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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Visão, Coragem e Paixão.





Por Maurício A Costa*


“O caminho é feito de opções. Escolhas aleatórias, em um universo marcado pela imponderabilidade, onde a vida se desdobra de maneira surpreendente. Uma imagem, uma palavra, ou um simples gesto tem poder para gerar transformações extraordinárias. É esse imponderável que nos coloca diante do inusitado e nos leva a conhecer o sentido da palavra encantamento”. (Fragmentos do Mentor Virtual).

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Conheci certa vez um jovem empresário que me despertou muita atenção por conta de sua paixão pelo que fazia. Trabalhava em média entre doze e dezesseis horas por dia para realizar o sonho que carregava de ser um empreendedor de sucesso. Entendia muito do que fazia e procurava estar atento ao que fazia seis concorrentes, e para completar era muito admirado por sua equipe, o que gerava uma enorme sinergia no grupo, por conta do entusiasmo contagiante que como líder desencadeava. Tudo parecia perfeito para aquele precoce guerreiro, menos por uma coisa: sentia-se despreparado para enfrentar as batalhas que pressentia pela frente.

Nosso relacionamento nasceu logo após uma palestra que proferi para um grupo de empresários da sua região. Para ser mais preciso, o evento era mais que uma palestra, tratava-se de um workshop, onde costumo provocar a participação dos presentes de forma proativa. Por conta disso, já durante o evento, aquele moço me chamou a atenção. Com perguntas objetivas e determinadas, mostrava mais interesse no assunto que a maioria dos presentes, que sutilmente desfilavam posturas vaidosas de quem já sabe tudo e não precisa mais nada, quando, na verdade, suas empresas estavam vivendo momentos de fortes turbulências. Ao final do encontro, percebi que muitos se sentiam incomodados pela postura questionadora daquele dinâmico jovem, e como se ainda não estivesse satisfeito com tudo que ouvira, ele veio direto ao meu encontro antes dos demais, com uma pergunta direta: ‘o senhor presta consultoria para empresas pequenas, ou somente para empresas grandes?’... Antes mesmo que eu respondesse sua pergunta, disparou a falar, dizendo: ‘Olha, mestre, eu acabo de descobri que não sei nada... Hoje aqui, escutando o senhor falar, eu me dei conta de que ainda preciso aprender muito para me tornar um empresário... Confesso que antes de entrar aqui eu achava que já sabia o suficiente para tocar o meu negócio, mas pra dizer a verdade, estou me sentindo pequenininho’. Antes que ele prosseguisse com sua sincera e comovente confissão, o interrompi, dizendo: ‘Sua humildade e coragem para se expor dessa forma me faz admirá-lo antes mesmo de conhece-lo, e posso afirmar que já é um empresário de sucesso antes mesmo de qualquer coisa. Lembre-se de que, como diz o dito popular, ‘tamanho não é documento’, portanto, o crescimento é apenas uma questão de tempo quando se está na direção certa... O que conta é a sua disposição para investir em você mesmo, antes de investir em sua empresa... Coisa que poucos fazem’. - Por conta do número de pessoas que me cercava naquele momento, entreguei-lhe um cartão pessoal e sugeri que falássemos posteriormente.

No dia seguinte àquele workshop, recebi um telefonema daquele jovem, com uma voz mais entusiasmada que no dia anterior, e após me cumprimentar e parabenizar pelo evento, foi logo declarando, em tom de quem está convencido do que vai falar: ‘Não sei quanto custa seu trabalho, mas decidi que quero contratar sua assessoria para meu negócio, por achar que isso vai ser mais importante do que investir loucamente em máquinas ou instalações, como venho fazendo’. E com uma voz de quem sabe perfeitamente o que quer, e com grande naturalidade, ele me contou da reflexão que havia tido na noite anterior: ‘Eu fiz um comparação muito simples: 'Seguir investindo em máquinas e instalações sem investir na minha preparação seria como ter um belo navio nas mãos, mas não conhecer a rota e a previsão do tempo o suficiente para atravessar grandes oceanos com segurança’. Não foi preciso nem mesmo de uma reunião formal para acertar os detalhes daquela assessoria. Eu sequer precisava ‘vender’ qualquer ideia para aquele aprendiz de empreendedor. Ele estava sedento para escutar, para aprender, e para aplicar. E assim começamos quase que imediatamente a nos envolver em seu projeto. Para aquele jovem, o futuro não era algo distante, e sim o presente com todos os seus desafios. Era o próprio navegar. Ele não estava imaginando apenas um porto qualquer onde chegar, mas queria também ‘curtir’ cada minuto da viagem, e para ser honesto, aquilo me fascinava.

