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sábado, 26 de maio de 2012

Apenas Siga o Seu Coração



Por Maurício A Costa*


"Não se engane. Tudo à sua volta é um grande palco de engodo, camuflagem e fantasia. Uma disfarçada batalha pelo poder, satisfação e sobrevida, onde não há respeito a regras. Se for jogar limpo, prepare-se para as frustrações e decepções. Defina sua meta e atire-se por inteiro contando apenas com sua própria coragem e determinação. A vida consiste em uma reciclagem perene regida pela lei da sobrevivência" ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP).

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Certa vez comentei em minha página para amigos no Facebook, que dos diplomas que carrego, o único que está pendurado na parede do meu escritório é o de piloto, pelo Aeroclube de São Paulo. Não por vaidade, ou exibicionismo, mas por orgulho de uma meta conquistada. O sonho de infância que me levou a voar como gaivotas, e hoje inspira muitas das metáforas que escrevo em meus textos. Voar para mim é acompanhar o movimento da própria alma; Em algumas horas é deixar-se conduzir pelo vento, em outras é usufrui-lo a seu favor para atingir um local desejado. Ser parte do fluxo, e fazer da viagem o sentido da própria vida, sem a obsessão  da chegada, tampouco a preocupação com paradigmas que nos atemorizam diante da grandiosidade de um horizonte que aos poucos vai descortinando uma nova paisagem a cada momento, e dá significado a cada simples minuto, transformando-o em algo inesquecível. Pilotar uma máquina voadora é ter a ilusão momentânea de se estar no controle da própria vida, com a consciência da vulnerabilidade que envolve o efêmero voo.

Por ver a vida dessa maneira grandiosa, sou tomado às vezes por alguns como um ingênuo, ou mesmo sonhador. Um tolo poeta, a querer fazer da realidade uma utopia. Isso, todavia, não me incomoda o tanto quanto me incomoda a arrogância daqueles que se realizam na esperteza, caracterizada pela falcatrua e a falsidade. Nada me deixa tão decepcionado quanto ver a camuflagem, fruto da manipulação de informações, como se a vida fosse uma eterna partida de truco, onde se busca unicamente a lei da vantagem por meio da enganação, fazendo das regras da hipocrisia um manual de operações para conquistar a fama, a riqueza ou poder, esquecidos de quão vulnerável é o breve voo de suas frágeis asas voadoras, tal como na lenda de Ícaro. Como diz ‘O Mentor Virtual’: Aquele que faz do poder a sua força não passa de um fraco, porque forte é aquele que transforma todas as suas fragilidades em poder”.

Para ilustrar esta reflexão sobre o ardil do comportamento humano, quero narrar uma pequena, mas significativa história, das muitas que vivenciei ao longo da minha carreira como estrategista ou conselheiro de tantas empresas. Há muitos anos, fui uma espécie de ‘anjo da guarda’ de uma empresa, dessas do tipo ‘fundo de quintal’; desorganizada, suja, endividada, desorientada, e sem muita perspectiva. Um processo desenvolvido a partir de recomendações estratégicas a outra empresa do mesmo ramo de atividades, para que realizasse uma fusão com aquele pequeno empreendimento, visando criar sinergia numa nova linha de produtos que eu vinha insistentemente sugerindo. A operação foi concretizada, investimentos foram efetuados para aprimorar qualidade, marcas foram desenvolvidas, conceito de valor agregado implementado, equipes treinadas, mercados abertos, e assim, aos poucos, aquele patinho feio foi se transformando, como eu havia preconizado, em uma das pérolas do conglomerado. Tornou-se então, uma empresa rentável, com faturamento dez vezes maior que o de quando iniciamos nossos primeiros contatos. Acompanhei de perto a evolução desse projeto, com a certeza de que havia feito a recomendação certa, e a esperança de ver minimamente reconhecido o trabalho intelectual/estratégico que eu havia desencadeado. Algum tempo depois, quando a empresa foi vendida por vários milhões de dólares para uma grande multinacional, tive a imensa frustração de não receber sequer um ‘muito obrigado’ daquele empresário que algum tempo atrás parecia fadado ao desânimo ou até mesmo ao fracasso. A vaidade não lhe permitiu dividir o êxito do empreendimento. O egoísmo, a avareza e a mesquinhez não o deixaram compartilhar os efeitos de sua rápida prosperidade. Tornara-se um refém da superficialidade das aparências, esquecendo que é no íntimo de nossos corações, nos gestos de gratidão e retribuição, que reside a verdadeira felicidade.

Lamentavelmente, boa parte da humanidade percebe a vida unicamente em seus aspectos de futilidade, caracterizado pelo apego à ninharia e o imediatismo, onde a alegria consiste apenas na importância do ter. E por conta disso, jamais serão; apenas terão; transformando a vida em um autêntico Inferno de Dante; porque, como sabemos, alguns humanos se comportam com meros animais, guiados por instintos, atendo-se exclusivamente a coisas concretas, palpáveis, materiais; esquecendo que para superar o convencional, carecem de valores, que estão muito além da transitoriedade do ter, pois, é no abstrato do que chamamos de espírito que reside a plenitude do ser. E enquanto escrevo isto, sou lembrado mais uma vez pelo ‘O Mentor Virtual’ a dizer: ‘Tudo é efêmero. Nada é real. Construímos fantasias e moldamos imagens que se esvaem em nossa mente como se nunca tivessem existido. A vida não é mais que uma leve brisa entre duas estações'.


