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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Visão Periférica. Um Olhar Além do Convencional




Por Maurício A Costa*


“Para alcançar a realização pessoal é preciso transgredir. Transgredir o convencional. Transgredir as falsas aparências de seriedade. Transgredir o dogma e o paradigma que engessa. Não deixar a alma prisioneira da racionalização ininterrupta da mente, a criar bloqueios e amarras de todo tipo.” (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Campinas-SP – Em Gestação)



Há uma lenda muito interessante que se conta sobre certo homem que ao escalar uma grande montanha nevada, escorregou por vários metros, até que, após espetaculares cambalhotas, ficou dependurado pelas cordas num vazio absoluto, sem noção do que fazer. Como a visibilidade estava comprometida pelo nevoeiro que o envolvia, ele não enxergava absolutamente nada à sua volta. Ao anoitecer, depois de algum tempo tentando várias alternativas, e sem encontrar saída, começou a clamar por socorro, gritando: ‘Há alguém aí que possa me ajudar?’... Repetiu seu apelo diversas vezes sem nenhum retorno, até que uma voz que soava distante lhe respondeu: ‘Solte as amarras que lhe seguram, e pule!’ - Em seguida, um silêncio total, e a única coisa que se podia ouvir era o uivo dos ventos. Por não acreditar, no entanto, naquela recomendação, ele preferiu ignorá-la e permanecer imóvel onde estava; pendurado pela corda, sob um insuportável frio. Não tardou para que aquele alpinista fosse aos poucos perdendo as esperanças, e junto com ela a respiração, e a vida. No dia seguinte, os amigos o encontraram, morto por congelamento, pendurado entre as cordas onde estivera preso a apenas alguns metros do chão, e perguntavam entre si, ‘porque aquele homem, para salvar sua vida, não pulara de altura tão pequena?’...

Essa história me vem à mente sempre que encontro algum executivo ou empresário angustiado, pendurado a apenas alguns metros do chão, sem querer escutar a informação que vem de fora. Trancado em suas próprias e às vezes ultrapassadas idéias, dá as costas ao novo sem perceber que lentamente se isola e se limita. Em algumas situações, a resistência à tomada de decisão é causada por medo ou insegurança, em relação ao desconhecido; em outras, e quem sabe, na maioria dos casos, por mera vaidade, pelo simples fato de não querer mudar seu ponto de vista. Quiçá, por se achar dono da verdade absoluta, ou por acreditar que isso o diminuirá diante de sua equipe, quando na verdade, a equipe o admiraria muito mais se minimizasse o egoísmo, a arrogância ou vaidade e escutasse um pouco mais o universo à sua volta. Há também aquele que por apego exagerado a custos ignora a relação entre custo e benefício, e deixa de enxergar que ao buscar ajuda externa estará na verdade investindo em sua organização e não, erroneamente, realizando uma despesa. Afinal, o que está em jogo poderá ser centenas de vezes maior que aquilo que se investe. Como no mito da caverna contado por Platão em 'A República', a informação que vem de fora é como a luz a desencadear uma percepção totalmente diferente, quebrando velhos paradigmas. 

A visão periférica é aquela que vai além do convencional, e faz perceber o que eventualmente poderá estar fora do foco principal. Ela será muito mais eficaz quando aplicada a partir de ângulos diferentes. Preferencialmente a partir da visão de fora. Afinal, como ensina ‘O Mentor Virtual’: “A adversidade não é mais que um momento de transição; uma chance de reciclagem para extraordinárias transformações. Tudo depende unicamente da forma como encaramos o novo, e reagimos diante dessas oportunidades”. No entanto, quando não se enxerga com clareza e amplitude o mundo ao redor, poderá se tirar conclusões apressadas, imbuídas de emocionalidade, ou se decidir com base em fatos distorcidos, incompletos ou aparentes. Por isso, não é prudente subestimar a informação que vem de fora de si mesmo. Seja da própria equipe, (mesmo que ela tenha a visão um tanto ‘viciada’ pelo sistema, ainda assim deverá ser bem vinda por ser diferente), ou de uma assessoria externa, que com certeza acrescentará muito mais informação ao que já existe, propiciando  uma percepção panorâmica que permite uma análise muito mais ampla e consequentemente, enriquecer o processo decisório.

