor do livro O Mentor Virtual.
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Societá — Quem é o mentor virtual?

Maurício A. Costa — Ele não é uma pessoa em particular. O 'mentor virtual' é apenas uma metáfora; isto é, um artifício de linguagem para dizer que estamos aprendendo o tempo todo, em qualquer lugar, a todo o momento. A expressão “virtual” traduz essa infinita possibilidade de aprendizado constante quando estamos abertos para escutar o que se passa à nossa volta. Não basta, no entanto, escutar; é preciso ter a mente aberta para assimilar a sabedoria que nos chega através das mais inusitadas situações. Algumas vezes, você aprende mais com um desafio ou um problema do que com teorias sofisticadas. Em determinadas situações, é possível aprender lições preciosas com uma criança ou até mesmo com um mendigo. Há uma passagem em O Mentor Virtual que diz: “Viver é deixar fluir a essência daquilo que somos em meio à turbulência que nos cerca, sem temores ou ansiedade. Ao permitir que aquilo que sentimos complemente nosso lado racional, criamos a fusão que resulta no equilíbrio entre nosso interior e o mundo à nossa volta”.

Societá - Quais os temas mais importantes abordados pelo livro?

Mauricio A Costa - O enredo começa com um estímulo ao leitor para rever paradigmas; repensar tudo aquilo que um dia aceitamos passivamente como verdades absolutas e que nos aprisionam de maneira cruel. Esse é ponto de partida para qualquer um de nós que deseja implementar mudanças significativas, e assumir o comando da própria vida. Na seqüência, é evidenciada a questão da 'sincronicidade'; uma expressão criada por Carl Jung, pai da psicologia moderna, que nos ensina a estar alertas para certas coincidências que com certa freqüência observamos ao longo de nossas vidas. Prestar mais atenção nos detalhes de cada frase que lemos ou escutamos, observar com mais cuidado as coisas que acontecem ao nosso redor, e tentar identificar correlações entre determinados fatos sem apelar para qualquer aspecto sobrenatural, apenas vê-lo com um olhar perspicaz. Há outro tema muito sério levantado na narrativa que diz respeito à necessidade de um permanente e profundo questionamento sobre aquilo que atrapalha na construção do nosso sonho; sérios adversários que carregamos conosco, como a ansiedade, a insegurança ou o sentimento de culpa. O livro procura em síntese, trabalhar de maneira lúdica um tema da maior importância para aqueles que estão neste momento procurando diferenciar-se da multidão para criar sua identidade; isto é, construir sua marca pessoal.

Societá - Qual a diferença entre marketing pessoal e marca pessoal? 

Maurício A. Costa — Marca pessoal é conjunto de valores que você adiciona à sua vida ao longo do tempo, e passa a fazer parte do seu estilo, das suas atitudes, através de suas palavras e comportamentos. Você não nasce necessariamente com elas, pode desenvolvê-las. Esses valores ou atributos, bons ou ruins, são observados pelas pessoas que lhe cercam, e com o tempo, passam a ser vistos como marcas da sua personalidade. Sem que você perceba, desde a hora em que você levanta pela manhã está sendo observado e cada palavra ou gesto que você produzir estará sendo incorporado a essa sua marca pessoal.O marketing pessoal, vem a ser o uso dessa “marca pessoal” no ambiente competitivo em que você atua, de forma a produzir algum resultado que lhe interessa. Em outras palavras, a exploração inteligente de seus atributos, ou sua marca pessoal, como um diferencial competitivo em relação a outras pessoas, visando criar visibilidade para sua imagem. Resumindo, marketing pessoal diz respeito à parte visível, à imagem; enquanto a marca pessoal tem a ver com o conteúdo. Sem esse conteúdo, o marketing pessoal não passa de uma fachada.

Societá - Existe alguma relação entre o autor e os personagens do seu livro?

