Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sábado, 13 de outubro de 2012

Personas. As Múltiplas Máscaras do Ser





Por Maurício A Costa*



"Desenhando imagens que traduzem nossos desejos mais íntimos, construímos fantasias que nos levam a sonhar para além de toda realidade. E é assim que, em agitados voos por espaços desconhecidos nos perdemos no horizonte de infinitas buscas sem noção do tempo" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP)


________________________________



Por ser piloto, e haver me tornado amigo de vários comandantes de muitas companhias aéreas, fui algumas vezes gentilmente convidado a voar na cabine de grandes jatos. Foram momentos de muito aprendizado e de enorme crescimento pessoal. Certa vez, em uma de minhas viagens para a Europa, sobrevoando um trecho sobre o norte do continente africano, tive a rara oportunidade de ver de cima, uma das mais belas paisagens do planeta: o deserto do Saara; uma indescritível visão, especialmente quando apreciada em pleno amanhecer, sob o efeito dos raios solares incidindo sobre colinas formadas por dunas e montanhas dos mais variados formatos. Algo singelo e ao mesmo tempo grandioso que jamais esquecerei; impossível de traduzir em palavras, pois para a alma a essência só pode ser percebida em seu sentido mais abstrato, e expresso em linguagem figurativa, uma vez que para muitos, o visível é aquilo que é concreto, e a isso se dá o nome de realidade, como se a realidade fosse unicamente o que está ao alcance dos olhos.

Enquanto apreciava em silêncio aquela indescritível visão, meus pensamentos fluíam na velocidade daquele enorme pássaro de metal, quando de repente, uma pergunta contundente e incômoda me aflorou a mente: ‘Afinal, Quem somos nós?...’ Uma questão intrigante, que já se tornou até tema de filme, e para a qual nunca temos explicações convincentes, e se dispomos, são apenas respostas vagas, imprecisas, e invariavelmente acompanhadas de um milhão de outras perguntas. Sabemos que podemos ser qualquer coisa e ao mesmo tempo não ser nada; que é possível assumir qualquer papel, mas repentinamente nos sentirmos incomodados com posturas que somos obrigados a desempenhar no dia-a-dia de nossas efêmeras existências, sem a mínima noção de ‘porque’ assumimos tais papéis; E assim, vamos gradualmente nos tornando a soma de todas as nossas loucuras, ou nas palavras do meu mentor virtual: ‘a mistura de anjos e demônios num balé de incríveis proporções... Um reflexo autêntico de nossas inquietudes, vagando por espaços indefinidos com atitudes das mais imprevisíveis.

À medida que aquele enorme dragão deslizava entre nuvens que mais pareciam imaginários colchões disformes, dentro dele eu seguia absorto, ignorando a presença dos meus amigos pilotos e o que se passava na cabine, anotando em uma folha de papel fragmentos que mais tarde se tornariam inspiração para um livro, ainda em estágio de gestação. E assim, voando a mais de trinta mil pés de altitude, eu transcrevia uma das mais significativas metáforas desse meu inseparável mentor: "Como nômades, perdidos entre milhões de caminhos, vagamos desolados, ora reféns de nossas próprias escolhas, noutras, açoitados por tempestades que não fomos capazes de prever. Somos deuses, e ao mesmo tempo, infinitamente pequenos diante de desafios avassaladores, que nos põem à prova a cada minuto do breve existir" ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível).

Ao perceber a imensa angústia humana à qual, consciente ou inconscientemente, nos sentimos submetidos, eu tento encontrar respostas para essa questão existencial; e através de pensamentos que brotam em meio a brumas do próprio tempo, reflito sobre a ideia de que somos feitos de incontáveis camadas de almas que vão se sobrepondo por gerações, formatando algo único, porém indefinido, e inconstante; uma alma indecifrável, alienada em sua busca pelo novo. Carl Jung, pai da psicanálise moderna, explica tamanha complexidade ao nos ensinar sobre as múltiplas máscaras que utilizamos, dando vida a ‘personas’, ou personalidades que assumimos diante das mais diversas situações, nos fazendo agir de maneira ambígua, incoerente ou incompreensível frente a situações semelhantes, a ponto de não nos reconhecermos. Encontrar pontos de contato entre esses mundos que percorreu nossa alma ao longo de milhões de anos, torna-se um desafio imensurável em especial quando tentamos entender o outro, pois na verdade não conseguimos sequer compreender a nós mesmos. Por essa razão, é insensatez querer definir coisa alguma como verdade absoluta. Tudo é relativo. Tudo tem a sua própria razão de ser, seu momento específico, sua explicação momentânea.