A visão periférica é forma mais apropriada de estimular o pensamento estratégico dentro de qualquer contexto, seja ele pessoal, familiar, ou empresarial. Pensar estrategicamente, como já disse outras vezes, não significa fazer planejamento estratégico, como muitos deduzem, e sim o criar uma rotina de constante questionamento. Como ensina o ilustre professor Henry Mintzberg, “estratégia não é um simples business plan, e sim um padrão em um fluxo de decisões”. Um formular contínuo de perguntas apropriadas, algumas até incômodas sobre o passado, o presente e o futuro imaginável, em busca de se construir uma curva de tendência, ou criar uma perspectiva que permita decisões mais acertadas. Isso, todavia, quase sempre exige abrir mão daquilo que já é conhecido. Há ocasiões em que somos incapazes de enxergar até mesmo o que é óbvio, por isso, é preciso sair da zona de conforto e adentrar um mundo de múltiplas possibilidades. Caminhar por desertos, ou ambientes caóticos em busca de pontos de referências que nem sempre estarão tão visíveis como gostaríamos. Às vezes é oportuno abandonar toda convencionalidade, e permitir que o inusitado nos surpreenda.  Perder-se, em determinados momentos é criar a chance para grandes reencontros consigo mesmo e com oportunidades surpreendentes. Se por algum motivo não estamos encontrando respostas para nossos questionamentos, é provável que não estejamos fazendo as perguntas apropriadas. Como sopra aos meus ouvidos meu inseparável mentor: “Viajamos quase sempre em voos cegos; perdidos como nômades em noites do deserto, guiados apenas pelo vento das nossas sensações e pelo singelo brilho de pequeninas estrelas que vão surgindo ao longo do caminho” (O Mentor Virtual II – O Elo Invisível – Campinas-SP – Em Gestação).

Óculos com  Fones de Ouvidos
Como estrategista, tenho sempre em mente uma palavra que mesmo sem pronunciá-la constantemente, tornou-se um símbolo do meu propósito quando atuo como conselheiro empresarial: ‘inovação’. Uma expressão que sintetiza meu foco e minha bússola; a mosca do meu alvo em qualquer desafio. Um silencioso mantra a guiar toda reflexão e pensamento, diante da complexidade e velocidade das mudanças que apavora qualquer empreendedor. Inovação implica acompanhar de forma decisiva e ininterrupta a mudança. Adaptar-se freneticamente ao novo ambiente que vai se desenhando em todas as direções. Em todos os setores. Envolvendo desde o desenvolvimento de produtos, sua produção e distribuição até seu processo de comercialização e comunicação. Inovar exige conhecer a tendência dos mercados, as atitudes dos concorrentes, e acima de tudo, a linguagem nem sempre explícita dos consumidores. A inovação é o resultado da percepção de uma visão periférica. É o sair da mesmice causadora da paralisia que produz a decadência e a morte. É a visão macro da inovação que estimula o reinventar-se a cada momento, para não apenas superar desafios, mas principalmente, permitir o crescimento individual ou empresarial em todos os sentidos.

A trilha é íngreme e o poder quase sempre solitário. Todavia, quando nos despojamos das efêmeras e inúteis vaidades que atrapalham, descobrimos que para enxergar longe e desenhar perspectivas que suprimam toda ansiedade e inquietude, urge construir sinergia. Estabelecer conexões com outros, que nos permita um olhar além do convencional, e construir uma corrente contínua de informações preciosas, para formação de um empreendimento rentável e seguro; como efeito da complementaridade que cria tal sinergia, e produz resultados. Para alcançar o êxito é decisivo ir além do 'maria-vai-com-as-outras'; e com ousadia e coragem encarar o novo, com uma visão que vá muito além de uma enfadonha rotina.


