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sábado, 11 de fevereiro de 2012

E o Homem Se Deu Conta de Que Estava Nu




Por Maurício A Costa*


Em seu delicioso livro ‘Variações Sobre o Prazer’, o incomparável Rubem Alves inicia seu prefácio com um magnífico texto de Hermann Hesse, citado pelo personagem Magister Ludi, em ‘O Jogo das Contas de Vidro’, o qual reflete com irrepreensível clareza meu estado de espírito na maioria das vezes em que me recolho para escrever: “E agora, que estou livre de todas as obrigações oficiais, sinto-me atraído pela ideia de usar meu tempo e bom humor para, num desses dias, escrever um livro – ou antes, um livrinho, uma coisinha para os amigos e aqueles que partilham dos meus pontos de vista. O assunto não terá a menor importância. Será apenas um pretexto para que eu me isole a fim de gozar a felicidade de ter tempo de lazer. O importante mesmo será o tom, que deverá estar entre o solene e o íntimo, entre o sério e o brinquedo, um tom que não seja de instrução, mas de conversa amigável sobre as várias coisas que aprendi”.

Quando criei o personagem que dá título ao meu livro ‘O Mentor Virtual’ meu único desejo era esse, resumido por Hesse: ‘partilhar o que aprendi’. Queria, de uma maneira simples, não professoral, transmitir a sabedoria e solenidade do que apreendera de tantos grandes mestres que passaram pela minha vida. Assim, ‘O Mentor Virtual’ vem sendo gerado, como uma despretensiosa colcha de retalhos, formada por todos os mentores que iluminaram minha caminhada. Uma ousada tentativa de produzir algo que não represente um ponto de vista exclusivo, isolado e egoísta, mas a somatória ou interligação de muitas ideias. Um amálgama de milhares de conceitos, reflexões e princípios sintetizados em metáforas que possam ser absorvidas facilmente por qualquer ser humano independente do seu nível cultural. Mais que ousadia, uma jornada de consequências imprevisíveis.  

Essa inesperada odisseia a que me propus, vem produzindo, no entanto, um interessante efeito colateral: o executivo, ambicioso e destemido guerreiro das grandes corporações vem, gradativamente, ‘despertando’ dentro de si um novo e curioso tipo de guerreiro, ao estilo Yoda, aquela desajeitada criatura intergaláctica de Guerra nas Estrelas (Star Wars), que carregamos em cada um de nós, como reflexo da tomada de consciência de sermos parte de algo muito maior. Um guerreiro que se dá conta de que a maior de todas as suas batalhas não será travada em um planeta qualquer, ou outra distante galáxia, mas acontece dentro de si mesmo. Uma guerra feroz, sem tréguas, sem aliados e sem hora marcada, travada contra inimigos invisíveis, sorrateiros e incansáveis, que renascem das cinzas como ferozes hidras quando menos se espera.

Nessa luta insana e angustiante, o guerreiro se debate desesperadamente por um mínimo de paz, enfrentando inesperados ardis de inimigos, que se revezam numa sequência descontrolada, por conta das múltiplas facetas que carregam, produzindo ambiguidade e confusão. Um combate entre forças díspares que se desenrola em um cenário desolador que só o próprio guerreiro conhece. O inexpugnável inferno de todas as almas, preconizado por Dante, onde as perspectivas de saída se tornam cada vez mais complexas.

Como nos ensina o grande mestre da psicanálise: “Algumas vezes falham todas as tentativas para entender-se as mensagens do inconsciente, e diante desta dificuldade só resta o recurso de se ter a coragem para fazer o que nos parece melhor, apesar de prontos para mudar o rumo das nossas decisões quando o inconsciente indicar ou sugerir, subitamente, uma outra direção... Qualquer um de nós pode facilmente verificar que existe em nossas vidas um conflito entre aventura e disciplina, mal e virtude, ou liberdade e segurança. Mas são apenas frases que utilizamos para descrever uma ambivalência que nos atormenta e para a qual parecemos nunca encontrar resposta”. (Jung, Carl Gustav – O Homem e Seus Símbolos – Editora Nova Fronteira – Págs. 176/157 Rio de Janeiro-RJ – 2002). E é neste ponto que reside toda angústia daquele que decide sair da superficialidade para mergulhos na alma, em busca de si mesmo. Uma epopeia iniciada nos primórdios de uma raça que ousou ir além de todas as demais espécies para descobrir no vazio absoluto a origem de todos os seus medos, o maior deles: a sua finitude. Lembrando meu inseparável mentor: "A alma é a síntese da evolução do ser, através de infindáveis gerações. Sedenta por livrar-se da escuridão da matéria da qual se originou, viajando em busca de respostas para coisas que se sequer sabe perguntar" (O Mentor Virtual - Pág. 194 - Ed. Komedi - Campinas-SP -2008). 

