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sexta-feira, 23 de março de 2012

Insight. A Base do Pensamento Estratégico





Por Maurício A Costa*





Quanto mais inesperado for o sucesso de um empreendimento, menor o número de concorrentes e mais bem-sucedido será o empresário que implementa a ideia... A estratégia para os descobridores e empreendedores é contar menos com um planejamento estruturado, focalizar no máximo de experimentação e reconhecer as oportunidades quando elas surgem(Taleb, Nassim em ‘A Lógica do Cisne Negro’ – Pág. 18/19 – Editora Best Seller – Rio de Janeiro-RJ – 2008).

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Em uma das muitas viagens que fiz aos Estados Unidos, participei certa vez de uma das edições da Branding & Licensing Expo, no Jacob Javis Convention Center em Nova York, uma feira de negócios dedicada exclusivamente ao licenciamento de marcas. Estava à procura de marcas fortes ‘licenciáveis’, para um importante cliente a quem prestava assessoria no Brasil, a maior empresa do ramo ótico na América Latina, sediada em Campinas. Após caminhar um dia inteiro entre os mais variados ‘stands’ de potenciais licenciadores, retornei ao final da tarde ao Hotel onde estava hospedado, um tanto desiludido, por não haver encontrado uma marca que preenchesse meus objetivos quanto à visibilidade e conceito que pretendia para determinada linha de produtos. 


Após uma boa ducha para recuperar as energias, saí do Hotel e comecei a caminhar em direção à ‘Broadway’, um famoso quadrilátero na área central de Nova York, por conta dos muitos teatros com seus famosos musicais. Eu não trazia qualquer preferência naquele dia, pelo fato de já haver assistido vários daqueles shows em viagens anteriores. Por isso, caminhava a ermo, sem qualquer ideia definida. Era como se deixasse o imponderável me guiar por aqueles instantes. Em meio à caminhada, parei para deliciar um Häagen-Dazs, meu sorvete favorito. Repentinamente, um cartaz do outro lado da rua me chamou a atenção para uma peça em exibição num dos teatros próximos dali. Embora já houvesse lido algo a respeito daquele musical, não o havia visto ainda, e isso me fez imediatamente tomar a decisão de assisti-lo. Dirigi-me ao teatro, um tanto descrente, por pensar que provavelmente não encontraria ingresso, pois já estava ‘em cima da hora’ para o início da apresentação. Para minha surpresa, consegui por sorte um dos últimos ‘tickets’ disponíveis para ‘Miss Saigon’. Ao entrar no teatro, fui conduzido por uma encantadora senhora de aproximadamente uns setenta anos, que com sua lanterna me guiou até o meu assento na plateia. Enquanto subíamos as escadas, ela me dizia: ‘Vou sentar você ao lado de uma bela dama’... Depois de oferecer-lhe dez dólares pela carinhosa atenção, ela se despediu com um alegre sorriso, desejando-nos um bom espetáculo. 

A essa altura, eu não tinha alternativa senão iniciar uma conversa informal com aquela mulher ao meu lado enquanto aguardávamos o início do show, já que nossa carinhosa ‘guia’, havia nos apresentado de maneira muito natural. Falamos algum tempo em inglês, até descobrir que éramos brasileiros, e que estávamos em Nova York pelos mesmos motivos, ou seja, ‘licenciamento de marcas’. Para minha surpresa, ela me informou que sua empresa estava iniciando o agenciamento da marca ‘Playboy’ para o Brasil e buscavam interessados em licenciar a marca para algumas linhas de produtos. Não preciso dizer do meu nível de estupefação diante disso. Custava-me acreditar que após um dia inteiro à procura de algo, eu fosse encontrar o que procurava no lugar mais improvável possível. Durante todo tempo que durou aquela ‘ópera americana’ eu dividi minha atenção entre o belo mas nada previsto espetáculo, e o inusitado encontro com aquela mulher. Nesse momento, a única palavra que me vinha à mente era: 'sincronicidade'. Após o musical, enquanto acompanhava minha nova amiga até o seu Hotel ali perto, combinamos uma reunião em São Paulo para iniciarmos as tratativas de um contrato nascido totalmente do ‘improvável’, e que se tornaria mais tarde uma importante marca no portfólio da indústria de óculos que assessorava. 

Recentemente, em um artigo que publiquei no blog Marcas Fortes, falando sobre o ambiente caótico em que vivemos, escrevi uma frase que vale a pena rememorar, por se encaixar perfeitamente neste contexto: "Insights poderosos podem produzir sensíveis mudanças em nosso destino. Para tanto, basta aprender a escutar à nossa volta e através de nós mesmos. É por aí que o universo fala conosco, e nos faz encontrar respostas nos locais e momentos mais improváveis" ('O Desafio de Navegar no Caos', no blog Marcas Fortes - Fev,21-2012). – Considero o ‘insight’ um acontecimento repentino, imprevisto e fugaz como um relâmpago, que pode ocorrer sob a forma de uma ideia, uma sutil percepção, ou um fato casual, sem  aparente ligação. Acontece que nem sempre estamos atentos a eles, devido ao fato de nos colocarmos ininterruptamente como prisioneiros da mente em busca de respostas convencionais, ignorando a maior parte das informações daquilo que se passa à nossa volta, retido de forma quase imperceptível pelo subconsciente. Quando porém, desligamos a atarefada mente consciente, permitimos que o que está no inconsciente aflore, e encontre pontos de contato, 'elos invisíveis', de uma cadeia de assuntos interligados no  histórico milenar desse nosso mundo subconsciente, os quais, latentes, ou adormecidos aguardam apenas um leve estímulo aleatório para se manifestar. 