Hoje, tanto tempo depois desse evento, ainda guardo comigo esse exemplo tão simples do navio, e às vezes até o utilizo em minhas palestras, quando o assunto é o pensamento estratégico. Especialmente quando percebo na plateia algum tipo de 'ceticismo'; aquela atitude de pé atrás de quem acha que sua empresa vai bem só porque tem as máquinas mais modernas, ou porque tem alguma reserva financeira para aguentar tempestades por mares desconhecidos. Um perigoso pressuposto, de consequências imprevisíveis. 

Acredito fortemente na importância da paixão pelo que se faz para o sucesso de um empreendimento; todavia, o que faz um sonho ou ideal se transformar em realidade é, antes de tudo, a visão de longo prazo. O pensamento estratégico que desenha caminhos e roteiros hipotéticos, para sobre eles construir rotas seguras. Da mesma maneira, de nada servirá muita preparação se não houver o desejo ardente que impulsiona a paixão em direção à meta. É dessa combinação que surgem empreendimentos bem sucedidos. Mesmo que durante o percurso se torne necessário correções de rota, que sugerem refazer a estratégia original, uma vez que o ambiente, como já disse certa vez, é caótico, e modifica-se a cada minuto. Muda o tempo, mudam os personagens, mudam até mesmo as prioridades ao longo da viagem. Por isso, é imperativo um realimentar de ideias contínuo, flexível e corajoso para encarar eventuais e necessárias mudanças.

Quando estimulamos o pensamento estratégico, construímos caminhos alternativos, porque saímos do pensar convencional, viciado, e às vezes já superado, diante das transformações constantes do ambiente. Aprendemos com sucessos, mas aprendemos também com fracassos, pois nossa mente é preparada para nos proteger dos perigos, muito mais do que imaginamos. Assim, cada fracasso torna-se um importante balizamento, por conta da experiência produzida, a nos impulsionar na direção de novas experiências. Entretanto, se não temos coragem ou ousadia para pensar o ‘novo’, com a visão que vem de fora, como uma possibilidade, e 'congelamos' diante do desafio, corremos o risco de jogar fora nosso sonho, ou projeto original, sem mesmo haver tentado todos os caminhos possíveis, por medo, covardia ou vaidade.

Como ensina meu inseparável guru pessoal: “O extraordinário só pode ser percebido quando se voa além do convencional” (O Mentor Virtual, pág. 22 – Ed. Komedi – Campinas-SP -2008). Não é possível enxergar à distância sem sairmos do chão, como também é impossível atingir metas ousadas sem um plano de voo que incorpore uma percepção mais ampla do ambiente por onde se pretende voar.
Lamentavelmente, no entanto, tenho visto muitas empresas de médio ou grande porte sucumbir em meio à jornada, por conta da vaidade do empreendedor, que se acha dono da verdade absoluta, e fecha coração e mente a qualquer informação estratégica que venha de fora, bloqueando toda possiblidade de uma navegação tranquila para seus navios, diante de inesperadas (ou até mesmo previsíveis) tempestades. Como ensina Charles Darwin, o pai da teoria da evolução: “as espécies que sobreviverão não serão as mais fortes ou as mais inteligentes, mas aquelas com maior agilidade na adaptação às mudanças”. E adaptação tornou-se crucial nos dias atuais, por conta da velocidade das mudanças.

Por tudo isso, recomendo que não vejam a ajuda, ou assessoria externa como um ‘custo’ ou ‘despesa’ para seu negócio, por menor que ele possa ser. Vejam antes como um investimento, da mesma forma como quando analisam a aquisição de máquinas ou instalações, tal como pensava aquele jovem empresário a quem me referi no início deste artigo. Especialmente nos dias atuais, conhecimento e informação podem ser o maior patrimônio de um empreendimento. A visão de longo prazo exige percepções que vão além da convencionalidade, e uma marca forte é a somatória de valores intangíveis, formados a partir dessa percepção; lembrando que, a visão de fora, não será maior, nem melhor, tampouco a salvadora da pátria, mas apenas e tão somente um olhar diferente e complementar capaz de produzir mudanças significativas. 

Parodiando Darwin, nos tempos atuais as empresas que sobreviverão serão aquelas com visão, coragem e paixão, para se adaptarem com 'agilidade' aos novos ambientes. As que não levarem este conselho a sério, mais cedo ou mais tarde provavelmente encerrarão suas atividades, ou serão incorporadas por espécies mais ágeis. Aposte nisso.
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*Maurício A Costa -  Campinas, São Paulo, Brazil
Um obcecado por resultados, focado em pessoas, no pensamento estratégico e no valor agregado. Executivo/Diretor de empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica). Disponível para participar de Empresas sérias, que estejam interessadas em melhorar resultados e aumentar rentabilidade. Em termos pessoais, o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento em fase de gestação, focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Como autor e palestrante, disponível para, conferências e workshop que poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Coaching' de Empresários ou Executivos que buscam harmonia entre o ser humano que são, e o guerreiro que necessitam incorporar diariamente. 

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