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sábado, 19 de maio de 2012

Bloqueios





Por Maurício A Costa






Seria a eterna ânsia da alma pelo novo que nos bloqueia a visão no presente, ou serão as jaulas criadas pela mente no presente que nos privam a vida para o novo? Caminhar entre sonhos e paradigmas tornou-se o grande desafio para encontrar o equilíbrio entre coração e mente. Isso que chamamos de equilíbrio, no entanto, pode ser também a estúpida zona de conforto em que não somos nem isso nem aquilo”. ('O Mentor Virtual II’ – O Elo Invisível – Campinas-SP – Em gestação) 

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Em um trecho do seu livro ‘A Cura de Schopenhauer’, o psiquiatra Irvin D Yalom, nos diz que Schopenhauer ensinava um método para afastar a angústia da morte: “Quanto mais realização pessoal houver, menor será a angústia da morte. Se alguns acham que sua ideia de unidade universal é fraca, esse outro argumento é, sem dúvida, forte. Médicos que tratam de pacientes terminais já notaram que a angústia é maior nos que acham que tiveram uma vida mal realizada. A sensação de completude, de ter ‘consumado a vida’, como diz Nietzsche, reduz a angústia da morte”. (Pág. 323 – Ediouro – Rio de Janeiro – 2006). Acontece que atingir esse ponto de realização pessoal não é algo simples como possa parecer, por uma razão muito simples: nossos intermináveis bloqueios pessoais; o que faz de nós mesmos, nossos maiores inimigos. 

Em minha vida pessoal, ou mesmo durante conversas descontraídas com amigos, percebo no ar com certa frequência a palavra ‘bloqueio’ por trás de algum tipo de angústia existencial. Todavia, sempre que questiono a mim mesmo ou a outros sobre as razões para tais bloqueios ocorre um silêncio sepulcral. Parece não haver resposta imediata. Apenas um vazio inexplicável, a esconder a disfarçada covardia que carregamos conosco diante daquilo que nos fascina ou desafia. Como se uma força invisível e irresistível nos grudasse ao chão, paralisando-nos no momento em que mais gostaríamos de avançar. E imobilizados por nossa própria mente, assim permanecemos, às vezes, pelo resto de nossas vidas, como reféns desses estúpidos bloqueios

Provavelmente, muitos anos depois, quem sabe, quando já não dispusermos de tempo ou ‘animus’ para mais nada, iremos lamentar e nos questionar por havermos agido assim, ou nos acovardado diante daquilo que tanto nos fascinava. E nesses momentos a angústia crescerá mais ainda, por revelar que desperdiçamos parte de uma vida, nos momentos em que ela nos presenteou com a oportunidade de realizar sonhos, desejos ou ideais, mas que não fizemos nada por isso. Há uma frase atribuída ao ex-presidente americano, Theodore Roosevelt, que sintetiza o oposto dessa atitude covarde que deveríamos assumir quando somos desafiados: “Prefiro arriscar coisas grandiosas para alcançar triunfo e glória, mesmo expondo-me à derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que não gozam nem sofrem muito, porque vivem numa penumbra cinzenta na qual não conhecem derrotas nem vitórias”. Entretanto, nossas posturas vão sempre em direção à inércia, ao comodismo, ou ao medo. Esse parece ser o caminho mais fácil. 

Costumo dizer que navegamos em meio ao caos, quase sempre sem saber exatamente onde iremos chegar devido à interferência de circunstâncias que não havíamos levado em conta. Mas, isso não é motivo para nos alhearmos nos momentos de escolhas decisivas. Como ensina meu querido Rubem Alves, em ‘Se Eu Pudesse Viver Minha Vida Novamente’: “A vida é assim. Seria bom se as alternativas com que nos defrontamos fossem sempre entre o certo e o errado, o bom e o mau. Seria fácil viver. Mas há situações que nos colocam diante de alternativas igualmente dolorosas e de resultado incerto” (Pág. 106 – Verus Editora – Campinas – 2004). Momentos de escolhas são sagrados. Impõem-nos decisões baseadas unicamente nas informações que dispomos naquele instante, sintetizando um leque de opções frequentemente formado por limitações de toda ordem. Resta-nos apenas a inquietude em relação ao futuro, com a angústia de saber que uma escolha exclui todas as demais alternativas. 

