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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Diz-me Com Quem Andas...



Por Maurício A Costa

"O mundo irá lhe olhar com respeito se você respeitar a si próprio. Não se intimide, nem se subestime; tampouco superestime o outro, porque muito do que vê é pura fachada para intimidar-lhe. Ignore isso e seja simplesmente você, com tudo o que o universo de forma exclusiva lhe deu." ('Fragmentos do Mentor Virtual' – Campinas-SP – Em Gestação)

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Tenho me questionado com frequência sobre a imponderabilidade do destino que cada um de nós vai construindo durante a efêmera jornada, e uma das perguntas que me aflora invariavelmente diz respeito à importância da companhia daqueles que cruzam nossos caminhos, e mais ainda, daqueles que de alguma forma passam a fazer parte da nossa vida, mesmo que por um rápido intervalo de tempo. Já escrevi diversas vezes sobre as consequências de nossas escolhas, e em alguns momentos destaquei também a gravidade de aceitarmos com passividade sermos a escolha de alguém. Em ambas as situações, quando não refletimos com profundidade sobre o assunto, e deixamos as coisas correrem sem uma análise dos desdobramentos possíveis, corremos o risco de nos tornarmos reféns dessas escolhas, ou pior, de arcar com pesadas desilusões e traumas, além de pagar um alto preço por essas decisões equivocadas. 

Como ser humano, ou na qualidade de executivo, empresário ou consultor independente, caminhei ao lado de pessoas magníficas que muito me fizeram crescer, mas não foram poucas as que muito me decepcionaram; algumas delas não passaram de vampiros dos tempos modernos, preocupadas unicamente em ‘sugar’ suas ‘vítimas’. Disfarçados sob a pele de inofensivos cordeiros, encobrem suas verdadeiras identidades, ludibriando sem o mínimo escrúpulo qualquer um que cruze o seu caminho; construindo cenários paradisíacos que na verdade escondem um lamaçal de mentiras, engodo e falsidade, cujas consequências só se tornam perceptíveis com o passar do tempo. Mas a essa altura, a vítima já está ‘envolvida’ o suficiente para sair do cipoal. Não é necessário ir muito longe para identificar esses camuflados. Basta que se analise as posturas, comportamentos e acima de tudo as ‘ostentações’ com que costumam desfilar tais ‘personas’, visando demonstrar para o mundo ao seu redor uma falsa identidade, uma aparente marca forte, vazia, no entanto, de conceito e valores. Tais ‘seres’ agem com frieza absoluta, ou total maquiavelismo, para a conquista do poder e visibilidade, e quase sempre saem incólumes de situações vergonhosas, ultrajantes e mesquinhas, por conta dos ‘scapegoats’ (bodes expiatórios) que mantém à sua volta, para suas peripécias, maquinações ou falcatruas. 

Novela Avenida Brasil (Rede Globo)
Em nossas decisões diárias, algumas vezes por imposição das circunstâncias; em outras por ingenuidade ou insensatez, nos deixamos iludir pelo ‘canto da sereia’ dessas criaturas oriundas de mundos estranhos, cujas fachadas não são nem de longe aquilo que realmente carregam dentro de si. Criaturas que costumam aparentar indescritível beleza, mas por dentro não passam de horripilantes vermes; mostram-se perfeitas, mas não passam de figurantes de uma farsa colossal; posam de poderosas, todavia seu poder é destrutivo e corrosivo, pois o está construindo sobre a base da mentira e enganação. 

Retornando ao ponto inicial de reflexão desta matéria, eu me pergunto: Como podemos ser donos de nosso próprio destino, se vivemos permanentemente cercados por essas vis criaturas? Como proteger-se de envolvimentos com pessoas que carregam tamanha carga virulenta em suas entranhas? Como identificar as intenções por trás de fantasiosas máscaras a esconder a realidade? Como saber se são acertadas nossas escolhas quando não temos certeza daquilo que vemos? As respostas não costumam brotar com muita facilidade. São questionamentos difíceis e angustiantes, que pode levar até mesmo ao ceticismo, de não se acreditar em mais nada. Esse incômodo questionamento cresce ainda mais quando o transpomos para o ambiente empresarial ou corporativo. Como ensina o mestre da psicologia, Karl Jung: “Quando um grupo é muito grande cria-se um tipo de alma coletiva. Por esse motivo a moral de grandes organizações é sempre duvidosa... O indivíduo na multidão torna-se facilmente uma vítima de sua sugestionabilidade”. (Jung, Karl em ‘Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo’ – Pág. 130 – Ed. Vozes –  4a. Edição -Petrópolis-RJ – 2000). - Daí o perigo da manipulação de equipes por pseudo líderes em suas Empresas e corporações, ou de uma sociedade inteira por partidos políticos, transformando a vida de magníficos seres humanos em infernos pessoais sem explicação de uma hora para outra, criando uma legião de covardes, amedrontados, e acorrentados em vagões que os conduzem por trilhos que jamais pensaram percorrer, para destinos incógnitos, quiçá temerosos. Vítimas de suas escolhas, ou de interpretações equivocadas por conta de falsos discursos? Incompetentes para construir o próprio destino, ou impotentes diante da ignomínia generalizada pelo incompreensível faz-de-conta de disfarçadas atitudes a esconder verdadeiras intenções? Ingenuidade, ou subserviência? Condescendência, ou cumplicidade condicionada? Perguntas cujas respostas cada um de nós deve investigar e analisar com o devido cuidado, pois podem provocar enormes mudanças de atitude diante daquilo que parece convencional e aceito como verdade ao longo de anos. 

