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sábado, 21 de julho de 2012

Tolerância. A Postura do Sábio






Por Maurício A Costa*


“O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo. Há um chegar e partir em cada estação; mas a beleza no decorrer da viagem somos nós que definimos. Aquilo que eu decidir ver como belo, ainda que à revelia do mundo, assim o será.” ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP).
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Certa vez, ainda nos dias de minha adolescência, ao demonstrar uma atitude um tanto radical com determinada pessoa, escutei do pai de um dos meus melhores amigos, homem de grande simplicidade e sabedoria, uma frase que me marcaria para sempre: “Filho, não se inquiete dessa maneira tentando corrigir o mundo à sua volta. Aceite as pessoas como elas são e você será mais feliz. Quando você pensa ou age de maneira intransigente em relação aos outros está bloqueando sua mente para o novo, que lhe permite ver o mundo de uma forma diferente. Além do mais, ao adotar posturas intolerantes você estará criando energias negativas que lhe consomem, e podem causar graves doenças”.

Até hoje, tanto tempo depois daquela inesquecível lição de vida, ainda o escuto falar ao meu ouvido cada vez que me flagro numa atitude intransigente com relação às pessoas à minha volta, e faço de suas palavras um verdadeiro mantra, que precisa ser repetido a todo momento, pois frequentemente nos vemos diante de situações que nos desafiam a paciência, a tolerância e a humildade. Queremos na maioria das vezes pensar pelo outro, e induzi-lo de todas as formas possíveis, até à exaustão, a aceitar nosso ponto de vista, como se fossemos donos absolutos da verdade; ignorando que cada uma de nossas almas fez a sua ‘viagem’ através de infinitas gerações, de maneira única, trazendo informações totalmente diferentes daquelas que o outro carrega. Como seria possível, portanto, pretender que outro ser humano possa assimilar nossa forma de pensar em relação a algo, se nem mesmo nós, nos sentimos seguros com determinados pensamentos, conceitos ou definições? Quantas vezes vivenciamos desgastantes conflitos pessoais, ou nos pegamos em comportamentos incoerentes com nosso discurso?

Identificar o inimigo íntimo chamado egoísmo é, sem dúvida alguma, um desafio constante, que precisamos enfrentar o tempo todo, pois na maioria das vezes, nossa intolerância nasce dessa vaidade pessoal, por nos ‘acharmos’ donos da verdade; e essa falta de humildade nos torna cegos, até mesmo diante do óbvio. Agindo de maneira arrogante frente a qualquer ideia que se apresente diferente do nosso pensar, tendemos a reagir de maneira autoritária sempre que somos contrariados. E é essa postura intolerante que torna a vida desgastante. Quiçá, por produzir uma avalanche de ‘radicais livres’ em nosso organismo, que como ferrugem, consome nossa energia vital, e consequentemente nos faz vulneráveis a enfermidades que vão da gastrite, à bronquite, da pneumonia ao câncer. Tornamo-nos irritadiços quando minimamente contrariados e esse comportamento precipita inimizades e até separações conjugais.

Muitos não percebem também que podem destruir suas carreiras profissionais ou empresariais por ignorar a ação desse poderoso inimigo íntimo a corroer-lhes o bom humor, a paciência e a capacidade de compreensão. Devido a isso, tornam-se seres insuportáveis, indesejáveis ou antipatizados. Passam a ser evitados, consequentemente solitários; e assim, gradualmente sem forças para modificar tais posturas, vão aprisionando suas almas em gaiolas construídas de maneira inconsciente. Irracionalmente, jogam fora enormes oportunidades e morrem lentamente, asfixiados dentro de suas próprias conchas.

A intolerância costuma produzir falsos líderes políticos ou religiosos, que inevitavelmente estimulam posturas dogmáticas e radicais, a desencadear sangrentas e desnecessárias batalhas ideológicas, por conta do fanatismo gerado a partir da intransigência de doutrinas, propagadas como verdade única. E é nesse ambiente, que a intolerância encontra terreno fértil para disseminar-se e tornar-se fonte de conflitos de toda ordem. Famílias se desorganizam, amigos se estranham, organizações se esfacelam, países se desintegram devido a posturas prepotentes de seus líderes; que ainda por cima, se sentem como deuses, inatacáveis, invioláveis, inatingíveis; fazendo-nos assistir atônitos, uma degradação sem limites dos valores humanos ultrajados pela submissão, o medo e a manipulação.

