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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Palhaços, Sim. Covardes, Não.



 
Por Mauricio A Costa*


"Toda turbulência traz consigo força, beleza e magia. Diante dela, é decisivo substituir o medo pela confiança; a insegurança pelo aprendizado; e a covardia pela oportunidade de crescimento" 

(O Mentor Virtual II - O Elo Invisível - Campinas-SP - Em Gestação).
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Vivemos um momento de grandes transformações no mundo, especialmente no que diz respeito à globalização da economia. Globalização significa dizer que, o dinheiro não tem mais pátria. Não é judeu, ou árabe. Tampouco tem origem definida. Tanto pode ser fruto de um trabalho honesto e laborioso, como pode resultar da lavagem de operações com o tráfico de drogas, de armas, ou da corrupção generalizada que se espalha mundo afora como erva daninha que se alastra sem controle. O dinheiro ganha a cada dia novos contornos para circulação, que podem ir da especulação com títulos podres de empresas fantasmas, até a formação de grupos organizados com o único propósito de fraudar economias inteiras por meio de 'lobbies' de toda natureza. 


Essa globalização não carrega em seu bojo qualquer escrúpulo. Não há princípios ou valores éticos envolvidos. Sua força consiste numa postura devoradora de tudo o que encontrar pela frente. Um salve-se quem puder onde sobrevive apenas o mais forte, o mais ágil e o mais faminto. Por conta disso, as transferências de capital se sucedem em frações de segundos, pulando de um lado para outro sem a mínima garantia de estabilidade para pessoas, empresas ou países inteiros. O que se vê na atualidade, são partidos políticos, ou grandes corporações religiosas, na maioria isentos de fiscalização e controle, manipulando bilhões em recursos por meio de seus 'testas-de-ferro' para empresas que surgem do nada e podem sumir com a mesma sutileza que surgiram, sem deixar rastros. Vai desaparecendo gradualmente o idealismo empresarial e o empreendedorismo; em seu lugar vai ganhando espaço a esperteza, a manipulação e a farsa. Falar em ética nos dias atuais é argumento para tolos. Afinal tornou-se imperativo saber enganar para sobreviver. A encenação deixou o teatro e tomou as ruas, as empresas, os negócios, os governos, e até mesmo as amizades.


É em meio a esse ambiente quase apocalíptico que vive hoje a humanidade; às margens de um caos que se propaga de maneira disfarçada, alimentado pelo fenômeno da internet, que como um enorme 'big brother' vai expondo de forma nua, insensível e cruel as entranhas de cada um, para deixar a todos reféns de suas próprias futilidades, vaidades ou idiossincrasias, predispostos a reações influenciadas por agentes externos que aos poucos vão criando comportamentos programados diante desse ou daquele estímulo; numa manipulação imperceptível de corações e mentes por meio de uma propaganda subliminar e apelativamente emocional.



Empregos vão sendo dizimados em alguns países para que surjam em outros. Produtos são fabricados em locais inimagináveis, com mão de obra semiescrava, adquiridos num toque digital em qualquer parte do mundo, pagos por cartões de créditos de empresas desconhecidas; bens outrora duráveis, são consumidos como se fossem chicletes, cuja vida útil não alcança o próximo impulso. Esse é o cenário onde se trava uma invisível batalha onde qualquer D. Quixote de plantão será aclamado como tolo e inconsequente. Seres humanos transformados em consumidores, e empresários rotulados como simples agentes econômicos para produzir uma riqueza supérflua concentrada nas mãos de poucos. Gradualmente, tudo vai se tornando imprescindível, e por conta disso, o dinheiro vai escravizando homens, mulheres, crianças e adolescentes diante de milhões de coisas inúteis, descartáveis, e viciantes.


Qual o resultado de tudo isso? - Pergunto-me com frequência. A resposta, quase sempre é a mesma: Alienação coletiva e insensatez generalizada, gerando angústia, depressão e estresse de dimensões desproporcionais. A frustração de não atender desejos cada vez mais complexos para si mesmo ou para outros, ou a desilusão de não poder atender anseios de filhos insaciáveis diante de uma infinidade de produtos nascidos de uma tecnologia quem não tem limites. Nos tornamos palhaços para nós mesmos. Nos olhamos no espelho e nos perguntamos: Afinal, o que estou fazendo da minha vida? Que tipo de vida posso levar se me entrego por horas a fio a fazer coisas que me alienam e não me realizam? Para onde estou indo? Quanto tempo me resta? O que realmente me faz bem? E em meio a esse turbilhão de questionamentos, nos flagramos com uma bola vermelha no nariz e grilhões prendendo nossos pés, nos fazendo sentir escravos de um sistema do qual não sentimos prazer algum em fazer parte. Uma tristeza imensa vai tomando conta de nossa alma e por vezes será possível perceber algumas lágrimas que ela irá revelar por sentir-se prisioneira dessa nossa vaidade, incoerência, ou futilidade.

