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domingo, 9 de setembro de 2012

Razão e Sensibilidade




Por Maurício A Costa*



"Abandonamos a crença espontânea no outro para nos tornarmos um bando de céticos em relação a tudo. E assim, a lei da sobrevivência em um mundo altamente competitivo aos poucos nos transforma em ferozes predadores da própria espécie, sem qualquer pudor ou noção de limites." (Fragmentos do Mentor Virtual – Campinas-SP)
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Alguns dias atrás visitando um conhecido ‘Head Hunter’ em Campinas, cujo nome omitirei por questão de respeito, mencionei a ideia de reinventar-me. Falei durante alguns minutos com transparência e objetividade sobre algumas frustrações atuando como 'Advisor' para empresários cuja vaidade muitas vezes supera o bom senso, e por isso, acreditava que este fosse um momento adequado para recriar novos caminhos, que resultassem numa realização pessoal mais intensa. Comentei que gostaria de alterar um pouco a minha trajetória, buscando uma posição como Executivo, ou até mesmo Partner  de algum empreedimento que necessitasse de alguém com o meu perfil, marcado principalmente pela experiência e a preparação, como ele poderia ver no meu histórico. Depois de algum tempo de conversa, em que ele me informou os valores que cobraria por sua assessoria e sua forma de atuar, (os quais não contestei), ele me falou com um tom grave, de quem profere um sério e decisivo julgamento:
apesar de reconhecer sua bagagem, trajetória e preparação, e de ver que você está muito bem física e mentalmente, eu acho que não vai ser fácil encontrar uma empresa interessada em contratar alguém com sua idade, por essa razão, vou lhe dizendo desde já, que não tenho interesse em assessorá-lo ’... Confesso que em um primeiro momento fiquei estarrecido com aquela postura. Não por me sentir alguém descartável, em final de carreira, pois sinto o oposto a meu respeito, isto é, alguém que além de estar muito bem fisicamente, se preparou a vida inteira para começar algo novo a qualquer momento, com uma visão extraordinária da vida e em especial do ser humano. Na verdade, o que me estarreceu foi a atitude desse pretenso caçador de talentos, que ostentando o título de Psicólogo, não demonstrou ter a habilidade necessária para exercer a nobre missão a que se propõe. Para dar um toque de humor nesta história, depois desse encontro sinistro, comecei a pensar se não seria hora de comprar cadeira de balanço, rede, bengala, e quem sabe, encomendar túmulo, pois para aquele senhor, de mente ultrapassada eu já era definitivamente um sujeito com um pé na cova.

Warren Buffet
Esse fato produziu em mim algumas reflexões, especialmente quanto aos paradigmas que o homem é capaz de criar, e que o fazem agir de forma mecânica, sem a mínima noção das mudanças que se processam à sua volta. Como sabemos, a expectativa de vida do ser humano vem evoluindo significativamente nas últimas décadas por conta de hábitos alimentares, exercícios, e o avanço da tecnologia e da medicina preventiva. Assim, nos dias atuais é possível ver muitos ‘jovens’ de sessenta, setenta, e até oitenta anos praticando esportes, frequentando clubes, viajando pelo mundo, ou dirigindo empresas, deixando transparecer que, a energia pulsante, apesar de eventuais restrições pontuais, ainda continua efervescente dentro deles, mostrando-os potencialmente lúcidos, fisicamente ativos, emocionalmente estruturados, espiritualmente preparados, e acima de tudo, ávidos pela vida. É verdade que, cem anos atrás, a expectativa de vida média não ultrapassava os cinquenta e poucos anos, e alguém com mais de sessenta já era considerado um ancião. Em pleno século XXI, no entanto, isso pode ser considerado uma piada. Como mero exemplo, lembro Warren Buffet, que aos oitenta e dois anos de idade segue gerindo seus negócios, na qualidade de homem mais bem sucedido do planeta. 

Apesar das mudanças, nossa cultura, recheada de paradigmas e tabus, continua a valorizar a juventude, em detrimento da sabedoria; prefere a impulsiva força dos instintos ao equilíbrio da razão e sensibilidade daqueles que já caminharam por mais tempo entre as escuras florestas do comportamento humano. No primeiro tipo, o conjunto corpo/mente flui movido unicamente pelo instinto primitivo e a camuflagem, ignorando eventuais riscos de precipitadas decisões, e atuando como se vivesse uma interminável luta pela sobrevivência ou supremacia; já o ser experiente, age conduzido pelo equilíbrio entre mente, corpo, mas atento à própria alma sábia e sensível que foi capaz de identificar ao longo da jornada, consciente de que razão e sensibilidade são fundamentais para compreender que o universo é composto pela sinergia entre matéria e energia, e não apenas um ou outro isoladamente. Vale salientar, que não há melhor ou pior nesses comportamentos, eles são fases; etapas da condição humana que se analisadas com bom senso, se complementam. Complementaridade é a palavra mágica, visível apenas para aqueles que enxergam o mundo com uma visão descomprometida de velhos paradigmas. Nada funciona sem esse ‘interagir’ contínuo. O bem e o mal. O frio e o quente. Macho e fêmea. O velho e o novo. A vida e a morte. Tudo parte de um sistema que se auto alimenta, se recicla e se renova, para que o universo siga em sua infinita expansão.