Por ser uma atitude mental caracterizada pela falta de respeito ao próximo, a intolerância demonstra falta de habilidade para a convivência social e revela certo tipo de preconceito. Pensando dessa forma, poderia até ser tratada como uma transgressão, imputável, portanto, de penalidade por dolo ou culpa, como um delito, por violar direitos coletivos ou individuais. Exagero? Não. A maior parte dos conflitos da humanidade tem origem na intransigência, e é a causa de angústia para muitos. A intolerância é a postura às vezes disfarçada, dos países dominados por partidos políticos radicais e das religiões fundamentalistas. O 'bullying', a homofobia, o feminismo, o racismo, são exemplos claros do preconceito social resultante da intolerância.

A construção de uma marca pessoal forte passa necessariamente por uma profunda reflexão deste tema. É decisiva uma constante tomada de consciência de nossas atitudes em relação ao outro, especialmente quando passamos a enxerga-lo como uma extensão de nós mesmos. A consciência dessa complementaridade revela a importância da diversidade no universo e nos coloca frente a frente com a complexidade dos relacionamentos, que resulta da individualidade. Subestimar a informação, a ideia, ou o conhecimento que vem através do ‘outro’ é no mínimo uma falta de bom senso. Afinal, se no todo está contida a sabedoria do universo, é sábio escutar, duvidar, e analisar.  

"A maior desarmonia entre seres humanos não tem origem na diferença de cor, sexo, padrão social ou nível de inteligência. Ela é gerada pelo bloqueio mental causado por crenças, dogmas e doutrinas. Não há nada de sobrenatural no universo. Livre-se desses paradigmas. A força e magia da vida estão dentro de você." ('O Mentor Virtual II - Elo Invisível - Campinas-SP).
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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


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sábado, 14 de julho de 2012

Moinhos de Vento





Por Maurício A Costa*

“Se nossa vida fosse dominada por uma busca da felicidade, talvez poucas atividades fossem tão reveladoras da dinâmica dessa demanda – em todo o seu ardor e seus paradoxos – como nossas viagens. Elas expressam – por mais que não falem – uma compreensão de como poderia ser a vida, fora das restrições do trabalho e da luta pela sobrevivência. No entanto, é raro que se considere que apresentem problemas filosóficos – ou seja, questões que exijam reflexão além do nível prático”. (Alain de Botton, em ‘A Arte de Viajar’ – Editora Rocco – Rio de Janeiro).

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Uma fascinante leitura, capaz de produzir as mais variadas reações é sem dúvida, ‘O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha’, escrito por Miguel de Cervantes Saavedra, no século XVI, e publicado pela primeira vez em Madrid, no ano de 1605. Uma experiência inesquecível para aqueles que se realizam em ‘viajar’ através dos olhos de mentes iluminadas. E é desse livro que trago a inspiração para escrever este artigo, reproduzindo uma citação bem ao estilo do autor sobre o seu personagem: “Com efeito, foi ficando tão obcecado com essa leitura, que a ler passava as noites de claro em claro e os dias de turvo em turvo. E assim, o pouco dormir e o muito ler se lhe secaram de tal maneira o cérebro, que acabou por perder o juízo. Sua imaginação encheu-se até a borda com tudo aquilo que lia nos livros, tanto de feitiçarias, como de contendas, batalhas, desafios, ferimentos, requebros, amores, tormentas e disparates impossíveis; e de tal modo se lhe afigurou verdadeira toda a trama das sonhadas invenções que lia, que para ele não poderia haver no mundo histórias mais reais... Por fim, perdido o resto do juízo que ainda conservava, ocorreu-lhe o mais estranho pensamento que jamais passara pela cabeça de outro louco neste mundo: pareceu-lhe conveniente e necessário, tanto para o engrandecimento de sua honra como para o proveito da república, fazer-se cavaleiro andante, e sair pelo mundo com armas e cavalo, em busca de aventuras, e a exercitar-se em tudo o que havia lido acerca das práticas dos cavaleiros andantes, desfazendo todo gênero de agravos, enfrentando agruras e perigos, a fim de que, vencendo, pudesse granjear fama e nome eternos... E assim, com esses tão agradáveis pensamentos, impelido pelo estranho gosto que neles sentia, deu-se pressa em concretizar seu intento”.

