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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mente, Corpo & Alma





Por Maurício A Costa*


"Há muitos que não alcançam o êxito em suas empreitadas porque o egoísmo não permite que compreendam o valor da sinergia. A vaidade de alguns, estimula uma lamentável e destrutiva 'autossuficiência' que lhes tapa de tal forma a visão a ponto de deixá-los incapazes de enxergar a importância de uma palavra mágica chamada complementaridade". (‘Fragmentos do Mentor Virtual’ – Campinas-SP)

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Immanuel Kant
Todos os estudos filosóficos, científicos ou religiosos, analisam a evolução humana a partir de uma conjunção formada por mente, corpo e alma; uma interação que resulta da ocorrência de eventos conexos, de forma isolada ou simultânea, mas que se complementam entre si. O corpo, formado por um conjunto de células ou moléculas define um organismo vivo, com seus atributos e instintos de autossuficiência e reprodução; a mente é a central nervosa que computa ininterruptamente informações para garantir sua sobrevivência ou perpetuação; e a alma nada mais é que a essência desse organismo, que a cada processo reprodutivo vai formando uma identidade única, carregando consigo informações de todas as manifestações da vida presenciadas ao longo de gerações. O ‘racionalismo’ de Kant, um dos maiores pensadores da era moderna, define a alma como o conjunto de atividades vitais que se confunde com a própria consciência pensante em sua dimensão psicológica ou orgânica, nada tendo de natureza substancial particular, isolável da materialidade corporal.

Georg Wilhelm Friedrich Hegel

Todavia, muitos filósofos e teólogos confundiram alma com espírito, e por conta disso, instalou-se a grande confusão que domina a maioria das seitas, fraternidades e religiões do mundo até hoje, já que ‘espírito’ não é mais que informação ou sabedoria universal que permeia todos os elementos do universo, a formar a unidade de um todo imponderável, imensurável e inexorável. O espírito é ‘imaterial’, síntese da sabedoria presente em cada mínimo componente desse todo, atuando como fluxo perene, em um processo infinito de construção, destruição e reconstrução da vida em suas mais complexas formas. O grande mestre, inspirador do Cristianismo, cujos ensinamentos vêm sendo deturpado ao longo dos séculos pelas mais diversas religiões, definiu sabiamente Deus como espírito, (João, 4) ou seja, a estupenda força que habita todos os seres; Nas palavras de Paulo de Tarso: "Não sabei vós que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" (I Cor. 3.16). Por isso, como ensina Hegel, o 'espírito é um princípio dinâmico, infinito, impessoal e imaterial que conduz a humanidade, desvinculado de qualquer ideia de transcendência'. Não existe, portanto, nada de sobrenatural nisso e nada tem a ver com a alma. A alma é a essência do ser, como indivíduo, que se propaga por meio da reprodução física ou propagação sensorial; e o espírito é a essência do todo; uno e indivisível como o vento. A danação ou felicidade eterna da alma, apregoadas pelas religiões, por meio de conceitos como céu e inferno após a morte, não é outra coisa senão a perpetuação de estados vividos por essa alma em sua propagação infinita através de gerações, já que para o corpo, a morte é o final de um processo; a desagregação completa de células que jamais irão se recompor como um mesmo organismo. A mente, como substância inerente à matéria, naturalmente, terá o mesmo destino.

Carl Gustav Jung
Para Carl Jung, o pai da psicanálise moderna, a alma é síntese da sensibilidade humana, e por isso, foi tomada como algo potencialmente feminino. Atua independente da mente, que por ‘maquinar’ ininterruptamente, (animus) ganhou características masculinas, já que ao macho coube, ao longo de seu processo evolutivo, desenvolver sua capacidade de ‘camuflagem’ para assegurar a sobrevivência própria, da prole, ou do grupo, e essa 'camuflagem' não é outra coisa senão o uso da mente em sua potencialidade máxima para garantir segurança, e em especial, dominação sobre outras espécies. Por conta disso, a mentira, o engodo e a falsidade se tornaram características típicas do homem, enquanto a 'sensibilidade' ganhou contornos femininos por conta da necessidade biológica da fêmea de cuidar intensamente da criação da prole, quase sempre em ambientes fechados ou protegidos pelo grupo.

Com o passar do tempo, e da evolução humana, o homem passou a utilizar a mente de maneira mais elaborada. Esse homem, originalmente focado em corpo e mente, passa querer entender sua alma, e a desenvolver a ‘sensibilidade’, atrofiada por séculos. Ganhou importância a visão quântica, e o sensorial passou a ter papel fundamental.  E é neste ponto que começa o despertar feminino, onde a mulher se torna uma competidora por excelência. À mulher, impõe-se desenvolver sua subutilizada mente. A partir daí, valores históricos passam a ter novas conotações. Casamento, filhos, finanças, trabalho, sexo, e poder começam a ser questionados de maneira quase irreconhecível para os padrões antigos. Conflitos se estabelecem, desagregações se multiplicam e um novo cenário vai se desenhando para a raça humana. Aos poucos vai desaparecendo o sentido de complementaridade entre homem e mulher, e os conceitos de macho e fêmea se tornam superados por acasalamentos nada convencionais, ou movidos por interesses que não mais a família como instituição secular. Agora é cada um por si e o egoísmo pessoal é que irá determinar o peso das relações. E neste ponto eu me pergunto: Quais as consequências desse processo? Para onde segue a humanidade? Qual o futuro da raça humana? De que forma evoluirá seu comportamento e como se dará sua interação? Como se equalizarão as forças provenientes dos instintos em sua luta permanente pela continuidade da espécie que exige complementaridade, quando confrontadas com o egoísmo crescente da individualidade exacerbada? Perguntas simples, mas que exigem reflexões profundas.

