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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Do Caos, Nasce a Luz






Por Maurício A Costa*



"Brilha, tu que és parte desse universo infinito. Através de ti fluem todos os sons e luzes que dão cores e formas àquilo que vês. Dentro de ti, milhões de fragmentos se unirão para compor a única verdade, que se propaga como uma sinfonia a ecoar pela eternidade". ('Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP).

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Há momentos em que a decepção e a frustração penetram nossas vidas com a mesma força sufocante de um bolor que se alastra sobre paredes de uma câmara fechada. Sua ação vai aos poucos envolvendo toda matéria viva, encobrindo-a sorrateiramente com uma asfixiante capa cinzenta imobilizando a presa que inerte, deixa-se consumir pelo torpor. Tudo isso, porque sem perceber, nos tornamos vítimas de nossas próprias armadilhas, ao depositarmos nossas esperanças fora de nós mesmos; agindo como tolos quando acreditamos que podemos acreditar no outro. A sabedoria dos antigos há muito já nos ensinava: ‘maldito o homem que confia no homem’; uma séria advertência à postura de se criar expectativas em outro ser humano.

A razão é simples. Cada ser, desde o momento em que nasce até seu último suspiro, terá como prioridade máxima a própria sobrevivência, e por isso, lutará com todas as armas possíveis. Nessa insana batalha não haverá lugar para o desprendimento ou altruísmo. Muito menos abnegação ou generosidade. Apenas o egoísmo levado ao seu extremo, porque o que importa é cercar-se de garantias que permita a segurança absoluta e o prazer sem limites. Como consequência, essa besta humana agirá em um frenesi descontrolado para impor-se diante do outro, demarcando terreno, para destacar-se dentro ou fora da própria espécie. Seu único propósito é a dominação; e para tanto, irá blefar, camuflar ou enfrentar; até matar se necessário. Não haverá reservas ou recuos, apenas uma vigília diuturna sem tréguas, marcada pelo violento estresse que caracteriza essa obstinada luta pela superioridade. Nesse ambiente medonho, instintos prevalecem, e desafiam qualquer pensamento ‘abstrato’ mais elevado de ver o outro como complemento de si mesmo. Subsiste o lado negro da força. 

Aquele que porventura, cercado por esse severo e animalesco cenário de guerra ousar agir de forma estoica, usando a sabedoria, para buscar a paz e felicidade por meio da resignação e serenidade diante da adversidade, se tornará sem dúvida, presa fácil e objeto de manipulação nas mãos dessas feras humanas desprovidas de qualquer sentido moral ou ético. Daí toda lamentável aventura do ser humano, como protagonista de uma história que o define como a única raça que destrói a própria espécie, e até mesmo o próprio planeta que o alimenta. Um ser sem limites, sem escrúpulos e sem noção de consequências. E dessa carnificina, nasce o interminável conflito; de um lado, seres evoluídos, regidos por valores conceituais que os colocam acima das paixões, e de outro, aqueles dominados unicamente pela força bruta da matéria, caracterizada unicamente pelo impulso, que brota dos mais primitivos instintos. Um conflito entre o ser e o ter, que as religiões definiram ao longo de gerações como um confronto de potestades; batalhas sobrenaturais entre o bem e o mal, o certo e o errado; entre Deus e o Diabo.

O Inferno de Dante
Não há esperanças para esse conflito. Assistimos a cada dia um aumento significativo da mentira, do engôdo e do blefe. Cresce de maneira expressiva o exército de medíocres na mesma proporção que aumenta a leva de espertalhões, movidos pela força do ter, que coloca desejos e paixões acima de qualquer valor. E assim, num espetáculo ‘Dantesco’, assistimos estupefatos o desenrolar ao vivo e a cores da ‘Divina Comédia’ humana, onde não há saída possível. Apenas um desconforto generalizado, provocado pelo grande lago de lama que nos traga, coberto por um queimar infindável da consciência, que dilacera e esmaga, arrastando a todos de maneira indiferente para um inferno de culpas e medo, sem retorno. Em meio a esse esdrúxulo teatro de feras e zumbis humanos viajamos no lodo de todas as possibilidades, ora algozes, ora presas indefesas, tentando enganar nossa própria consciência, sem perceber que essa estúpida ilusão apenas nos remete sem indulgência ao limbo de todas as incertezas, que nos condena ao esquecimento eterno, por havermos destruídos o deus que carregamos em nós.

