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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Reciclagem. A Essência do Fluxo






Por Maurício A Costa*

"A vida é um constante reciclar. O que ontem eram assustadoras expectativas de tempestades, amanhã serão vistas apenas como perenes fluxos de energia transportando magníficas oportunidades de transformação. Não se deixe afligir pela momentânea aparência das coisas. Simplesmente permita-se fluir com elas". ('Fragmentos do Mentor Virtual' - Campinas-SP - Jan/2012).

Certa vez, fui questionado por uma amiga virtual no Facebook com uma instigante pergunta: “Como um homem como você, com características tão marcantes do mundo empresarial/capitalista, pode ser ao mesmo tempo um ser humano com tamanha sensibilidade?”. O interessante, é que esse mesmo tipo de questionamento tem se repetido com frequência por muitos que passam a conhecer um pouco mais de perto o meu trabalho. Numa dessas ocasiões, em tom de brincadeira citei que eu havia saído das páginas do livro de James Hunter, ‘O Monge e o Executivo’, cuja história poderia resumir-se numa frase do autor: “auto realizar-se é tornar-se o melhor que você pode ser ou é capaz de ser; é alcançar a própria excelência”. Máxima que eu interpreto como, a capacidade que desenvolvemos de compreender a realidade que nos cerca, para encarar a adversidade como parte do jogo, e tornar-se resiliente às variações do ambiente, ao compatibilizar o aspecto racional da materialidade com a postura altruísta de quem sabe pertencer a um todo maior, onde a complementaridade é o segredo da realização pessoal.

Estou certo de que nos tornamos melhores como profissionais quando entendemos o ‘humano’ de nossa essência. Assim, desenvolver nosso lado humanista é um imprescindível aprimoramento como executivos, líderes, ou empreendedores. Como ensina Hunter, a liderança autêntica é aquela que se coloca a serviço do outro e não para ser servido pelo outro. O verdadeiro líder é o que entende seu papel como a responsabilidade do conduzir e não o de apenas usufruir da posição para levar vantagem. E é por compreender isso de maneira muito bem definida que eu procuro penetrar cada vez mais na alma humana para buscar entender cada mínima atitude, ou comportamento diante de determinadas situações, e recomendar esse ou aquele caminho para empresários e executivos envolvidos até o pescoço com as turbulências inerentes à batalha diária pela sobrevivência e crescimento de suas empresas. Como ensina a filósofa Márcia Tiburi, em ‘Filosofia em Comum’: “O outro é quem me leva a pensar ao negar o meu lugar, ao duvidar do que sou, ao me colocar referido a mim mesmo. O que ele consegue simplesmente ao ser ele mesmo, ao refletir minha ignorância ou meu saber, por estar do outro lado mostrando-me o que não sou, o que não sei, que sou eu ao não ser ele, que não sou nada sem ele”.

Nas últimas semanas, tive a oportunidade de muito aprender em dois momentos e situações distintas, sobre o comportamento humano diante da adversidade. O primeiro, com a leitura de um pequeno, mas intenso livro, ‘Anjo Desgarrado’, escrito por Denise Bondan, descrevendo sob a forma de um diário, fragmentos da inesquecível caminhada com um filho ‘autista’, que passou por sua vida como uma lufada de luz, a revelar a leveza de uma alma que sem a exata noção de seus gestos deixa como herança, um rastro de ensinamentos para muitos que sequer conheceu, através da incrível mãe que o gerou, amou e cuidou à exaustão. A beleza e a força de suas palavras pode ser sintetizada no poema que escreveu para o filho, Léo, por ocasião de sua despedida aos vinte e oito anos: “Tu estarás em mim e eu contigo lá onde fores. Não serás menos meu do que já eras antes. Deixarás teu melhor em mim, e levarás o que não me presta... Rompe a película que te aprisiona e segue ao lugar que te entende e merece, onde teu canto consiga sair de tua garganta e tuas bênçãos possam ainda assim me alcançar... E quando o fogo queimar tua maciez, minha dor voará com tuas cinzas. Ela então será de todos, todos nos possuirão um pouco: Cinza e dor, céu e carne”.

