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sábado, 26 de maio de 2012

Apenas Siga o Seu Coração



Por Maurício A Costa*


"Não se engane. Tudo à sua volta é um grande palco de engodo, camuflagem e fantasia. Uma disfarçada batalha pelo poder, satisfação e sobrevida, onde não há respeito a regras. Se for jogar limpo, prepare-se para as frustrações e decepções. Defina sua meta e atire-se por inteiro contando apenas com sua própria coragem e determinação. A vida consiste em uma reciclagem perene regida pela lei da sobrevivência" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP).

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Certa vez comentei em minha página para amigos no Facebook, que dos diplomas que carrego, o único que está pendurado na parede do meu escritório é o de piloto, pelo Aeroclube de São Paulo. Não por vaidade, ou exibicionismo, mas por orgulho de uma meta conquistada. O sonho de infância que me levou a voar como gaivotas, e hoje inspira muitas das metáforas que escrevo em meus textos. Voar para mim é acompanhar o movimento da própria alma; Em algumas horas é deixar-se conduzir pelo vento, em outras é usufrui-lo a seu favor para atingir um local desejado. Ser parte do fluxo, e fazer da viagem o sentido da própria vida, sem a obsessão  da chegada, tampouco a preocupação com paradigmas que nos atemorizam diante da grandiosidade de um horizonte que aos poucos vai descortinando uma nova paisagem a cada momento, e dá significado a cada simples minuto, transformando-o em algo inesquecível. Pilotar uma máquina voadora é ter a ilusão momentânea de se estar no controle da própria vida, com a consciência da vulnerabilidade que envolve o efêmero voo.

Por ver a vida dessa maneira grandiosa, sou tomado às vezes por alguns como um ingênuo, ou mesmo sonhador. Um tolo poeta, a querer fazer da realidade uma utopia. Isso, todavia, não me incomoda o tanto quanto me incomoda a arrogância daqueles que se realizam na esperteza, caracterizada pela falcatrua e a falsidade. Nada me deixa tão decepcionado quanto ver a camuflagem, fruto da manipulação de informações, como se a vida fosse uma eterna partida de truco, onde se busca unicamente a lei da vantagem por meio da enganação, fazendo das regras da hipocrisia um manual de operações para conquistar a fama, a riqueza ou poder, esquecidos de quão vulnerável é o breve voo de suas frágeis asas voadoras, tal como na lenda de Ícaro. Como diz ‘O Mentor Virtual’: Aquele que faz do poder a sua força não passa de um fraco, porque forte é aquele que transforma todas as suas fragilidades em poder”.

Para ilustrar esta reflexão sobre o ardil do comportamento humano, quero narrar uma pequena, mas significativa história, das muitas que vivenciei ao longo da minha carreira como estrategista ou conselheiro de tantas empresas. Há muitos anos, fui uma espécie de ‘anjo da guarda’ de uma empresa, dessas do tipo ‘fundo de quintal’; desorganizada, suja, endividada, desorientada, e sem muita perspectiva. Um processo desenvolvido a partir de recomendações estratégicas a outra empresa do mesmo ramo de atividades, para que realizasse uma fusão com aquele pequeno empreendimento, visando criar sinergia numa nova linha de produtos que eu vinha insistentemente sugerindo. A operação foi concretizada, investimentos foram efetuados para aprimorar qualidade, marcas foram desenvolvidas, conceito de valor agregado implementado, equipes treinadas, mercados abertos, e assim, aos poucos, aquele patinho feio foi se transformando, como eu havia preconizado, em uma das pérolas do conglomerado. Tornou-se então, uma empresa rentável, com faturamento dez vezes maior que o de quando iniciamos nossos primeiros contatos. Acompanhei de perto a evolução desse projeto, com a certeza de que havia feito a recomendação certa, e a esperança de ver minimamente reconhecido o trabalho intelectual/estratégico que eu havia desencadeado. Algum tempo depois, quando a empresa foi vendida por vários milhões de dólares para uma grande multinacional, tive a imensa frustração de não receber sequer um ‘muito obrigado’ daquele empresário que algum tempo atrás parecia fadado ao desânimo ou até mesmo ao fracasso. A vaidade não lhe permitiu dividir o êxito do empreendimento. O egoísmo, a avareza e a mesquinhez não o deixaram compartilhar os efeitos de sua rápida prosperidade. Tornara-se um refém da superficialidade das aparências, esquecendo que é no íntimo de nossos corações, nos gestos de gratidão e retribuição, que reside a verdadeira felicidade.