A frustração que nos invade, nasce da impotência diante dessa ópera trágica da qual participamos, nem sempre conscientes. Assistimos inertes, a malandragem, a enganação, o cinismo, e a manipulação como se elas representassem verdades plenas, disfarçadas sob a aparência de inquestionáveis fachadas de falsos líderes, falsos sacerdotes, falsos empreendedores, falsos governantes, e falsos amigos. E a decepção que nos assola produz uma depressão mórbida, resultante da danação generalizada que permeia todo tecido social, familiar, e político, minando a fé, a esperança e a integridade. Assim, o sistema vai sendo gradualmente corroído pela ferrugem da exacerbação da vaidade, do egoísmo e da intolerância, sem o mínimo vestígio de sanidade. E como decorrência, nos tornamos personagens desse insólito 'pandemônium' como diria John Milton, em sua obra 'O Paraíso Perdido', como anjos caídos de um paraíso que jamais voltaremos a desfrutar. 

E enquanto reflito sobre o inferno em que consciente ou inconscientemente nos colocamos, lembro-me de Nietzsche a dizer: “É necessário ter um caos em si para poder dar à luz uma estrela bailarina. Eu vos digo: tendes ainda um caos dentro de vós” (Nietzsche, Friedrich, em Assim Falava Zaratustra – Pág. 27 – Editora Vozes – RJ – 2007). E nesse momento, percebo que o verdadeiro inferno está dentro de cada um de nós, ao presenciarmos uma impiedosa luta entre anjos e demônios, a nos fazer desperdiçar o que de mais belo poderíamos desfrutar durante essa breve passagem entre o despertar e o crepúsculo final de nossos mais sublimes sonhos. E esse ‘caos dentro de nós’ sobre o qual nos fala Nietzsche, não é mais que a oportunidade rara que dispomos para perceber do quanto ainda somos capazes de despertar a luz da sabedoria que com seu brilho nos faz enxergar nossa pequenez diante da grandiosidade à qual pertencemos. O saber luminoso nos torna divinos, e como tal, nos permite equidistância de paradigmas como o bem e o mal; da ilusão do início e do fim; e do medo paralisante diante da vida e da morte. A sabedoria nos ensina que existe apenas um devir, dinâmico e irreversível. Um fluxo ininterrupto a criar, destruir e recriar todo universo, num agora efêmero, que se eterniza através dos tempos cada vez que percebamos sua intensidade.

Quando nos damos conta desse frágil e paradoxal liame entre o eterno e o finito do ser, descobrimos que nos cabe unicamente fazer resplandecer com máxima intensidade possível essa ínfima parcela de luz que carregamos, para cumprir nosso papel, como parte de um todo que nos cria para sua própria magnitude. Do brilho que formos capazes de gerar, criaremos a oportunidade única de deixar impressões indeléveis de nossa rápida passagem, conscientes da singularidade que nos torna especiais. Uma marca forte a ser lembrada para sempre.
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*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Interdependência. A Essência da Estratégia





Por Maurício A Costa



“Há muitos que estão conscientes da necessidade de mudar suas formas de pensar, e percebem que é decisivo alterar o antigo formato e abandonar a maneira isolada para conseguir melhores resultados. No entanto, apesar de muita gente identificar que em qualquer sistema existe uma variedade significativa de padrões não se dá conta que existe uma imensa interdependência entre esses padrões”. (Prof. Russel L. Ackoff, em diálogo reservado com Mauricio A Costa na Wharton University of Pennsylvania - Maio, 28-2008). 