Diariamente, um questionamento incômodo açoda cada um de nós, nos incitando ininterruptamente a perguntar: Como coabitar com o nosso semelhante em mundo tão diversificado, formado por distintos níveis de evolução cultural, e percepções tão díspares? Como viver nesse grande palco, formado por atores, no qual cada personagem traz sua fantasia pessoal, onde, para levar a cabo essa ilusão, vale-se de máscaras que disfarçam o engodo através da camuflagem, em um jogo feroz, sem regras, sem limites e sem qualquer respeito pelo outro para atingir seus objetivos? Como falar em ‘valores’ em mundo marcado pela lei da sobrevivência, sem noção ou consciência da complementaridade? A única resposta natural parece ser a de que teremos que contar apenas conosco mesmos, numa trilha solitária, a partir de nossas crenças mais profundas, e com base nisso, definir um propósito, que estabeleça um caminho ou direção, sustentados pelos valores que acreditamos, ainda que à revelia do mundo à nossa volta. Preparados para frustrações e decepções de toda ordem, decorrentes dessa postura.


Quem sabe não seremos capazes de construir universos paralelos dentro desse tumultuado ambiente de convivência, e criar uma visão de conjunto que nos permita viver sem ansiedades ou falsas expectativas, e assim, nos surpreendermos a cada curva da viagem, pelo simples fato de percebermos na tênue linha da nossa finitude, a importância de valorizar cada minuto como algo irreversível; sem a inócua perda de tempo de olhar para trás, ou a inútil preocupação com um futuro incerto, por não sabermos se lá estaremos.

Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes. Apenas flashes de um momento; frações de segundo de uma viagem em que a alma se encanta a criar fantasias por querer perpetuar o que a seduz’, sussurra outra vez ‘O Mentor Virtual’. Por isso, apenas siga o seu coração. Ele é o ponto de contato mais visível entre nosso mundo interior e o todo que nos rodeia. Ao escutá-lo, descobrirá a sabedoria que nos faz transformar erros em aprendizado, frustrações em energia criadora, e decepções em motivação para o crescimento pessoal. Mesmo que alguns venham a rir de você, e até o chamem de tolo, não se perturbe; o poder de sua marca pessoal vêm dos valores que você carrega, e são eles que fazem brotar toda confiança, que o faz operador da sua história e piloto do próprio destino.

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.
É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

Contatos:  mauriciocosta@uol.com.br

5 comentários:

  1. Jane Toledomaio 26, 2012

    Verdade apesar seja ser uma mulher adulta e "madura", entre àspas por que eu estou começando a enchergar a vida como ela realmente é ,só agora. Eu sempre vivi em meu mundo, um mundinho que eu mesma criei para mim, minha casa, meus filhos, vivi só para isso, criá-los, só que me esqueci do resto, do mundo além da meu mundo e principalmente de mim. Agora o que importa mesmo é que estou aprendendo muito e a toque de caixa, não sabia o tamanho da fome de aprender que tinha e uma das coisas que me chamaram muito a atenção foi exatamente essa ambição sem medidas, onde não existem respeito à regras, muito menos as pessoa,onde pessoas que realmente querem jogar limpo, são machucadas, magoadas e se sentem frustradas. Também achei interassante conhecer um pouquinho mais de suas experiências atravéz de suas histórias e opniões, como sempre é um prazer lê-lo, além do acréscimo que sempre representa em meu crescimento, boa noite Maurício, um abraço com carinho!!

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  2. Parabéns por todas suas mensagens... São excelentes reflexões!

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  3. Caríssimo, mais uma vez, vc consegue através de suas palavras, penetrar no mais profundo do nosso ser. Muitas vezes me sinto perdida no meio de tantos turbilhões presenciados nesse mundo. Questionamentos, medos, anseios, insegurança, expectativas... mas, bem dentro do meu coração, encontro uma luz lá no fundo, que vem me dizer: coragem, força, determinação, fé... então aí, ninguém me segura... obrigada por estar sempre nos iluminando com seus artigos e que Deus o abençoe, hoje e sempre... bjos no coração... nina

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  4. Rosa Cristina Camposmaio 28, 2012

    Há alguns dias postei sobre a travessia de um rio, testemunhei que na minha vida tinha se apresentado não um rio somente, mas, dois rios; Um raso e largo que propiciava as superficialidades e o outro, estreito e profundo que me proporcionava o autoconhecimento e bons valores. Observei, no entanto que nessa estória da empresa, o dono da mesma optou pelo rio raso e largo da vida dele...uma pena.O maior lucro foi seu em se distanciar de tal criatura.

    Quanto aos universos paralelos tenho essa confiança na Física Quântica, acredito que somos agentes modificadores e poderemos assim melhorar de alguma forma, outras vidas.

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  5. Por muito tempo me fechei para o mundo e para as pessoas à minha volta, por não confiar em suas atitudes; e, agindo assim, fechei também meu coração. Quando mais precisei, daqueles que se diziam 'amigos'; foram os primeiros que se afastaram.... As mascaras caíram! Só recebi apoio de estranhos... Que meu coração, magoado, ferido já não podia ouvir!

    No profundo vazio que se fez em minh'alma, muito tempo depois, sussurra-me o amigo 'mentor virtual' - "O universo se encarrega de colocar perto, umas das outras, as pessoas que se complementam ou que carregam algo em comum para propiciar seu crescimento." - Então, compreendi que já era hora de abrir meu coração.

    Hoje, eu sigo os meus caminhos. É um 'mar de rosas', eu sei; tem espinhos.... Mas, eu "apenas sigo o meu coração....!"

    Abçs. carinhosos Mauricio.

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