Lamentavelmente, boa parte da humanidade percebe a vida unicamente em seus aspectos de futilidade, caracterizado pelo apego à ninharia e o imediatismo, onde a alegria consiste apenas na importância do ter. E por conta disso, jamais serão; apenas terão; transformando a vida em um autêntico Inferno de Dante; porque, como sabemos, alguns humanos se comportam com meros animais, guiados por instintos, atendo-se exclusivamente a coisas concretas, palpáveis, materiais; esquecendo que para superar o convencional, carecem de valores, que estão muito além da transitoriedade do ter, pois, é no abstrato do que chamamos de espírito que reside a plenitude do ser. E enquanto escrevo isto, sou lembrado mais uma vez pelo ‘O Mentor Virtual’ a dizer: ‘Tudo é efêmero. Nada é real. Construímos fantasias e moldamos imagens que se esvaem em nossa mente como se nunca tivessem existido. A vida não é mais que uma leve brisa entre duas estações'.


Diariamente, um questionamento incômodo açoda cada um de nós, nos incitando ininterruptamente a perguntar: Como coabitar com o nosso semelhante em mundo tão diversificado, formado por distintos níveis de evolução cultural, e percepções tão díspares? Como viver nesse grande palco, formado por atores, no qual cada personagem traz sua fantasia pessoal, onde, para levar a cabo essa ilusão, vale-se de máscaras que disfarçam o engodo através da camuflagem, em um jogo feroz, sem regras, sem limites e sem qualquer respeito pelo outro para atingir seus objetivos? Como falar em ‘valores’ em mundo marcado pela lei da sobrevivência, sem noção ou consciência da complementaridade? A única resposta natural parece ser a de que teremos que contar apenas conosco mesmos, numa trilha solitária, a partir de nossas crenças mais profundas, e com base nisso, definir um propósito, que estabeleça um caminho ou direção, sustentados pelos valores que acreditamos, ainda que à revelia do mundo à nossa volta. Preparados para frustrações e decepções de toda ordem, decorrentes dessa postura.


Quem sabe não seremos capazes de construir universos paralelos dentro desse tumultuado ambiente de convivência, e criar uma visão de conjunto que nos permita viver sem ansiedades ou falsas expectativas, e assim, nos surpreendermos a cada curva da viagem, pelo simples fato de percebermos na tênue linha da nossa finitude, a importância de valorizar cada minuto como algo irreversível; sem a inócua perda de tempo de olhar para trás, ou a inútil preocupação com um futuro incerto, por não sabermos se lá estaremos.

Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes. Apenas flashes de um momento; frações de segundo de uma viagem em que a alma se encanta a criar fantasias por querer perpetuar o que a seduz’, sussurra outra vez ‘O Mentor Virtual’. Por isso, apenas siga o seu coração. Ele é o ponto de contato mais visível entre nosso mundo interior e o todo que nos rodeia. Ao escutá-lo, descobrirá a sabedoria que nos faz transformar erros em aprendizado, frustrações em energia criadora, e decepções em motivação para o crescimento pessoal. Mesmo que alguns venham a rir de você, e até o chamem de tolo, não se perturbe; o poder de sua marca pessoal vêm dos valores que você carrega, e são eles que fazem brotar toda confiança, que o faz operador da sua história e piloto do próprio destino.