Como não somos ilhas, mas um todo interligado por sutis conexões nem sempre percebidas, seremos sempre afetados, ainda que à nossa revelia, direta ou indiretamente por ações e reações imprevisíveis do mundo à nossa volta. Já dizia o filósofo Spinoza: “Um homem não existe por si mesmo, mas por outro; justamente por depender de outro, o conceito desse homem depende não apenas dele próprio, mas também do outro que causou sua existência”. Se concordarmos neste ponto, não podemos esperar que uma decisão, por mais simples que possa parecer, terá essa ou aquela consequência sem levarmos em conta a cadeia de desdobramentos que ela poderá provocar. E se assim ocorre, porque nos agitarmos com preocupações inúteis, assustados pelo medo ou imobilizados pela insegurança gerada por bloqueios? Afinal, qualquer que seja nossa escolha, produzirá consequências insondáveis. 

O bloqueio é um impedimento da vontade, e como  aprendi com Schopenhauer, a vontade é o elemento fundamental que une corpo e sentimento para dar sentido à vida. Da fusão do corpo individual com o intelecto ligado ao mundo exterior nasce o conhecimento e a tomada de consciência que nos permite operar escolhas. Assim, mesmo que sob efeito da dúvida e do questionamento, é imperativo o exercício da vontade que incita a ação. Sem um querer definido é impossível exercer o livre arbítrio que define caminhos e produz significados à nossa existência. Por essa razão não podemos nos permitir tais bloqueios; eles representam a negação do que somos, e impedem a construção de nossa marca pessoal. 

Ainda que tenhamos que vivenciar o peso da consequência de equivocadas decisões, vale a pena escutar a voz que vem do nosso ser mais profundo, e agir movido por esse querer mesmo que não entendamos o seu porque. Quando, impulsionados pela vontade que brota do nosso Eu interior, rompemos os bloqueios que nos engessa, criando significado para nossas vidas. E isso é tudo o que importa. 


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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.


4 comentários:

  1. Mauricio....

    Perfeito! Tão perfeito o teu artigo: - "Bloqueios" - Que posso até deixar um pouco mais de mim aqui...

    Ainda criança, muito criança; entre meus 4 e 5 anos de idade... Sem mesmo entender as coisa de 'gente grande', as coisas da vida, enfim; bloquei tudo que eu não entendia.... Em silêncio, 'bloqueava' aquele 'anjo do mau', de minha vida. Até que, entre meus 10, 11 anos de idade; eu disse: - "Não, eu não quero mais brincar disto!" - Mas, a criança, já estava 'bloqueada'!

    A vida segue... Construí sonhos! Fazer uma faculdade, casar, ter filhos, ficar rica, enfim... Tudo que sonha uma jovem adolescente! Tinha amigos... Trazia um lindo 'sorriso'... Ah! Este era meu apelido - " Sorriso "

    Tinha um 'amigo' inseparável... Compartilhávamos os mesmos sonhos, desejos e sorrisos... Este 'amigo', traiu minha confiança. Roubou meu sorriso, meus sonhos, e a confiança que tinha nas pessoas... Este 'amigo', me violentou... Ingenua, sem saber, que tinha direitos... Me calei; só queria meu amigo de volta!
    Por quê? Porque eu estava gravida, e ele havia sumido... Dois meses depois, um aborto; tamanha angústia que me consumia....

    Então, 'bloquei'... Meu sorriso, meus sonhos, minha confiança nas pessoas. Tudo que pudesse me deixar vulnerável ao mundo ao meu redor! Não acreditava em mais ninguém. Foi o período da minha vida que mais produzi; e, que menos investi em mim....

    Declarei guerra ao mundo, bem sei! Me fechei! Me bloquei! Mas, a 'vida' me chamou para a realidade... Quando, um golpe do destino... Minha irmã mais velha, estava muito doente; eu, junto a minha família nos unimos como nunca... Pela minha irmã!

