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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Fim de Uma Era




Por Maurício A Costa*



"Em meio a brumas, sem que percebas, aos poucos me desfaço. Serei água, nuvens, vento, ou quem sabe, sons. Suavemente, como um leve por de sol que lentamente se esvai, irei tornar-me apenas uma lembrança, a revelar a magia de uma efêmera presença...". ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP – Em gestação).

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São apenas sete horas de uma manhã cinzenta que vagarosamente acorda, escondida sob um céu nublado, em que o sol hesita em aparecer, como se desejasse mostrar aos humanos sinais de que algo não vai muito bem sobre a terra, seu planeta favorito. Os pássaros estão em silêncio, ainda recolhidos em seus ninhos e os gansos dormem como se o dia não houvesse começado. Em torno daquele lago cercado pela estupenda vegetação que desafia tudo ao seu redor há um frescor natural, um aroma indizível, mas uma estranha sensação de incerteza permeia seu ar, a provocar imensa inquietação. Alguns caminham em silêncio, outros correm em bandos, como a se preparar para uma imaginária decolagem para dimensões maiores. Tudo em volta transmite paz e quietude, mas por dentro de cada ser ali há um imenso tornado em formação, sem previsão de direção, velocidade ou poder destrutivo. Mentes e corações se entrelaçam em busca de respostas para coisas que não sabem perguntar, e um arrependimento tardio se mistura com a ousadia de esquecidos projetos que brotam repentinamente da alma. Cada ser é um silencioso turbilhão de lamentos, de angústia, e de perplexidade a esconder sua verdadeira face, culpando-se ingenuamente por suas eventuais omissões ou covardia, agora diante da possibilidade de um catastrófico fim iminente.

Em silêncio, eu observo cada uma dessas magníficas criaturas, enquanto caminho ao lado de um metafórico mentor virtual, que, invisível aos olhos dos transeuntes, me ajuda a compreender o incompreensível, e a traduzir sentimentos em palavras. Sei que por querer interpretar as mensagens desse incômodo mestre, tornei-me para muitos uma indesejável e enfadonha companhia; um pretenso sábio, que na verdade não passa de um louco; mais um, em meio a tantos profetas, messias, filósofos, e iluminados. E neste momento em que tudo parece confuso para tantos, ignoro tudo e busco respostas junto a esse meu ‘Prometeu’ moderno, ‘renascido’ dentro de mim e oriundo de distantes galáxias, na esperança de que seu facho de luz possa iluminar mentes ávidas por conhecimento que vá além do convencional.

Assim, meio sem jeito, e me sentindo um tanto ridículo com a minha postura, eu lhe pergunto: ‘Afinal, estamos diante de um apocalipse iminente de proporções gigantescas, ou tudo isso não passa de mais uma infantil alegoria, fruto de brincadeira dos deuses com os humanos, para despertá-los da estúpida letargia espiritual em que se meteram?’. - Percebo um profundo silêncio em seguida, como se aquele invisível ‘titã’ não estivesse a  fim de me responder momentaneamente. Um vazio absoluto me reduz por segundos a uma insignificância total. Por alguns momentos sinto que estou querendo penetrar o insondável; tentando conhecer o segredo das coisas imperscrutáveis, e devido a isso, uma imensa tristeza se abate sobre meus pensamentos, fazendo dar-me conta dessa pequenez humana, e perceber como somos impotentes diante do que é grandioso, e do nosso medo frente à certeira finitude material que nos aflige. Em meio a essa reflexão, como que para me acalmar, meu guru invisível sussurra: "Morremos a cada fase de nossas vidas, renascendo cheios de interrogações. Todavia, a essência daquilo que somos não acaba jamais, e nos ensina o caminho. Atravessando as planícies do tempo, essa energia irá fluir serena por todos os espaços por onde penetrar”. Sorrio um tanto desajeitado, tentando disfarçar minha intimidade com aquele guru, cuidando para que à minha volta ninguém perceba meu estranho comportamento, e como um alienado sigo caminhando.

Alguns patos e gansos aos gritos atravessam o meu caminho em busca de alimento, e enquanto isso, insisto em retomar meu questionamento, por saber que essa é a angústia reinante entre a maioria dos seres terrestres neste momento. Tenho pressa em achar uma resposta convincente, ao mesmo tempo em que temo por sua agudeza, pois sei que a sabedoria universal se revela quase sempre com uma inteligência penetrante, especialmente diante da inépcia humana. Estou convencido de que nossa espécie gosta de se apegar a coisas concretas, palpáveis, e que essa materialidade invariavelmente nos impede de enxergar além do convencional. "Ficamos maravilhados com aquilo que nos parece complexo, artificial ou muito elaborado; entretanto, a alma se encanta pelo que é singelo, porque é disso que ela é formada e é disso que se alimenta", sopra aos meus ouvidos aquele inseparável mentor. Nos sabotamos sutilmente, de maneira quase incompreensível quando desafiados a enfrentar dogmas e paradigmas incutidos por inescrupulosos manipuladores da mente humana; e dessa forma, por mera ignorância ou despreparo, entramos em pânico diante da mais simples ameaça;  tal qual boiada conduzida por agressivos peões, armados com imaginários ferrões, nos aniquilamos sem perceber que tais vilões não passam de meras ficções. E ao bloquear nossa visão, nos fechamos a todas as possibilidades de uma mente livre. Viramos escravos de medíocres interpretações, recheadas de simbolismo, e como prisioneiros desses modernos Leviatãs, monstros mitológicos que vão se tornando reais à medida que a eles damos consistência e vida, vamos minando nossas próprias forças e a capacidade de encará-los, por percebê-los como a encarnação do mal; e, portanto, algo insuperável ou invencível.

