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sexta-feira, 27 de abril de 2012

E... Se?





Por Maurício A Costa*


“Em algum lugar, lá no mais profundo de nós mesmos, em geral sabemos onde ir e o que fazer. Mas há ocasiões em que o palhaço a que chamamos ‘eu’ age de modo tão irrefletido que a voz interior não se consegue deixar ouvir. Algumas vezes falham todas as tentativas para entender-se as mensagens do inconsciente, e diante desta dificuldade só resta o recurso de se ter a coragem para fazer o que nos parece melhor, apesar de prontos para mudar o rumo das nossas decisões quando o inconsciente indicar ou sugerir, subitamente, uma outra direção” (Jung, Carl Gustav, 1875-1961 – ‘O Homem e Seus Símbolos’ – Pág. 176 – Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro – Brasil – 2002).

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Alguns dias atrás, eu estive a conversar sobre diversos assuntos com um pastor de determinada igreja evangélica, e em meio à conversa, andava a justificar minha percepção sobre o fato de não acreditar em nada ‘sobrenatural’, por achar que tudo no universo tem uma explicação lógica e natural. Por conta dessa postura, sou tomado muitas vezes como um ‘cético’, isto é, alguém que não acredita em nada além daquilo que vê; ou seja, um descrente. Na verdade, assumo parte desse ceticismo, por trazer comigo desde a infância, o hábito de observar, examinar e refletir sobre todas as coisas, ao invés de aceita-las como algo inquestionável. Duvidar é a essência da ciência e da filosofia, e é desse questionar permanente que brota toda inovação.

Uma expressão, contudo, daquele missionário da fé empenhado em ajudar-me me deixou intrigado, fazendo-me questionar a certeza com que expunha minha posição, quando ele me pediu para que por instantes, eu fizesse a pergunta ‘E... Se?’... Ora, se o princípio que me rege é o do questionar a tudo, porque não questionar também minhas próprias definições e conclusões? Toda e qualquer afirmação traz consigo certa presunção de verdade, mesmo quando sabemos que ela pode ser uma visão parcial, incompleta ou inacabada, o que a leva a ser, uma meia-verdade, e só por isso, já merece o direito da dúvida. Nesse momento, perguntei-me interiormente se ao afirmar isso ou aquilo, através de mensagens e textos sintetizando metáforas, eu não estaria no mínimo sendo arrogante e prepotente. Pior que isso, será que as minhas palavras não poderiam ser interpretadas de maneira equivocada em relação ao pensamento original, como tem ocorrido com as ideias de tantos pensadores? E isso me entristeceu bastante. Afinal, vivemos em um mundo cercado de seres humanos que não conhecemos; tampouco suas intenções. Pessoas de todas as origens e diferentes convicções, algumas das quais, camufladas sob as mais indecifráveis máscaras, a esconder insegurança, inquietudes e medos.

Acabo de ler um livro intitulado ‘O 11º Mandamento’, do jovem escritor português, Daniel Sá Nogueira, obra que recomendo como importante reflexão para uma nova postura dos líderes diante dos desafios impostos pelo capitalismo selvagem, onde o autor foca no princípio de que ‘somos todos um’; uma ideia simples e grandiosa, contida na maioria das religiões desde os seus primórdios, que se levada à sério pode produzir mudanças significativas na humanidade. Entretanto, apesar de defender essa ideia, percebo que mesmo sendo parte de algo único e extraordinariamente maior, somos muito diferentes uns dos outros; não no aspecto físico ou espiritual, mas no que diz respeito às nossas mentes. É aí que o diabo reside. Por isso, nossas mentes são infernais. É nela que construímos todo tipo de maquinação, e fantasmas de toda ordem. Como ensinam as escrituras sagradas de judeus e cristãos, o homem se afastou de Deus, no exato momento em que tomou consciência de si mesmo. A partir daí, sua mente já não seria mais a mesma, e uma das primeiras de suas reações foi aprender a culpar o outro por suas atitudes; uma forma egoísta de convivência que resultaria em posturas cada vez mais beligerantes com seu próprio semelhante. Afastar-se de Deus tem, portanto, uma conotação de afastar-se da unidade. A unidade que cria convergência, produz sinergia, e gera vida.

