Translate The Blog - Click Here / Traduza o Blog - Clique Aqui

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Do Caos, Nasce a Luz






Por Maurício A Costa*



"Brilha, tu que és parte desse universo infinito. Através de ti fluem todos os sons e luzes que dão cores e formas àquilo que vês. Dentro de ti, milhões de fragmentos se unirão para compor a única verdade, que se propaga como uma sinfonia a ecoar pela eternidade". ('Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP).

________________________


Há momentos em que a decepção e a frustração penetram nossas vidas com a mesma força sufocante de um bolor que se alastra sobre paredes de uma câmara fechada. Sua ação vai aos poucos envolvendo toda matéria viva, encobrindo-a sorrateiramente com uma asfixiante capa cinzenta imobilizando a presa que inerte, deixa-se consumir pelo torpor. Tudo isso, porque sem perceber, nos tornamos vítimas de nossas próprias armadilhas, ao depositarmos nossas esperanças fora de nós mesmos; agindo como tolos quando acreditamos que podemos acreditar no outro. A sabedoria dos antigos há muito já nos ensinava: ‘maldito o homem que confia no homem’; uma séria advertência à postura de se criar expectativas em outro ser humano.

A razão é simples. Cada ser, desde o momento em que nasce até seu último suspiro, terá como prioridade máxima a própria sobrevivência, e por isso, lutará com todas as armas possíveis. Nessa insana batalha não haverá lugar para o desprendimento ou altruísmo. Muito menos abnegação ou generosidade. Apenas o egoísmo levado ao seu extremo, porque o que importa é cercar-se de garantias que permita a segurança absoluta e o prazer sem limites. Como consequência, essa besta humana agirá em um frenesi descontrolado para impor-se diante do outro, demarcando terreno, para destacar-se dentro ou fora da própria espécie. Seu único propósito é a dominação; e para tanto, irá blefar, camuflar ou enfrentar; até matar se necessário. Não haverá reservas ou recuos, apenas uma vigília diuturna sem tréguas, marcada pelo violento estresse que caracteriza essa obstinada luta pela superioridade. Nesse ambiente medonho, instintos prevalecem, e desafiam qualquer pensamento ‘abstrato’ mais elevado de ver o outro como complemento de si mesmo. Subsiste o lado negro da força. 

Aquele que porventura, cercado por esse severo e animalesco cenário de guerra ousar agir de forma estoica, usando a sabedoria, para buscar a paz e felicidade por meio da resignação e serenidade diante da adversidade, se tornará sem dúvida, presa fácil e objeto de manipulação nas mãos dessas feras humanas desprovidas de qualquer sentido moral ou ético. Daí toda lamentável aventura do ser humano, como protagonista de uma história que o define como a única raça que destrói a própria espécie, e até mesmo o próprio planeta que o alimenta. Um ser sem limites, sem escrúpulos e sem noção de consequências. E dessa carnificina, nasce o interminável conflito; de um lado, seres evoluídos, regidos por valores conceituais que os colocam acima das paixões, e de outro, aqueles dominados unicamente pela força bruta da matéria, caracterizada unicamente pelo impulso, que brota dos mais primitivos instintos. Um conflito entre o ser e o ter, que as religiões definiram ao longo de gerações como um confronto de potestades; batalhas sobrenaturais entre o bem e o mal, o certo e o errado; entre Deus e o Diabo.

O Inferno de Dante
Não há esperanças para esse conflito. Assistimos a cada dia um aumento significativo da mentira, do engôdo e do blefe. Cresce de maneira expressiva o exército de medíocres na mesma proporção que aumenta a leva de espertalhões, movidos pela força do ter, que coloca desejos e paixões acima de qualquer valor. E assim, num espetáculo ‘Dantesco’, assistimos estupefatos o desenrolar ao vivo e a cores da ‘Divina Comédia’ humana, onde não há saída possível. Apenas um desconforto generalizado, provocado pelo grande lago de lama que nos traga, coberto por um queimar infindável da consciência, que dilacera e esmaga, arrastando a todos de maneira indiferente para um inferno de culpas e medo, sem retorno. Em meio a esse esdrúxulo teatro de feras e zumbis humanos viajamos no lodo de todas as possibilidades, ora algozes, ora presas indefesas, tentando enganar nossa própria consciência, sem perceber que essa estúpida ilusão apenas nos remete sem indulgência ao limbo de todas as incertezas, que nos condena ao esquecimento eterno, por havermos destruídos o deus que carregamos em nós.

