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sábado, 17 de março de 2012

Os Múltiplos Caminhos da Inovação.




 Por Mauricio A Costa*

“Os mercados financeiros exercem pressões implacáveis sobre os executivos para que promovam e mantenham o crescimento de suas empresas em ritmo cada veza mais acelerado. Será que é possível executar com sucesso esse mandato? Será que as inovações capazes de atender às demandas dos investidores quanto ao crescimento não impõem riscos inaceitáveis para esses mesmos investidores? Será que existe alguma saída para esse dilema?" (Clayton Christensen e Michael Raynor, em ‘O Crescimento pela Inovação’ – Editora Elsevier – Rio de Janeiro-RJ – 2003).
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Aprendi com Richard Bach, conhecido autor americano que muito me inspirou com seus livros, que 'só conseguimos as respostas que desejamos quando começamos a questionar'. Uma verdade incontestável, amparada pela máxima da filosofia universal de que 'é preciso duvidar de tudo'. O questionamento é na verdade, a base do pensamento estratégico, especialmente em mundo de incertezas como o que vem se desenhando nas últimas décadas, marcado pela velocidade das mudanças. 

Clayton Christensen
Em seu livro citado acima, o ilustre professor da Harvard Business School e seu parceiro de autoria, iniciam com uma abordagem enfática sobre as chances de sucesso de um empreendimento crescer de forma significativa com uma ‘estratégia de disrupção’, isto é, desenvolvendo e aplicando estratégias que produzam ‘rupturas’ contundentes, capazes de implodir formatos tradicionais; um modelo especialmente indicado para empresas estreantes em mercados dominados por grandes corporações. Uma ideia que resume de certa maneira a complexidade por trás do conceito de inovação, e impõe um pensar diferente, ditado por aqueles que ousam ir além do que já é conhecido. 

Zuckerberg/Facebook
À primeira vista, essa abordagem inicial pode parecer a você leitor, algo destinado apenas a empresários de forma geral. Entretanto, ela se encaixa também em nosso cotidiano, se pensarmos que precisamos, individualmente, ‘lutar’ diariamente por espaços cada vez mais concorridos na batalha pela sobrevivência ou pela prosperidade. Por isso, sugiro que continue a leitura deste artigo, mesmo que não seja um empresário ou executivo e adapte-o à sua vida pessoal. 
Luan Santana
Para começar, observe como a maioria das pessoas à sua volta que estão conquistando êxito, são pessoas ousadas, destemidas, arrojadas e principalmente sem medo do ridículo, isto é, ignoram o que outros possam pensar deles. São agentes em potencial da tal ‘disruptura’ citada pelo professor Christensen, dispostos a criar algo novo e diferente. Algo que possa afrontar qualquer convencionalidade e estabelecer novos padrões. E neste sentido, não há limites para a criatividade e a inovação, seja ela nas artes ou nos negócios, e como ensina Fernando Pessoa, ‘tudo vale a pena se a alma não é pequena’. 

Sabonete Natura
Retornando ao questionamento no início deste texto sobre os riscos da inovação, é recomendável que façamos uma rápida análise sobre o tema, para que possamos compreender que inovação não é algo complexo, tampouco uma panaceia, o remédio para todos os males de um empreendimento. Inovação é simplesmente o caminho lógico na eterna busca pelo novo que fascina a alma. Seja na forma de fazer ou de apresentar, de usar ou de compartilhar, importa apenas que seja diferente, atrativo e estimulante. Inovar é ver o mundo com um olhar diferente, ou a ele apresentar-se de uma forma provocadora, surpreendente e inusitada. 

Sorvete Haagen-Dazs
Para inovar, é bom lembrar também, que não há que se pensar unicamente em tecnologia, existe muitas maneiras de buscar o novo apenas com criatividade, e em muitas áreas de atuação. A inovação poderá estar presente na forma de apresentar-se algo, na sua distribuição, ou em sua linguagem simbólica e sensorial, por meio de cores, formatos, sabores, odores, texturas, ou embalagem. Podemos inovar ainda com um simples toque sensualidade, de humor, ou de beleza no que se faz ou apresenta. 