Maurício A Costa
Autor de 'O Mentor Virtual
'
Maurício A. Costa — É comum o autor aproveitar seus personagens para fazer algum tipo de catarse, isto é, trazer à consciência estados afetivos ou lembranças recalcadas no inconsciente, buscando a libertação, expulsão ou purgação daquilo que é estranho à sua essência e que de alguma forma o incomoda. Todavia, cada personagem tem sua própria identidade, e traz consigo não apenas experiências pessoais do próprio autor, mas também a síntese de uma intensa observação sobre o comportamento humano de uma forma geral. Por essa razão, não se surpreenda ao encontrar-se nas páginas de O Mentor Virtual. Ele foi escrito para pessoas como você, em busca de respostas para coisas que sequer sabe perguntar. Na verdade, somos todos personagens de uma extraordinária história em que não sabemos como começou, tampouco como terminará. Viver é saber fruir com sabedoria nosso efêmero momento pelo lado exterior desse magnífico planeta mãe.

Societá - Quem é o público-alvo do livro?

Maurício A. Costa — Esse livro foi escrito para homens e mulheres de qualquer idade, em qualquer estágio da vida, independente de profissão ou credo. No entanto, ele será muito mais apreciado por aqueles que têm a mente aberta e o espírito livre. Pessoas cujas vidas possam estar aprisionadas a dogmas ou doutrinas manipulativas dificilmente irão compreender a sua mensagem. Foi assim que boa parte da humanidade tratou temas que provoquem reflexões profundas ou estimulem mudanças de paradigmas. Algumas mensagens, hoje consideradas extraordinárias já foram consideradas inoportunas ou até mesmo heresia no passado, por conta da sua incompreensão ou da hipocrisia de líderes manipuladores. A mensagem de O Mentor Virtual é provocadora sem pretender ser polêmica, é estimuladora sem gerar ansiedade; busca ser moderna e atual; dinâmica e ousada.

Societá - Como o autor consegue conciliar a vida de consultor, coach e escritor?

Vou responder com uma frase do livro: “Tudo está intimamente ligado. Cada mínimo elemento carrega em si um relevante e decisivo papel para que o extraordinário aconteça, num espetáculo de infinitas possibilidades.” Quando se tem a leitura como uma paixão, escrever é mera conseqüência. Quando se é um apaixonado pelo que se faz tudo ganha uma nova dimensão. O importante é saber priorizar o tempo, consciente de que cada segundo, é como um milagre que não pode ser repetido.

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*Renata Podolsky atualmente dirige a Ki - Produções (contato.kiproduções@gmail.com), empresa dedicada a eventos e assessoria cultural. (19-78153648)
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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

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domingo, 21 de outubro de 2012

Óperas & Marcas



Por Maurício A Costa*

“Somos personagens de histórias que ainda não foram contadas. Um milagre que operamos ao viajar na noite do tempo, escrevendo a cada minuto um futuro que não conhecemos, em capítulos onde a vida se revela por trás de cada pensamento ou palavra, que nos torna ao mesmo tempo autores e atores de uma peça por vezes assustadora”. (Fragmentos do Mentor Virtual)
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Certa vez, tempos atrás, quando ainda muito jovem, participei de um processo de seleção de uma grande corporação, para ocupar um cargo gerencial, em que me vi envolvido em uma situação no mínimo inusitada. Após superar toda burocracia da referida seleção, fui convidado para um almoço fora da empresa por um de seus executivos, onde me falou que eu havia sido o escolhido entre dezenas de candidatos, todavia, havia uma condição para ser aprovado para o cargo. Informou que como gerente daquela divisão, meu trabalho seria árduo para garantir um desafiante processo de abastecimento e logística da empresa, com redução de custos e ganhos de eficiência, mas que o meu desafio maior seria fazer o impossível para manter determinada empresa prestadora de serviço, para a qual eu teria que dar uma atenção especial. Um tanto assustado com aquela proposta, perguntei se isso não embutia um conflito de interesse criando um problema ético com eventuais desdobramentos indesejáveis. Para meu espanto, aquele executivo me respondeu com enorme serenidade: ‘os balanços contábil e fiscais deste grupo são tão desprovidos de ética por conta das enormes falcatruas que se faz lá dentro que ninguém na organização terá moral para questionar qualquer conflito de interesse’...