A frustração que nos invade, nasce da impotência diante dessa ópera trágica da qual participamos, nem sempre conscientes. Assistimos inertes, a malandragem, a enganação, o cinismo, e a manipulação como se elas representassem verdades plenas, disfarçadas sob a aparência de inquestionáveis fachadas de falsos líderes, falsos sacerdotes, falsos empreendedores, falsos governantes, e falsos amigos. E a decepção que nos assola produz uma depressão mórbida, resultante da danação generalizada que permeia todo tecido social, familiar, e político, minando a fé, a esperança e a integridade. Assim, o sistema vai sendo gradualmente corroído pela ferrugem da exacerbação da vaidade, do egoísmo e da intolerância, sem o mínimo vestígio de sanidade. E como decorrência, nos tornamos personagens desse insólito 'pandemônium' como diria John Milton, em sua obra 'O Paraíso Perdido', como anjos caídos de um paraíso que jamais voltaremos a desfrutar. 

E enquanto reflito sobre o inferno em que consciente ou inconscientemente nos colocamos, lembro-me de Nietzsche a dizer: “É necessário ter um caos em si para poder dar à luz uma estrela bailarina. Eu vos digo: tendes ainda um caos dentro de vós” (Nietzsche, Friedrich, em Assim Falava Zaratustra – Pág. 27 – Editora Vozes – RJ – 2007). E nesse momento, percebo que o verdadeiro inferno está dentro de cada um de nós, ao presenciarmos uma impiedosa luta entre anjos e demônios, a nos fazer desperdiçar o que de mais belo poderíamos desfrutar durante essa breve passagem entre o despertar e o crepúsculo final de nossos mais sublimes sonhos. E esse ‘caos dentro de nós’ sobre o qual nos fala Nietzsche, não é mais que a oportunidade rara que dispomos para perceber do quanto ainda somos capazes de despertar a luz da sabedoria que com seu brilho nos faz enxergar nossa pequenez diante da grandiosidade à qual pertencemos. O saber luminoso nos torna divinos, e como tal, nos permite equidistância de paradigmas como o bem e o mal; da ilusão do início e do fim; e do medo paralisante diante da vida e da morte. A sabedoria nos ensina que existe apenas um devir, dinâmico e irreversível. Um fluxo ininterrupto a criar, destruir e recriar todo universo, num agora efêmero, que se eterniza através dos tempos cada vez que percebamos sua intensidade.

Quando nos damos conta desse frágil e paradoxal liame entre o eterno e o finito do ser, descobrimos que nos cabe unicamente fazer resplandecer com máxima intensidade possível essa ínfima parcela de luz que carregamos, para cumprir nosso papel, como parte de um todo que nos cria para sua própria magnitude. Do brilho que formos capazes de gerar, criaremos a oportunidade única de deixar impressões indeléveis de nossa rápida passagem, conscientes da singularidade que nos torna especiais. Uma marca forte a ser lembrada para sempre.
____________________________


______________________________


*Maurício A Costa é um inquieto obcecado por resultados, focado no pensamento estratégico e no valor agregado. (Numa linguagem moderna, um 'Design Thinker'). Foi Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Está disponível para participar de Empresas sérias, que estejam em busca de melhores resultados e interessadas em alavancar a rentabilidade do negócio. Em termos pessoais, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 

2 comentários:

  1. Afinal esse TURBILHÃO ao qual chamamos Vida, é feito disso mesmo, dessa inquietude entre o bem e o mal...Nem os mais "prevenidos" escapam às garras que se estendem à espera de, a qualquer momento, poderem "grita vitória"!!!É sempre um BEM poder contar com as suas REFLEXÕES, Amigo Maurício! É que as suas Palavras trazem-nos conforte, ainda que possam criar inquietação. É que não se pode ficar no sereno caminhar! é urgente e frutífero sentir o quanto esta vida é apenas uma passagem, num CAMINHO com dureza e não atapetada de rosas...é que até elas, as rosas, têm espinhos, para nos lembrarmos que nada é como queremos...Nada é pacífico.E que, desse "desassosego" surgem as Forças que nem sabíamos possuir!!! Abraço imenso...Bom domingo e a certeza de que além Mar, suas Palavras vão sendo lançadas à Terra e darão fruto!!! Obrigada, de Coração!!!

    ResponderExcluir
  2. "... E vida de gado... Povo marcado...." - " POVO FELIZ???"
    Ou, gente cansada, gente que já não sabe mais o que fazer para mudar estas perspectivas?

    Pois, Eu há muito tempo, desgarrei-me do 'rebanho'; deixei de ser 'vaquinha de presépio'. Já não digo mais 'amém' para tudo! Simplesmente, deixo minha LUZ brilhar, iluminando assim os meus caminhos; se ainda assim eu errar, será pelas minhas próprias escolhas. E sempre que eu puder, através das minhas palavras e da minha LUZ, mudar estas paisagens; assim eu o farei. Tenho certeza que outros seres 'iluminados' acompanharão!

    "Do brilho que formos capazes de gerar, criaremos a oportunidade única de deixar impressões indeléveis de nossa rápida passagem, conscientes da singularidade que nos torna especiais. Uma marca forte a ser lembrada para sempre."

    Abçs. carinhosos Mauricio!

    ResponderExcluir

Não esqueça de deixar aqui as marcas de sua passagem...
Seus comentários serão sempre bem vindos.