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sábado, 25 de agosto de 2012

A Imprevisibilidade das Circunstâncias




Por Maurício A Costa*

Lago Di Garda - Itália
"A cada dia escrevemos um pouco da nossa história. Cada dia uma nova página. E assim, a magia da vida vai surgindo pela janela que se abre ao desconhecido a produzir inesquecíveis emoções de uma incrível viagem repleta de encantamento". ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP). 

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Era uma manhã cinzenta de outono de um ano qualquer, quando desembarquei em Milão, depois de um longo, mas tranquilo voo, cruzando o Atlântico. Havia chegado à Itália no final de semana, pensando em aproveitar o tempo para relaxar um pouco antes das desgastantes reuniões de negócios que teria pela frente ao longo da semana, e por isso, decidi viajar até Peschiera, uma pequena comunidade às margens do Lago di Garda, um lugar de inesquecível beleza.

Milano Centrale
Foto de Leonora Fink 
Deixei minha bagagem no hotel, e após um reconfortante banho, sem muita perda de tempo, me dirigi até a Milano Centrale, onde comprei um bilhete de trem para o destino pretendido. Em seguida, olhei rapidamente no painel da grande estação e vi que meu comboio partiria da plataforma número dois, dentro de uma hora. Procurei um local tranquilo para sentar-me enquanto aguardava meu horário e mergulhei absorto na leitura de um livro que trazia comigo. Passado algum tempo, olhei no relógio e verifiquei que já estava na hora do embarque. Sem observar novamente o grande painel, segui diretamente para a plataforma número dois, e entrei em um dos vagões do trem estacionado naquele ‘binário’. Acomodei-me tranquilamente na poltrona indicada no bilhete e como estava cansado por conta da viagem internacional, adormeci rapidamente, antes mesmo que o trem partisse. Alguns minutos mais tarde, fui despertado pelo fiscal que me pedia o ‘biglietto’ para perfurar. Ao entregar-lhe o bilhete, ele gentilmente me chamou a atenção dizendo que eu estava no trem errado, pois aquele comboio viajava na direção de Bologna e não de Peschiera como eu desejava. Àquela altura, como não havia muito o que fazer, paguei uma pequena diferença de preço e decidi seguir para Bologna. Como não conhecia aquela cidade italiana, faria um improvisado turismo cultural.

 Bologna
Ao chegar a Bologna, percebi um grande outdoor na estação, que informava estar acontecendo naquela cidade uma Feira Internacional da Indústria de Calçados e de imediato, não tive dúvidas em visita-la; assim, de um momento para o outro, me vi trocando momentos que seriam de agradável ‘descontração’ por um final de semana com personagens do mundo dos negócios. Algum tempo depois, sem que eu houvesse previsto, viria a ser convidado para atuar como Diretor de um dos maiores grupos calçadistas do Brasil, e aquela passagem por Bologna havia sido decisivo para essa mudança, sem que na época eu tivesse a mínima ideia desse evento futuro.

Hoje, quando me flagro preocupado com o futuro, tento me lembrar de eventos como esse que acabo de narrar. Eles me fazem pensar a maior de todas as verdades que aprendi: que o futuro, por mais que façamos para imaginá-lo, será sempre algo incerto; imprevisível. Portanto, não devemos nos massacrar com ansiedades. Como ensina meu inseparável mentor virtual: “Somos difusos, ambíguos e frequentemente incoerentes. Sem limites precisos e divididos entre dúvidas e incertezas, buscamos caminhos que nem sempre sabemos definir. Numa angustiosa jornada, orientados por mapas que outros desenharam, seguimos apenas com a bússola da intuição, na esperança de que o universo nos indique a melhor direção”.  (‘Fragmentos do Mentor Virtual' – Campinas-SP). 