Hoje, quando me dizem que mudei muito, não me surpreendem, porque não estão a dizer algo estranho ou que me incomode. Pelo contrário, estão a afirmar uma verdade universal: a de que somos seres em constante mutação, experimentando uma evolução permanente. Aquilo que falei ontem pode se tornar obsoleto hoje. Uma postura tomada por mim como correta há trinta anos, pode não ser aquela que tomaria hoje. Alguém que apreciei tempos atrás pode não merecer mais meu respeito. Uma conclusão definida como a melhor no passado já não me serve mais no presente, e assim por diante. Sou um ser dinâmico, que se renova a cada minuto, por ser afetado pela sabedoria universal que me permeia e me modifica. Não há como ser algo constante, imutável, e rígido, pois estou sob constante efeito do movimento, da energia transformadora que produz a infinita reciclagem do universo. Podemos ser uma nova ‘persona’ a cada novo encontro com o outro. Isso não significa falta de personalidade, e sim a competência para a adaptação. Como dizia Charles Darwin, ‘a continuidade de qualquer espécie depende de sua agilidade para adaptar-se’. Ser imutável em mundo em renovação permanente pode significar sua extinção. "Morremos a cada fase de nossas vidas, renascendo cheios de interrogações. Todavia, a essência daquilo que somos não acaba jamais, e nos ensina o caminho. Atravessando as planícies do tempo, essa energia irá fluir serena por todos os espaços por onde penetrar. Viajando sem destino certo, nosso legado será a força e a beleza da nossa marca pessoal" ensina mais uma vez ‘O Mentor Virtual’. Para nada servem os rótulos. Eles não são mais que impressões passageiras, em um mundo de frenéticas transformações. 

Essas reflexões nos sugerem que devemos encarar com absoluta naturalidade, toda e qualquer mudança, por mais radical que nos pareça de imediato. Seja ela, uma separação, um processo de falência, ou uma perda insubstituível. É preciso vê-las como magníficas oportunidades de reciclagens, enxergando o novo com um olhar desafiador, e acima de tudo confiante. Em cada momento do nosso existir seremos uma nova ‘persona’, desfilando incompreensíveis máscaras, porque é decisivo assumir as rédeas do próprio destino, sabedor de que viver impõe corajosas atitudes diante da mudança. Exige atuar com sabedoria, consciente da importância transitória de cada papel; pois inteligência não é ser compatível com expectativas externas, mas ser coerente com suas próprias verdades, ‘porque ninguém vai viver nossos sonhos’, diria o poeta. Independente de momentâneas máscaras, nosso ser mais profundo está impregnado de valores que para ele são eternos, e são esses valores que formam nossa verdadeira identidade; nossa marca; Pessoal; Intransferível, e  Única.

__________________________________

___________________________


*Maurício A Costa é Pensador e Estrategista; ou numa linguagem atual, um ‘Design Thinker’. Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar (vinculado a resultados) de empreendimentos que estejam em busca da excelência de gestão, e interessadas em aprimorar seu pensamento estratégico para alavancagem de receitas e rentabilidade.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

É o editor do blog 'Marcas Fortes': http://www.marcasfortes.blogspot.com



2 comentários:

  1. " Se quiser enxergar mais longe, você precisa sair de onde está! mexa-se" ( O Mentor Virtual)é uma fonte de inspiração e no Blog MARCAS FORTES há uma imensidão de motivos para estar atenta e encontrar MARCAS que me ajudam a percorrer o CAMINHO...Obrigada Mauricio...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Ilda pelos comentários e palavras de estímulo.
      Um abraço cordial.
      Mauricio A Costa

      Excluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.