Ao longo dos anos, Dom Quixote tem sido usado como referência para os mais diversos estilos do comportamento humano. Em certas ocasiões, ele é um tolo sonhador, em outras, um idealista que se entrega à busca obcecada daquilo que acredita; há momentos em que é visto como alguém movido por valores que lhe são caros, e outros em que sua visão não é mais que um punhado de loucura, motivada pela utopia das tantas histórias que leu. É essa aparente insanidade, que faz desse personagem a mais humana de todas as criaturas. Um retrato fiel de um ser com todas as idiossincrasias, de seus comportamentos peculiares, movido pela força da alma que carrega dentro de si, e da qual jamais poderá fugir. Um autêntico cavaleiro andante, perdido entre ilusões construídas ao longo de milhões de anos através de gerações, presentes em cada mínima célula a formar seu corpo. Mais que um cavaleiro andante, eu diria, um cavaleiro errante; porque em meio à ilusão, criada pela multiplicidade de eventos não previstos, e reações das mais imprevisíveis, quase não há chances de acertos, porque a mudança é a única constante, em um ambiente que se transforma a cada minuto. Vida e morte numa sequência ininterrupta, a produzir cenários inusitados, diante dos quais, haverá sempre uma nova maneira de abordagem e de interpretação.

Vivemos cercados das mais excêntricas criaturas; muitas delas, amedrontadas e inseguras em relação ao futuro. Outras, insatisfeitas ou decepcionadas com aquilo que realizaram, tornam-se amargas, e às vezes ferozes. Constrangidos, assistimos os mais vergonhosos dramas familiares e empresariais a revelar a verdadeira personalidade de seus personagens, em que o dinheiro e o poder estão acima de qualquer valor. Relacionamentos destruídos pela falsidade recíproca, onde a mentira flui como a única verdade em que todos acreditam. E assim, a cada dia vamos conhecendo seres humanos, cujo comportamento surpreende. Uns, pela imprevisibilidade de suas reações, outros pela indiferença que demonstram em relação a valores. Muitos, na verdade, agindo motivados unicamente pela materialidade. Alguns transformando suas jornadas numa batalha sem tréguas por quimeras que jamais preencherão suas vidas, por se tratar de ilusões construídas pela vaidade pessoal; outros, alienados em relação a si mesmos, entregues a álcool, ou outros tipos de drogas, sem a mínima noção do que são, ou de para onde possam estar indo. Pretensos cavaleiros errantes de uma batalha sem méritos, porque, onde não há valores, não existe significado, mas apenas um falso idealismo, que não resiste ao mínimo questionamento existencial. Marionetes de uma história que eles mesmos criam, onde a cena final será humilhantemente solitária e decadente, marcada pela tristeza e a depressão, pelos simples fato de haverem construído castelos sobre areia, em um mundo irreal de pura fantasia.

Há múltiplos papéis para o Dom Quixote em cada um de nós, porque assumimos múltiplas ‘personas’ ao longo da caminhada. Há certos momentos, no entanto, em que abrimos mão de todo idealismo por deixarmos de acreditar no outro ao nosso lado. Nossos líderes são meros fantoches de um sistema que destrói qualquer ideal. Nossos empresários não passam de apologistas de um engodo por muitos desacreditado. Nossas igrejas estão conduzidas por falsos profetas, caiados por fora e podres por dentro. Nossas relações não sobrevivem ao mínimo teste de confiança e solidariedade. Há um generalizado ‘faz de conta’ a revelar moinhos de vento de uma ilusão que aos poucos vai definhando nossas forças, onde já não acreditamos naquilo que vemos; a sabedoria vai sendo substituída pela esperteza, e o sábio é tido como um tolo.

Sem um Sancho Pança para nos mostrar a realidade, nossa percepção pode ser afetada para sempre, e nos fazer mergulhar em um pandemônio irreversível, em que nos acostumamos àquilo que vemos, sem esboçar qualquer reação diferente, e assim nos tornamos zumbis; mortos-vivos de uma lenda que escrevemos sem a mínima noção do nosso potencial. A tomada de consciência para a qual ousamos despertar é a imagem metafórica do Sancho Pança que carregamos dentro de nós. Ele é feio, desengonçado e nada atraente, mas é o que nos coloca em sintonia com o que temos de mais sagrado, o ponto de convergência dos opostos entre ilusão e realidade, entre o medo e a ousadia, entre o impossível e a magnitude do nosso potencial. Nos momentos de desafio, o sonho e a realidade precisam caminhar juntos. A cabeça nas nuvens e os pés no chão. Ousadia e bom senso. “A vida nos ensina que é preciso coragem para enfrentar aquilo que nos desafia. Antes, porém, é decisivo ter consciência do potencial e das próprias limitações. Conhecer o nível de controle que temos sobre nós mesmos, e identificar o que nos deixa vulneráveis é o que define nosso poder verdadeiro”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Campinas-SP)
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.