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

Contatos:  mauriciocosta@uol.com.br

sábado, 19 de maio de 2012

Bloqueios





Por Maurício A Costa






Seria a eterna ânsia da alma pelo novo que nos bloqueia a visão no presente, ou serão as jaulas criadas pela mente no presente que nos privam a vida para o novo? Caminhar entre sonhos e paradigmas tornou-se o grande desafio para encontrar o equilíbrio entre coração e mente. Isso que chamamos de equilíbrio, no entanto, pode ser também a estúpida zona de conforto em que não somos nem isso nem aquilo”. ('O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Campinas-SP – Em gestação) 

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Em um trecho do seu livro ‘A Cura de Schopenhauer’, o psiquiatra Irvin D Yalom, nos diz que Schopenhauer ensinava um método para afastar a angústia da morte: “Quanto mais realização pessoal houver, menor será a angústia da morte. Se alguns acham que sua ideia de unidade universal é fraca, esse outro argumento é, sem dúvida, forte. Médicos que tratam de pacientes terminais já notaram que a angústia é maior nos que acham que tiveram uma vida mal realizada. A sensação de completude, de ter ‘consumado a vida’, como diz Nietzsche, reduz a angústia da morte”. (Pág. 323 – Ediouro – Rio de Janeiro – 2006). Acontece que atingir esse ponto de realização pessoal não é algo simples como possa parecer, por uma razão muito simples: nossos intermináveis bloqueios pessoais; o que faz de nós mesmos, nossos maiores inimigos. 

Em minha vida pessoal, ou mesmo durante conversas descontraídas com amigos, percebo no ar com certa frequência a palavra ‘bloqueio’ por trás de algum tipo de angústia existencial. Todavia, sempre que questiono a mim mesmo ou a outros sobre as razões para tais bloqueios ocorre um silêncio sepulcral. Parece não haver resposta imediata. Apenas um vazio inexplicável, a esconder a disfarçada covardia que carregamos conosco diante daquilo que nos fascina ou desafia. Como se uma força invisível e irresistível nos grudasse ao chão, paralisando-nos no momento em que mais gostaríamos de avançar. E imobilizados por nossa própria mente, assim permanecemos, às vezes, pelo resto de nossas vidas, como reféns desses estúpidos bloqueios

Provavelmente, muitos anos depois, quem sabe, quando já não dispusermos de tempo ou ‘animus’ para mais nada, iremos lamentar e nos questionar por havermos agido assim, ou nos acovardado diante daquilo que tanto nos fascinava. E nesses momentos a angústia crescerá mais ainda, por revelar que desperdiçamos parte de uma vida, nos momentos em que ela nos presenteou com a oportunidade de realizar sonhos, desejos ou ideais, mas que não fizemos nada por isso. Há uma frase atribuída ao ex-presidente americano, Theodore Roosevelt, que sintetiza o oposto dessa atitude covarde que deveríamos assumir quando somos desafiados: “Prefiro arriscar coisas grandiosas para alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-me à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta na qual não conhecem derrotas nem vitórias”. Entretanto, nossas posturas vão sempre em direção à inércia, ao comodismo, ou ao medo. Esse parece ser o caminho mais fácil. 

Costumo dizer que navegamos em meio ao caos, quase sempre sem saber exatamente onde iremos chegar devido à interferência de circunstâncias que não havíamos levado em conta. Mas, isso não é motivo para nos alhearmos nos momentos de escolhas decisivas. Como ensina meu querido Rubem Alves, em ‘Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente’: “A vida é assim. Seria bom se as alternativas com que nos defrontamos fossem sempre entre o certo e o errado, o bom e o mau. Seria fácil viver. Mas há situações que nos colocam diante de alternativas igualmente dolorosas e de resultado incerto” (Pág. 106 – Verus Editora – Campinas – 2004). Momentos de escolhas são sagrados. Impõem-nos decisões baseadas unicamente nas informações que dispomos naquele instante, sintetizando um leque de opções frequentemente formado por limitações de toda ordem. Resta-nos apenas a inquietude em relação ao futuro, com a angústia de saber que uma escolha exclui todas as demais alternativas. 