Na verdade, podemos nos sentir palhaços, sim, sem problemas, porque nossa alma desconhece padrões de comportamentos definidos, já que sua característica é formada pela energia que impõe um fluxo contínuo de vida. Mas, a covardia não faz parte de seu contexto, por representar um cessar do movimento que sintetiza a própria vida, por isso, não faz parte dela. A covardia é o medo diante do desconhecido. É a paralisia frente a algo que exige ação. É o princípio da morte por asfixia da alma. Portanto, deve ser exorcizada; repreendida com veemência. Decretada como inimigo íntimo número um a ser expurgado de nossos pensamentos ou sentimentos. Em seu lugar, a coragem de rever velhos paradigmas, para reinventar-se. Recriar-se a cada instante, para uma vida que se sabe única, inexorável e irreversível.

Em muitos lugares do mundo, é possível ver essa insatisfação crescente com o poder manipulativo de governantes hipócritas, partidos políticos imorais, e figuras públicas execráveis por suas atitudes repulsivas. Todavia, lamentavelmente não vemos esse mesmo tipo de ação com relação à concentração econômica cada vez maior nas mãos de grandes grupos empresariais que vão velozmente triturando pequenas e médias empresas regionais, familiares, formadas por guerreiros empreendedores que já não subsistem de pé. A massificação vai tornando os mercados cada vez mais globalizados, em nome de uma pretensa economia de escala, cujo propósito único é a dominação. Para tanto, tudo é permitido. Haja subsídios, falcatruas, fraudes, e corrupção generalizada. Um vale tudo, onde até mesmo princípios e valores de outrora como o comunismo ou socialismo vão dando lugar ao capital selvagem, sem pátria, sem cor, sem rumo e sem rótulos, onde a ganância ilimitada é a única bandeira válida. E é nesse contexto, que uma grande maioria vai se tornando escravo. Palhaços de uma ópera bufa, sem perspectivas ou esperanças de um futuro melhor.

Neste período de início de ano, quando costumamos fazer importantes reavaliações sobre nossas posturas e objetivos, vale a pena intensificar o questionamento de tudo o que para nós se tornou inútil. Fútil. Sem qualquer importância para nosso Eu mais profundo. É recomendável observar a grande bola vermelha que colocaram em nosso nariz e até rir disso. Mas, não podemos aceitar a passividade da covardia. É hora de reagir. De jogar fora o que está sendo um pesado fardo para carregar, tal qual fazem os Peregrinos no Caminho de Santiago. É tempo de renovação e isso exige coragem para mudanças. Quantos minutos ainda teremos de vida? Como iremos vivê-los? Essas são perguntas cruciais que devemos ter sempre em mente, e usá-las como referência para cada uma de nossas reflexões ou decisões neste momento. É hora de reinventar-se. Ou melhor, é tempo para um sereno reencontro consigo mesmo.


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*Maurício A Costa é estrategista; focado na análise de alternativas, e no valor agregado. Foi executivo de empresas como a Kimberly Clark, o Grupo Gerdau, e o Grupo Grendene/Vulcabrás. Está disponível para empresas de qualquer segmento ou porte, interessadas na alavancagem de receita e rentabilidade de seu negócio. 
Como livre pensador não tem vínculos com partidos políticos ou religiões. É o idealizador do Projeto Mentor Virtual; um empreendimento focado no despertar da consciência humana, visando encorajar transformações e valorizar a vida. Está disponível também para palestras, conferências e workshop (presenciais ou por vídeo conferência) que podem mudar a sua visão do mundo e alavancar o potencial de sua equipe. 


7 comentários:

  1. E como se comenta algo, que nos é apresentado duma forma clara...lúcida...irrepreensível?
    Apenas dizer que a humanidade devia parar para observar. A árvore está abanando, para que os frutos podres se separem dos que ainda estão sãos... Na verdade muito há para refletir e aprender...Obrigada Maurício, por nos ajudar a OLHAR...por nos trazer os temas que distraidamente ignoramos, apesar de sabermos que no dia a dia eles são uma realidade!
    As televisões bombardeiam-nos com documentários e os analistas falam...falam...mas nada dizem dos seus propósitos de mudança! Os países vivem um engano...Comandados uns pelos outros! Acreditar que somos capazes! Abraço imenso, Amigo, Maurício!