Como ousadamente declara o psiquiatra e escritor, Irvin D. Yalom, em seu livro ‘A Cura de Schopenhauer(Pág. 197 – Ediouro – Rio de Janeiro – 2006): “A primeira regra para não ser um brinquedo nas mãos de qualquer velhaco, nem ridicularizado por qualquer imbecil, é manter-se reservado e distante”. Nos perdemos de nós mesmos sempre que nos afastamos de nossos mais arraigados princípios. Abandonamos nossa identidade quando deixamos de lado nossos valores e passamos a acreditar em canalhas travestidos de amigos, líderes, sacerdotes, empresários, ou políticos. Citando mais uma vez a obra em questão, vale a pena refletir sobre um trecho do filósofo estoico Epícteto, (citado à pagina 198): “Se você se interessa muito por filosofia, prepare-se para ser motivo de riso e escárnio de todos. Se persistir em seu interesse, saiba que essas mesmas pessoas depois irão admirar você. (...) E que, se por acaso der atenção a fatos externos, para agradar a quem quer se seja, fique certo de que arruinará seu estilo de vida”. Lembrando aqui que o termo “filosofia é uma expressão que vem do grego e significa literalmente ‘amor à sabedoria’; o estudo de tudo que está relacionado à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem”. Não se está falando de divagação insana ou mera abstração desprovida de contato com a realidade. Ela é fruto do encontro do ser humano com o que considera de mais superior, e sua relação com o mundo exterior. 

Uma singela resposta para todas essas indagações, eu encontrei nas palavras do meu inseparável mentor no topo deste texto: "O mundo irá lhe olhar com respeito se você respeitar a si próprio”. Por isso, repito todos os dias para mim mesmo, algo que pode parecer óbvio à primeira vista, mas não é. Carrego comigo essa frase como um budista que repete um mantra sagrado, complementando-a com outro fragmento do Mentor Virtual que ensina: "Se você não acreditar em si mesmo, como esperar que outros o façam?" (‘O Mentor Virtual’ - Pág. 163 - Ed. Komedi - Campinas-SP - 2008). 

É imperativo ter consciência de que "A mentira, o fingimento, a hipocrisia e a falsidade não passam de artimanhas daquele que não usa a sabedoria. São perigosos bumerangues que uma vez lançados retornam de forma violenta trazendo vingança, rancor e maldição". (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP – Em gestação). O tempo se encarrega de mostrar os verdadeiros heróis da humanidade e revelar a farsa dos canalhas disfarçados pelo embuste. Por isso, finalizo com mais um fragmento desse meu imprescindível mentor: "Não confie em nada fora de você. Não seja mais um na multidão de insensatos. Não se iluda diante da falsidade, e não venda sua alma por futilidades. A vaidade é a maior de todas as armadilhas". Escolha com sabedoria aqueles que merecem sua companhia, que verdadeiramente adicionarão valor à sua marca, e não apenas você à marca deles. Escolha de maneira sábia, principalmente aqueles a quem pretende seguir como líderes; quer como empresário, político ou sacerdote. Fuja da farsa e do engodo. Suas escolhas definirão seu destino e a sua história. 

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. 

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br 

2 comentários:

  1. Maurício,

    Com certeza criar uma identidade sem se perder nos papéis e na forma que o interpretamos é uma tarefa muito difícil, já que somos exigidos, ou nos colocamos diante dos outros desta forma. O ego no impõe esta condição de aceitação pelo o outro...o que aprendi é que independente da autenticidade de minha identidade, se desempenho meus papéis com o amor de auto aceitação, me torno menos frágil em relação ao julgamento externo e ao meu próprio jugalmento; precisamos apenas reconhecer que somos espelhos uns dos outros, tudo está dentro de nós. As escolhas ganham força quando estamos conscientes disso, e nos tornamos mais legítmos, e menos influenciáveis ao que é "melhor".Como sempre admiro sua forma de explicar e de nos conduzir. Amei seu artigo, e sempre ao final, elaboro o que refleti. Forte Abraço!

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    1. Olá Renata:
      Suas reflexões complementam de forma inteligente este artigo.
      Acabo de ler seu livro "Norte Urgente" e achei-o de uma lucidez magnifica. Parabéns peli belo texto produzido. Que este seja o primeiro de uma série de revelações da sua alma.
      Um abraço carinhoso,
      Mauricio A Costa
      Editor do Blog Marcas Fortes

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