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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Alquimia. O Ápice de Ser Humano




Por Maurício A Costa*



Martin Heidegger
As coisas do pensamento são radicalmente simples. Não constituem privilégio de nenhum saber, de nenhum ter, de nenhum agir. Estão por toda parte onde se recolhe um modo de ser. Pensador é todo homem. Todos têm gosto pela revelação do mistério no desvelamento do não saber. A arte de pensar é dada por um modo extraordinário de sentir e escutar o silêncio do sentido, nos discursos das realizações. No pensamento não somos apenas enviados a remissões e referências. Não está na semântica ou na sintaxe a originariedade do pensamento. Uma paixão mais originária do que toda semântica ou qualquer sintaxe, a paixão do sentido toma posse de nosso ser e nos faz viajar por dentro do próprio movimento de referir, de remeter, de enviar. (Heidegger, Martin, 1889-1976 – ‘Ser e Tempo’ – Pág. 551 - Editora Vozes – Petrópolis-RJ – 2008).



Durante séculos, a ideia da alquimia esteve ligada à Química, à Metalurgia, à Matemática, e à Astrologia, mas também à Antropologia, à Filosofia, à Magia, ao Misticismo e à Religião. Para muitos, ela representava a prática de transformar metais inferiores em ouro. Para alguns, o desafio de obter o ‘elixir da longa vida’; um remédio que pudesse produzir uma vida longa a todos que o ingerissem. Para outros, no entanto, o conceito da alquimia não passava de uma grande metáfora, relacionada à mutação da consciência humana, ao transformar a pedra bruta da ignorância em algo precioso como a sabedoria. Esse simbolismo alimentado por gerações foi a base de muitos estudos herméticos relacionados à purificação espiritual do ser humano. Seitas, religiões, e fraternidades universais debruçaram-se de forma ritualística sobre o tema, considerando a vida como algo sagrado, a impor uma análise séria e profunda sobre essa que seria a maior obra de todos os tempos. A Cabala Judaica, a Teosofia, a Maçonaria, e os Rosa-cruzes, são exemplos atuais de estudos da alquimia que vem sendo praticada desde a antiguidade. O pensamento eclético tomou conta de muitos pensadores e filósofos que passaram a defender a ideia de combater o dogmatismo e o ceticismo, incentivando o pensar livre de preconceitos, visando substituir a fé cega por uma postura racional.

Paralelamente, em meio a toda sorte de interpretação, alguns agrupamentos sociais estabeleceram práticas que visavam o desenvolvimento das faculdades espirituais do ser humano, visando um domínio sobre ele mesmo e a natureza ao seu redor. Cercado de cerimoniais ritualísticos, a Magia, ou como chamada na antiguidade, a Grande Ciência Sagrada, buscava um contato maior com os aspectos ocultos do universo, dando origem a uma enorme quantidade de rituais que permeiam boa parte das seitas e religiões. Na Bíblia cristã há menções sobre os magos, ou mestres da magia, que foram visitar Jesus Cristo quando do seu nascimento. Nos Vedas, no Bhagavad Gita e no Alcorão existem textos sagrados que narram temas relacionados. Na verdade, quase todas as religiões preservam em suas práticas, rituais que confundem seus fiéis, em atos de celebração cujas atividades carregam aspectos da mágica ritualista, carregados de conteúdo simbólico. Todavia, apesar de toda ritualística que envolve a maioria das celebrações, muitas dessas religiões ainda considera, de maneira hipócrita, todo tipo de magia, ou prática alquimista, como algo satânico. A Santa Inquisição da Igreja Católica agia com rigor durante os anos da era medieval, diante de práticas que fossem tratadas como ocultas, por serem consideradas como incompreensíveis aos ‘não iniciados’ nos estudos de caráter místico.