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  2. Grata por compartilhar essa sua lucidez absurda e clareza de pensamentos. Parabéns! Adoro tudo que você escreve, Mauricio! Abraços!

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  3. Grande MESTRE...!!! Sempre com a preocupação de nos acordar para a realidade...
    Nada a comentar... a não ser que o texto é excelente... e agradecer-lhe o que nos transmite com sua sabedoria.
    Termino com uma citação de (Bertrand Russel):
    "O problema com o mundo é que os estúpidos são excessivamente confiantes, e os inteligentes são cheios de dúvidas".
    Mauricio cada vez o admiro mais...
    Um ABRAÇO afetuoso
    ALICE LOPES

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  4. Mauricio,que belo texto,gosto demais da forma como aborda questões que nos fazem pensar.Onde iremos com tudo isso??!!Realmente,se libertar do fútil,do que está a mais mtas vezes não é simples,pois hoje em tempos de "janelas virtuais",poucos realmente se enchergam.Obrigada por esse belo texto.
    Abraços
    Adriane Lima

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  5. Maurício,
    Fico a pensar como aplica em seu trabalho de estrategista,suas convicções e ética. Justamente vc, um pensador, brilhante, a executar análises de risco, projetos para alavancagem de receitas e rentabilidade, planejamento estratégico de empresas.
    Acredito que muitos devem ser os obstáculos,alguns intransponíveis diante da falta de ética, da falta de idoneidade e da ganância de alguns empresários.Caro, Maurício,um inconformismo que resulte em uma nova visão, ampliada e justa urde fazer parte do dia a dia das pessoas. Porém sabemos que diante desse caos, há de se acreditar,que pessoas como vc, possam falar e serem ouvidas, dirigir, e serem seguidas. Um grande abraço, com minha admiração. Maria Célia Rivetti.

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  6. Maurício

    Estava no blog Estação Feminina clicando nos nomes para ver se conheço as pessoas, cliquei na sua foto e foi assim que encontrei o seu blog. Adorável. Amei.
    Tem uma idéia que sigo de forma diferente da sua. Penso que a covardia não pode ser exorcizada, repreendida, ser seu inimigo íntimo número um nem ser expurgada do seu pensamento e do seu sentimento.
    Porque? a covardia é sombra, faz parte do ego ou personalidade e a coragem é luz, faz parte da alma, do espírito. São partes opostas do mesmo tipo de sentimento.
    A covardia é sombra e não se combate a sombra jogando mais sombra sobre ela. Combate-se a sombra jogando luz e mais luz, tanta luz que a sombra desvanece.
    Se voce entra em um quarto escuro, voce acende o escuro ou a luz?
    Reprimir, exorcizar, repreender, inimigo número um, expurgar a covardia seria como acender o escuro porque todas essas palavras fazem parte da sombra.
    Simplesmente através dessas atitudes que também são sombra não conseguimos nos tornar mais corajosos, não, e na hora que mais precisarmos a covardia sairá do seu estado reprimido e dará o bote.
    A coragem deve ser alimentada, incentivada, olhada com carinho, almejada, cantada, desejada focada, até que paulatinamente a covardia desaparece. O desejo com sentimento...
    É assim com qualquer qualidade negativa e podemos chamar todas de sombra... se queremos o seu oposto positivo, luz, temos que aumentar esse oposto, essa luz, para que o negativo desapareça.
    A covardia é o medo. Todas as qualidades negativas derivam do medo. O medo é o escuro e a luz é o amor.
    Nossos defeitos devem ser vistos com amor e quando colocamos o amor para combatê-los o amor prevalece e iluminamos nossos cantos escuros.
    Esse é um princípio espiritual de Hermes.
    Vou citá-lo:

    O princípio da polaridade

    "Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados."

    O Caibalion

    Com carinho de admiradora,

    elisa

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  7. ótima postagem, eu não havia lido, em meio a loucura contemporanea que vivemos, precisamos estarmos sempre muito casados conoscos, sintonizados, ouvindo nossa sabedoria, inteligencia, discernimento e principalmente o nosso limite, o qual em épocas atuais são os que menos damos ouvidos, e depois não sabemos o porque das tristezas, ansiedades, frustrações...não podemos perder o foco de nós mesmos.
    abraço carinhoso.

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