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Esse texto acima, de um dos maiores mestres do pensamento estratégico, o ilustre professor Russell Ackoff, você não irá encontrar em nenhum livro de administração, marketing ou negócios. Essa síntese de sabedoria me foi sussurrada diretamente ao ouvido, quando tive a inesquecível oportunidade de conhecer e dialogar pessoalmente com essa figura que se tornou lenda na Wharton, um ano antes de sua morte, aos noventa anos de idade. O artigo que escrevo hoje é uma espécie de tributo a esse mestre da matemática, doutor em filosofia, mas que entendia como ninguém da decisiva interconectividade das partes de um sistema e aplicava isso de forma extraordinária ao pensamento estratégico no mundo empresarial, sugerindo um novo desenho para as organizações no século XXI.

Nos dias atuais, muitas empresas estão dando o melhor de si, treinando à exaustão suas equipes para fazer algo que provavelmente não seja o que deveriam estar fazendo. Ou seja, estão fazendo de maneira certa a coisa errada, e com isso, se distanciando cada vez mais da possibilidade de atingir suas metas com sucesso. Um esforço desprendido inutilmente que resultará em perda de energia, de tempo e de motivação. De nada adianta estar fazendo de maneira eficiente o mais belo CD-Player do mundo, se a demanda do mercado hoje é por aparelhos do tipo MP-3, como o I-Pod e outros tocadores de música com essa tecnologia. De nada serve contratar um professor de Latim ou Grego para dar aulas para sua Equipe, se o mundo corporativo atual fala Inglês. É preferível falar um Inglês sofrível que um Latim perfeito, a não ser que o seu empreendimento seja uma corporação religiosa.


Head Phones Monster Beats
Identificar o caminho certo, o produto certo, o mercado certo, a equipe certa, a comunicação certa é, sem dúvida, muito mais aconselhável do que trilhar o caminho errado, fabricar o produto errado, atuar no mercado errado, com uma equipe errada, utilizando a comunicação errada, ainda que você faça isso com a maior eficiência possível. Mas, isso é algo simples? Não. É complicado, trabalhoso, e delicado. É nisso que consiste toda síntese do pensamento estratégico: Indicar caminhos alternativos, recomendar produtos desejáveis, identificar mercados promissores, desenvolver equipes apropriadas, e comunicar de forma objetiva com o público certo. Mesmo que se faça tudo de uma maneira não muito bem feita, é preferível a fazer a coisa errada, pois ainda existirá a chance de ir se melhorando gradualmente. Em resumo, é melhor viajar cheio de problemas na direção certa do que pegar a estrada errada, cercado das melhores condições e recursos. Quanto mais rodarmos, mais estaremos nos distanciando do nosso alvo planejado.

Apesar da maioria das empresas e seus dirigentes conhecerem esse conceito, poucos, todavia, dedicam parte do seu tempo para pensar e dirigir seus empreendimentos como um sistema. Tenho conhecido muitas organizações, algumas até de grande porte, onde cada área, divisão ou departamento funciona de maneira quase autônoma como se fosse um negócio à parte. Em algumas delas, é notório o interesse do empreendedor em não permitir que um não saiba o que o outro está fazendo, por medo de que, conhecendo o todo, alguém possa clonar o empreendimento.  Noutras, alegando o conceito de centros de receitas ou de custos, criam na verdade, centros de disputa, onde a vaidade pessoal ou até mesmo interesses pessoais, pesam mais que o desempenho do conjunto, permitindo que o resultado final seja comprometido por conta das individualidades. 

Uma vez que tenhamos bem definida a coisa certa a fazer, é importante que nos atenhamos à importância da inter-relação das partes que compõem o empreendimento. Uma empresa, como um automóvel, é formada de partes, e como tal, se comunicam entre si para formar um todo, com um propósito definido. Sem uma noção clara dessa interdependência o sistema como um todo falhará. Cada parte é importante para que esse todo funcione; todavia, algumas dessas partes são críticas para seu funcionamento. Essas partes essenciais são aquelas sem as quais o sistema não funciona. Em um carro, poderíamos citar o motor, a bateria, as rodas e o câmbio, que em alguns casos formam outros sistemas. Numa empresa, finanças, marketing, vendas e produção, são suas partes essenciais. Se uma dessas partes falhar poderá afetar a outra parte e consequentemente prejudicar ou até impedir o funcionamento do todo, e assim comprometer o propósito. Algumas partes essenciais, no entanto, podem eventualmente estar fora do ambiente interno do sistema, como por exemplo, fornecedores, clientes, bancos e logística; e, uma falha de uma dessas partes pode colocar em risco o resultado esperado, até mesmo inviabilizar a operação. O desempenho, portanto, de cada uma das partes afeta drasticamente o desempenho da outra e consequentemente o funcionamento do todo. Nisso consiste o conceito de complementaridade.