Ao voltar ao “E... Se?” que deu origem a este artigo, eu me pergunto: E se... para assustar os mais humildes nós criamos a ideia do sobrenatural, com o propósito de manipulação pelo medo, da mesma forma que sempre o fizemos com nossas crianças com cantigas como ‘boi da cara preta’? E se... inventamos mitos de toda natureza ao longo de séculos para fazer o ser humano sentir-se cada vez menor diante da grandiosidade do universo? E se... os mais espertos tivessem descoberto que pela manipulação da religião seria possível criar a manipulação econômica? E se... fosse interessante criar governos manipulados para potencializar a concentração econômica? E se... conviesse a poucos construir um mundo onde muitos passassem a viver como escravos do próprio dinheiro? E se... nos tornamos um bando de animais domesticados, que como gado segue para o curral de um destino que não se consegue mudar? E se... E se... E se...

Numa coisa concordo inteiramente com o Daniel Sá Nogueira, autor do livro já mencionado: todos que ousaram ir contra o ‘status-quo’ desse maquiavélico sistema que aí está terminaram suas vidas precocemente assassinados como Sócrates, Jesus Cristo, Gandhi, John Lennon, Tiradentes, ou Luther King. Em menor escala, sinto isso diretamente na pele, em algumas empresas, que por discordar da minha visão, evitam minha presença para não contaminar os dóceis cordeirinhos que lhe seguem, a esconder verdades, vendendo suas almas por questões de sobrevivência. Erguer a voz contra essa manipulação econômica é como gritar no deserto e por isso, quem o faz é no mínimo tomado como um tolo, sonhador ou poeta, a construir utopias. No entanto, faço votos que as sementes jogadas ao vento pelo Daniel possam espalhar-se mundo a fora, a despertar consciências adormecidas pelo torpor induzido da manipulação mental.

E para finalizar com essa abordagem do eterno “E se” que nos aflige em todas as questões, sugiro que nos inspiremos nas gaivotas, que não se preocupam, com o dia seguinte, e voam livres em busca do alimento que as sustenta, com a certeza de que o universo estará a conspirar a seu favor cada vez que levantarem voo sobre mares tempestuosos, que escondem sob suas águas todo alimento que necessitam. Como dizia o grande mestre Carl Jung: “Qualquer um de nós pode facilmente verificar que existe em nossas vidas um conflito entre aventura e disciplina, mal e virtude, ou liberdade e segurança. Mas são apenas frases, que utilizamos para descrever uma ambivalência que nos atormenta e para a qual parecemos nunca encontrar resposta”.

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*Maurício A Costa foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida.

É o autor da série 'O Mentor Virtual', e está disponível para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que poderão mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe.

2 comentários:

  1. E se voce estiver certo, o que farei com tudo que "aprendi" agora?
    E se voce estiver certo, como vou encarar meus Mestres?
    E se voce estiver certo, como vou lidar com meu medos?
    E se voce estiver certo, como vou lidar com as minhas angústias?
    E se voce estiver certo como aprenderei andar com as minhas pernas?
    E se voce estiver certo, voltarei a sorrir?

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  2. E... Se eu não disser nada agora? Simplesmente, parar por aqui...?!
    E... Se eu disser que você é completamente louco? Simplesmente, porque depois de escrever tantos 'artigos', 'reflexões', 'livros', sem contar as frases espontâneas que diz em conversas informais; agora está questionando as suas próprias palavras?!

    Ahhh! Por favor Mauricio! E... Se eu lhe pedir, que nunca mais... "e... se; e... se; e... se."

    Outro dia escrevi um 'poema'; penso que tem alguma coisa haver com esses seus 'questionamentos'. "E... Se" não tiver, serão palavras enriquecedoras "nada mais"!

    NADA MAIS!

    Palavras soltas roucas,
    outras mais bocas
    sem palavras rotas.

    Todas palavras,
    das bocas sujas, chulas;
    sem nada a dizer.

    Prezo na garganta,
    um grito, um arroto...
    Era um sapo?

    Fato! Constato de fato.
    Patos, fatos no concreto...
    É certo!

    Quem vai interferir?
    Chorar ou sorrir...
    São apenas... Fatos!

    Os patos e os fatos,
    não fazem parte do pacto.
    Nada mais!

    E...Se eu lhe deixar um Abraço carinhoso Mauricio?! Você aceita?
    Não impota! Fica o abraço....\o/

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