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quinta-feira, 29 de março de 2012

Expectativas: Perigosas Ilusões Criadas Pela Mente.


Por Maurício A Costa*




"Somos todos personagens de uma lenda que não termina jamais. Como numa fábula, cada personagem dessa fantástica história, ao ganhar vida, tem a primazia de fazer suas próprias escolhas e realizar seus mais extravagantes sonhos, ainda que cercados de surpreendentes fantasias" (O Mentor Virtual - Pág. 264/5 - Editora Komedi - Campinas-SP - 2008).

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Na história da minha vida, tanto quanto na sua, haverá muito que contar sobre vitórias e conquistas, como também momentos de grandes perdas, inesperadas decepções e enormes fracassos. Apesar de como seres humanos, contarmos com uma extraordinária capacidade de avaliação, ignoramos o bom senso e desafiamos com frequência a lei da gravidade, projetando nossas expectativas para além de fronteiras conhecidas; ora nos jogando em aventuras sem proceder a uma análise mais adequada dos riscos que envolvem a empreitada, ora por colocar demasiada confiança em outros. "O sucesso cria o apego. O apego gera o medo da perda. Esse sentimento produz a ilusão do fracasso. Assim, sucesso e fracasso são apenas impostores de uma visão meramente material". (O Mentor Virtual).

Juiz Nicolau do Santos Neto
Enganamo-nos frequentemente com imagens de sucesso propagadas aos quatro ventos, sem perceber que aquilo que vemos pode não ser real. Muitos êxitos aparentes escondem embustes de toda ordem, ou riscos que não estamos dispostos a correr. Iludir-se, portanto, com o sucesso alheio pode ser a causa inicial de muitos fracassos, por estar relacionada a expectativas sustentadas por situações aparentes, onde a visão não detecta que o nível de comprometimento pode demandar sacrifícios que irão além dos próprios princípios ou valores. Conheço inúmeros ‘cases’ de sucesso de políticos, artistas, magistrados e empresários que omitem de maneira sutil, as 'nuances' por trás de suas histórias, criando uma tremenda ilusão de ótica. Alguns desses ‘casos’ são expostos diariamente pela mídia, destruindo grandes castelos de areia. Não é minha intenção analisar aqui o que é certo ou errado. Não me cabe julgar quem quer que seja; cada um carrega suas próprias ferramentas de autoanálise, e deve estar consciente do preço a pagar por cada decisão. Quero apenas trazer à luz da compreensão uma reflexão sobre o fato de só uns poucos alcançarem o estrelato ou o sucesso em seus empreendimentos, enquanto muitos ficam pelo meio do caminho, como se fossem incompetentes, preguiçosos ou despreparados; embora quase sempre, sejam na verdade, vítimas de suas falsas expectativas.

Em nossa jornada pessoal somos ao mesmo tempo, autor, ator e plateia de nossas próprias lendas, e flutuamos o tempo inteiro entre sucessos e fracassos, alegrias e tristezas, sonhos e frustrações, vivenciando insanas criações de nossas mentes, ávidas por reconhecimento, segurança ou vaidade. Devido a isso, precisamos estar conscientes de nossa vulnerabilidade a imprevisíveis transtornos ao longo do caminho. Aprendemos muito com o fracasso. Às vezes, até mais do que nos casos de sucesso. Descobrimos com o tempo que em alguns momentos deixamos de prever determinadas situações e como decorrência, podemos colocar em risco o patrimônio e desperdiçar precioso tempo; como por exemplo, ao subestimar a reação de concorrentes que não irão querer perder espaços duramente conquistados, mantendo-se de braços cruzados ao avanço de novos ‘players’ do mercado. Todavia, ao nosso ver, o maior de todos os equívocos daqueles que ‘patinam’ ou permanecem ‘à deriva’ com seus empreendimentos, decorre na maior parte das vezes do nível de expectativa colocado na empreitada.

Ricardo Mansur
É um grande erro, presumir cegamente que um projeto possa ter sucesso garantido, sabendo-se de antemão, que inúmeros fatores externos, estarão completamente fora do controle. A meu ver isso não é confiança, é imaturidade. Muitas serão as adversidades e surpresas que poderão ocorrer pelo caminho: Um sócio em potencial poderá desistir antes mesmo de começar-se a empreitada; o custo do investimento poderá se revelar muito além da capacidade de geração do negócio; a pressão de uma multinacional com  monopólio do segmento poderá ser muito maior que a esperada, fechando todas as portas de acesso ao mercado; o despreparo de uma equipe, frente aos desafios pode anular toda boa vontade; e por último, mas não menos importante, a falta de apoio governamental, cujo interesse único é com a arrecadação de tributos, e pode ser fatal ao planejamento original.