Em seu livro ‘Re-Creating The Corporation’ (Oxford University Press – New York – 1999), o ilustre professor Russell Ackoff compara o funcionamento de uma empresa ao corpo humano, onde partes essenciais como o cérebro, estômago, pulmões e coração, quando falham, podem comprometer outros órgãos e colocar em risco todo sistema. Assim uma organização cujas áreas essenciais atuem de forma isolada, ou estejam fazendo bem a coisa errada, ou ainda, uma corporação, cujas áreas críticas não percebem que sua má performance pode estar comprometendo o bom funcionamento das demais que dela dependem, e dessa forma, contribuir para o colapso do sistema como um todo. O grande problema é que talvez, quando acordarem, seja demasiado tarde para ver o tamanho do estrago causado.

Enquanto escrevo, vou lembrando com pesar as várias vezes em que recomendei para alguns empresários a importância de se trabalhar o conceito de unidade das Equipes, e seu comprometimento com um objetivo único, e como assisti com assombro o desdém dessas recomendações. Quantas vezes me senti como um profeta a clamar no deserto, em meio a jovens executivos, cuja maior prioridade é o brilho efêmero de uma fama que se dissipará diante da primeira turbulência. Algumas dessas empresas capitularam, por não respeitar os sinais que vêm do mercado, de clientes, de representantes, ou de consultores. E por ignorar preciosas informações que sinalizam um caminho errado, entram em 'pane seca', a falta de combustível (recursos), em meio ao deserto, onde não haverá qualquer possibilidade de socorro.

O que me entristece nisso tudo, é saber de antemão que, com certeza, o responsável pela falência do sistema culpará o mundo por suas inquestionáveis falhas. Todos estavam errados, menos ele. Mesmo sabendo que todos à sua volta não passavam de meros coadjuvantes nos processos decisórios, irá responsabilizá-los, ignorando o próprio despreparo, incompetência ou vaidade, na qualidade de um líder que, centralizou decisões, impediu o diálogo, ou manipulou informações por questões pessoais. E é assim que um belo empreendimento, de uma hora para outra vai para o brejo, e todos ficam se perguntando como isso pode acontecer. Tudo porque, como nos ensina Mr. Ackoff, “muitos sabem que as mudanças da nossa forma de pensar já estão acontecendo, poucos, no entanto, compreendem a natureza dessas mudanças e suas implicações” O mundo está mudando a uma velocidade extraordinária, mas muitas empresas preferem seguir com suas velhas táticas e superados formatos. Algumas para superar sua incompetência gerencial irão apelar para falcatruas de toda ordem, a fim de compensar a fragilidade de sua gestão. Umas irão buscar no conluio político os conchavos que encobrirão seus erros, omissões e prejuízos decorrentes, outras farão cruéis enxugamentos em suas equipes para adequar seus custos visando prolongar sua fase moribunda. Poucas despertam para a realidade da interconectividade e a importância da sinergia entre suas partes. E serão essas que irão não apenas sobreviver às turbulências de um mundo cada vez mais caótico, mas crescer com ele, consciente de que é imperativo juntar forças internamente, para superar a adversidade que vem de fora, causada pela agressividade da concorrência, a voracidade e incompetência de governos, e a instabilidade das economias.

Construir uma marca forte não resulta apenas de investir rios de dinheiro em marketing, ou escolher uma boa agência de propaganda. Uma marca forte é resultado de um pensar estratégico no funcionamento harmônico de cada uma das partes que compõem um sistema, seja ele uma empresa, uma corporação, um partido, uma escola, uma família ou um país. A boa liderança necessita estar atenta a isso. A ela caberá criar a sintonia, o ritmo, e a sincronicidade entre as partes do todo que dirige.