    Em uma Igreja, não me lembro qual, nem por quanto tempo fiquei; mas, sei que me coloquei em 'oração' diretamente a Deus... Na qual pedi-lhe, não por mim; mas por minha irmã: - " Senhor, peço-te... A minha irmã tem uma filha para criar! É linda, cheia de vida, de sonhos; e, precisa viver. E, se não tiver outro jeito, me leve, no lugar dela... Pois, eu já cometi todos os erros e acertos desta minha vida. Nunca te pedi nada, nunca te cobrei nada, mas, hoje, estou aqui!
    Um Padre veio ao meu encontro e perguntou-me se eu queria confessar-me? Respondi-lhe: - Por quê? Se posso confessar-me diretamente à Ele? - O Padre dirigiu-se até a sacristia e retornou com uma 'Hóstia'; comunguei, e ele pediu-me que rezasse três Aves Marias e três Pai Nosso... Disse-lhe: - Perdoe-me Padre, não me lembro destas 'orações'! - Não tem problema filha! Vou orar contigo! - Fiquei ali por mais alguns tempos... Não sei exatamente quanto tempo...
    Só sei que depois.... Minha irmã morreu! Na minha cabeça, aquilo foi uma mensagem certeira. Culpa!!! Eu matei minha irmã! E, eu ... Me amaldiçoei, me torturei, me culpei.... "Meu Deus! Me Perdoe, por não lembrar das 'malditas' orações....!!!"

    Acabou!!! Bloquei tudo que ainda restava de esperança em mim... Quando perdi a fé!

    Por anos vaguei sombrios labirintos, tu sabes...

    Hoje, minha alma tão sensível, só entende o que não machuca, o que não dói... BLOQUEI... TUDO!!!

    Ainda que, BLOQUEANDO..... Eu possa estar
    'bloqueando' uma saída.....

    "HÁ BLOQUEIOS DE MOMENTOS; TAMBÉM HÁ BLOQUEIOS, QUE SÓ QUEM PASSA POR ELES É QUE OS SABEM..."

    Abçs. carinhosos Mauricio!

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    Respostas
    1. Olá, Amarilis:
      Esse seu comentário é uma autêntica 'catarse' e com certeza lhe ajudará a superar os bloqueios.
      A vida é algo simples que nós complicamos. Vida e morte fazem parte da mesma coisa. É o processo. A reciclagem perene do universo. Não há que sentir culpa por nada. Nós agimos de acordo com as circunstâncias que nos cercam, tomando a melhor decisão que dispomos para aquele momento. Não ajuda em nada nos lamentarmos tempos depois daquilo que fizemos ou deixamos de fazer. O que devemos fazer é, uma vez conscientes, tomarmos decisões com sábias no presente, pois serão sementes que germinarão no futuro. Romper os bloqueios e criar 'significado' para a vida. Como disse, isso é o que importa.
      'Levanta! toma tua cama e anda!' diria o grande Mestre.
      Um abraço afetuoso.
      Mauricio A Costa
      Editor do Blog Marcas Fortes.

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  2. Hoje, Mauricio tenho consciência que perdi os melhores momentos da minha vida, nesta 'guerra insana' contra o mundo; na pretensão que o mundo todo deveria pagar pelos erros cometidos por duas pessoas. Estes 'bloqueios', eu já consegui rompe-los; ainda que, a ferida da 'criança', sangre vez ou outra. Mas, o pior dos 'bloqueios', foi quando não satisfeita em declarar 'guerra' ao mundo, eu quis declarar guerra aos 'céus' e ao 'inferno' que tinha transformado a minha vida. Já não tinha mais noção do que fazia. Estava doente, muito DOENTE!
    Foi um longo caminho para voltar a razão. Tu sabes; arredastes algumas pedras comigo... E, também trouxe-me DEUS, novamente para minha vida. Não aquele "Deus" da Igreja, de 'orações' decoradas... Mas, DEUS-AMOR-VIDA que está em mim; que está no meu coração!

    "A vida é algo simples que nós complicamos."

    Obrigada, meu Amigo e Mentor!
    Abçs. carinhosos.

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  3. Não é por acaso, nem por coincidência, que você, Mauricio trouxe este 'artigo' novamente em evidência... É sim por "sincronicidade"!

    Sim. Não há mais 'bloqueios'!
    E, se minh'alma ferida, magoada... Achou de alguma forma o caminho da libertação das 'amarras', da cura, da luz e alçou um lindo voo! Suas 'palavras', tenha certeza, somaram muito para isso... Tenho-as sempre ao meu lado! E por isso compartilho o poema abaixo(Alma Ferida).

    ALMA FERIDA

    Soltei as amarras das cicatrizes,
    da minh'alma envolta em silêncio.

    As feridas da alma só vão parar de sangrar,
    se a alma puder voar...

    Soltei as amarras!

    Por:- Amarílis Adélio

    Meu 'amigo' querido... A VIDA é tão simples! Porque tanta gente insiste em complicá-la para nós?!

    Abçs. carinhosos Mauricio.

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