Nos últimos tempos tenho vivido momentos de enormes frustrações e decepções, com pessoas sobre as quais criei de maneira equivocada algumas expectativas, e isso tem me levado a importantes reflexões, e são essas reflexões que estimulam na maioria das vezes meu potencial criativo, a partir de análises sobre o comportamento humano. Certa vez, questionado em uma palestra sobre a fonte de inspiração para as metáforas que escrevo diariamente, respondi sem pestanejar: Inspiro-me em minha própria história de vida. Ela é rica em acontecimentos que produzem aprendizado. E neste sentido, não sou diferente de quem quer que seja. Temos todos nós, histórias semelhantes, numa peça onde mudam apenas os atores e os cenários, mas o enredo será quase sempre semelhante. Por essa razão, as metáforas inspiradas na própria vida tendem a se tornar uma espécie de verdade universal. Quando as lemos, pensamos de imediato que elas foram escritas para nós, ou para aquele momento que vivemos. Cada ser humano que passa pela nossa vida é uma magnífica fonte de inspiração para quem se propõe a observá-lo ou compreende-lo. Basta que se abandone a postura egocêntrica e narcisista que nos deixa alheios ao mundo à nossa volta, para que percebamos a importância do outro como decisivo elemento na formação do nosso destino. Ignorar isso é assumir uma postura de avestruz, de alheamento em relação ao ambiente que se modifica a cada instante.

Muitos de nós, de uma forma ou de outra, não nos damos conta de que cada gesto, cada palavra, ou cada reação, pode desencadear milhões de alternativas, em um universo de possibilidades que desconhecemos. Além disso, como na história que citei no início deste artigo, atuamos em ambientes caóticos, cercados de variáveis desconhecidas, gerando circunstâncias imprevisíveis, e essas circunstâncias podem alterar significativamente nossos humores, nossos pensamentos, e nossas decisões, fazendo com que, em questões de minutos, mudemos para sempre nossos caminhos, e a sequência de nossa história. Por essa razão, não temos motivo para questionamentos inúteis em relação ao presente, se fomos incoerentes, irresponsáveis, ou alienados no passado, sem a devida noção de consequência daquilo que estivemos esparramando. Afinal, a sabedoria nos ensina que, aquilo que semeamos, é o que colheremos. Podemos, no entanto, a partir de reflexões conscientes, efetuar eventuais correções de rumo que o tempo ainda nos permita fazer, e quem sabe, redefinir trajetórias. Sem choramingos, ou murmurações que visam apenas traduzir inúteis arrependimentos, mas com ações concretas que reflitam um querer determinado de mudanças necessárias.

Quando acertamos em cheio, costumamos chamar para nós mesmos toda glória do sucesso, ignorando a participação de muitos à nossa volta que de alguma forma contribuíram para tal; entretanto, temos a tendência de culpar o outro sempre que encaramos um fracasso. Nessas situações, nosso dedo indicador irá quase sempre na direção de algo fora de nós. Uma maneira irracional de não querer reconhecer nossas falhas ou omissões, ou numa visão mais espiritualizada, a falta de humildade para compreender a própria pequenez ou limitações. E essa postura arrogante invariavelmente nos cega ao óbvio, nos tapando os olhos diante da oportunidade de reconhecer a importância da participação de nossas atitudes em cada singular escolha, a definir nosso destino ao longo da caminhada.

Minha marca pessoal resulta da consciência das minhas posturas, e estar atento a mim mesmo implica antes de tudo, vigiar cada pensamento, com a exata noção de seus desdobramentos. Sou aquilo que penso e meu futuro resultará em boa parte daquilo que decido ser. Está em minhas mãos, portanto, a capacidade de interferir no roteiro da minha própria história. Citando mais uma vez o mentor que carrego comigo: "Feliz o ser humano que demonstra humildade ao lidar com o sucesso e paciência para aprender com o fracasso. É decisivo manter a energia que alimenta o sonho, e a coragem para encarar frequentes recomeços. Tudo no universo é cíclico, e viver implica numa grande dose de fé e ousadia". (‘Fragmentos do Mentor Virtual’ – Campinas-SP). 
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista. Foi Executivo/Diretor de empresas como o Grupo Gerdau, a Kimberly Clark, o Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). 
Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de resultados (receitas e rentabilidade).
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.
É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com