Como não somos ilhas, mas um todo interligado por sutis conexões nem sempre percebidas, seremos sempre afetados, ainda que à nossa revelia, direta ou indiretamente por ações e reações imprevisíveis do mundo à nossa volta. Já dizia o filósofo Spinoza: “Um homem não existe por si mesmo, mas por outro; justamente por depender de outro, o conceito desse homem depende não apenas dele próprio, mas também do outro que causou sua existência”. Se concordarmos neste ponto, não podemos esperar que uma decisão, por mais simples que possa parecer, terá essa ou aquela consequência sem levarmos em conta a cadeia de desdobramentos que ela poderá provocar. E se assim ocorre, porque nos agitarmos com preocupações inúteis, assustados pelo medo ou imobilizados pela insegurança gerada por bloqueios? Afinal, qualquer que seja nossa escolha, produzirá consequências insondáveis. 

O bloqueio é um impedimento da vontade, e como  aprendi com Schopenhauer, a vontade é o elemento fundamental que une corpo e sentimento para dar sentido à vida. Da fusão do corpo individual com o intelecto ligado ao mundo exterior nasce o conhecimento e a tomada de consciência que nos permite operar escolhas. Assim, mesmo que sob efeito da dúvida e do questionamento, é imperativo o exercício da vontade que incita a ação. Sem um querer definido é impossível exercer o livre arbítrio que define caminhos e produz significados à nossa existência. Por essa razão não podemos nos permitir tais bloqueios; eles representam a negação do que somos, e impedem a construção de nossa marca pessoal. 

Ainda que tenhamos que vivenciar o peso da consequência de equivocadas decisões, vale a pena escutar a voz que vem do nosso ser mais profundo, e agir movido por esse querer mesmo que não entendamos o seu porque. Quando, impulsionados pela vontade que brota do nosso Eu interior, rompemos os bloqueios que nos engessa, criando significado para nossas vidas. E isso é tudo o que importa. 


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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


sábado, 12 de maio de 2012

O Fantasma do Medo





Por Maurício A Costa*


"Não se atemorize, tampouco submeta-se ao comando de sua mente. Ela é ditatorial e controladora... Permita-se aos voos da sua alma. Que eles sejam belos e ingênuos como os de uma criança. Não se incomode se lhe chamarem de tolo. Mergulhe com intensidade no vazio absoluto, onde apenas aquilo que chamam de Deus está". (O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em Gestação - Sem Editora). 
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Em recente leilão de arte na Europa, uma pintura foi arrematada pelo incrível valor de cento e vinte milhões de dólares. A tela ‘O Grito’, do pintor Edvard Munch, adepto do impressionismo, foi pintada em 1893 e representa uma figura do tipo andrógina, em um momento de extrema angústia e desespero existencial, e já foi inspiração para o filme ‘Pânico’. Esse fato me produziu intensa reflexão sobre o medo e seus reflexos em nosso cotidiano, que me levou a escrever este artigo.

O medo é um estado de espírito, e nasce da dúvida; quando a mente apreensiva vagueia pelo terreno da indecisão, revelando sua mais profunda insegurança. Primeiro, em relação a si mesmo, e na sequência, em relação a tudo. Um processo lento e sufocante que invariavelmente desemboca na angústia, produzindo efeitos avassaladores no ser humano, sem que ele consiga identificar suas origens, quase sempre vinculado à sobrevivência, nos aspectos de saúde, velhice e morte, ou ainda à carência de amor e aceitação.