E assim, aquilo que era uma expectativa, vai se transformando numa 'ópera-bufa', um teatro satírico, de final imprevisível. O sonho se desfaz e a frustração toma conta do empreendedor e de sua Equipe. Na plateia, ninguém entenderá o esforço desprendido para construir o drama. Para o Estado, o grande 'Leviatã', segundo o filósofo Thomas Hobbes, apenas mais um insignificante agente econômico, que agoniza, e que não fará a mínima diferença para os caixas de campanha dos partidos que os sustentam, nem para o bando de seguidores que como parasitas orbitam suas teias. Afinal, como ensina 'o mentor virtual': "Verdades e mentiras são meras ilusões do caminho. A mesma paisagem vista de janelas diferentes. Apenas flashes de um momento; frações de segundo de uma viagem em que a alma se encanta a criar fantasias, por querer perpetuar o que a seduz". 


Repetindo aqui, mais uma vez, o que ensina Lloyd Tupper“Quando você estabelece um contato mais intenso consigo mesmo, percebe que não é você que conduz os movimentos e que não foi você quem escreveu a sinfonia. Descobre então que não a está regendo. Você é parte do movimento. Você está apenas tocando o oboé”. Por isso, é decisivo ter consciência de suas limitações quando empreender seu sonho pessoal. É fundamental levar em consideração a enorme parcela de assuntos que estarão totalmente fora de sua área de decisão e de controle. E aqui, o objetivo não é desestimular aquele empreendedor em busca de realização, muito pelo contrário, é alertá-lo dos perigos do caminho para que reforce a guarda, procurando cercar-se do sábio aconselhamento, e acima de tudo, desenvolver sinergia com pessoas competentes e confiáveis.

Um de nossos maiores enganos é depositar fora de nós a maior parte de nossas expectativas. Até mesmo nos assuntos relacionados à fé, uma grande parcela de seres humanos coloca ingenuamente sua confiança em algo desconhecido, abstrato e mitológico, ignorando que é nele próprio que habita o poder verdadeiro. E por agir assim, se frustra com frequência. Pior ainda, coloca no outro a responsabilidade por suas desilusões ou fracassos, mesmo sabendo que o outro não é confiável, ou base segura para tais expectativasSabemos também, que expectativas criadas em relação ao mundo exterior, nem sempre são compatíveis com as mais profundas aspirações que carregamos, e isso nos obriga com frequência a nos dividirmos entre o nosso modelo pessoal e o emaranhado de milhões de outras criaturas que nos cercam, gerando momentos de grande perplexidade e angústia. E nesses momentos, só um profundo mergulho para dentro de nós mesmos irá nos permitir entender o que realmente faz sentido; aquilo que tem significado para nossas vidas. 

Nas constantes consultas diárias que recebo por e-mail ou mensagens eletrônicas em mídias sociais como o Facebook, predominam as lamentações decorrentes de frustradas expectativas. Muitas delas acompanhadas de acusações, ou de uma tardia declaração de 'mea-culpa', quando o vaso já está quebrado e remendá-lo parece um solução sem mais sentido, pois quando o sonho se dissipa, com ele se esvai o significado.

Uma marca forte, seja ela uma marca pessoal ou empresarial demanda posturas seguras e determinadas, alicerçada em autoconfiança, que reflita preparação, coragem e determinação; mas nossa confiança deve residir na poderosa força que carregamos dentro de nós mesmos. É ela que deve nos guiar, nos energizar; ser a única fonte de todas as nossas esperanças e a base de todos os nossos projetos. Fora disso, corremos o risco de nos tornarmos reféns de falsas expectativas; perigosas ilusões criadas pela mente. 
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*Mauricio A Costa, É estrategista para projetos de ‘alavancagem’ de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, para atuar como Executivo, Assessor, Sócio, ou Membro do Conselho de Empresas.

É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, para grupos, associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país.
Contatos: mauriciocosta@uol.com.br




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