O outro momento, de grande aprendizagem me veio por conta da observação de uma comovente citação de José Ruy Gandra, em sua página no Facebook, referindo-se à perda inesperada do filho, Paulo Gandra, coincidentemente, com também vinte e oito anos; onde se despede com palavras de quem faz da vida um grande filme: “Adeus, meu filho querido. Prometo que a câmera das minhas saudades registrará apenas a alegria e o orgulho de ter sido seu pai”. Um texto breve, mas de grande intensidade, a refletir a postura frente a instantes que exigem um desnudar-se por completo de toda e qualquer inútil futilidade para ater-se exclusivamente ao fluxo do amor que caracteriza o comportamento humano sintetizado naquilo que tem valor autêntico.

Em ambas as situações, uma clara demonstração de que para o ser humano nada tem mais importância que os valores que carrega como parte de sua própria identidade, revelados nos momentos de grandes turbulências. Entretanto, quase sempre nos esquecemos, que esses instantes, apesar de se apresentarem como avassaladoras tempestades, são na verdade, inesperadas ‘lufadas de luz’, que chegam para despertar a consciência da própria vida. Ou seja, um incompreensível paradoxo a nos fazer entender a morte como elemento intrínseco da vida, porque viver exige morrer e renascer repetidas vezes, até que se compreenda que o único propósito da alma é tornar-se eterna através dos tempos. Fluir como água que em seu ciclo contínuo, evapora, condensa, congela-se, evapora, dissolve-se, precipita-se, penetra, e escorre até tornar-se o próprio oceano e voltar a repetir todo o ciclo. E neste sentido, como ensina a famosa psicóloga junguiana Clarissa Pínkola Estés, em sua obra ‘Mulheres Que Correm Com Lobos’: “Três aspectos diferenciam a vida a partir da alma, da vida a partir do ego apenas. Eles são a capacidade de pressentir novos caminhos e de aprendê-los, a tenacidade necessária para atravessar uma fase difícil e a paciência para aprender o amor profundo com o tempo”. E como diz o texto no início deste artigo, é preciso deixar-se fluir, sem afligir-se pela visão momentânea das percepções construídas pela mente, pois a tempestade não é mais que uma etapa desse fluxo infindável de transformações, a produzir a reciclagem contínua de cada mínima partícula do universo para que o ‘todo’ se reorganize e se realize por meio de seus ínfimos componentes.

A finitude de nossa efêmera existência não passa da ilusão criada por uma fração de segundos, de um sagrado momento de passagem. A transição de um portal que separa estágios de um único comboio viajando através do espaço sem noção de tempo. Como ensina as sagradas escrituras, ‘vós sois deuses’, e como tais, me sinto à vontade para complementar taxativamente: ‘portanto, sois eternos’. E como diz meu inseparável ‘Mentor Virtual’: “Somos todos personagens de uma lenda que não termina jamais. Não há antes nem haverá depois. Apenas um agora que se eterniza através dos tempos".

Transformar empreendedores em seres humanos e seres humanos em empreendedores tem sido nosso grande desafio e propósito ao longo dos últimos anos. A começar por mim mesmo. Uma tarefa árdua, penosa, desgastante, e às vezes alvo de desdém. Um processo de mudanças, que exige de cada um de nós, coragem, determinação e humildade. Postura de alquimista, com empenho e ousadia para transformar chumbo em ouro; lama em beleza; instinto em sabedoria. 

O empreendedor do século XXI deverá se tornar um guerreiro multidisciplinar, com capacitação para conhecer não apenas técnicas de engenharia, produção, finanças ou marketing, mas principalmente para entender o potencial humano escondido, disfarçado, ou aprisionado dentro de cada singular colaborador ou parceiro à sua volta. Ignorar a importância do outro em nossas vidas pode tornar o voo uma turbulenta e perigosa jornada em meio ao ambiente caótico de todas as possibilidades, onde o imprevisível é a única certeza.

Aposte nisso. 
___________________

*Mauricio A Costa, é Estrategista. Um Designer Thinker para assessoria em projetos de alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Advisor, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte. É o idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

3 comentários:

  1. Deixar-se fluir ,pois a tempestade é mais uma etapa do nosso processo...quanta sabedoria neste parecer!Obrigada por este maravilhoso post,amigo Maurício. Há tanta riqueza em teus escritos!!!Tanto a comentar!bjo agradecido

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    Respostas
    1. Olá, Denise.
      Sua incrível mensagem será sempre atual. Um abraço especial.
      Mauricio A Costa.

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  2. FLUIR
    Enquanto alguns varrem incansavelmente as folhas da calçada;
    outros, as deixam fluir...

    Enquanto alguns ficam a espera de um milagre;
    outros, os fazem acontecer.

    Abçs. carinhosos Mauricio.

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