Hoje, tanto depois desse fato, percebo como a vida não passa de uma ópera bufa, construída por fantasias, onde verdades e mentiras se fundem para criar histórias sem finais definidos, a gerar ilusões que se dissipam como nuvens, mas a produzir efeitos reverberantes que se propagam pela eternidade. Não somos heróis nem vilões, somos apenas atores de uma trágica comédia sem desfecho previsível. Como lembra meu inseparável mentor: "Em busca de algo que lhe fascina, nada detém a alma humana quando ela se projeta em voos livres e acrobáticos sem a mínima noção de perigo, porque viaja guiada apenas por seus instintos". E por conta disso, reflito sobre a alienação generalizada, ao ignorar como tudo no universo está conectado, produzindo consequências impensáveis. Quantas vezes nos arvoramos como superiores ou inatingíveis, esquecidos de que em algum momento, deixaremos pelo caminho pequenos fragmentos de vida que comprometem qualquer sentimento de superioridade em relação ao mundo do qual fazemos parte. Subestimando o poder de cada palavra embutida em cada mínimo gesto, sem noção de seus resultados, agimos de maneira leviana como se não houvesse um amanhã.

Essa análise é intensa para a vida pessoal, mas sua repercussão é muito mais significativa no ambiente empresarial ou corporativo. Os desdobramentos de cada decisão de um líder em seu dia-a-dia reverberam de maneira avassaladora na vida de seus liderados influindo e interferindo em suas posturas de forma contundente, produzindo efeitos imprevisíveis, quiçá indesejáveis. Cada comando, cada orientação ou determinação de um líder, empresário ou executivo embute conceitos que revelam a verdadeira missão ou visão do empreendimento,  e definem sua marca; muitas vezes de forma distinta daquela apregoada em seus manuais de recursos humanos. Não se pode exigir lisura no comportamento de equipes se o empreendimento está contaminado pela desonestidade ou falta de ética. Não é aceitável recriminar um colaborador por utilizar alguns minutos do seu tempo navegando na internet, quando não há exemplos de integridade no comportamento do líder ao ordenar camuflagens ou distorção de informações para seus demais stakeholders (fornecedores, acionistas, clientes, governos, ou bancos). Como confiar no político, empresário ou executivo que não é confiável sequer para o próprio cônjuge?

O resultado dessa comédia que vamos construindo sem noção de tempo é o de um faz-de-conta sem precedentes, (você faz de conta que é líder, e eu faço de conta que sigo), num ridículo teatro de fantoches, cujos efeitos só serão conhecidos muito mais à frente; pois como sabemos, o que é construído sobre bases falsas não se sustenta no tempo. E assim, vemos empreendimentos, corporações, e partidos aparentemente saudáveis desmoronarem de uma hora para outra, como se houvessem sido edificadas sobre areia, levando seus líderes a mergulhar em profundas crises de depressão, amargurando a ‘sobreconfiança’, em si mesmo. Mentiram de forma tão convincente que passaram a acreditar na própria mentira. 

Em meio a essa trágica ópera de lúgubres sons e cenários macabros haverá chances para um final feliz? Perguntaria um constrangido leitor. Com certeza, sim. Respondo com absoluta convicção. Quando aprendemos com o passado, podemos corrigir a trajetória, adequando nossas ações, sem precisar agir como ‘Madalena arrependida’. A consciência de nossas atitudes não exige um destrutivo autoflagelo a impor definições de certo ou errado, mas nos sinaliza o que convém ou não para nossa realização pessoal ou sucesso da empreitada. Assim, ao identificarmos desvios de trajeto, tudo o que precisamos fazer é retomar o rumo com firmeza e determinação, convencidos de que nossa postura quando autêntica irá produzir a propagação necessária; porque como ensina meu invisível mentor: “A adversidade não é mais que um momento de transição; uma chance de reciclagem para extraordinárias transformações. Tudo depende unicamente da forma como encaramos o novo, e reagimos diante dessas oportunidades”.