É na mente que criamos todos os nossos temores, a partir de impulsos gerados na região do hipotálamo em nossos cérebros, que comanda todo sistema endócrino, responsável pela produção de hormônios destinados a ativar nosso sistema de proteção e defesa contra eventuais ‘perigos’. Acontece que em alguns momentos, ativamos esse processo por longos períodos ou por razões insignificantes, produzindo uma situação de estresse, gerando extremo desgaste que costuma levar ao descontrole emocional. Desse descontrole nascem os ‘fantasmas’ que nos assustam diante do menor desafio, e a partir daí, nos tornamos reféns de nossas próprias ansiedades. Esse estado de espírito se estenderá enquanto o alimentarmos com ideias negativas que realcem nossa incapacidade frente ao desafio, mas pode ser dissipado como vapor quando modificamos nossa atitude, ao despertar dentro de nós os valores que carregamos latentes, esperando apenas uma faísca de energia que faça acender a insuperável chama do ‘querer’ que nos impulsiona autoconfiantes em direção ao realizar.

Essa incrível ‘fagulha’ que pode brotar de um gesto incentivador, acolhedor, ou estimulante é chamado de amor por alguns, de espírito santo por outros, e de anjo por muitos. No entanto ela pode surgir de dentro de nós sob a forma de um insight, ou num momento de epifania ou êxtase meditativo que nos revela caminhos até então desconhecidos ou imperceptíveis ao olhar convencional. Em meu livro ‘O Mentor Virtual II’, chamo esse fenômeno de ‘elo invisível’, um sutil ponto de contato que nos une ao todo do qual fazemos parte. Uma ponte invisível entre nós e aquilo que chamamos Deus, que quando atravessada nos permite descobrir que não estamos sós, e identificar o potencial que dispomos quando conectados a essa força magnífica. A partir de então, cessam todos os medos e angústias.

A maior parte dos nossos medos nos é transferido por herança genética ou por influência do ambiente vivido na infância e adolescência. Na ânsia por nos proteger, nossos parentes e amigos nos bombardeiam o tempo inteiro com ameaças de todo tipo, ou frequente subestimação de nossa capacidade, e assim, o próprio meio vai gradualmente se tornado ameaçador e inóspito, produzindo os germes de nossa insegurança. Aos poucos, nossa falta de afirmação nos faz perder o controle de nossas mentes, e passamos a ser controlados pelos ‘inimigos íntimos’ que deixamos crescer ali. Assim, o que era apenas insegurança vai se tornando indecisão, que por nos travar diante de escolhas nos leva à procrastinação e ao comodismo. E o que era apenas um desafio se transforma em pesadelo. Uma apoteótica batalha de contornos insuperáveis. Os que não se deixam intimidar pelo medo conhecerão a sorte ou a realização pessoal. Os que se acomodam, inevitavelmente se tornarão escravos de seus fantasmas, e chamarão isso de azar. Mas, como ensina o meu invisível guru pessoal: "Em alguns momentos do caminho nos sentimos perdidos ou abandonados. A angústia parece ser maior que a nossa força. Nessas horas, não permita que pensamentos negativos invadam a mente. Há uma poderosa energia latente em você aguardando seu comando para ser acionada. Procure criar sinergia com outros à sua volta, daí resulta o poder de todos os milagres" - ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP).

Em minhas atuações como ‘mentor, advisor, ou conselheiro’ para empresários e executivos, ou em palestras sobre a construção da marca pessoal repito com frequência que para vencer o medo e a insegurança basta começar a afastar as preocupações. Livrar-se de pensamentos destrutivos e inúteis. Preocupar-se é ocupar-se antes do tempo. Devemos, na verdade, nos ‘ocupar’ com o despertar nosso potencial, focados essencialmente naquilo que é nossa vocação. Ou seja, sermos simplesmente ‘nós mesmos’, e direcionarmos toda nossa energia nessa direção. Só assim, acordamos dentro de nós o imensurável poder que nos tira da inquietude e do medo e passamos a criar cenários que nos fazem sentir felizes em ser o que somos, passando a viver sem ansiedade ou insegurança, pelo simples fato de não estar a copiar modelos externos, ambicionar coisas fúteis, ou desejar algo que na verdade nada tem a ver conosco. "É preciso reinventar-se a cada momento. Frustrações, desilusões e insucessos são apenas desafios, para aqueles que acreditam na vida como uma oportunidade única, incomparável e irreversível", ensina ‘O Mentor Virtual’.