Incide em um irreversível desperdício de recursos o empreendimento que tem um exigente processo seletivo e um eficiente programa motivacional, mas não é capaz de reter talentos. Para reter talentos é imperativo acenar com uma percepção estratégica de longo prazo. Ir além da mesmice que assola a maioria das organizações.
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*Maurício A Costa é um obcecado por resultados, gerado pelo pensamento estratégico, focado em gente, inovação, e criação de valor agregado. Executivo com experiência internacional em empresas como a Kimberly Clark, Grupo Gerdau, Grupo Grendene/Vulcabrás e o Grupo Tecnol (Atual Luxottica); está disponível para participar da construção de marcas fortes, em organizações sérias, interessadas na identificação de novas oportunidades, na superação de desafios, e na melhoraria de resultados e rentabilidade.
No plano pessoal, é o idealizador do Projeto Mentor Virtual; organização comprometida com o despertar da consciência humana, a valorização da vida e o apoio à construção da marca pessoal. Suas palestras, seminários e workshop - presenciais, 'in-company', ou por vídeo conferência - estão disponíveis, sob consulta, para associações, universidades, escolas, ou empresas em qualquer região ou país, e poderão mudar a sua visão do mundo, e alavancar o potencial de sua equipe. Disponível também para atuar como 'Conselheiro' para Empresas, Empreendedores ou Executivos.

Contatos: mauriciocosta@uol.com.br 



5 comentários:

  1. Ir além é sempre a melhor escolha... Obrigada pelo excelente texto e um grande abraço. Angélica Nogueira

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  2. maravilhoso, como sempre .... é incrível como todos os dias dizemos a nós mesmo que precisamos mudar, que novos caminhos devem ser descobertos e o dia passa, a semana, o mês, os anos e continuamos apenas dizendo e nada fazendo e seguindo choramingando vida afora.
    Paradigmas foram feitos prá serem quebrados, barreiras para serem transpostas, desafios para serem encarados e sonhos para serem conquistados. É só soltando as amarras de tudo que nos prende que alcançaremos o êxito.
    Abraços carinhos meu querido amigo

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  3. PENSAR diferente...
    MUDAR raciocínios...
    INOVAR...
    Há que tomar decisões e ações com o objetivo de alcançar determinadas metas... destas metas, se nos acomodarmos, pode sugir o fracasso... mas como o sucesso nasce do querer, da determinação e persistência... os objetivos serão um dado adquirido.
    Há que definir um rumo, nem que para isso tenhamos de contrariar nossas idéias... dando também oportunidade para que haja comunicação entre as pessoas.... Saber ouvir é uma virtude e é ter a humildade de retirar lições e reconhecer os diversos ensinamentos.

    "Obrigada... por mudarem o mundo com suas idéias." (Laura Trice)

    Abraço afetuoso..... ALICE LOPES

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  4. Transgredir é quebrar barreiras, ir além do convencional. Não é fácil. Abrir-se para o novo, ir de encontro a novas possibilidades.Bem, possibilidades porque há de se contar com as perdas e os ganhos, por isso a dificuldade de sair do caminho conhecido, da "zona de conforto". A ousadia requer coragem, atitude e responsabilidade.Muitas pessoas se acomodam. Porém pior do que ousar, que mudar o rumo é sentir-se como um "elefante acorrentado", preso por uma simples estac, sem ter consciência do seu poder.
    Mais grave ainda é ter o conhecimento de suas qualidades e não ir de encontro ao inusitado, por insegurança e medo de correr riscos. A vida é por si só um risco. Uma ousadia a que nos propomos todos os dias, pensem nisso!
    Parabéns pelo artigo, bem pontual para os dias de hoje, onde as mudanças estão ocorrendo a todo instante, o que requer de nós, novas posturas.
    Maria Célia Rivetti.

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  5. Olá, Maurício, sabe que a visão periférica o qual voce cita, é sempre um foco em minha vida, considerando em todos os ambitos e sentidos...
    Pois penso que sempre há necessidade de um olhar mais perspicaz e cuidadoso em tudo, muitas vezes me pergunto, como eu poderia ir mais além nisso ou naquilo? essa postura me acompanahrá por todo a vida,isso a impulsiona ao sentido.
    abraço carinhoso.

    Simone Furlaneto.

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