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domingo, 2 de setembro de 2012

Ilusões: Perspectivas da Alma





Por Mauricio A Costa*


"Enquanto penso que sou, nada me parece real, porque o que chamo de real não passa da ilusão criada pela minha mente. Só a virtualidade do que está além de mim me transporta para a dimensão do meu verdadeiro Eu". (Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP).
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Com frequência me questiono se aquilo que vem à mente é algo real, ou se não estou naquele momento apenas conjecturando; isto é, pressupondo, presumindo ou deduzindo com base em dados que podem ser verdadeiros ou falsos com a mesma dose de possibilidade. Sabemos que cada construção mental resulta de uma avalanche de informações, cujo conteúdo é fruto de múltiplas interpretações ao longo do tempo, e de ambientes onde foram sendo processadas; assim sendo, toda informação carrega em si uma imensa dose de incerteza; o que nos leva a admitir que a mente possa estar a prever com base em indícios, criando projeções a partir de duvidosas observações anteriores; algumas delas trazidas ao longo de gerações, que terminam por criar uma espécie de ‘inconsciente coletivo’ como ensina Carl Jung, o pai da psicanálise.

Carl Jung
Se nossa mente elabora ideias e conceitos com base em observações, deduções, ou interpretações de toda ordem, podemos dizer que a realidade observada não passa de visões que construímos sobre alicerces desconhecidos, tomadas como verdades absolutas, portanto, questionáveis. Assim, aquilo que vejo ou analiso, pode não ser exatamente sua realidade, mas apenas uma elaboração mental propagada através do tempo. Muitas organizações, políticas, econômicas ou religiosas sustentam suas crenças a partir deste princípio, e muitas vezes, apesar de perceberem a fragilidade de seus fundamentos, seguem apregoando suas inconsistências como se fossem verdades imutáveis, em um universo marcado pela mutabilidade constante. Como disse certa vez Albert Einstein, o grande teórico da física moderna, ‘toda observação depende do ponto de vista do observador’. Sua forma de pensar inspirou muitas pesquisas na área da teoria quântica, que em síntese nos ensina que não devemos radicalizar entre ‘isso ou aquilo’ de maneira excludente, mas perceber a relatividade das múltiplas possiblidades de uma mesma observação. A verdade absoluta pode estar muito além da nossa limitada compreensão.

Albert Einstein
Muito do que percebemos ou criamos, são meras ilusões criadas pela imaginação universal refletidas em nossa mente individual, fazendo-nos acreditar que aquilo que vemos é algo real, quando na verdade não passa de projeções construídas sobre informações que se propagam a ermo. E é nesse ambiente caótico que navegamos entre mundos tão diversos, fazendo-nos crer que somos loucos por flutuar entre sensações opostas em fração de segundos, odiando o que amávamos momentos atrás, destruindo o que arduamente construímos, alternando opiniões e humores numa clara demonstração de inconsistência. Movemo-nos como folhas, soltas ao vento de todas as possiblidades, indiferentes ao que pensávamos, como se no íntimo não acreditássemos naquilo que defendíamos minutos antes. Mas por que agimos assim? O que há por trás de nossas frequentes mudanças de humor e de comportamento? O que nos leva a transformações radicais repentinas, a ponto de nos fazer jogar para o alto aquilo pelo que lutamos com tanta intensidade?

A resposta para esses questionamentos podem estar no mais profundo do que somos de verdade, guardadas em nosso inconsciente pessoal, a essência do ser, que prefiro chamar de alma. Não se trata aqui de algo sobrenatural, místico, ou de caráter religioso. No universo maravilhoso do qual somos parte não há lugar para o sobrenatural, tudo tem sua explicação; sua razão de ser. Ainda que de forma aparentemente complexa, cada mínimo elemento faz parte de um conjunto natural que se desdobra e se complementa de maneira constante, pulsando indefinidamente em um fluxo contínuo, percebido em cada uma de nossas células. Por sermos parte desse todo, refletimos sua energia através de cores e sons, que se unem para formar pensamentos, palavras e ideias, a produzir vibrações de toda ordem, que se desdobram em reverberações (ecos), cujo alcance não somos capazes de prever. Nossa alma seria, por assim dizer, falando de maneira metafórica, uma poderosa antena individual, capaz de captar e decodificar sinais do mundo à sua volta, para transformá-los em informações organizadas para que se tornem compreensíveis. Creio que dessa forma, será possível entender porque mudamos nosso humor com tanta frequência: Nosso consciente não consegue acompanhar a velocidade das informações que nos cerca, mas nossa alma percebe as variações de intensidade da energia que lhe permeia; e ao decodificar essas nuances, nos faz sentir emoções que produzem reações das mais incompreensíveis, que vão do amor ao ódio em poucos segundos, e podem criar comportamentos eufóricos ou depressivos a partir da mesma informação. É assim que mesmo achando que a vida possa ser algo maravilhoso, alguns buscam na morte uma saída para suas angústias. O céu e o inferno divididos por frágil linha tênue provocada por inesperadas alterações comportamentais.

