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quinta-feira, 7 de junho de 2012

Conivência. Cumplicidade. Complacência




Por Maurício A Costa*


"Não seria a inexplicável inércia de nossa parte, que nos torna coniventes com absurdas convenções estabelecidas como verdades absolutas em nossas mentes que nos aprisionam para sempre, nos transformando em reféns de nossas próprias armadilhas?" (O Mentor Virtual - Pág. 136 - Ed.Komedi-Campinas-SP-2008).

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Tenho me questionado com muita frequência nos últimos tempos sobre a minha postura diante daquilo que fere a essência do que sou, e que chamo de alma. Essa autoanálise tem me permitido profundas reflexões sobre a humanidade em tudo que diz respeito às suas atitudes relacionadas à religião, à política e aos comportamentos sociais. Por não ser adepto de qualquer religião, mas observador de todas, me concentro na beleza e enorme conteúdo espiritual de cada uma delas, e a sua importância para a perfeita sintonia entre o nosso lado material e a nossa mente. De um lado, instintos poderosos, voltados para a sobrevivência e a continuidade da espécie, caracterizados pelo ininterrupto efeito dos impulsos e estímulos de toda ordem, que fazem o ser humano dispender boa parte do seu tempo com a satisfação dessa pulsão dinâmica relacionada com a fome, a sede, ou ao sexo. Na outra extremidade, um processo mental, frio e calculista, responsável pela proteção do organismo corporal, alertando-o incessantemente sobre eventuais perigos à sua integridade, com base em um fluxo contínuo de informações, captado por órgãos sensoriais conhecidos, como a visão, o olfato, a audição, o tato, ou o paladar.

As religiões de uma forma geral trabalham a parte central do corpo, onde ocorre toda transmutação da energia que permeia nosso corpo. Nessa área, onde atuam coração e pulmões percebemos o efeito daquilo que afeta nosso organismo. Toda emoção ou vibração provocada por algo que nos alegra, excita ou deprime é sentida por meio das alterações do batimento cardíaco ou da respiração. A intensidade da energia que flui dentro de nós pode ser visivelmente detectada quando nos defrontamos com algo que nos agrada ou eventualmente possa nos prejudicar. A partir dessa percepção, criamos os conceitos de bem e mal; o certo e o errado. O que nos alegra e dá prazer é divino; o que nos ameaça ou deprime é demoníaco. Entretanto, não há nada de sobrenatural nessa atividade corporal, mas tão somente a imperecível consciência de sua ligação com um todo, do qual faz parte. Essa relação de aparência afetiva, demonstrada pelo que conhecemos como amor, não é mais que a imperativa necessidade de manter-se ligada ao outro, por ‘pressenti-lo’ como uma extensão de si mesmo. Uma memória latente e atemporal que faz cada um de nós, reconhecer no outro a maior de todas as características do universo, o princípio da complementaridade; isto é, a imprescindibilidade da conexão das partes para que exista um Todo.

Nesse contexto, poderíamos presumir que Deus seja esse conjunto. A unidade. A perfeita interação de todos os elementos do universo, a produzir um efeito magnífico, em decorrência do poder extraordinário que emana dessa totalidade. A energia que permeia cada indivíduo ou componente desse todo é o elo invisível que produz, tal como no fluxo de um grande rio, a força que o conduz para sua plenitude, o oceano. Assim, ao nos reconhecermos pequenos, como uma simples gota d’água, mas carregando o potencial de um oceano dentro de nós, percebermos a dimensão do que somos e aprendemos a canalizar essa indescritível energia para aquilo que desejamos. A consciência dessa força nos torna aptos a produzir a transmutação da qual falei no início deste artigo, e transformar matéria bruta em algo nobre, o verdadeiro significado da expressão alquimia.

Onde nos perdemos então? Por qual razão deixamos de utilizar essa força que dispomos? Porque razão as religiões não exercem seu verdadeiro papel que seria o de estimular o uso dessa energia potencial de maneira natural, e apela para o sobrenatural, criando imagens distorcidas de divindades que deixam a mente humana mais confusa e perturbada que potencializada, especialmente por colocar fora delas, em algo imaginário ou fantasioso toda sua expectativa? Por que nos tornamos cada vez mais distantes um dos outros, quando deveríamos buscar a sinergia que produz vida? Qual a explicação para o crescente individualismo humano que o isola, enfraquece e deprime? Por que o amor vai gradualmente se tornando motivo de piada, objeto de um romantismo tolo em mundo consumista e egoísta? Por que a maioria dos psicólogos e psiquiatras se limitam apenas a analisar padrões de normalidade da mente, e médicos restringem sua atuação à frieza do metabolismo, o processo mecânico de funcionamento de células, órgãos e glândulas, quando deveriam observar comportamentos, atitudes, e fluxos de energia a partir de percepções sensoriais? Onde estão os padres, sacerdotes, e pastores que deveriam estimular o Deus que flui dentro de cada um de nós ao invés de utilizá-lo como algo sobrenatural?