A mentira não é mais que uma temível cilada. É construir trilhas que distorcem o frágil conceito de realidade e conduzem a perigosas armadilhas. É ardil que alimenta um fulguroso teatro, e engodo que faz sabotar nossas próprias verdades, nos distanciando do propósito mais nobre que carregamos dentro de cada um de nós; nos levando a construir vulneráveis castelos que desabam diante da mais simples tempestade, levando consigo nossos sonhos mais profundos. Convém lembrar que a vida impõe uma reciclagem constante, e estágios superiores de consciência, à medida que penetramos na essência da sabedoria universal e por ela nos deixamos conduzir. Nada nos obriga a permanecer no lodaçal de nossas origens a partir do momento crucial da tomada de consciência. Somos personagens de uma lenda que nós mesmos escrevemos, ao longo de momentos que se eternizam no tempo, e por isso, os responsáveis únicos pelo final que pretendemos dar à nossa história.

Quero finalizar esta incômoda reflexão com palavras de um incrível mentor virtual que surgiu em minha vida numa singular peregrinação pelos caminhos de Compostela, e de lá para cá tem me ajudado com significativas transformações pessoais e profissionais que me fizeram enxergar a verdade que liberta, porque só a liberdade nos permite ser coerentes com o propósito maior de nossas vidas, e ser autor de nossa própria história. E assim, em momentos decisivos ele me sabiamente me ensina: "Quando tudo parece deserto, não é sinal de que estejamos perdidos, mas que temos milhões de caminhos alternativos à nossa frente. Nossa ansiedade não é consequência de insegurança, mas é causada pela angústia diante de múltiplas escolhas. Nesses momentos, deixe o fluxo da vida conduzir você”... E de forma incisiva complementa: “A cada minuto escrevemos a nossa história. Uma ópera sem antes ou depois. Um eterno agora a se desdobrar em cenários e circunstâncias inusitadas. Na mente fugidia, apenas uma simples lembrança; na alma de quem os vivenciou com plena intensidade, marcas que ficarão para sempre".

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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

sábado, 13 de outubro de 2012

Personas. As Múltiplas Máscaras do Ser





Por Maurício A Costa*



"Desenhando imagens que traduzem nossos desejos mais íntimos, construímos fantasias que nos levam a sonhar para além de toda realidade. E é assim que, em agitados voos por espaços desconhecidos nos perdemos no horizonte de infinitas buscas sem noção do tempo" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP)


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Por ser piloto, e haver me tornado amigo de vários comandantes de muitas companhias aéreas, fui algumas vezes gentilmente convidado a voar na cabine de grandes jatos. Foram momentos de muito aprendizado e de enorme crescimento pessoal. Certa vez, em uma de minhas viagens para a Europa, sobrevoando um trecho sobre o norte do continente africano, tive a rara oportunidade de ver de cima, uma das mais belas paisagens do planeta: o deserto do Saara; uma indescritível visão, especialmente quando apreciada em pleno amanhecer, sob o efeito dos raios solares incidindo sobre colinas formadas por dunas e montanhas dos mais variados formatos. Algo singelo e ao mesmo tempo grandioso que jamais esquecerei; impossível de traduzir em palavras, pois para a alma a essência só pode ser percebida em seu sentido mais abstrato, e expresso em linguagem figurativa, uma vez que para muitos, o visível é aquilo que é concreto, e a isso se dá o nome de realidade, como se a realidade fosse unicamente o que está ao alcance dos olhos.