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*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 





quinta-feira, 7 de junho de 2012

Conivência. Cumplicidade. Complacência




Por Maurício A Costa*


"Não seria a inexplicável inércia de nossa parte, que nos torna coniventes com absurdas convenções estabelecidas como verdades absolutas em nossas mentes que nos aprisionam para sempre, nos transformando em reféns de nossas próprias armadilhas?" (O Mentor Virtual - Pág. 136 - Ed.Komedi-Campinas-SP-2008).

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Tenho me questionado com muita frequência nos últimos tempos sobre a minha postura diante daquilo que fere a essência do que sou, e que chamo de alma. Essa autoanálise tem me permitido profundas reflexões sobre a humanidade em tudo que diz respeito às suas atitudes relacionadas à religião, à política e aos comportamentos sociais. Por não ser adepto de qualquer religião, mas observador de todas, me concentro na beleza e enorme conteúdo espiritual de cada uma delas, e a sua importância para a perfeita sintonia entre o nosso lado material e a nossa mente. De um lado, instintos poderosos, voltados para a sobrevivência e a continuidade da espécie, caracterizados pelo ininterrupto efeito dos impulsos e estímulos de toda ordem, que fazem o ser humano dispender boa parte do seu tempo com a satisfação dessa pulsão dinâmica relacionada com a fome, a sede, ou ao sexo. Na outra extremidade, um processo mental, frio e calculista, responsável pela proteção do organismo corporal, alertando-o incessantemente sobre eventuais perigos à sua integridade, com base em um fluxo contínuo de informações, captado por órgãos sensoriais conhecidos, como a visão, o olfato, a audição, o tato, ou o paladar.

As religiões de uma forma geral trabalham a parte central do corpo, onde ocorre toda transmutação da energia que permeia nosso corpo. Nessa área, onde atuam coração e pulmões percebemos o efeito daquilo que afeta nosso organismo. Toda emoção ou vibração provocada por algo que nos alegra, excita ou deprime é sentida por meio das alterações do batimento cardíaco ou da respiração. A intensidade da energia que flui dentro de nós pode ser visivelmente detectada quando nos defrontamos com algo que nos agrada ou eventualmente possa nos prejudicar. A partir dessa percepção, criamos os conceitos de bem e mal; o certo e o errado. O que nos alegra e dá prazer é divino; o que nos ameaça ou deprime é demoníaco. Entretanto, não há nada de sobrenatural nessa atividade corporal, mas tão somente a imperecível consciência de sua ligação com um todo, do qual faz parte. Essa relação de aparência afetiva, demonstrada pelo que conhecemos como amor, não é mais que a imperativa necessidade de manter-se ligada ao outro, por ‘pressenti-lo’ como uma extensão de si mesmo. Uma memória latente e atemporal que faz cada um de nós, reconhecer no outro a maior de todas as características do universo, o princípio da complementaridade; isto é, a imprescindibilidade da conexão das partes para que exista um Todo.

Nesse contexto, poderíamos presumir que Deus seja esse conjunto. A unidade. A perfeita interação de todos os elementos do universo, a produzir um efeito magnífico, em decorrência do poder extraordinário que emana dessa totalidade. A energia que permeia cada indivíduo ou componente desse todo é o elo invisível que produz, tal como no fluxo de um grande rio, a força que o conduz para sua plenitude, o oceano. Assim, ao nos reconhecermos pequenos, como uma simples gota d’água, mas carregando o potencial de um oceano dentro de nós, percebermos a dimensão do que somos e aprendemos a canalizar essa indescritível energia para aquilo que desejamos. A consciência dessa força nos torna aptos a produzir a transmutação da qual falei no início deste artigo, e transformar matéria bruta em algo nobre, o verdadeiro significado da expressão alquimia.