Sandálias Havaianas
Inovação é um toque único de personalidade que diferencia um par de chinelos ou simples sanduíche. Não deve se restringir aos aspectos físicos do produto, pode com certeza apresentar-se sob a forma de percepção gerada a partir da comunicação contida numa abordagem atraente, simpática ou que inspire credibilidade. Vemos diariamente na televisão, na internet ou em revistas e jornais, histórias fantásticas de pessoas que estão inovando em suas respectivas áreas de atuação por meio de atitudes diferenciadas em relação àquilo que se costumava ver. São exemplos de professores que ensinam divertindo, de maestros que envolvem a plateia com sua orquestra, ou de padres que cantam para seus fiéis. A lista é longa e muitos outros exemplos podem ser lembrados pelo próprio leitor, que a esta altura já deve estar pensando em como fazer algo diferenciado para atrair a atenção para si, ou para seu produto, ou sua ideia. 

É bom lembrar que não falta dinheiro para financiar projetos criativos, audaciosos, e capazes de provocar rupturas significativas. Há milhares de fundos de investimentos à procura de ideias, talentos e empreendedores que ousam desafiar a mesmice. O que falta na verdade, é a coragem para sair do limbo da convencionalidade e apresentar-se com algo criativo, vencendo o medo e a inibição ou o comodismo que engessa e apavora o tímido, o indolente e o preguiçoso. Como ensina ‘O Mentor Virtual’: “O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional”. Os riscos para os investidores serão inerentes ao próprio desafio da inovação. Não existe ‘disrupção’ sem ousadia, e não se pode ousar sem correr riscos. Ao desafiar o que já está estabelecido (status quo) em qualquer atividade, há um prêmio àquele que tem êxito e ganho de experiência ao que se aventura, mesmo sabendo das chances de fracasso. 
Thomas Edison
Conta-se que Thomas Edison ‘fracassou’ mais de duas mil vezes até patentear o invento da lâmpada, e quando questionado sobre seus ‘fracassos’, simplesmente respondia que para ele não se tratava de fracassos, mas de ‘tentativas’; etapas do processo para alcançar seu propósito. Um belo exemplo de obstinação em relação a uma meta de inovação

Portanto, a resposta para o dilema ou paradigma questionado pelo nobre mestre de Harvard e seu coautor na obra em destaque, está na capacidade, coragem e determinação da empresa, empresário ou empreendedor de permear seu empreendimento com o pensamento estratégico, formado a partir de um questionamento intensivo que busque o 'que', o 'onde', o 'como', o 'quando', o 'quem', o 'quanto', e o 'por que', para se desenhar caminhos alternativos e vislumbrar oportunidades não convencionais antes que outros o façam; conscientes de que não há garantias plenas de sucesso quando se lida com variáveis de toda ordem, em um mundo que se modifica a cada segundo. Quanto ao investidor, ele sabe que sua maior habilidade consiste em avaliar riscos, e para convencê-lo, basta que haja consistência, coerência e comprometimento. Uma ideia embasada pelo bom senso e conduzida com energia e determinação por uma equipe comprometida minimiza a insegurança do risco e gera atratividade pela possibilidade de sucesso que carrega; pois, como diz a sabedoria popular: ’quem não arrisca, não petisca’.

Não importa o que você faz, como faz, com quem faz, quanto ou onde faz; é possível inovar na maneira de fazer isso. Tudo o que precisará fazer será diferenciar-se o bastante para conquistar a atenção do seu público alvo e nele provocar desejo. Para tanto, basta um olhar diferente sobre o seu produto, (que pode ser você mesmo), seu cliente potencial, (aquele a quem você pretende conquistar), seu mercado, (o ambiente que o cerca), o concorrente, (qualquer um que esteja competindo com você), sua equipe, (aqueles que colaboram para o seu sucesso), seus recursos, (limitados ou não; visíveis ou que você até desconhece que existem). 

Esse olhar diferente se tornará mais efetivo com uma ‘visão de fora’; sem os vícios provocados por imperceptíveis paradigmas que permeiam você ou sua organização, limitando possibilidades muitas vezes óbvias. Por isso, não deixe que a vaidade pessoal, orgulho, egoísmo ou uma economia burra limite seus horizontes. Não se deixe intimidar pelo comodismo ou pelo pessimismo daqueles que não acreditam na imperativa necessidade de mudanças. Não há alternativas. É inovar ou morrer. Essa é uma lei universal. A essência da vida consiste nessa eterna reciclagem.
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 *Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. 

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual, organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

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