Para muitos empresários ou executivos com os quais me relaciono na atualidade, vou me tornando uma espécie de alienígena. Alguém com uma percepção incompatível com os propósitos impostos pela loucura desenfreada que aos poucos vai tomando conta do ambiente macroeconômico a produzir uma nova raça humana, marcada pela apatia ou insegurança, e pela angústia do despreparo. Só alguns parecem ter sabedoria para compreender o que espera a humanidade nas próximas décadas. Só uns poucos estão se movimentando para adaptarem-se a este milênio, marcado pela velocidade das mudanças, a complexidade dos relacionamentos, e a imprevisibilidade dos desdobramentos provocados por um simples bater de asas de uma borboleta. A conexão (interface) generalizada, produzida pela cibernética, vai criando um imperceptível tsunami, de proporções gigantescas, cujas consequências muitos subestimam, por conta do imediatismo generalizado que se instalou; por conta disso. ignorar o fator humano nestes novos tempos, ou tratar o assunto com o mesmo figurino de anos atrás pode ser um mergulho fatal no desconhecido.


Há uma multidão aflita acreditando que o mundo acabará fisicamente no crepúsculo de 2012. Eu, no entanto, prefiro pensar que, o mundo como conhecemos, já iniciou sua autodestruição; e que já estamos em um processo de fantásticas transformações. A destruição não será do planeta, muito menos de seus insignificantes habitantes; o aniquilamento será dos paradigmas que sustentaram primitivas crenças e superadas convenções que limitaram por séculos a evolução humana, para patamares de uma consciência mais elevada. Com certeza, já está em curso uma estupenda metamorfose, que exigirá de todos uma nova postura, frente ao universo, ao outro, e a si mesmo. A disseminação do conhecimento e da informação se encarregará disso. Um extraordinário ‘elo invisível’ já está se formando, conectando seres de todas as partes numa dimensão muito acima daquela que conheceram, produzindo uma imensurável onda de energia capaz de gerar mudanças espetaculares. Já é possível ver em muitas parte do mundo o resultado dessa força. E numa perplexa atitude de símio diante daquilo que desconhece, ‘o homem se dará conta de que está nu’ e, mais uma vez, parodiando Dante Alighieri, em sua ‘Divina Comédia’, muitos terão que ‘abandonar todas as suas esperanças’.

O momento exige reflexão, serenidade e coragem para desencadear posturas magnânimas. O tempo atual, clama por Lideranças livres de hipocrisias; Empreendedores com visão do todo (holística); Equipes conscientes da responsabilidade definida pelo próprio potencial. Enfim, Pessoas preparadas e competências multidisciplinares, onde a ciência, a filosofia e a teologia se fundam; não como meta para meros títulos acadêmicos a fim de atender vaidades pessoais, mas, como poderoso combustível a impulsionar a evolução humana, para produzir a alquimia sagrada que sublima matéria bruta, transformando larvas em deuses.

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*Mauricio A Costa, é Estrategista. Sócio Fundador da SUPPORT BRANDS, empresa de projetos e assessoria para alavancagem de receitas e rentabilidade. Sua experiência internacional está focada em assuntos ligados ao pensamento estratégico voltado à inovação, criação de valor agregado, e fortalecimento de marcas - comercial ou corporativa. Está disponível, sob consulta, para atuar como Executivo, Estrategista, ou Membro do Conselho de Empresas de qualquer porte.

Idealizador do 'Projeto Mentor Virtual', empreendimento comprometido com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país. 

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