Napoleon Hill o percursor do pensamento otimista que conduz à automotivação, já dizia: “O controle mental é resultado de autodisciplina e hábito. Ou você controla a mente ou ela o controla. Não há meio termo. O método mais prático de controlar a mente é o hábito de manter-se ocupado, com propósito definido, apoiado em um plano definido. Estude a história de qualquer homem que tenha alcançado sucesso notável e observará que ele tem controle sobre a mente, além de exercer o controle e dirigi-lo para a realização de objetivos definidos. Sem esse controle, o sucesso não é possível... Essa prerrogativa divina é o único meio pelo qual você pode controlar seu destino. Se você não conseguir controlar a mente, esteja certo de que não pode controlar mais nada. Se tiver de ser descuidado com suas posses, que o seja com relação às coisas materiais. A mente é sua propriedade espiritual! Projeta-a e use-a com o cuidado que a propriedade divina merece. Para isso lhe foi dada a força de vontade”. Por essa razão recomendo com firmeza, sem importar se você é um simples empreendedor, ou um grande empresário: Aposte em você mesmo como uma marca forte. Desafios e turbulências existem para todos sem exceção. O que nos diferencia é unicamente a intensidade da ‘vontade’; o ‘querer’ que impulsiona em direção à meta. Tudo mais é paradigma criado pela mente.

Viva cada minuto com a intensidade do eterno. Esqueça o passado, e deixe de se angustiar com o futuro, porque a vida reside unicamente no presente. No pulsar de cada momento em que nossas células se agitam com a energia do realizar, da conquista e do êxtase. Fora disso não há vida, apenas um vegetar inócuo e sem sentido. Viver é um transgredir contínuo de todas as possibilidades conhecidas. Ir além do convencional. Arriscar a própria morte por aquilo que se acredita.
                                                         
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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.






sábado, 5 de maio de 2012

Circunstâncias. A Força do Imprevisível






Por Maurício A Costa*


"Sou a soma de todos os meus erros e acertos. Sou a síntese de todas as minhas sensações. Alheio a trilhas dos mais secretos desejos, sou a ilusão de um tênue por de sol que lentamente se esvai" ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP)

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Recebi recentemente uma mensagem singular de uma leitora assídua dos meus textos e artigos, que me fez refletir de maneira profunda por algumas horas sobre a evolução da minha vida, especialmente no que diz respeito àquelas escolhas que produzem enormes impactos na jornada. Em meio aos seus elogios, entre eles a forma transparente como eu escrevo, algumas perguntas diretas: ‘Você sempre foi do tipo certinho em tudo o que fez, ou o que você é hoje é apenas o resultado de todas as suas experiências?’...  ‘Você acredita em destino?’... Se arrepende das coisas que já fez?.. Afinal, você existe, ou é uma ficção?

Confesso que a princípio, essa última pergunta me deixou perplexo, e por isso, comecei a me perguntar: Será que eu existo realmente, ou sou apenas uma ficção? Para minha surpresa, descobri que realmente não existo. Sou simplesmente, por frações de segundos, um acidente de percurso em meio a trilhões de acontecimentos que se desdobram simultaneamente no universo de todas as coisas; tal qual inseto gerado por uma larva qualquer, a flutuar ao sabor de complexas adversidades, sem noção daquilo que é, ou para onde vai, buscando unicamente sua efêmera sobrevivência, e sobre a qual não tem o mínimo controle, pois poderá ser esmagado a qualquer momento, levado por uma enxurrada imprevista, ou simplesmente eletrocutado por uma armadilha eventual e desconhecida. Na verdade, sequer posso dizer que ‘sou’ qualquer coisa, mas que apenas ‘estou’, pois a brevidade é tamanha, que não me permite a arrogância de dizer que sou, já que, mesmo antes de terminar o pensamento posso já nem existir mais. Por essa razão, hoje eu prefiro pensar que não existo, mas por um rápido momento de consciência, dizer que me invento e me recrio, a cada segundo, construindo uma autêntica ficção, a criar uma ilusão momentânea aos olhos de um expectador qualquer que me observa como algo totalmente diverso daquilo que possa parecer.