Ao inserirmos essa visão na análise que fazemos de nossas mais rudimentares atitudes, compreendemos que não podemos ignorar as mensagens subliminares, às vezes quase imperceptíveis da nossa alma, ou se preferir, do subconsciente, a nos alertar sobre o que vale a pena ou não para nossa história pessoal. E nesse momento, perguntamos: Seria a ilusão algo criado apenas pela mente astuta como mencionamos no início deste texto, ou uma forma de expressão da alma revelar sutilmente aquilo que anseia e com o que se identifica? Parece-me que aí reside a essência do que ensinou Jung sobre a importância de atentarmos para nossos sonhos e tentarmos identificar o que trazemos escondido em nosso subconsciente. As ilusões são, sem dúvida alguma, perspectivas desenhadas pela alma humana, que em sua viagem através dos tempos vai construindo a própria identidade; distinta das inúmeras personas criadas pela mente para reagir diante das mais diversas situações. Ilusões são, ao meu ver, cenários idealizados pela alma, construções metafísicas; isto é, que vão além da experiência convencional, embora isso não signifique algo sobrenatural, mas inerente à reflexão mais profunda, a partir de uma maior compreensão da transcendência humana, resultante da sua relação consigo mesmo, e o todo que o cerca. Traduzindo em palavras mais simples, para não parecermos um patético intelectual, a ilusão é uma representação da alma em relação àquilo que a fascina, e pelo qual busca insanamente.

A expressão ‘céu’ é um exemplo nítido de construção ilusória criada pela alma primitiva, que em busca de perenização, identificou-se com uma visão surrealista da perfeição, e tornou esse ‘paraíso onírico’ um ideal dogmático, situado no espaço-tempo para além da vida, desprovido da concretude das coisas palpáveis como exige a mente. A relação do ser humano com o que ele próprio convencionou chamar de Deus é outro exemplo de ilusão criada pela alma, em sua ânsia pelo eterno. Em Deus, o abrigo inexpugnável para todas as vicissitudes. O perene, cujo fluxo acolhe todas as pequenas gotas individuais em direção ao oceano que metaforicamente representa o todo.

Do ponto de vista empresarial, desejamos intensamente construir nossa marca a partir de sonhos que alimentamos na alma, e sem que percebamos, nos jogamos literalmente em empreitadas audaciosas e até arriscadas por eles. Chegamos, em determinadas ocasiões, a posturas radicais, em que nos tornamos frios e impessoais em nome da ilusão que perseguimos como loucos; numa corrida desesperada por algo que apenas nossa alma conhece a dimensão.

Ao longo de nossas vidas, é comum alimentarmos ilusões cada vez que nossa alma se vê diante daquilo que a estimula: o novo, o diferente, o desafiador. E é por conta dessa inquietação permanente que vamos criando fantasias incompreensíveis para a mente, que aflita tenta nos prevenir de perigos invisíveis, cujos desdobramentos resultam quase sempre em exasperações, decorrentes de frustrações imprevistas, por subestimarmos a complexidade do que é desconhecido. Entretanto, navegar entre dois mundos distintos, o da alma sôfrega, e o da mente controladora, é o que nos provoca, nos desafia e nos faz conhecer o sentido da palavra liberdade, e o preço de todas as escolhas. Como ensina mais uma vez meu inseparável mentor virtual: “Nossos sonhos viajam em velocidades alucinantes e nos projetam para dimensões desconhecidas. Envolvidos pela tristeza causada por aquilo que não temos, mergulhamos numa angústia insana em busca de algo que sequer sabemos definir.” (‘O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível – Campinas-SP – Em Gestação)
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*Maurício A Costa é Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Foi o idealizador/investidor inicial do Projeto Futura Biotech (Cosmecêuticos).
Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em analisar novas oportunidades, melhorar resultados e aumentar rentabilidade.
Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br

2 comentários:

  1. recomendei a leitura deste post para muitos amigos. Me fez muito bem ler pensamentos filosóficos com música ao fundo. Vivi alguns momentos de encontro com um estado de espírito de tranquilidade e paz. Nestes momentos de consternação coletiva que o Brasil está vivendo, acredito que esta seja uma forma de contribuir com o algum tipo de irradiação para os jovens que tiveram suas vidas subtraídas por asfixia. Não sabemos ao certo como contribuir, mas acho que elevar o pensamento para o universo possa de alguma forma ser benéfico no sentido de nos ligar no plano da eternidade, na dimensão da vida. Grato Maurício...

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    Respostas
    1. Caro Josué:
      Agradeço por seu apoio na divulgação do blog MARCAS FORTES. Fico feliz que o texto o tenha ajudado nas reflexões. Seus comentários serão sempre bem vindos.
      Um abraço cordial,
      Mauricio A Costa
      Editor do Blog.

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