Minha caminhada vai aos poucos ganhando passos firmes e determinados, e já nem percebo que me tornei invisível à maioria daqueles que passam por mim ou se deixam ser ultrapassados. Sou algo fluido, que se expande como um líquido que escorre entre rochedos; minha flacidez é espontânea e natural, sem pressa ou resistência. E enquanto sou permeado por essa sensação, mais uma vez esse inquieto mentor virtual suavemente me lembra: "Como silenciosas águas que deslizam entre escuras cavernas, eu te penetro. Nas tuas entranhas fluirei sereno e por instantes serei parte de ti. Algo de mim restará contigo para sempre e com ela construirás as mais belas fantasias. Quem sou eu?... Sou a palavra que acolhes e o sentido que queiras me dar". E é nesse exato momento que me dou conta do determinante papel da interpretação que damos às palavras. É a interpretação que cria uma multiplicidade de visões, como se fossem verdades absolutas. E nesse emaranhado nos perdemos, nos arrogamos de senhores, nos revelamos prepotentes, nos agredimos e até nos matamos. Por conta dos dogmas e doutrinas que criamos a partir do intrincado leque das percepções, engessamos nossas mentes e corações de tal forma que passamos a gerar as mais absurdas teorias, sem nos darmos conta de que estamos criando terríveis armadilhas que só irão desencadear o medo e a insegurança no devir; e represar involuntariamente o fluxo permanente, cujo movimento ininterrupto, cria, recria e transforma todas as realidades existentes.

Minha respiração se torna ofegante. Sangue e oxigênio circulam agora sincronizados numa intensa profusão, liberando imprescindíveis hormônios da serendipidade, estimulando a capacidade de atrair coisas que nos deixam felizes, ou de fazer-nos descobri-las por casualidade. Em outras palavras, a predisposição para o insight. O grandioso momento de estar na presença daquilo que convencionamos chamar de Deus. E nesse momento de solitária epifania, meu ubíquo mentor o resume para mim: "Sou a energia presente em cada mínima célula do teu corpo. Sou o ar que respiras e a beleza que às vezes até ignoras. Sou o medo que te assusta e a força que te faz superá-lo. Sou o inimigo que te aflige e o amigo que te acolhe. Tu me criastes e por isso me vês em todas as coisas"... E com sua voz serena e inconfundível brotando de desconhecidas profundezas continuou: "A vida é um escuro labirinto onde seus atores se perdem em meio à multiplicidade das opções de escolhas. Não há ontem nem haverá amanhã, apenas um raro e determinante momento de decisão que define tudo para sempre".

Enquanto essas palavras ainda reverberavam em minha mente, uma singela mensagem chegava de alguma parte do universo, a me confirmar que “a verdadeira felicidade não estava na estação de chegada, mas na maneira de viajar”. E foi então que me dei conta: O medo do fim é próprio dos que não fizeram da viagem algo extraordinário. Daqueles que não aproveitaram cada minuto da caminhada para viver seus valores com plena intensidade; porque, como ensina nosso sensível guru virtual, "fundamental é viver cada minuto, consciente da irreversibilidade do tempo, e transformar cada segundo em um momento mágico que não se repete jamais". Foi inevitável não lembrar nesse momento das palavras do banido apóstolo João na ilha grega de Patmos, quando após um poderoso insight, por volta do ano 95 d.C. sintetizou sua visão 'apocalíptica' do mundo, em um livro que assombraria os humanos pelo resto de suas existências. E em uma de suas mensagens advertia: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”; numa clara analogia à postura daquele que não coloca em suas atitudes diárias a confiança plena no que faz; a energia vital que impulsiona o querer e o realizar, e transforma o 'viver' numa experiência irreversível e única, independente do momento em que ele possa terminar, conscientes de que “somos todos personagens de uma lenda que não termina jamais. Não há antes nem haverá depois. Apenas um agora que se eterniza através dos tempos".

À medida que eu ia reduzindo meus passos para encerrar mais uma solitária caminhada em torno do magnífico lago, aquele insistente mentor me envolvia com suas penetrantes palavras, na esperança de que elas pudessem ser escutadas por muitos daqueles que andavam com seus corações angustiados por um ameaçador apocalipse terrestre. "Há uma intensa energia que me conduz, transportando visões que te extasiam. Em cada palavra, a revelação da essência do que sou, sem que percebas que em ti me realizo e me completo. Desperta, e sentirás a minha presença por toda parte". Toda essa reflexão ia aos poucos me fazendo lembrar, como já se tornara visível a destrutiva relação humana no planeta, onde a mentira, a injustiça, a degradação, e a impiedade haviam corrompido a verdade por conta da vaidade pessoal, atiçando uma ‘ira divina’, como resposta da sabedoria universal que a tudo permeia, sem qualquer relação com algo sobrenatural ou catastrófico. As palavras daquele invisível mentor agora me induzia a observar o caos que vemos gradualmente se instalar entre seres humanos, revelando uma nova torre de babel que chega para confundir mentes pretensamente superiores. E assim, com uma marcante mensagem falou-me: "Estamos sim no fim de uma era; todavia, o fogo que irá consumir a humanidade não será físico; será formado por pura energia transformadora, para que a luz se expanda e a força criadora se restabeleça, ainda que à revelia do poder de destruição que ameaça não o planeta, mas, os seus maravilhosos habitantes"





*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio.
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.


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