Edmund Husserl
Ora, se me modifico a cada segundo, tentando adaptar-me ao ambiente que me cerca como posso concluir-me como algo definitivo, perene ou imutável? Como ter a pretensão de me auto afirmar um ‘ser’, se apenas ‘estou’? E se apenas ‘estou’, como afirmar que ‘sou’ isso ou aquilo. Mais ainda, como afirmar que sempre fomos assim ou assado, se a cada momento nos transmutamos em algo novo, em decorrência da constante adaptação ao novo? Agi de determinada maneira porque o ambiente induziu, ou fui movido por pensamentos de egoísmo, ou ainda, por posturas alheias que motivaram tal atitude? Fiz isso ou aquilo por índole ou por mera curiosidade? Tomei essa ou aquela iniciativa com plena consciência da ação, ou atuei movido por instintos irrefreáveis? Cada momento é uma encruzilhada que pode nos levar a caminhos totalmente diferentes daqueles que imaginávamos a um segundo atrás. Somos alvos, (tal como aquele inseto ao qual me referi) da ação do imponderável, e podemos ser arrastados por inúmeras possibilidades que se desdobram ao longo da imprevisível jornada, ao mesmo tempo em que muito poderá resultar das nossas reações diante desses acontecimentos. Como ensina o filósofo alemão Edmund Husserl (1859-1938), ‘é imperativo suspender todo juízo diante da impossibilidade de se chegar a qualquer certeza’; isto é, não podemos emitir julgamentos apressados, com base exclusivamente na nossa percepção temporal. Cada situação é um ‘fenômeno’ específico que carece ser avaliado em particular e não pode conceituar algo como definitivo.

Assisti alguns dias atrás, a um interessante filme chamado ‘Os Agentes do Destino’, o qual, aborda numa intrigante ficção, o polêmico efeito do ‘destino’ e do ‘livre-arbítrio’, presentes em cada etapa do caminho, ao mesmo tempo em que mostra os possíveis desdobramentos de nossas atitudes racionais ou emocionais diante das escolhas que operamos consciente ou inconscientemente. Não podemos afirmar que somos resultado exclusivamente de algo chamado 'destino', da mesma forma que não somos fruto unicamente de nossas decisões. O destino pode ser parcialmente desenhado a partir de nossa carga genética ou ancestralidade, mas as nossas escolhas diárias podem modificar esse traçado, de forma consciente ou não. É o ambiente, no entanto, a meu ver, que exerce a maior parte da influência nesse processo, e é ele que interfere de maneira imprevisível em cada decisão. Um simples telefonema pode alterar rumos para sempre. Um inesperado encontro pode produzir alterações significativas para uma vida. Por isso, rotular alguém, um momento, ou uma situação me parece no mínimo  insensatez ou precipitação. É imperativo o beneplácito da dúvida antes de cada julgamento.

Alguma das escolhas que procedemos no passado, provavelmente não as repetiríamos hoje, pelo fato de dispor de mais informações que dispúnhamos à época daquela decisão. Quando fazemos uma escolha, o ambiente, as motivações, os instintos e as emoções interferem sobremaneira nesse momento, e, portanto, não devem necessariamente servir de rótulo a alguém para sempre, como 'isso ou aquilo', muito embora, essa postura nos pareça uma constante entre os seres humanos. Pior que isso, alguns não apenas rotulam o outro, mas o fazem de maneira constrangedora, maquiavélica e impiedosa, tornando-se algozes de seus próprios semelhantes por razões mesquinhas; insensíveis a quaisquer consequências que isso produzirá, e principalmente, sem pensar nos efeitos catastróficos sobre si mesmo que poderão resultar.