Enquanto apreciava em silêncio aquela indescritível visão, meus pensamentos fluíam na velocidade daquele enorme pássaro de metal, quando de repente, uma pergunta contundente e incômoda me aflorou a mente: ‘Afinal, Quem somos nós?...’ Uma questão intrigante, que já se tornou até tema de filme, e para a qual nunca temos explicações convincentes, e se dispomos, são apenas respostas vagas, imprecisas, e invariavelmente acompanhadas de um milhão de outras perguntas. Sabemos que podemos ser qualquer coisa e ao mesmo tempo não ser nada; que é possível assumir qualquer papel, mas repentinamente nos sentirmos incomodados com posturas que somos obrigados a desempenhar no dia-a-dia de nossas efêmeras existências, sem a mínima noção de ‘porque’ assumimos tais papéis; E assim, vamos gradualmente nos tornando a soma de todas as nossas loucuras, ou nas palavras do meu mentor virtual: ‘a mistura de anjos e demônios num balé de incríveis proporções... Um reflexo autêntico de nossas inquietudes, vagando por espaços indefinidos com atitudes das mais imprevisíveis.

À medida que aquele enorme dragão deslizava entre nuvens que mais pareciam imaginários colchões disformes, dentro dele eu seguia absorto, ignorando a presença dos meus amigos pilotos e o que se passava na cabine, anotando em uma folha de papel fragmentos que mais tarde se tornariam inspiração para um livro, ainda em estágio de gestação. E assim, voando a mais de trinta mil pés de altitude, eu transcrevia uma das mais significativas metáforas desse meu inseparável mentor: "Como nômades, perdidos entre milhões de caminhos, vagamos desolados, ora reféns de nossas próprias escolhas, noutras, açoitados por tempestades que não fomos capazes de prever. Somos deuses, e ao mesmo tempo, infinitamente pequenos diante de desafios avassaladores, que nos põem à prova a cada minuto do breve existir" ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível).

Ao perceber a imensa angústia humana à qual, consciente ou inconscientemente, nos sentimos submetidos, eu tento encontrar respostas para essa questão existencial; e através de pensamentos que brotam em meio a brumas do próprio tempo, reflito sobre a ideia de que somos feitos de incontáveis camadas de almas que vão se sobrepondo por gerações, formatando algo único, porém indefinido, e inconstante; uma alma indecifrável, alienada em sua busca pelo novo. Carl Jung, pai da psicanálise moderna, explica tamanha complexidade ao nos ensinar sobre as múltiplas máscaras que utilizamos, dando vida a ‘personas’, ou personalidades que assumimos diante das mais diversas situações, nos fazendo agir de maneira ambígua, incoerente ou incompreensível frente a situações semelhantes, a ponto de não nos reconhecermos. Encontrar pontos de contato entre esses mundos que percorreu nossa alma ao longo de milhões de anos, torna-se um desafio imensurável em especial quando tentamos entender o outro, pois na verdade não conseguimos sequer compreender a nós mesmos. Por essa razão, é insensatez querer definir coisa alguma como verdade absoluta. Tudo é relativo. Tudo tem a sua própria razão de ser, seu momento específico, sua explicação momentânea.