Neste ponto, chamo a atenção para o despertar feminino nas últimas décadas. É visível a ocupação dos espaços que a  mulher vem fazendo, unicamente pelo fato de sua sensibilidade ser algo biológico; afinal, traz consigo essa sintonia com a alma de maneira natural. E é aqui que ela começa a superar o homem. Usa seus instintos como arma de sedução, e sua mente como ferramenta de proteção, mas age movida pela alma, sábia e sensível, que permeia todos os seus sentidos. Isso sempre fez da mulher um ser humano superior quando comparada aos comportamentos do homem, que a cada dia parece ‘emburrecer’ mais. Em sua vaidosa guerra pelo poder e pela dominação a qualquer preço, vai se tornado um animal predador sem limites, como ensina o mentor virtual no fragmento que abre este artigo. Por conta disso, a violência torna-se seu esporte favorito, e ele a cultua até mesmo nas horas de entretenimento (filmes, games, ou lutas corporais). Tudo por falta de sintonia com sua alma. Tudo por ausência de sabedoria e sensibilidade.

Há poucos dias, nós brasileiros assistimos indignados pela televisão, a deprimente cena de um ministro do Superior Tribunal Federal, o magistrado Cezar Peluso retirar-se de cena, no auge de sua competência e experiência, por conta da burra imposição de leis ultrapassadas, que exigem a aposentadoria compulsória aos setenta anos, quando isso deveria ser uma decisão de individual por livre arbítrio, ou em casos de saúde comprometida. Exemplos como esse permeiam nossa sociedade, e especialmente empresas burras, dirigidas por executivos movidos por impulso, ganância e vaidade. Enquanto em países civilizados a experiência, é reverenciada e até mesmo cultuada como algo decisivo à sedimentação da cultura e à preparação dos mais jovens; por aqui, vamos assistindo uma discriminação sem precedentes permear famílias, instituições e empresas, preocupada unicamente em copiar e colar informações que são incapazes de compreender. Assistimos atônitos, jovens executivos desfilarem suas arrogâncias, em um falatório de explicações inúteis para resultados pífios de suas organizações, que por sua vez se debatem para não serem incorporadas por empresas cacifadas por estruturas financeiras maiores.

Por conta desse quadro ridículo e deprimente, decidi por conceder-me um 'ano sabático', para analisar com serenidade meu momento, meu potencial, e o futuro que desejo para minha vida. Sem pressa, sem estresse, e sem desgastes; pelo simples fato de que não quero ser escolhido de forma unilateral por uma corporação ou empreendimento qualquer; serei eu quem irá escolher a empresa ou organização à qual me juntarei para ajudar a construir prosperidade. Não tenciono me prostituir como fiz no passado, sendo conivente com falcatruas de toda ordem. Desejo, pelo contrário, ser parte do crescimento inteligente de uma organização que tenciona crescer permeada pelo pensamento estratégico e não daquela que busca atalhos fáceis. Quero usar a sabedoria universal que disponho e toda sensibilidade que me for peculiar, para preparar equipes que acreditam no crescimento pessoal, alavancado por valores e não por jogos dissimulados, onde o engodo é a peça chave, e o mais esperto costuma ser eleito para o topo da organização.

Para finalizar, quero agradecer àquele ilustre Head Hunter, citado no início deste texto, por me propiciar esta reflexão, em um momento tão importante de renovação da minha vida. Enquanto isso, vou escrevendo metáforas do mentor virtual que através de mim vão ditando sua sabedoria transformadora, e fazendo do mundo à minha volta, um imenso laboratório de análises sobre esse ser humano que tanto me fascina e surpreende. E um dia, quem sabe, daqui 'sei lá quantos anos', quando eu estiver velho de verdade, terei deixado marcas fortes de minha passagem, que inspirem razão e sensibilidade em jovens e adultos que sequer conheço. Diferentemente do que pensa aquele 'psicólogo', para mim, a vida está apenas começando...
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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade. 
No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br


2 comentários:

  1. Querido Maurício,

    Após ler seu texto, me permita dar uma opinião sobre este seu momento? Há algum tempo acompanho seus escritos e acho que você já tem toda a sabedoria necessária para não mais ser um cooperador de uma empresa, ocupando um cargo de responsabilidade, acho sinceramente, que o seu preparo é para você ser o mentor de sua própria empresa. Uma empresa que você poderia criar para gerar valor e marca pessoal para as pessoas, como no caso deste "had hunter", que provocou uma reação de perplexidade em você, por não saber de fato se colocar em sua profissão, onde a garra de procurar oportunidades foi fatalmente atingida por uma percepção fácil e confortável. Ele pode ter sido prático, mas nem de longe foi profissional, porque ele já definiu algo sem se quer tentar, o que não combina em nada com a função de seu trabalho. Enfim...estou aqui como observadora e garanto que uma boa estratégia seria você fazer pessoas que não se acreditam, levantarem voo para alcançar elas mesmas seu potencial maior. Há algum tempo tenho vontade de montar um curso sobre isso. Vamos!? Senão fica a ideia de uma pessoa que te admira e vê em você o maior valor de todos, o valor inabalável da sua própria marca pessoal/existencial. Um abraço forte e cheio de esperança para você!

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    1. Olá, Renata:
      Agradeço por seu lúcido comentário postado nesta página. Como estou vivendo um momento para reinventar-me, todas as alternativas tornam-se objeto de análise e reflexão. Sem dúvida que focar em um projeto humanístico é uma opção formidável, especialmente considerando a criação de sinergia com pessoas como você. Estou neste momento avaliando com algumas pessoas aqui em Campinas o desenvolvimento do Projeto Mentor Virtual com esse propósito que você recomenda.
      Sugiro que entre em contato comigo através de e-mail (mauriciocosta@uol.com.br) para evoluirmos com essa ideia.
      Um abraço cordial,
      Mauricio A Costa
      Editor do Blog

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