David Hume
Por tudo isso, costumo dizer que vivemos em um ambiente completamente caótico, onde é impossível prever o próximo minuto, o próximo evento, ou a etapa seguinte da jornada. Somos vulneráveis até mesmo aos efeitos de nossos pensamentos e palavras. Como sussurra o meu guru pessoal: "Cada pensamento é um milagre que resulta da nossa extraordinária percepção; cada palavra, uma semente que conscientemente depositamos no ventre do universo. Em nossas mãos, o poder da co-criação que nos torna deuses ou demônios" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP - Campinas-SP). Contudo, como aprendemos, ‘o princípio basilar de todo pensamento é o de causa-efeito, uma vez que determinados eventos podem ser previstos como consequência necessária das causas que os produziram’; ou seja, parte disso que chamamos de ‘caos’ pode ser relativamente antecipado se analisarmos o princípio ação-reação, ou simplesmente causa-efeito; embora David Hume, filósofo do Século XVII nos lembre que, em vista de todos os raciocínios que dizem respeito à causa-efeito estarem baseados na experiência, não ser possível supor que o curso da natureza permaneça uniforme. Assim, nem sempre é possível prever que toda e qualquer ação do presente possa necessariamente afetar de forma direta algo no futuro. E por conta disso, voltamos mais uma vez à imprevisibilidade e ao princípio do 'caos'.

De acordo com o pensamento quântico, uma determinada ideia não isola ou elimina outra. A percepção é só parte de um conjunto. Não deve ser tomada de forma exclusiva ou isolada. O conhecimento faz parte de um ‘sentir’, ou um ‘captar’ de sensações exteriores, mas é também, fruto do processamento interior, marcado por um significativo acúmulo de informações contemporâneas, e ao mesmo tempo, resultante da genética que herdamos de nossos ancestrais; o que irá produzir novas ideias, novos conceitos, e novas verdades relativas aos fatos observados, nos fazendo renascer a cada dia um ‘ser’ diferente, o que nos levar a afirmar que, não existem valores absolutos, mas tão somente aqueles que se adaptam a novos contextos.

Assim, quando questionado sobre o ‘destino’ não o afirmo como algo compulsório e imperativo em nossas vidas, embora não subestime seus efeitos em nossas ações e decisões diárias, tampouco credito todo sucesso ou insucesso às nossas escolhas por conta do livre arbítrio, por saber o quanto o ambiente que nos cerca pode interferir nessas escolhas. Somos, a meu ver, imprevisivelmente suscetíveis à circunstâncias que se sucedem à nossa volta, e sobre às quais nada podemos fazer. Como já foi dito, um simples bater de asas de uma borboleta na Amazônia pode desencadear imprevisíveis consequências do outro lado do mundo. Resta-nos apenas a imensa vulnerabilidade, que nos sujeita invariavelmente à sorte ou ausência dela. O destino será apenas um lugar imaginário que poderá nos servir como referência. Nada além disso.

A construção de uma marca forte não depende exclusivamente de um rígido planejamento, sob o prisma do causa-efeito indefinidamente, porque nada é tão previsível assim, mas uma coisa é verdade, devemos estar atento a cada pensamento, cada palavra, cada gesto e cada manifestação à nossa volta, conscientes de que tudo isso junto estará influindo decisivamente no caminho. "Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino". ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP – Em Gestação). 

Quanto a me arrepender das coisas que fiz... Eu diria como Edith Piaf... 'Non, Je ne regret rien'... Simplesmente porque a cada dia, nasce uma nova oportunidade de sermos melhores do que fomos antes...

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.