Perdemos assim, involuntariamente, extraordinárias oportunidades, devido ao hábito de tentar simplificar tudo, o tempo todo, para que nossa mente consiga racionalizar, pelo simples fato de que nem sempre conseguimos viajar no ambiente da 'aleatoriedade' sem nos perdermos; e por acreditar que tal comportamento possa ser visto pelos outros, ou até por nós mesmos, como um inaceitável estado de abstração, comparável à letargia dos tolos ou à indolência dos preguiçosos, quando na verdade reflete apenas um estágio de relaxamento da mente que permita o afloramento natural do inconsciente, onde bilhões de experiências vividas em gerações passadas aguardam unicamente pelo momento supremo do ‘insight’. 

Nassim Taleb 
Para muitos seres humanos, sejam eles grandes executivos, sólidos empresários, ou pequenos empreendedores, quase todas as decisões precisam se mostrar racionais: Concretas, visíveis e mensuráveis. Há que se reduzir tudo à dimensão do compreensível para que possa caber na mente, a fim de ser analisada, digerida, comparável, e aplicável. Nada de ‘viajar na maionese’ como diria meu amigo e mentor Pedro Grendene. Tudo precisa ser mapeado pelo consciente, com parâmetros bem definidos para que se elaborem inúteis planejamentos, que se mostrarão inexequíveis à primeira turbulência ou imprevisto, muito comum no mundo caótico em que vivemos. Como ensina Nassim Taleb, em sua obra citada no texto de abertura deste artigo: “Nós, membros da variedade humana dos primatas, temos uma fome por regras porque precisamos reduzir a dimensão das questões para que possam entrar em nossas cabeças. Ou melhor, infelizmente, para que possamos espremê-las em nossas mentes. Quanto mais aleatória a informação, maior a dimensionalidade, e, portanto, é mais difícil resumi-la(pág. 107). Isso significa dizer, que,  ao buscar simplificar, perdemos a oportunidade de identificar extraordinárias oportunidades. 

É lamentável ver como muita gente e tantas empresas desperdiçam magníficas chances de crescimento por deixar de acreditar na via não convencional, no ‘pensar fora da caixinha’. Apegam-se a modelos saturados, embasados unicamente na mesmice do passado. Por medo de lidar com o desconhecido, e por desconsiderarem o improvável, o abstrato, e o infinito de possibilidades que os cerca, caminharão como gado em forma de boiada, seguindo apenas trilhas conhecidas, em nome de uma aparente segurança, que poderá desmoronar a qualquer momento. 

Parece-me imprescindível compreendermos que devido à multiplicidade de atores e a complexidade de fatores atuando simultaneamente em um ambiente inóspito e desconhecido, estaremos na maior parte do tempo regidos pelo improvável. Ainda que acreditemos estar no controle da situação, não passamos de um mero graveto a flutuar em um mar de possibilidades. Por isso, é recomendável estar atento aos sinais do universo que nos cerca, e pelo menos de vez em quando, deixar-se conduzir por esse imponderável que nos chega de forma imprevisível, surpreendente ou inusitada, muitas vezes pelas mãos de quem menos esperamos. Como ensina ‘o mentor virtual’: “Tudo está intimamente ligado. Cada mínimo elemento carrega em si um relevante e decisivo papel para que o extraordinário aconteça, num espetáculo de infinitas possibilidades”.


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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br


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3 comentários:

  1. Jane Toledomarço 24, 2012

    Muito boa história, como o improvável, nos surpreende muitas vezes. Como somos pequenos diante do universo de possibilidades, como a vida nos ensina, cada momento uma informação nova chega...Surpreendente é a forma simples e natural que as coisas acontecen,tamanha é a simplicidade que muitas vezes só percebemos a oportunidade quando é tarde demais.Observar, apreciar, sem compromissos, mas com atenção. Interessante o elo que se forma entre tudo e todos, interessante perceber que tudo esta interligado, mesmo que não queiramos.Muito bom ler seus textos, melhor ainda é perceber que de uma forma ou de outra, sempre se encaixam em nossas vidas. Observação, acredito que seja a palavra exata para explicar, acontecimentos que muitas vezes, não esperamos, mas que de uma maneira quase mágica acontecem, trazendo até nós o improvável...o inesperado...o desejado.Parabéns Mauricio, mais uma vez me faz pensar e isso é muito bom. Obrigada!!!

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    1. Olá, Jane:
      Agradeço por seu comentário.
      Somos realmente, eternos aprendizes.
      Um abraço cordial.

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    2. Jane Toledomarço 28, 2012

      Olá Mauricio....é um enorme prazer e uma honra, tentar aprender um pouco com suas publicações. Pena que não é sempre que consigo um tempo para le-lo com mais calma e consequêntemente aprender um pouquinho mais.Um abraço!!!

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