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sábado, 12 de maio de 2012

O Fantasma do Medo





Por Maurício A Costa*


"Não se atemorize, tampouco submeta-se ao comando de sua mente. Ela é ditatorial e controladora... Permita-se aos voos da sua alma. Que eles sejam belos e ingênuos como os de uma criança. Não se incomode se lhe chamarem de tolo. Mergulhe com intensidade no vazio absoluto, onde apenas aquilo que chamam de Deus está". (O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em Gestação - Sem Editora). 
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Em recente leilão de arte na Europa, uma pintura foi arrematada pelo incrível valor de cento e vinte milhões de dólares. A tela ‘O Grito’, do pintor Edvard Munch, adepto do impressionismo, foi pintada em 1893 e representa uma figura do tipo andrógina, em um momento de extrema angústia e desespero existencial, e já foi inspiração para o filme ‘Pânico’. Esse fato me produziu intensa reflexão sobre o medo e seus reflexos em nosso cotidiano, que me levou a escrever este artigo.

O medo é um estado de espírito, e nasce da dúvida; quando a mente apreensiva vagueia pelo terreno da indecisão, revelando sua mais profunda insegurança. Primeiro, em relação a si mesmo, e na sequência, em relação a tudo. Um processo lento e sufocante que invariavelmente desemboca na angústia, produzindo efeitos avassaladores no ser humano, sem que ele consiga identificar suas origens, quase sempre vinculado à sobrevivência, nos aspectos de saúde, velhice e morte, ou ainda à carência de amor e aceitação.

É na mente que criamos todos os nossos temores, a partir de impulsos gerados na região do hipotálamo em nossos cérebros, que comanda todo sistema endócrino, responsável pela produção de hormônios destinados a ativar nosso sistema de proteção e defesa contra eventuais ‘perigos’. Acontece que em alguns momentos, ativamos esse processo por longos períodos ou por razões insignificantes, produzindo uma situação de estresse, gerando extremo desgaste que costuma levar ao descontrole emocional. Desse descontrole nascem os ‘fantasmas’ que nos assustam diante do menor desafio, e a partir daí, nos tornamos reféns de nossas próprias ansiedades. Esse estado de espírito se estenderá enquanto o alimentarmos com ideias negativas que realcem nossa incapacidade frente ao desafio, mas pode ser dissipado como vapor quando modificamos nossa atitude, ao despertar dentro de nós os valores que carregamos latentes, esperando apenas uma faísca de energia que faça acender a insuperável chama do ‘querer’ que nos impulsiona autoconfiantes em direção ao realizar.

Essa incrível ‘fagulha’ que pode brotar de um gesto incentivador, acolhedor, ou estimulante é chamado de amor por alguns, de espírito santo por outros, e de anjo por muitos. No entanto ela pode surgir de dentro de nós sob a forma de um insight, ou num momento de epifania ou êxtase meditativo que nos revela caminhos até então desconhecidos ou imperceptíveis ao olhar convencional. Em meu livro ‘O Mentor Virtual II’, chamo esse fenômeno de ‘elo invisível’, um sutil ponto de contato que nos une ao todo do qual fazemos parte. Uma ponte invisível entre nós e aquilo que chamamos Deus, que quando atravessada nos permite descobrir que não estamos sós, e identificar o potencial que dispomos quando conectados a essa força magnífica. A partir de então, cessam todos os medos e angústias.

A maior parte dos nossos medos nos é transferido por herança genética ou por influência do ambiente vivido na infância e adolescência. Na ânsia por nos proteger, nossos parentes e amigos nos bombardeiam o tempo inteiro com ameaças de todo tipo, ou frequente subestimação de nossa capacidade, e assim, o próprio meio vai gradualmente se tornado ameaçador e inóspito, produzindo os germes de nossa insegurança. Aos poucos, nossa falta de afirmação nos faz perder o controle de nossas mentes, e passamos a ser controlados pelos ‘inimigos íntimos’ que deixamos crescer ali. Assim, o que era apenas insegurança vai se tornando indecisão, que por nos travar diante de escolhas nos leva à procrastinação e ao comodismo. E o que era apenas um desafio se transforma em pesadelo. Uma apoteótica batalha de contornos insuperáveis. Os que não se deixam intimidar pelo medo conhecerão a sorte ou a realização pessoal. Os que se acomodam, inevitavelmente se tornarão escravos de seus fantasmas, e chamarão isso de azar. Mas, como ensina o meu invisível guru pessoal: "Em alguns momentos do caminho nos sentimos perdidos ou abandonados. A angústia parece ser maior que a nossa força. Nessas horas, não permita que pensamentos negativos invadam a mente. Há uma poderosa energia latente em você aguardando seu comando para ser acionada. Procure criar sinergia com outros à sua volta, daí resulta o poder de todos os milagres" - ('O Mentor Virtual II' - O Elo Invisível - Campinas-SP).

Em minhas atuações como ‘mentor, advisor, ou conselheiro’ para empresários e executivos, ou em palestras sobre a construção da marca pessoal repito com frequência que para vencer o medo e a insegurança basta começar a afastar as preocupações. Livrar-se de pensamentos destrutivos e inúteis. Preocupar-se é ocupar-se antes do tempo. Devemos, na verdade, nos ‘ocupar’ com o despertar nosso potencial, focados essencialmente naquilo que é nossa vocação. Ou seja, sermos simplesmente ‘nós mesmos’, e direcionarmos toda nossa energia nessa direção. Só assim, acordamos dentro de nós o imensurável poder que nos tira da inquietude e do medo e passamos a criar cenários que nos fazem sentir felizes em ser o que somos, passando a viver sem ansiedade ou insegurança, pelo simples fato de não estar a copiar modelos externos, ambicionar coisas fúteis, ou desejar algo que na verdade nada tem a ver conosco. "É preciso reinventar-se a cada momento. Frustrações, desilusões e insucessos são apenas desafios, para aqueles que acreditam na vida como uma oportunidade única, incomparável e irreversível", ensina ‘O Mentor Virtual’.

