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sábado, 2 de junho de 2012

Desertos





Por Maurício A Costa*


‎"Quando eu aprender que nada sei, e entender o quão pequeno sou, estarei pronto para voar sobre mares turbulentos ou desertas planícies. Só então irei descobrir que todos as minhas inquietudes não passam de quimeras, efêmeras como o vento que me conduz". (Fragmentos do Mentor Virtual - Campinas-SP -2011)

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Há momentos em que, o que mais desejamos é abandonar todos os caminhos e nos escondermos de nós mesmos, devido ao cansaço provocado pela desilusão, a decepção e a frustração. Vivenciamos uma espécie de inverno austral, aquela estação marcada pelas baixíssimas temperaturas dos polos, quando a maioria dos animais migra para outras regiões da terra, ou entram em estado de hibernação, como acontece com os ursos, reduzindo significativamente sua atividade metabólica. E esse inverno austral poderia até ser chamado de ‘inferno astral’, um termo que se refere segundo alguns astrólogos, ao período que antecede a data de nascimento de alguém. Uma fase que poderá ser vivida de maneira intensa, ou sinalizar mudanças importantes que demandam maior recolhimento, meditação e interiorização.

Identificamos esses períodos de nossas vidas nos momentos em que somos tomados por insuportável angústia existencial, quando questionamos de maneira veemente, tudo à nossa volta, e o nosso próprio comportamento frente ao mundo que nos cerca. Somos gradualmente, sem que percebamos, invadidos por uma estranha sensação de vazio que nos leva a momentos de completa desorientação, como se estivéssemos perdido em meio a um enorme deserto. E nesses momentos, há um imperativo direcionamento para dentro de nós mesmos em busca de respostas para essa angústia momentânea, mas de feroz solidão. Um estágio de intenso questionamento que nos coloca divididos entre um intenso desejo de posse de algo que não temos, e um sentimento de desprendimento, como se o desapego total fosse a melhor de todas as alternativas para a caminhada.

Quando essa avassaladora sensação nos permeia, não há muito que fazer. Aliás, o recomendável é não fazer absolutamente nada. Alguns até poderiam dizer: reaja! Mas, reagir pode significar atitudes precipitadas, produzindo iniciativas movidas por impulso que costumam trazer consequências, ou preços acima do que estaremos dispostos a pagar. Quem sabe pode ser o momento para quebrar a rotina, experimentar coisas novas, promover mudanças. Entretanto, transformações exigem um pensar estratégico prévio. Refletir sobre aquilo que pede nosso ‘eu superior’, ou seja, identificar o que realmente nos faz bem, e direcionar nossas reflexões nesse sentido, para alcançarmos o melhor nível possível de coerência conosco mesmo. Sem mágicas ou atitudes radicais, nos deixar conduzir pelo bom senso revelado pela própria alma  em sua incansável experimentação em busca da verdade que liberta, porque a vida é um renovar constante, sem tréguas.

Essa mudança, no entanto, só pode ser operada quando compreendemos o que de verdade se passa dentro de nós, e a partir daí nos aceitamos como somos. Dessa aceitação nasce o respeito essencial por nós mesmos, que produz a transformação, de forma coerente, que torna a caminhada menos turbulenta. O momentâneo vazio absoluto que possamos estar vivenciando não representa necessariamente uma ausência de opções; muito pelo contrário, pode significar uma infinidade delas. Como diz ‘O Mentor Virtual’: "Quando tudo parece deserto, não é sinal de que estejamos perdidos, mas que temos milhões de caminhos alternativos à nossa frente. Nossa ansiedade não é consequência de insegurança, mas é causada pela angústia diante de múltiplas escolhas. Nesses momentos, deixe o fluxo da vida conduzir você. É por aí que Deus mostra o caminho". (‘Fragmentos do Mentor Virtual’ – Campinas-SP).
                            
O grande paradoxo com o qual nos defrontamos diariamente parece brotar da complexidade das relações humanas, que nos leva a questionar nossas atitudes no que diz respeito a essa intensa solidão, presente nesses momentos de ‘deserto da alma’, em vista de nossas frustrações com o outro; quer no ambiente familiar ou empresarial; no âmbito das amizades, ou até mesmo nos grupamentos por afinidade política, social, ou religiosa. Embora sejamos impelidos à convivência grupal, por razões de comodismo ou conveniência, as distorções contidas nesse coletivo nos assustam, nos incomodam, e nos afastam. As decepções implodem a cada instante por conta das inúmeras máscaras que identificamos a esconder os fatos, e nos fazem sentir que, aquilo que percebemos não é a realidade, mas, a ilusão da expectativa em relação ao outro, e descobrimos então que estamos na verdade por conta própria. Viajando solitários em um universo que supostamente deveria estar interligado. Interdependente.

