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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Eternos Aprendizes





Por Maurício A Costa*

Mauricio A Costa
Autor de 'O Mentor Virtual'
"Nossa história é formada por decisões inspiradas em cada pequeno detalhe do caminho. Não há erros nem acertos, apenas escolhas possíveis, porque viver é uma ópera ao vivo e sem ensaios, diante de múltiplas possibilidades. Em meio ao caos vamos alinhavando o nosso destino".  (‘O Mentor Virtual II’ - Campinas-SP – Em gestação). 
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Ao longo da minha jornada pessoal e profissional, tive a oportunidade de atuar com vários tipos de pessoas; e algumas delas se tornaram muito especiais para mim, marcando para sempre a minha vida, por suas recomendações sábias, posturas dignas e decisões sensatas. Lembro-me com carinho de um desses personagens da minha história, quando diante de um delicado momento, que exigia muita prudência, procedi de maneira inadequada, por imbecilidade ou no mínimo imaturidade. Numa situação que requeria uma enorme dose de cuidado, eu agi de forma ingênua, como um jovem despreparado que ignora a perfídia humana. Meu principal ‘equívoco’ naquele momento foi confiar em pessoas que de maneira inescrupulosa e interesseira são capazes de distorcer palavras, criar falsos cenários, obliterar a verdade, e desfigurar os fatos com o único propósito de conquistar simpatia, ou se autopromover ainda que à custa de atos de mera conspurcação. Embora isso não tenha gerado transtornos maiores, quando oportunamente procurei me desculpar por aquele mal entendido, escutei palavras sábias de quem poderia naquele momento haver repreendido minha atitude. Com ar sereno e uma voz pausada, no entanto, apenas me disse: ‘Nem sempre podemos expressar o que sentimos ou pensamos para qualquer um porque não sabemos como irão interpretar o que falamos; esqueça o fato e aprenda com ele. Para mim isso já é passado’.

Por conta de situações como essa, gosto de me definir como um eterno aprendiz. Alguém que não deve jamais achar que pode se dar ao luxo de parar de aprender. Por isso, criei a metáfora do ‘mentor virtual’ que carrego comigo, a me corrigir incessantemente, através de suas mensagens. Esse personagem é a somatória de todos os mestres que fui encontrando pelo caminho, e é formado a partir do amálgama de tantos seres humanos, como esse citado no parágrafo anterior, que de alguma forma contribuíram para minha formação. Um processo perene, infindável, inexaurível. E é esse ‘mentor virtual’ que agora me lembra: “Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes. Apenas flashes de um momento”. (‘O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Em gestação).

Marcos Valério
Nos dias atuais, temos a impressão de que vivemos numa ilha de fantasia, onde verdades e mentiras misturam-se em um enorme caldeirão e não há como distingui-las, tornando impossível optar entre o certo e o errado. Aquilo que nos parecia verdadeiro alguns minutos atrás, pode ser visto como um grande equívoco no minuto seguinte e vice-versa. Tomar partido de algo ou alguém pode vir a se transformar numa indesejável temeridade e nos causar imensos dissabores. Interpretar ou defender esse ou aquele princípio pode não ser a melhor opção em questões de dias. O desenrolar dos fatos, a revelação de informações desconhecidas, ou uma simples separação de interesses pode provocar tempestades impensáveis, a mudar toda visão. Comungo com a ideia de que não há verdade absoluta, há sim desdobramentos que vão produzindo novas percepções e revelando a verdade de maneira gradual. Isso me faz pensar o quanto somos ingênuos na maior parte do tempo, ao defendermos essa ou aquela posição, ou ao nos juntarmos a empreitadas temerosas, sem que tenhamos a mínima noção de nossas escolhas. Mais uma vez, como ensina meu inseparável mentor: “O ser humano é livre por natureza. Por ter consciência de si mesmo, goza de plena liberdade, e por suas escolhas é responsável. O destino é apenas um imaginário ponto de referência, porque nada no universo tem caráter definitivo”. Todavia, embora nossas escolhas não possam ser tachadas, de maneira predisposta, como certas ou erradas, é imprescindível que tenhamos a consciência de que haverá sempre um preço a ser pago por cada uma delas. Cada pensamento é uma alternativa; cada palavra carrega uma opção; cada decisão resulta de uma eleição que procedemos. Assim, mesmo quando decidimos por não optar, já fizemos uma escolha.

Fernando Collor
O ambiente caótico das empresas contemporâneas deriva em boa parte desse eterno paradoxo resultante das escolhas. Muitas decisões vistas como acertadas em determinado momento se revelam completamente equivocadas e sem sentido em questão de dias. A visão que tem alguém maduro e experiente sobre determinado fato pode não ser a mesma que um jovem despreparado ou excessivamente ambicioso possa ter. A maturidade analisa desdobramentos e pesa eventuais consequências; enquanto a impetuosidade emocional conduz a decisões apressadas impulsionadas pelo ímpeto do sucesso aparente e inconsequente. Por essa razão, vemos diariamente muitos empreendimentos surpreendidos pela falácia de jovens executivos, alicerçados unicamente em teorias elaboradas em universidades de renome, mas distantes da realidade ou da cultura local. Decisões não podem resultar exclusivamente de teorias. Teorias são vetores a indicar direção, jamais pontos de demarcação do alvo; pela simples razão de que, especialmente nos dias atuais, o alvo é móvel; ‘um imaginário ponto de referência’, por vivermos momentos onde a velocidade da mudança é quem indica o próximo passo, fazendo com que a experiência fale mais alto que a impetuosidade. Esperar, portanto, que alguém excessivamente jovem possa comandar o pensamento estratégico de um empreendimento rumo ao sucesso é tão temerário quanto delegar a um idoso uma tarefa operacional que demanda vitalidade, mobilidade e força. Como piloto, gosto de lembrar o que aprendi com mestres que me ensinaram a voar: ‘a direção é sempre mais importante que a velocidade’. Se você estiver ‘voando’ na direção errada, quanto mais veloz, mais estará na direção do desastre.

Muitas empresas estão gastando uma imensidão de recursos financeiros em treinamento para seus jovens executivos, na esperança de prepara-los precocemente para funções de maior responsabilidade, ignorando ou até mesmo aposentando seus ‘sábios’ internos, quando deveriam aprender com civilizações mais antigas como as orientais, que tratam da transferência de sabedoria ou conhecimento como algo sério que não pode ser subestimado, sob pena de colocar em risco tudo o que foi conquistado até então. O idoso é o pajé, é o xamã, é o cacique, é o sacerdote, é o mestre; o jovem é o aprendiz, o guerreiro, o herói. Quando essa ordem é invertida, o resultado é uma troca infindável nas cadeiras no comando. Não esquecendo também que, aquele que se prevalece do conhecimento e faz disso uma base para o engodo, a enganação, ou a prepotência, seja ele jovem ou maduro, estará criando uma base falsa para sua estrepolias, e a conta a pagar virá mais cedo ou mais tarde.

Feliz quem se assume como eterno aprendiz, ao contrário daquele que se autoproclama de maneira arrogante como senhor absoluto da razão e dono inequívoco da verdade. Sábio aquele que tem humildade para compreender esse princípio e aplica-lo em sua vida, sua família ou sua empresa. Viver é um processo evolutivo que implica numa reciclagem constante, com a consciência de que tudo está em permanente mudança.

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br 




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