Hoje, quando me dizem que mudei muito, não me surpreendem, porque não estão a dizer algo estranho ou que me incomode. Pelo contrário, estão a afirmar uma verdade universal: a de que somos seres em constante mutação, experimentando uma evolução permanente. Aquilo que falei ontem pode se tornar obsoleto hoje. Uma postura tomada por mim como correta há trinta anos, pode não ser aquela que tomaria hoje. Alguém que apreciei tempos atrás pode não merecer mais meu respeito. Uma conclusão definida como a melhor no passado já não me serve mais no presente, e assim por diante. Sou um ser dinâmico, que se renova a cada minuto, por ser afetado pela sabedoria universal que me permeia e me modifica. Não há como ser algo constante, imutável, e rígido, pois estou sob constante efeito do movimento, da energia transformadora que produz a infinita reciclagem do universo. Podemos ser uma nova ‘persona’ a cada novo encontro com o outro. Isso não significa falta de personalidade, e sim a competência para a adaptação. Como dizia Charles Darwin, ‘a continuidade de qualquer espécie depende de sua agilidade para adaptar-se’. Ser imutável em mundo em renovação permanente pode significar sua extinção. "Morremos a cada fase de nossas vidas, renascendo cheios de interrogações. Todavia, a essência daquilo que somos não acaba jamais, e nos ensina o caminho. Atravessando as planícies do tempo, essa energia irá fluir serena por todos os espaços por onde penetrar. Viajando sem destino certo, nosso legado será a força e a beleza da nossa marca pessoal" ensina mais uma vez ‘O Mentor Virtual’. Para nada servem os rótulos. Eles não são mais que impressões passageiras, em um mundo de frenéticas transformações. 

Essas reflexões nos sugerem que devemos encarar com absoluta naturalidade, toda e qualquer mudança, por mais radical que nos pareça de imediato. Seja ela, uma separação, um processo de falência, ou uma perda insubstituível. É preciso vê-las como magníficas oportunidades de reciclagens, enxergando o novo com um olhar desafiador, e acima de tudo confiante. Em cada momento do nosso existir seremos uma nova ‘persona’, desfilando incompreensíveis máscaras, porque é decisivo assumir as rédeas do próprio destino, sabedor de que viver impõe corajosas atitudes diante da mudança. Exige atuar com sabedoria, consciente da importância transitória de cada papel; pois inteligência não é ser compatível com expectativas externas, mas ser coerente com suas próprias verdades, ‘porque ninguém vai viver nossos sonhos’, diria o poeta. Independente de momentâneas máscaras, nosso ser mais profundo está impregnado de valores que para ele são eternos, e são esses valores que formam nossa verdadeira identidade; nossa marca; Pessoal; Intransferível, e  Única.

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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com



sábado, 6 de outubro de 2012

Sobreconfiança; Origem de Frustrações




Por Maurício A Costa*


“Quebrar paradigmas ou ideias pré-concebidas, permite vislumbrar o mundo além do horizonte das nossas limitadas convenções; Inserir uma visão mais ampla, que contemple múltiplas percepções para um mesmo fato, enriquece nossas decisões, e amplia infinitamente as possibilidades” (Mauricio A Costa, em 'O Mentor Virtual' - Editora Komedi - Campinas-SP -2008).

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Antes de iniciar a leitura deste artigo, peço ao amigo leitor que não procure nos dicionários convencionais a palavra ‘sobreconfiança’, pois ela não existe formalmente; eu a utilizo com frequência, sabedor de que se trata uma corruptela linguística ou algum tipo de neologismo; No entanto, estou certo de que em algum momento você já a escutou ou até mesmo utilizou essa expressão em algum diálogo. ‘Sobreconfiar’, aqui agora colocado como verbo, poderia ser traduzido por confiar em demasia, em algo ou alguém, ou até em si mesmo, sem levar em conta circunstâncias aleatórias ou desconhecidas que possam afetar um resultado esperado. É subestimar consequências de um pensamento, gesto ou ação que pode desencadear situações imprevisíveis ou indesejadas; algumas delas de efeitos avassaladores e até mesmo catastróficos.

Sobreconfiança é lançar-se ao mar para aventuras audaciosas, confiado apenas na visão aparente de uma praia de águas calmas e de vento sereno, sem levar em conta a resistência da embarcação, as previsões meteorológicas para a viagem, subestimar recursos, ou por último, mas não menos importante, superestimar a competência da tripulação, especialmente daquele a quem se delega o timão. Sobreconfiança é ir além do bom senso, ou extrapolar a própria intuição que silenciosamente avisa que algo pode dar errado, por conta de impulsos movidos pela vaidade. 