Onde nos perdemos então? Por qual razão deixamos de utilizar essa força que dispomos? Porque razão as religiões não exercem seu verdadeiro papel que seria o de estimular o uso dessa energia potencial de maneira natural, e apela para o sobrenatural, criando imagens distorcidas de divindades que deixam a mente humana mais confusa e perturbada que potencializada, especialmente por colocar fora delas, em algo imaginário ou fantasioso toda sua expectativa? Por que nos tornamos cada vez mais distantes um dos outros, quando deveríamos buscar a sinergia que produz vida? Qual a explicação para o crescente individualismo humano que o isola, enfraquece e deprime? Por que o amor vai gradualmente se tornando motivo de piada, objeto de um romantismo tolo em mundo consumista e egoísta? Por que a maioria dos psicólogos e psiquiatras se limitam apenas a analisar padrões de normalidade da mente, e médicos restringem sua atuação à frieza do metabolismo, o processo mecânico de funcionamento de células, órgãos e glândulas, quando deveriam observar comportamentos, atitudes, e fluxos de energia a partir de percepções sensoriais? Onde estão os padres, sacerdotes, e pastores que deveriam estimular o Deus que flui dentro de cada um de nós ao invés de utilizá-lo como algo sobrenatural?

As respostas para essas e muitas outras perguntas virão de dentro de nós, quando abandonarmos a complexidade das ideias recheadas de superstição, alegorias e primitivismo, e nos permitamos conhecer o significado da palavra simplicidade para entender que não há nada de fantasmagórico ou sobrenatural no mundo que nos cerca. A medicina poderia ser mais útil na prevenção de doenças físicas se descesse da sua arrogante ou interesseira majestade para buscar identificar as enfermidades da alma que produzem os processos degenerativos, pois todos sabem que a maioria das enfermidades corporais nasce de uma mente aflita, de um coração angustiado, ou de uma alma sem energia vital. Células fragilizadas podem permanecer latentes por gerações; só se tornarão doentes quando atacadas por um vírus ou bactéria que um organismo com baixa capacidade imunológica permite seu avanço. Esse nível de imunidade é determinado pelo fluxo de energia que eventualmente sejamos capazes de produzir, revelado na intensidade do nossa vontade. O querer que produz o milagre da vida, e impulsiona todo realizar.

Só a consciência desse poder que carregamos dentro de nós poderá nos tirar da indolência que nos torna complacentes com tudo de destrutivo que ocorre à nossa volta, desde à corrupção de nossos corpos à degeneração do tecido social em que vivemos, onde ganância, a mentira, e o egoísmo vai distanciando as partes do seu todo, a gerar desequilíbrios de todo tipo. Sem que nos percebamos, estamos afundando em um turbulento mar de incertezas por não mais acreditarmos no outro, e muito menos nas instituições que supostamente deveriam nos ajudar na construção de uma vida melhor. Tornamo-nos reféns de nossas próprias armadilhas, como ensina ‘o mentor virtual’ no fragmento que abre este texto, por conta de nossa inércia frente aos mais esdrúxulos paradigmas que incorporamos como verdades em nossas mentes. Mentiras, dogmas, doutrinas e fantasias vão se transformando em verdades absolutas que escravizam uma enorme massa de seres humanos, e os torna subservientes de sistemas, partidos, organizações, corporações e seitas; porque convém a poucos o monopólio da verdade para manipular imensidão de ‘pobres de espírito’ que os segue como gado que ignora a viagem para o matadouro.

Somos difusos, ambíguos e frequentemente incoerentes. Sem limites precisos e divididos entre dúvidas e incertezas, buscamos caminhos que nem sempre sabemos definir. Numa angustiosa jornada, orientados por mapas que outros desenharam, seguimos apenas com a bússola da intuição, na esperança de que o universo nos indique a melhor direção”, diz O Mentor Virtual’. Quando descobrimos, no entanto, com naturalidade, a essência do que somos, não mais permitimos a criminosa manipulação de nossas vidas e nos tornaremos livres porque só a verdade liberta o ser humano da escuridão de um pântano imaginário em que se mantém atolado. Quando cidadãos conscientes e livres juntarem suas forças individuais em prol de algo desmistificado e autêntico será possível desencadear o poder verdadeiro que resulta da unidade. É imperativo, porém, destruir tudo isso que aí está, instituído de forma corrupta e degenerativa, e recriar tudo a partir de algo novo. Esse é o sentido das grandes revoluções. Uma revolução que só será possível se a iniciarmos dentro de nós mesmos, revendo conceitos, padrões e atitudes. Um expurgo de velhos hábitos sustentados pela vaidade ou egocentrismo, divorciado da unidade que nos torna poderosos. Ao nos reinventarmos, seremos capazes de reinventar tudo à nossa volta. 