Em meio a tudo isso, me sinto perplexo ao ver o sucesso de vendas, especialmente entre as mulheres, de Cinquenta Tons de Cinza um livro recém-lançado pela escritora inglesa Erika Leonard James, cujo enredo central é a valorização do ter (enfoque no luxo) como poder; e o sexo doentio de relações sadomasoquistas. Confesso que não consigo entender, como em pleno momento de ânsia por liberdade um contingente enorme de mulheres ditas liberadas ainda se encanta com a submissão, mesmo que sob a forma de fantasia. Como explicar essa atração feminina por homens que transpiram dominação e violência, vistos por elas mesmas como ‘príncipes das trevas’? Não foi essa a postura tão criticada pelas mulheres por tanto tempo em relação ao comportamento masculino? Liberdade seria então equiparar-se ao homem em comportamentos sexuais sem restrições? Seria simplesmente sentir-se dona do próprio nariz, ainda que isso lhe imponha pesadas consequências?

Já com relação ao homem, é lamentável sua degradação em relação aos próprios princípios. A postura 'inteligente' dos dias atuais tornou-se aquela que está associada ao grau de esperteza. O homem admirado nos dias atuais é aquele cuja fachada seja a maior possível, ainda que o seu conteúdo seja nulo. E assim, a mentira vai se tornando base das trocas, e o engodo generalizando-se de tal forma que não é mais possível identificar empreendimentos sérios e seres humanos confiáveis. Corporações inteiras são tragadas por esse ‘non sense’ geral. Países afundam, graças ao tremendo faz-de-conta e enganação que permeia nações e organizações internacionais descomprometidas com a verdade; enquanto mulheres ensandecidas em busca da liberdade plena pela qual tanto ansiaram, ensaiam atitudes masculinas de competitividade, esquecidas de seu principal atributo que é a sensibilidade que trazem na alma. Aos poucos vão se tornando seres frios e calculistas, insensíveis ao que se passa ao redor, ou agindo movidas apenas por instintos, ignorando os insights de uma alma que se perde em meio a turbilhões de aventuras inócuas e vazias, que só trarão frustrações e angústias existenciais, uma vez que não estão preparadas para lidar com predadores cuja capacidade de disfarce remonta a milhares de anos. O resultado de tudo isso é uma desconfiança generalizada que se espraia entre seres complementares que gradualmente se distanciam da unidade original, para competir por espaços onde só há lugar para o individualismo selvagem que vai dominando o ambiente, em um autêntico 'salve-se quem puder'.

No bom senso que caracteriza o encontro dos opostos ou a multiplicidade de alternativas, algumas indicações surgem a mostrar caminhos, como aquelas pequenas setas amarelas do Caminho de Santiago: Não há como abrir mão do princípio universal da complementaridade. O dualismo presente em todas as coisas não conduz à divergência, mas à imprescindível convergência que leva à fusão que gera reconstrução e vida. Portanto, cabe ao homem nesse novo contexto compreender melhor sua própria alma e consequentemente desenvolver sua sensibilidade, para entender melhor o universo feminino, e à mulher convém que explore seu intelecto sem, no entanto, abrir mão de sua sensibilidade nata; pelo contrário, usar esse atributo como importante ferramenta em seu processo de conquistas. Competir só irá gerar animosidade, discórdia, e distanciamento. A ordem natural das coisas é o princípio do complementar. Sem fracos ou fortes, dominadores ou dominados; apenas a confluência dos opostos que estimula a atração e gera crescimento e vida. Nisso consiste toda sabedoria do universo.

E enquanto escuto ‘O Mentor Virtual’ segredar ao meu ouvido: "Como nômades, perdidos entre milhões de caminhos, vagamos desolados, ora reféns de nossas próprias escolhas, noutras, açoitados por tempestades que não fomos capazes de prever. Somos deuses, e ao mesmo tempo, infinitamente pequenos diante de desafios avassaladores, que nos põem à prova a cada minuto do breve existir”, eu me pergunto: ‘por que insistimos em nos deixar conduzir isoladamente, ora por uma mente insegura, ora por uma alma inquieta, ou por último, por um corpo em constante ebulição de instintos animais, se sabemos de antemão que nosso ponto de equilíbrio se encontra na conjunção desses elementos?’ - Quem sabe, o século XXI venha a ser marcado pela mágica da sinergia que estabelece sintonia e sincronismo entre mente, corpo e alma, que eleva definitivamente o ser humano à condição de ser superior, independente do seu gênero...

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

Contatos:
mauriciocosta@uol.com.br 

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