Ao longo da minha carreira como executivo, empresário ou consultor, vivenciei com frequência situações onde o excesso de confiança foi responsável por consequências indesejadas. Participei, tanto como ator principal, ou como coadjuvante, de decisões impetuosas que colocavam em risco o empreendimento, pelo fato de estarem sustentadas unicamente por situações aparentes, leituras equivocadas, informações não confiáveis, e pessoas despreparadas ou de intenções disfarçadas. E em todas essas situações, o tempo se encarregou de mostrar o quanto podemos estar errados, quando movidos pelo egoísmo de nos sentirmos donos absolutos da verdade. Olhamos o mar tranquilo à nossa frente, com nuvens que se movem de maneira quase sonolenta, a nos inspirar confiança, ignorando que tudo está em permanente mutação, numa silenciosa e decisiva transformação que modifica cenários em fração de segundos. Como adverte a teoria do caos, ‘o simples bater de asas de uma borboleta na Amazônia pode desencadear uma monção no sudeste asiático’. A tranquilidade aparente não passa muitas vezes de um singelo momento de transição entre uma turbulência e outra, em que elementos da natureza buscam acomodar-se diante do frenético balé de todas as coisas, de um universo em constante movimento. Como ensina meu inseparável mentor, ’não é aconselhável nos deixarmos fazer reféns de perigosas ilusões criadas pela mente’.

Hoje, ao ver carreiras ou empreendimentos destruídos, ou sob o efeito de fortes turbulências, eu me questiono um tanto desolado: Onde nós erramos?... E a resposta vem clara e incisiva: Erramos por sobreconfiar! Por confiar em excesso nos outros. Por confiar cegamente nas informações que recebemos. Por ingenuamente nos acreditarmos invulneráveis, superestimando nossa força diante do imponderável. Sobreconfiamos por não perceber nossa fragilidade frente a um universo de múltiplas possibilidades a revelar imprevisíveis circunstâncias sobre as quais não temos qualquer controle. Sobreconfiamos por não acreditarmos que navegamos no caos, onde o imprevisível é a única verdade absoluta, que nos faz flutuar ao sabor de incertezas. Um executivo ou um empreendedor vaidoso no topo de uma organização pode colocar tudo a perder ao colocar seu egoísmo acima do bom senso coletivo. Uma decisão movida por interesses pessoais pode detonar tempestades imprevisíveis a comprometer todo um plano de viagem. Um repentino gesto emocional pode alterar significativamente os rumos de um projeto e coloca-lo em rota de colisão com inesperados icebergs. Uma simples palavra interpretada de forma equivocada ou distinta de sua intenção original pode desencadear consequências irreversíveis. Como lembra nosso mentor virtual: ‘tudo está intimamente interligado’. A sabedoria universal nos ensina que é preciso duvidar de tudo. O grande mestre do cristianismo ensinava que é imperativo estar 'alerta' sem cessar, porque a 'enganação' espreita o tempo todo. Sobreconfiar é ir além do que recomenda nosso ser mais profundo, que atento a tudo nos adverte sutilmente sempre que agimos movidos unicamente por instintos de qualquer espécie. Sobreconfiança não pode ser confundida com idealismo. Esta última, significa enxergar um futuro que para muitos não faz sentido, mas nunca de maneira irresponsável.