As respostas para essas e muitas outras perguntas virão de dentro de nós, quando abandonarmos a complexidade das ideias recheadas de superstição, alegorias e primitivismo, e nos permitamos conhecer o significado da palavra simplicidade para entender que não há nada de fantasmagórico ou sobrenatural no mundo que nos cerca. A medicina poderia ser mais útil na prevenção de doenças físicas se descesse da sua arrogante ou interesseira majestade para buscar identificar as enfermidades da alma que produzem os processos degenerativos, pois todos sabem que a maioria das enfermidades corporais nasce de uma mente aflita, de um coração angustiado, ou de uma alma sem energia vital. Células fragilizadas podem permanecer latentes por gerações; só se tornarão doentes quando atacadas por um vírus ou bactéria que um organismo com baixa capacidade imunológica permite seu avanço. Esse nível de imunidade é determinado pelo fluxo de energia que eventualmente sejamos capazes de produzir, revelado na intensidade do nossa vontade. O querer que produz o milagre da vida, e impulsiona todo realizar.

Só a consciência desse poder que carregamos dentro de nós poderá nos tirar da indolência que nos torna complacentes com tudo de destrutivo que ocorre à nossa volta, desde à corrupção de nossos corpos à degeneração do tecido social em que vivemos, onde ganância, a mentira, e o egoísmo vai distanciando as partes do seu todo, a gerar desequilíbrios de todo tipo. Sem que nos percebamos, estamos afundando em um turbulento mar de incertezas por não mais acreditarmos no outro, e muito menos nas instituições que supostamente deveriam nos ajudar na construção de uma vida melhor. Tornamo-nos reféns de nossas próprias armadilhas, como ensina ‘o mentor virtual’ no fragmento que abre este texto, por conta de nossa inércia frente aos mais esdrúxulos paradigmas que incorporamos como verdades em nossas mentes. Mentiras, dogmas, doutrinas e fantasias vão se transformando em verdades absolutas que escravizam uma enorme massa de seres humanos, e os torna subservientes de sistemas, partidos, organizações, corporações e seitas; porque convém a poucos o monopólio da verdade para manipular imensidão de ‘pobres de espírito’ que os segue como gado que ignora a viagem para o matadouro.

Somos difusos, ambíguos e frequentemente incoerentes. Sem limites precisos e divididos entre dúvidas e incertezas, buscamos caminhos que nem sempre sabemos definir. Numa angustiosa jornada, orientados por mapas que outros desenharam, seguimos apenas com a bússola da intuição, na esperança de que o universo nos indique a melhor direção”, diz O Mentor Virtual’. Quando descobrimos, no entanto, com naturalidade, a essência do que somos, não mais permitimos a criminosa manipulação de nossas vidas e nos tornaremos livres porque só a verdade liberta o ser humano da escuridão de um pântano imaginário em que se mantém atolado. Quando cidadãos conscientes e livres juntarem suas forças individuais em prol de algo desmistificado e autêntico será possível desencadear o poder verdadeiro que resulta da unidade. É imperativo, porém, destruir tudo isso que aí está, instituído de forma corrupta e degenerativa, e recriar tudo a partir de algo novo. Esse é o sentido das grandes revoluções. Uma revolução que só será possível se a iniciarmos dentro de nós mesmos, revendo conceitos, padrões e atitudes. Um expurgo de velhos hábitos sustentados pela vaidade ou egocentrismo, divorciado da unidade que nos torna poderosos. Ao nos reinventarmos, seremos capazes de reinventar tudo à nossa volta. 

Temos sido coniventes, cúmplices ou complacentes com a falsidade, a mentira, e a hipocrisia, essa é a conclusão que cheguei a partir de mim mesmo. Temos fechado nossos olhos para a falcatrua dentro de empresas, para a enganação e adulteração de resultados, para a negociação fraudulenta que leva à corrupção de qualquer sistema político. E ainda que não participemos do conluio generalizado de forma ativa, nos tornamos responsáveis por aquilo em que somos omissos. Por isso, cabe um despertar urgente dos princípios e valores que regem nosso ser em sua essência superior. Errar é humano. Permanecer nele quando conscientes pode custar caro. A vida clama por crescimento e não por destruição. Dentre todos os seres vivos e inanimados da terra, a nós nos foi dado o poder das escolhas. São essas escolhas que podem definir nossa marca. Resta-nos a coragem de exercer essa faculdade de maneira grandiosa, à altura da magnitude do Todo do qual somos um ínfima, mas decisiva partícula.

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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.
É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

Um comentário:

  1. Lendo esse texto muito me ajuda a seguir em frente e a me reinventar nascendo assim um novo ser e quem sabe transformando a vida de outros em minha volta.

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