Lembrando mais uma vez, palavras de Carl Jung, um dos meus mentores favoritos, o mestre da psicoterapia, em sua obra ‘O Homem e seus símbolos’: “O homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma. Mas enquanto for incapaz de controlar seus humores e emoções, ou de tornar-se consciente das inúmeras maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes se insinuam nos seus projetos e decisões, certamente não é seu próprio dono”. Não importa se algumas decisões do passado foram equivocadas por imaturidade e despreparo, ou alguns caminhos escolhidos inadequadamente de forma impulsiva como atalhos; o que conta é nossa consciência ‘despertada’ para os valores com os quais nos identificamos, ainda que tenhamos descoberto isso tardiamente. Esse pode ser o momento em que começamos a nos tornar donos de nós mesmos. Senhores ou senhoras do nosso destino.

Sou aquilo que decidir ser, desde que eu aplique nessa direção toda energia produzida pela força do espírito que me move. Quando em meio a desertos, tudo o que preciso fazer pode ser resumido em três etapas decisivas: Identificar claramente o que quero (Propósito); Proceder a escolha daquela alternativa que melhor se adequa às minhas possibilidades circunstanciais, (Decisão); e por último, direcionar toda minha atenção (Energia) para a consecução do que defini como propósito. Falta apenas sair do discurso para a ação. O momento é o agora. Lembrando que é imperativo aplicarmos em nossas vidas aquilo em que acreditamos, com a plena consciência do efêmero; a perfeita noção de nossa insignificância e brevidade existencial. Isso irá nos permitir pensar em cada minuto como algo grandioso, irreversível e único, a nos fazer escolher entre a omissão diante de nossos sonhos e a coragem para decisões arrojadas, impulsionadas por metas audaciosas impregnadas de propósito e significado, por sabermos que o único que conta para nossa alma é o legado que ela deixará em sua infinita trajetória: Marcas Fortes de um ínfimo, mas sublime momento de passagem. 
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MAURÍCIO A COSTA - Campinas, São Paulo, Brazil
Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Ex-Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em melhorar resultados e aumentar rentabilidade. Em termos pessoais, o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos que buscam harmonia entre o ser humano que são, e o guerreiro que necessitam incorporar diariamente. Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 

3 comentários:

  1. Tenho certeza que muitos estão experimentando estes 'desertos' neste momento.

    Eu, algum tempo atrás, também tinha meus 'desertos'. Por me fechar para o mundo e para a minha própria existência; criei 'desertos' entorno de mim. Sozinha, em meio ao nada, sem nenhuma identidade, começou aí o meu "inferno astral" de fora para dentro. Demorou para eu perceber que bastava abrir uma 'porta', e sair...

    Olhei tudo a minha volta; tentei ouvir meus passos, minha voz... Não me reconheci! O 'deserto' que estava entono de mim, voltou-se para dentro de mim.
    Muito tempo já haviam se passado; e a maturidade ensinou-me, como diz o Mentor: - "Refletir sobre aquilo que pede nosso ‘eu superior’, ou seja, identificar o que realmente nos faz bem, e direcionar nossas reflexões nesse sentido, para alcançarmos o melhor nível possível de coerência conosco mesmo. Sem mágicas ou atitudes radicais, nos deixar conduzir pelo bom senso revelado pela própria alma em sua incansável experimentação em busca da verdade que liberta, porque a vida é um renovar constante, sem tréguas." -

    ACEITAR-ME! Com minhas imperfeições. Reconhecer meus erros, para não repeti-los. E, acima de tudo, ter a consciência de que sou apenas um SER HUMANO!

    E sempre que sou arrebatada por estes 'desertos'; me fecho em profundo silêncio. E, somente depois de experimentá-lo, revisto meus sentimentos em palavras e ações.

    Acompanhando o Mentor, percebo que sou 'deserto', 'continente'.... As vezes, 'mares bravios'... Sou 'geografia', sempre em transformação....

    O SER EM MIM

    Sou mar
    estrela
    ventania
    Sou porto
    estrada
    alegria
    Posso ser
    tempestade, ou
    calmaria
    Sou paixão
    coração e
    emoção a cada dia
    Não sei
    exatamente
    o que sou
    Posso ser
    ilha, ou
    continente, descontente
    Deserto
    desperto, talvez
    Vulcão em erupção
    desbravando paisagens
    Sou parte do
    universo a fluir
    pura energia
    em mim!

    Abçs. carinhosos Mauricio!

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    Respostas
    1. Belo depoimento, Amarilis.
      A tomada de consciência do que somos é um importante passo para definir caminhos.
      Um abraço especial.
      Mauricio A Costa

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  2. Obrigada, Mentor! Tuas palavras a cada dia calam mais forte no meu coração e na minh'alma. Tu sabes que já deixastes tuas 'marcas' neste meu universo, que aos poucos vou construindo com perseverança e determinação.
    Abçs. carinhosos Mauricio.

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