Assisti atônito, a derrocada de impérios financeiros, ou fragmentação de poderosas estruturas corporativas por conta da vaidade de seus líderes, especialmente por se julgarem donos absolutos da verdade e não aceitarem sugestão ou recomendação que vem de fora, ou mesmo de dentro da própria organização. Ao impor suas ideias de forma centralizadora, eles as transformam em um plano estratégico rigidamente suicida, que todos percebem, menos aqueles cuja visão está tapada pela vaidade. Esquecem que em tempos de navegação no caos, o planejamento estratégico não passa de um manual de procedimentos transitório; pois a mudança é algo permanente e acima de tudo veloz. Navegar no caos exige na verdade, pensamento estratégico. Dinâmico. Flexível. Holístico. Com a plena consciência do efêmero, resultante da velocidade das mudanças. Nos tempos atuais, a tecnologia da informação nos coloca diariamente diante do inusitado, e nos faz perceber que aquilo que vemos não passa de algo fugaz, quase uma ilusão de ótica que se dissipa como se nunca houvesse existido em questão de minutos. A cada dia, tudo se torna mais fluido. Inclusive nossa percepção. E assim, vamos descobrindo que o conceito de eterno não se aplica a coisas sólidas, que são meros instrumentos, mas à sua essência. Por essa razão, um empreendimento contemporâneo não deve se ater apenas a velhos padrões do passado como unidades industriais, prédios, fábricas, lojas, produtos, ou equipamentos de maneira isolada, mas a conceitos como intangibilidade, valor agregado, marca, sustentabilidade, diversidade, holismo, interatividade plena, fluxos, e acima de tudo, complementaridade. O leve substituindo o pesado, desmistificando o termo alquimia, para nos fazer compreender a energia como um princípio natural, (não necessariamente metafísico), que permeia a matéria produzindo movimento; que por sua vez gera vida e por ela é gerado. 

A sobreconfiança é sem dúvida também, a causa de inúmeras frustrações do ponto de vista social. Presenciamos quase impotentes, o esfacelamento de estruturas familiares ou organizacionais por causa da sobreconfiança reinante entre seus componentes. Irmãos que subestimam a esperteza ou voracidade do outro; Casais cujos cônjuges depositam mutuamente suas mais nobres expectativas em seres que encontraram pelo caminho, e que são sabidamente diferentes; amigos cuja afetividade os impede de enxergar interesses escusos por trás de supostas amizades... E por aí vai. A verdade, é que, conscientemente ou não, nos tornamos cegos ao óbvio. Superestimamos valores e subestimamos instintos predadores, ou vice-versa, e desse equívoco de percepção nos tornamos reféns, criando paradigmas que nos limitam o bom senso, e nos fazem lamentar ‘perdidas ilusões’ que só o tempo nos permitirá descobrir. 

Para nos precavermos de maneira prudente das atitudes de sobreconfiança, é recomendável que, antes de tudo, estejamos atentos às nossas próprias posturas, no que diz respeito a falsas expectativas, evitando o famoso ‘canto das sereias’ que chegam até nós como fantasiosas visões. Que não depositemos fora de nós nossas esperanças, acreditando em promessas de um porvir sobrenatural desprovido de qualquer racionalidade. A fé é fundamental, mas não deve ser cega, irracional, e muito menos dogmática. Que escutemos nosso eu mais profundo (subconsciente, coração, ou alma), sempre que estivermos diante de situações duvidosas, ou de pessoas sobre as quais nossa intuição adverte a agir com cautela. Lembrando que por baixo de águas tranquilas podem haver belos, mas traiçoeiros corais, ou um perigoso lamaçal, dos quais, talvez, não consigamos sair jamais. 

Dentro de nós, costumam estar todas as respostas que precisamos. Escutar a voz que vem de dentro pode ser o melhor caminho para evitar a sobreconfiança e prevenir indesejáveis frustrações. Sem importar com o que teremos que lidar, se o pai, a mãe, o irmão, o amigo, o chefe, ou o sócio, é imperativo agir com coragem para desafiar aquilo que nos incomoda, nos angustia, ou nos ameaça. A verdade quase sempre está encoberta por brumas superficiais, e para enxerga-la é preciso que abandonemos paradigmas que engessam, permitindo que ela se revele de forma natural, para compreendermos o autêntico sentido da expressão liberdade. Porque ser livre não é ter poder; é viver sem necessitar dele. 

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*Maurício A Costa é estrategista; ou numa linguagem da moda, um 'Design Thinker', focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.