Nos dias atuais, onde vivemos cercados por revelações diárias da ciência, já não há mais segredos sobre as múltiplas possibilidades das fusões químicas, que produzem todo tipo de material, que tanto pode curar uma complexa doença individual, como destruir a humanidade inteira, por meio de uma explosão atômica. Já não há mais espaço para o misticismo e o ritualismo mágico e secreto. A alquimia deixou de ser algo enigmático ligado ao ocultismo, para se tornar a busca incessante da sabedoria. O autêntico alquimista é na verdade, um ser iluminado; alguém com mente e visão aberta para compreender a importância de cada mínima coisa no universo e sua complementaridade, e que a verdadeira transmutação consiste no processo evolutivo que lhe permite depurar qualquer matéria bruta, inferior e pesada, em algo leve, de qualidade superior. E ser iluminado nada tem a ver com formação cultural, capacitação tecnológica ou alta performance intelectual. Pelo contrário, a ‘iluminação’ reside na simplicidade. Resulta da amplitude da energia espiritual que o ser humano carrega dentro de si mesmo, sem muitas vezes se dar conta desse potencial.



Podemos experienciar a alquimia em nosso dia-a-dia, quando nos deparamos com situações adversas, em que nos colocamos frente a desafios, pessoais, profissionais, ou empresariais considerados insuperáveis à nossa limitada visão, ou quando diante de decepções e angústias que nos reduzem a uma insignificante criatura, disparando irreversíveis doenças que conduzem à morte. Esse é o momento grandioso da transmutação. Essa é a chance sublime que dispomos para transformar lama podre em incenso ou mirra; desafios em oportunidades; problemas em aprendizado. Esse é o sagrado momento de crescimento pessoal que converte o animal selvagem de suas origens em algo superior, à imagem e semelhança da Sabedoria que o fez diferenciado de todas as demais espécies. A alquimia é o ápice da consciência humana em relação ao seu próprio potencial. É o momento mágico da sublimação, em que nos damos conta do paradoxo de sermos infinitamente pequenos, e ao mesmo tempo imensuravelmente grandiosos; capazes de produzir qualquer milagre que assim desejar ardentemente nossas mentes e corações. Não importa que tipo de milagre. Se a simples cura de uma célula desorganizada, a construção de um empreendimento de sucesso, ou a recomposição de um relacionamento decadente. Tudo está ao alcance desse poder humano, imperceptível ao olhar medíocre, limitado, ou manipulado por dogmas, doutrinas ou paradigmas. Para realizar essa alquimia, basta livrar-se desses fantasmas construídos pela mente assustada. ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará’, ensinava o grande revolucionário, que deu a vida por aquilo em que acreditava.

Confesso que me sinto triste cada vez que percebo seres humanos maravilhosos vincularem realização pessoal exclusivamente ao sucesso financeiro, e por conta disso, viver um inferno ‘dantesco’, apesar de dispor muitas vezes de tudo pelo que lutaram durante suas existências. Conquistam a fama, o poder e a fortuna, mas sentem-se incapazes de conquistar a paz, o equilíbrio e a harmonia entre mente, corpo e alma. Por conta disso, vemos famílias mergulhadas em batalhas sangrentas por ínfimas questões materiais; empresas em processo de decadência, e seres humanos em avançado processo de decomposição causada pela angústia, a depressão e o medo. Assistimos atônitos a Equipes se digladiarem e se esfacelarem, motivadas unicamente pela inveja, a ganância, a vaidade e a luta pelo poder material, levando consigo todo empreendimento que as acolhe. Todos, sem exceção, ignorando o extraordinário o verdadeiro poder que carregam dentro de si mesmo. O poder da alquimia que transforma feras em deuses.


Tal qual uma cansada lagarta, despoje-se da velha casca e descubra a vida a partir de uma nova perspectiva. Construir uma marca forte implica em decisões arrojadas, muita persistência e uma inabalável confiança naquilo que se acredita.  "Há uma estupenda energia latente dentro de você. Ponha isso em ação. Pare de buscar sua força na ilusão de imagens construídas por mentes primitivas. O único ritual decisivo para concretizar seus objetivos, superar desafios e alcançar a realização pessoal está naquilo que convencionamos chamar de fé. Defina o que quer com firmeza e aja com determinação. Nisso consiste o segredo de qualquer milagre". ('O Mentor Virtual II’ - O Elo Invisível – Campinas-SP – Em Gestação).
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*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.