Napoleon Hill o percursor do pensamento otimista que conduz à automotivação, já dizia: “O controle mental é resultado de autodisciplina e hábito. Ou você controla a mente ou ela o controla. Não há meio termo. O método mais prático de controlar a mente é o hábito de manter-se ocupado, com propósito definido, apoiado em um plano definido. Estude a história de qualquer homem que tenha alcançado sucesso notável e observará que ele tem controle sobre a mente, além de exercer o controle e dirigi-lo para a realização de objetivos definidos. Sem esse controle, o sucesso não é possível... Essa prerrogativa divina é o único meio pelo qual você pode controlar seu destino. Se você não conseguir controlar a mente, esteja certo de que não pode controlar mais nada. Se tiver de ser descuidado com suas posses, que o seja com relação às coisas materiais. A mente é sua propriedade espiritual! Projeta-a e use-a com o cuidado que a propriedade divina merece. Para isso lhe foi dada a força de vontade”. Por essa razão recomendo com firmeza, sem importar se você é um simples empreendedor, ou um grande empresário: Aposte em você mesmo como uma marca forte. Desafios e turbulências existem para todos sem exceção. O que nos diferencia é unicamente a intensidade da ‘vontade’; o ‘querer’ que impulsiona em direção à meta. Tudo mais é paradigma criado pela mente.

Viva cada minuto com a intensidade do eterno. Esqueça o passado, e deixe de se angustiar com o futuro, porque a vida reside unicamente no presente. No pulsar de cada momento em que nossas células se agitam com a energia do realizar, da conquista e do êxtase. Fora disso não há vida, apenas um vegetar inócuo e sem sentido. Viver é um transgredir contínuo de todas as possibilidades conhecidas. Ir além do convencional. Arriscar a própria morte por aquilo que se acredita.
                                                         
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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.






4 comentários:

  1. Mauricio,

    Falas do Medo de uma forma 'prática' e 'teórica'. Muito bem pesquisada, através de diversos Autores famosos; com suas receitas para trabalhar a mente contra todos os tipos de medo e suas origens. Escreveu teu artigo, "perfeito".... Como sempre!

    Mas, nem tudo é tão 'perfeitinho' assim diante do MEDO! Pois, só que o sente, é que o sabe.

    Não digo que teus 'insights', não possam ajudar algumas pessoas. Mas, a grande maioria dos seres que vivem com o 'fantasma do medo'; travam uma batalha hedionda diariamente.
    Digo isto, pela minha própria experiência. Já não penso mais no passado; nem tão pouco no futuro.... É só MEDO! Um Medo imenso que me consome; mas, a vida me chama. Aí começa a batalha.... Desde que invadiram minha casa, tenho 'medo' de ficar em casa; tenho 'medo' de sair de casa. Qualquer barulho lá fora me assusta; então, deixo o som bem alto... Tenho 'medo' de não ouvir nada lá fora. MEDO! Quase não saio de casa. Quando precisava sair estava 'bebendo' para dissimular o 'medo'.... Parei, há mais de dois meses. Estou enlouquecendo. Não posso ficar trancada em casa... A vida me chama! Tenho MEDO... Para sair de casa, substituí o 'medo' pela 'dor'.... Estranho! A auto-mutilação dói menos que o FANTASMA DO MEDO...

    Mauricio, eu só quis dizer que existe outros tipos de MEDOS que nos assombram; e que....

    "Uma ponte invisível entre nós e aquilo que chamamos Deus, que quando atravessada nos permite descobrir que não estamos sós, e identificar o potencial que dispomos quando conectados a essa força magnífica. A partir de então, cessam todos os medos e angústias."

    Abçs. carinhosos Mauricio!

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  2. Olá, Amarilis.
    Agradeço por sua participação no Blog Marcas Fortes. Muitos passam por aqui apenas para levar algo. Poucos deixam um mínimo de si mesmo, na ilusão de que doar os possa deixar com menos, quando na verdade a doação nos deixa maiores. Parabéns por sua coragem em se expor.
    Irei responder seu comentário com um texto de alguém que considero meu maior mentor:
    "Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais que o vestuário? Olhai as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e o vosso pai celestial as alimenta. Não tendes vós mais valor do que elas? E qual de vós poderá com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada ao forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? De certo vosso pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal" (Mateus 6:25-34)

    Um abraço cordial.
    Mauricio A Costa
    Editor do Blog

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  3. Eu é que tenho muito a agradecer-te Mauricio. Tens sempre as 'palavras' certas; ainda que me levem as lágrimas.

    "Poucos deixam um mínimo de si mesmo, na ilusão de que doar os possa deixar com menos, quando na verdade a doação nos deixa maiores."

    É esta energia que busco sempre ao doar-me incondicionalmente; sendo 'Eu mesma'- como dizes.
    Jamais esquecerei, que foste tu que me levastes a acreditar novamente, nesta imensurável energia que trago dentro de mim; e é nela que me apego nestes momentos de angustia - DEUS é AMOR!

    Abçs. carinhosos, Mauricio!

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  4. Maurício, perfeito para o meu momento. Ler seus posts sempre nos acrescenta força e fé. Estou compartilhando. Obrigada!

    Beeijo! :)

    Analú

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