Temos sido coniventes, cúmplices ou complacentes com a falsidade, a mentira, e a hipocrisia, essa é a conclusão que cheguei a partir de mim mesmo. Temos fechado nossos olhos para a falcatrua dentro de empresas, para a enganação e adulteração de resultados, para a negociação fraudulenta que leva à corrupção de qualquer sistema político. E ainda que não participemos do conluio generalizado de forma ativa, nos tornamos responsáveis por aquilo em que somos omissos. Por isso, cabe um despertar urgente dos princípios e valores que regem nosso ser em sua essência superior. Errar é humano. Permanecer nele quando conscientes pode custar caro. A vida clama por crescimento e não por destruição. Dentre todos os seres vivos e inanimados da terra, a nós nos foi dado o poder das escolhas. São essas escolhas que podem definir nossa marca. Resta-nos a coragem de exercer essa faculdade de maneira grandiosa, à altura da magnitude do Todo do qual somos um ínfima, mas decisiva partícula.

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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

sábado, 2 de junho de 2012

Desertos





Por Maurício A Costa*


‎"Quando eu aprender que nada sei, e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". (Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP -2011)

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Há momentos em que, o que mais desejamos é abandonar todos os caminhos e nos escondermos de nós mesmos, devido ao cansaço provocado pela desilusão, a decepção e a frustração. Vivenciamos uma espécie de inverno austral, aquela estação marcada pelas baixíssimas temperaturas dos polos, quando a maioria dos animais migra para outras regiões da terra, ou entram em estado de hibernação, como acontece com os ursos, reduzindo significativamente sua atividade metabólica. E esse inverno austral poderia até ser chamado de ‘inferno astral’, um termo que se refere segundo alguns astrólogos, ao período que antecede a data de nascimento de alguém. Uma fase que poderá ser vivida de maneira intensa, ou sinalizar mudanças importantes que demandam maior recolhimento, meditação e interiorização.

Identificamos esses períodos de nossas vidas nos momentos em que somos tomados por insuportável angústia existencial, quando questionamos de maneira veemente, tudo à nossa volta, e o nosso próprio comportamento frente ao mundo que nos cerca. Somos gradualmente, sem que percebamos, invadidos por uma estranha sensação de vazio que nos leva a momentos de completa desorientação, como se estivéssemos perdido em meio a um enorme deserto. E nesses momentos, há um imperativo direcionamento para dentro de nós mesmos em busca de respostas para essa angústia momentânea, mas de feroz solidão. Um estágio de intenso questionamento que nos coloca divididos entre um intenso desejo de posse de algo que não temos, e um sentimento de desprendimento, como se o desapego total fosse a melhor de todas as alternativas para a caminhada.

Quando essa avassaladora sensação nos permeia, não há muito que fazer. Aliás, o recomendável é não fazer absolutamente nada. Alguns até poderiam dizer: reaja! Mas, reagir pode significar atitudes precipitadas, produzindo iniciativas movidas por impulso que costumam trazer consequências, ou preços acima do que estaremos dispostos a pagar. Quem sabe pode ser o momento para quebrar a rotina, experimentar coisas novas, promover mudanças. Entretanto, transformações exigem um pensar estratégico prévio. Refletir sobre aquilo que pede nosso ‘eu superior’, ou seja, identificar o que realmente nos faz bem, e direcionar nossas reflexões nesse sentido, para alcançarmos o melhor nível possível de coerência conosco mesmo. Sem mágicas ou atitudes radicais, nos deixar conduzir pelo bom senso revelado pela própria alma  em sua incansável experimentação em busca da verdade que liberta, porque a vida é um renovar constante, sem tréguas.

Essa mudança, no entanto, só pode ser operada quando compreendemos o que de verdade se passa dentro de nós, e a partir daí nos aceitamos como somos. Dessa aceitação nasce o respeito essencial por nós mesmos, que produz a transformação, de forma coerente, que torna a caminhada menos turbulenta. O momentâneo vazio absoluto que possamos estar vivenciando não representa necessariamente uma ausência de opções; muito pelo contrário, pode significar uma infinidade delas. Como diz ‘O Mentor Virtual’: "Quando tudo parece deserto, não é sinal de que estejamos perdidos, mas que temos milhões de caminhos alternativos à nossa frente. Nossa ansiedade não é consequência de insegurança, mas é causada pela angústia diante de múltiplas escolhas. Nesses momentos, deixe o fluxo da vida conduzir você. É por aí que Deus mostra o caminho". (‘Fragmentos do Mentor Virtual’ – Campinas-SP).
                            
O grande paradoxo com o qual nos defrontamos diariamente parece brotar da complexidade das relações humanas, que nos leva a questionar nossas atitudes no que diz respeito a essa intensa solidão, presente nesses momentos de ‘deserto da alma’, em vista de nossas frustrações com o outro; quer no ambiente familiar ou empresarial; no âmbito das amizades, ou até mesmo nos grupamentos por afinidade política, social, ou religiosa. Embora sejamos impelidos à convivência grupal, por razões de comodismo ou conveniência, as distorções contidas nesse coletivo nos assustam, nos incomodam, e nos afastam. As decepções implodem a cada instante por conta das inúmeras máscaras que identificamos a esconder os fatos, e nos fazem sentir que, aquilo que percebemos não é a realidade, mas, a ilusão da expectativa em relação ao outro, e descobrimos então que estamos na verdade por conta própria. Viajando solitários em um universo que supostamente deveria estar interligado. Interdependente.

Lembrando mais uma vez, palavras de Carl Jung, um dos meus mentores favoritos, o mestre da psicoterapia, em sua obra ‘O Homem e seus símbolos’: “O homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma. Mas enquanto for incapaz de controlar seus humores e emoções, ou de tornar-se consciente das inúmeras maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes se insinuam nos seus projetos e decisões, certamente não é seu próprio dono”. Não importa se algumas decisões do passado foram equivocadas por imaturidade e despreparo, ou alguns caminhos escolhidos inadequadamente de forma impulsiva como atalhos; o que conta é nossa consciência ‘despertada’ para os valores com os quais nos identificamos, ainda que tenhamos descoberto isso tardiamente. Esse pode ser o momento em que começamos a nos tornar donos de nós mesmos. Senhores ou senhoras do nosso destino.

Sou aquilo que decidir ser, desde que eu aplique nessa direção toda energia produzida pela força do espírito que me move. Quando em meio a desertos, tudo o que preciso fazer pode ser resumido em três etapas decisivas: Identificar claramente o que quero (Propósito); Proceder a escolha daquela alternativa que melhor se adequa às minhas possibilidades circunstanciais, (Decisão); e por último, direcionar toda minha atenção (Energia) para a consecução do que defini como propósito. Falta apenas sair do discurso para a ação. O momento é o agora. Lembrando que é imperativo aplicarmos em nossas vidas aquilo em que acreditamos, com a plena consciência do efêmero; a perfeita noção de nossa insignificância e brevidade existencial. Isso irá nos permitir pensar em cada minuto como algo grandioso, irreversível e único, a nos fazer escolher entre a omissão diante de nossos sonhos e a coragem para decisões arrojadas, impulsionadas por metas audaciosas impregnadas de propósito e significado, por sabermos que o único que conta para nossa alma é o legado que ela deixará em sua infinita trajetória: Marcas Fortes de um ínfimo, mas sublime momento de passagem. 
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MAURÍCIO A COSTA - Campinas, São Paulo, Brazil
Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Ex-Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em melhorar resultados e aumentar rentabilidade. Em termos pessoais, o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos que buscam harmonia entre o ser humano que são, e o guerreiro que necessitam incorporar diariamente. Contatos: mauriciocosta@uol.com.br